O Estado de São PauloCelso Ming
Os decepcionantes resultados da indústria em
janeiro podem ter sido agravados pela crise externa ou por fator sazonal
atípico. Mas não foram causados por eles. São resultado das omissões deste
governo e dos anteriores.A queda da produção física em janeiro sobre o
mês anterior foi de 2,1%, como apontou o IBGE na última quarta-feira. E a
redução em 12 meses terminados em janeiro, de 0,2%. Alegações de que o mês foi
atípico, por causa das férias coletivas da indústria, não têm cabimento. Embora
também tenha sido atípico, janeiro de 2011 apontou produção industrial física
2,3% maior do que a de janeiro deste ano.
O desempenho ruim deste início
de ano vem quando o consumo avança perto dos 5% - mostraram as Contas Nacionais
- e há pleno emprego. Ou seja, quando o mercado interno cresce vigorosamente,
mas não consegue ser plenamente atendido pela indústria. Outro sinal de que o
setor perde competitividade.
O governo ainda aposta em que o aumento dos
investimentos na área, a partir deste ano, melhorarão seu desempenho. Mas os
obstáculos de base continuam aí.
Como pode a indústria enfrentar o jogo
duro da crise global se arca com carga tributária de 36% do PIB? Ainda nessa
sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconhecia que era preciso
levar adiante a desoneração dos encargos sociais que incham as folhas de
pagamentos. E, no entanto, já em fevereiro de 2011, a presidente Dilma prometia
prioridade à tal desoneração, adiada indefinidamente e, ainda assim, quando
sair, será por período relativamente curto.
Como a indústria do Brasil
pode competir se, num país em que quase 80% da matriz energética é de fonte
hídrica (ou seja, tem custo zero de matéria-prima), lhe é cobrada a quarta mais
alta tarifa por quilowatt/hora do mundo?
Os dados do Banco Central
mostram que as empresas pagaram, em fevereiro, custo (médio) de 40,9% ao ano nos
juros para desconto de duplicatas; de 55,8% ao ano para desconto de notas
promissórias; de 26,o% ao ano para financiamentos de capital de giro; e de
109,1% ao ano para financiamentos de conta garantida. Que empresa enfrenta
impunemente essas despesas financeiras? Ou, perguntado de outra forma, de quanto
precisa ser o lucro para enfrentar essas contas?
Há um mês, a consultoria
MB Associados apontou que os custos de logística estão em 20% do PIB no Brasil.
Enquanto isso, são de 10,5%, nos Estados Unidos; de 12,0%, no Canadá; de 13,0%,
na Alemanha; e de 20,0%, no México.
Essa baixa competitividade não
começou anteontem. Vem lá de trás, dos tempos de substituição de importações e
das políticas industriais distorcidas. Mas vinha sendo compensada com generosas
desvalorizações da moeda nacional, que barateavam em dólares o produto exportado
e encareciam em moeda nacional o produto importado.
Não dá mais para
prosseguir com esse arranjo. E, no entanto, o governo federal não tem nenhum
plano firme e abrangente destinado a atacar com coragem as reformas que
fortificarão a indústria.
domingo, 11 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
NÃO CONDENE DE FORMA PRECIPITADA - PARASHÁ KI TISSÁ 5772
Um pai desejava ensinar aos seus quatro filhos uma
importante lição a respeito de julgamentos precipitados. Assim, enviou cada um
deles, em uma estação diferente do ano, para observar uma determinada árvore que
estava plantada em uma terra distante. O primeiro filho chegou no inverno, o
segundo na primavera, o terceiro no verão e o quarto no outono. Quando voltaram,
cada um tentou descrever a árvore que havia visto.
O primeiro informou que a árvore era feia, seca e
retorcida. O segundo, indignado com o que havia escutado de seu irmão, disse que
a árvore não tinha nada de seca, ao contrário, estava carregada de botões, cheia
de promessas. O terceiro filho contestou a descrição dos dois irmãos e afirmou
que viu uma árvore coberta de flores, com um cheiro doce e de incrível beleza.
Finalmente, o quarto filho falou que ninguém soubera descrever a árvore de
maneira correta, pois era uma árvore frutífera, carregada de frutas e de vida.
Os quatro irmãos começaram então a discutir, cada um tentando provar que estava
certo, mas não chegavam a nenhuma conclusão. O pai precisou intervir. Ponderado,
explicou: - Vocês todos estão certos. A diferença é que cada um julgou a árvore apenas de acordo com a época do ano em que a viram. Vocês viram a árvore de forma limitada e tomaram decisões precipitadas.
- Na vida - continuou o pai - também é assim. Quase sempre somos precipitados nos julgamentos. Para julgar com acerto, compete-nos observar com atenção e procurar, antes de decidir, informações detalhadas.
********************************************
Na Parashá esta semana, Ki Tissa, a Torá descreve uma das maiores transgressões cometidas pelo povo judeu: a construção do bezerro de ouro. Foi algo tão grave que D'us decidiu destruir todo o povo, fato que não aconteceu somente graças à intervenção de Moshé e à Teshuvá (arrependimento) de todo o povo.
Mas este episódio levanta muitos questionamentos, pois é difícil entender como os judeus puderam fazer um bezerro de ouro 40 dias depois da revelação de D'us no Monte Sinai. Será que eles realmente fizeram idolatria? Lendo a Torá de maneira superficial, parece que sim. Mas quando deixamos escapar importantes detalhes, comprometemos todo o entendimento do que foi transmitido por D'us. E um exemplo clássico disso é o episódio do bezerro de ouro.
Observando com cuidado os versículos, percebemos muitas dificuldades e contradições. Por um lado parece óbvio que o povo fez idolatria. Por exemplo, inicialmente a Torá diz explicitamente que foi isto o que o povo pediu para Aharon: "Nos faça um deus que ande na nossa frente" (Shemot 32:1). Há também adiante outro versículo explícito: "Eles disseram: este é o seu deus, Israel, que te tirou da terra do Egito" (Shemot 32:4).
Porém, por outro lado parece que não foi idolatria, pois logo depois está escrito "Um festival para D'us amanhã" (Shemot 32:5). Se estavam criando uma nova religião com um novo deus, a festa deveria ser para o bezerro de ouro, não para D'us! Além disso, as pessoas querem deuses da guerra, da fertilidade e até mesmo do amor. Não é muito pouco os judeus pedirem um novo deus cuja única função seria andar diante deles? E finalmente, se Moshé era apenas o líder do povo, será que sua morte justificava a criação de uma nova religião com um novo deus?
Há também algumas outras dificuldades nos versículos. Por exemplo, assim D'us avisou para Moshé que o povo havia pecado: "Seu povo, que você trouxe da terra do Egito, se corrompeu" (Shemot 32:7). O povo era de Moshé? Foi ele quem decidiu tirar o povo do Egito?
Finalmente, há algumas dificuldades em relação ao castigo aplicado ao povo. Primeiro está escrito que Moshé, ao ver o bezerro de ouro, ficou muito bravo. Ele moeu o bezerro até virar um pó fino, espalhou sobre a água e fez os judeus beberem (Shemot 32:19). Que tipo de castigo é esse? Além disso, mais adiante a Torá fala sobre 3 mil mortos, executados com espadas pelos homens da tribo de Levi (Shemot 32:26-28). E alguns versículos depois, a Torá fala da morte dos transgressores através de uma praga (Shemot 32:35). Por que tantos castigos diferentes para a mesma transgressão?
Ensina o Rav Dovid Gottlieb que a chave para
começar a entender tantas contradições é saber que não houve um único pecado,
mas diferentes pecados, cometidos por diferentes
pessoas.
O problema começou quando Moshé subiu no Monte Sinai e
avisou que voltaria depois de 40 dias. Mas devido a um erro na contagem feita
pelo povo, ele não desceu na data esperada. Acreditando que ele havia morrido,
os judeus entraram em pânico, pois viam Moshé como o intermediário entre eles e
D'us. Desde a saída do Egito, a interação de D'us com o povo sempre veio através
de Moshé. As pragas começaram e terminam através dele, o Mar Vermelho abriu e
fechou ao comando dele. Sem Moshé, o povo se sentiu desconectado de D'us. Era
necessário urgentemente escolher um novo intermediário e criar uma nova conexão
com D'us. Por que uma estátua? Pois acharam que se fosse novamente alguém de
carne e osso, quando esta pessoa morresse, novamente teriam uma
crise.É por isso que o versículo ressalta que era um festival para D'us, pois eles não pretendiam criar uma nova religião, não faria sentido 40 dias depois da revelação de D'us. O que eles queriam era uma nova conexão com D'us, que eles acharam que havia sido interrompida. Esta foi a intenção da grande maioria do povo.
Então o que significa o versículo "Eles disseram: este é o seu deus, Israel, que te tirou da terra do Egito"? Dentro do povo havia um pequeno grupo que ultrapassou a "linha vermelha" e realmente fez idolatria. Quem fazia parte deste grupo? Na descrição da saída do Egito há um versículo que ajuda a responder: "E também uma grande multidão subiu com eles, e rebanho e gado, e uma posse de animais muito grande" (Shemot 12:38). Que grande multidão era esta? Eram egípcios que ficaram impressionados com os milagres das pragas e quiseram se juntar ao povo judeu. Moshé aceitou levá-los junto com o povo, mas D'us não deixou, pois sabia que a única motivação deles era o medo do castigo, não havia amor pelos caminhos corretos. Mesmo assim Moshé insistiu e finalmente D'us concordou, mas avisou que seria responsabilidade de Moshé caso ocorressem problemas. Foi por isso que D'us disse que o povo que pecou era "o seu povo", que Moshé, sob sua própria responsabilidade, havia decidido tirar do Egito.
Estes egípcios não haviam se arrependido de coração de todos os seus pecados e, portanto, ainda estavam conectados com suas idolatrias. Infelizmente eles conseguiram enganar também alguns judeus, que começaram com a idéia de uma nova conexão com D'us, mas acabaram também cruzando a linha vermelha da idolatria. Porém, nem todos os que cometeram idolatria pecaram da mesma maneira e, por isso, foram castigados de maneiras diferentes.
Para um Beit Din (Tribunal) aplicar a pena de morte em uma pessoa que cometeu transgressões puníveis com morte, como idolatria, há duas condições: é necessário que a transgressão tenha sido vista por pelo menos duas testemunhas e que o transgressor tenha sido advertido, antes da transgressão, de que seu ato seria punido com morte.
Uma parte daqueles que cometeram idolatria o fizeram diante de testemunhas e após terem sido advertidos. Foram os 3 mil que a Torá descreve que receberam como punição a morte com espadas. Outra parte transgrediu diante de testemunhas, mas sem ter recebido advertência. Portanto, este segundo grupo, que não podia ser morto através do Beit Din, morreu através de uma praga. Houve ainda um terceiro grupo que fez idolatria sem testemunhas, isto é, não demonstraram através de seus atos, apenas o fizeram em seus corações. Como saber quem havia se comportado desta maneira? A água com ouro era um "teste interno", para aqueles que fizeram a transgressão escondidos. Quem havia feito idolatria em seu coração morreu ao beber a água.
E como explicar o versículo que diz "Nos faça um deus que ande na nossa frente", já que este versículo, pelo contexto, certamente se refere a um pedido feito pela maioria do povo? A resposta é que o termo utilizado neste versículo, "elohim", significa tanto "deus" quanto "intermediário". O mesmo termo é utilizado, por exemplo, quando D'us mandou Aharon acompanhar Moshé no encontro com o Faraó, como está escrito: "Ele será para você uma boca e você será para ele elohim" (Shemot 4:16). Certamente Moshé não seria um deus para Aharon, e sim um intermediário entre ele e o faraó. Se fosse realmente um deus que o povo judeu estava construindo, iriam esperar muito mais dele. Como a intenção era apenas ter um intermediário, o único propósito do bezerro de ouro era andar na frente deles, isto é, guiá-los, da mesma forma que Moshé, um intermediário de D'us, fazia.
A conclusão é que a maioria do povo judeu cometeu, ao contrário do que parecia, apenas um crime "filosófico", isto é, tomou decisões que D'us não havia pedido e de maneira que Ele não havia ensinado. Eles quiseram inventar uma nova conexão. Mas D'us não nos pediu para criarmos nada novo, pois não decidimos nada aqui. D'us nos deu livre escolha, mas é Ele, e apenas Ele, Quem decide o que é certo ou errado e como as coisas devem ser feitas.
Portanto, a pergunta "Como os judeus puderam fazer idolatria 40 dias depois do Sinai?" é um equívoco. Eles erraram, um erro considerado por D'us como algo muito grave, mas não foi idolatria. Então por que D'us não ensinou explicitamente este conceito? Um dos motivos é para nos deixar um ensinamento muito importante: nunca devemos julgar pessoas ou situações apenas pelas aparências. Se lemos a Torá de forma superficial, parece que todo o povo cometeu idolatria. Mas quando nos aprofundamos e entendemos todas as dificuldades e contradições dos versículos, aprendemos que foi uma transgressão que, apesar de séria, era muito menor do que idolatria.
Da mesma forma erramos quando vemos alguém com atitudes que não concordamos e somos rápidos em julgar para o mal, sem antes verificar o que ocorreu. Sempre consideramos que foi muito mais grave do que realmente foi e não procuramos os motivos que podem ter levado a pessoa a cometer este erro. Julgamos de maneira precipitada e sem todos os dados em mãos.
O Pirkei Avót nos ensina o comportamento correto: "Julgue toda pessoa para o bem" (Pirkei Avót 1:6). Mas a tradução literal seria "Julgue toda a pessoa para o bem". O que significa julgar toda a pessoa? Que quando julgamos alguém, não podemos julgar de maneira superficial, temos que conhecer os detalhes. Se uma pessoa está mal-humorada, pode ser que acabou de perder o emprego, bater o carro ou perder dinheiro. Da mesma maneira que gostaríamos que os outros levassem em consideração nossas dificuldades quando fazemos algo errado, assim devemos nos esforçar para procurar sempre motivos de como julgar os outros para o bem.
SHABAT SHALOM
R' Efraim Birbojmhttp://ravefraim.blogspot.com/
Ex. 30:11-34:35, 1Re. 18:1-39, 2 Co. 3:1-18
quinta-feira, 8 de março de 2012
O Homem e A Mulher
O homem é a mais elevada das criaturas;
A mulher é o mais sublime dos ideais.
O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz;
O coração, o AMOR.
A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é forte pela razão;
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.
O homem é um código;
A mulher é um evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter , no crânio, uma larva;
Sonhar é ter , na fronte, uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.Victor Hugo
A mulher é o mais sublime dos ideais.
O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz;
O coração, o AMOR.
A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é forte pela razão;
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.
O homem é um código;
A mulher é um evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter , no crânio, uma larva;
Sonhar é ter , na fronte, uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.Victor Hugo
quarta-feira, 7 de março de 2012
O PIB da ineficiência
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| EMAIL: noticiasdodia@cna.org.br |
segunda-feira, 5 de março de 2012
O ponto final na discussão sobre o Código Florestal
Conceito de anistia e benefício a grandes desmatadores são refutados por especialistas
Redação
A Câmara dos Deputados deve votar nesta terça (06) ou quarta-feira (07) a versão final do novo Código Florestal. A proximidade da votação trouxe à tona velhas dúvidas sobre a nova legislação. Por isso, o Sou Agro recuperou diversas entrevistas, inclusive de ambientalistas, que mostram que o projeto de lei em votação não dará anistia para os grandes desmatadores ilegais.
As mudanças feitas pelos senadores deixaram claro que não há anistia – a palavra nem aparece no projeto de lei. Na realidade, as multas poderão ser suspensas, caso os proprietários rurais se comprometam a recompor as matas que não deveriam ter sido derrubadas. Se a recomposição não for cumprida, as multas voltam a valer.
Mesmo assim, algumas pessoas podem achar injusto que as multas já aplicadas sejam suspensas. O objetivo dos legisladores com a possibilidade da suspensão, no entanto, é trazer o maior número de agricultores para a legalidade e estimulá-los a recompor as florestas. Afinal, o que vale mais: a multa devida ou a floresta em pé?
“A reforma dó Código vai trazer mais segurança jurídica e encorajar os produtores a fazerem seu cadastramento ambiental rural (CAR)”, disse o pesquisador da RedeAgro Rodrigo Lima, advogado que acompanha as principais negociações ambientais internacionais. A adesão ao CAR será condição essencial para que o produtor tenha suas multas ambientais suspensas.
Para Feldmann, é mais eficaz estimular a preservação do que punir os infratores. “Legislações baseadas na criminalização são um equívoco recorrente”, critica. Para ele, mesmo o novo Código continuou muito centrado na política de comando e controle, e não nos instrumentos econômicos de estímulo.
Pequenos são mais beneficiados
Além disso, os números mostram que os grandes beneficiários da reforma do Código Florestal serão os pequenos agricultores, e não os grandes. As propriedades de até quatro módulos fiscais – medida variável considerada como teto da pequena propriedade – não terão que recompor integralmente as reservas legais e áreas de preservação permanente (APPs) de margem de rio que já tiverem sido desmatadas.
Em propriedades pequenas, respeitar a soma da reserva legal (no mínimo 20% da área total) mais as APPs pode significar a total inviabilidade da produção dentro da lei. Por isso, duas possibilidades do novo Código Florestal vão ajudar os pequenos produtores como Élcio Evangelista, de Cabo Verde (MG). A primeira delas é a de poder cumprir a obrigação de reserva legal dentro das APPs e a segunda é a de recompor apenas 15 metros de mata de cada lado dos cursos d’água.
“As exceções para os pequenos produtores são eficientes para estimulá-los a se regularizar junto aos órgãos ambientais, já que é impossível fiscalizar todas as propriedades do País”, ressaltou o coordenador da RedeAgro, André Nassar. “Muitas pessoas são contra as mudanças no Código porque não fazem ideia dos desafios de gerir uma propriedade, fazê-la produzir com sustentabilidade e preservando o meio ambiente”, disse, em outubro de 2011, o presidente da Federação dos Trabalhadores Agrícolas do Estado de São Paulo (Fetaesp), Braz Albertini.
Diversas outras entidades que representam os pequenos agricultores, em especial a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), também se posicionaram a favor da reforma do Código Florestal.
http://www.souagro.com.br/o-ponto-final-na-discussao-sobre-o-codigo-florestal
Segundo o texto aprovado pelo Senado e em análise na Câmara, as multas ambientais por desmatamento acima do permitido serão suspensas apenas para aqueles produtores que se comprometerem a recuperar as matas que não deveriam ter sido derrubadas. “O texto original aprovado na Câmara criava uma anistia, que seria absurda, mas isso foi corrigido no Senado”, afirma o ambientalista e advogado Fabio Feldmann, ex-deputado federal pelo Partido Verde.
Mesmo assim, algumas pessoas podem achar injusto que as multas já aplicadas sejam suspensas. O objetivo dos legisladores com a possibilidade da suspensão, no entanto, é trazer o maior número de agricultores para a legalidade e estimulá-los a recompor as florestas. Afinal, o que vale mais: a multa devida ou a floresta em pé?
“A reforma dó Código vai trazer mais segurança jurídica e encorajar os produtores a fazerem seu cadastramento ambiental rural (CAR)”, disse o pesquisador da RedeAgro Rodrigo Lima, advogado que acompanha as principais negociações ambientais internacionais. A adesão ao CAR será condição essencial para que o produtor tenha suas multas ambientais suspensas.
Para Feldmann, é mais eficaz estimular a preservação do que punir os infratores. “Legislações baseadas na criminalização são um equívoco recorrente”, critica. Para ele, mesmo o novo Código continuou muito centrado na política de comando e controle, e não nos instrumentos econômicos de estímulo.
Pequenos são mais beneficiados
Além disso, os números mostram que os grandes beneficiários da reforma do Código Florestal serão os pequenos agricultores, e não os grandes. As propriedades de até quatro módulos fiscais – medida variável considerada como teto da pequena propriedade – não terão que recompor integralmente as reservas legais e áreas de preservação permanente (APPs) de margem de rio que já tiverem sido desmatadas.
Em propriedades pequenas, respeitar a soma da reserva legal (no mínimo 20% da área total) mais as APPs pode significar a total inviabilidade da produção dentro da lei. Por isso, duas possibilidades do novo Código Florestal vão ajudar os pequenos produtores como Élcio Evangelista, de Cabo Verde (MG). A primeira delas é a de poder cumprir a obrigação de reserva legal dentro das APPs e a segunda é a de recompor apenas 15 metros de mata de cada lado dos cursos d’água.
“As exceções para os pequenos produtores são eficientes para estimulá-los a se regularizar junto aos órgãos ambientais, já que é impossível fiscalizar todas as propriedades do País”, ressaltou o coordenador da RedeAgro, André Nassar. “Muitas pessoas são contra as mudanças no Código porque não fazem ideia dos desafios de gerir uma propriedade, fazê-la produzir com sustentabilidade e preservando o meio ambiente”, disse, em outubro de 2011, o presidente da Federação dos Trabalhadores Agrícolas do Estado de São Paulo (Fetaesp), Braz Albertini.
Diversas outras entidades que representam os pequenos agricultores, em especial a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), também se posicionaram a favor da reforma do Código Florestal.
http://www.souagro.com.br/o-ponto-final-na-discussao-sobre-o-codigo-florestal
domingo, 4 de março de 2012
Relativismo Totalitário
Eguinaldo Hélio de Souza
Precisamos entender um pouco nossa civilização, que um dia foi chamada de cristã e que dia após dia torna-se mais anticristã.
Primeiro veio a liberdade de pensamento, de expressão, de religião. Cada um podia pensar o que quisesse, dizer o que bem entendesse, crer em qualquer coisa. E assim nosso mundo tornou-se um multiverso, com centenas de ideias e crenças diferentes e distintas. Nenhum problema. Até aqui, tudo bem.
De repente, alguém disse que o pensamento e as crenças do outro estavam errados e que suas palavras também estavam errados. Então surgiu alguns e começaram a dizer que nada estava errado porque tudo era relativo. Não havia preto ou branco, só cinza. Bem ou mal dependia do conceito de cada um. Também não havia nenhuma certeza em religião alguma. Todas estavam certas.
Parecia uma boa saída para que religiões e opiniões diferentes pudessem caminhar juntas sem se chocarem. Todo mundo estava certo, não havia verdades absolutas para serem defendidas. Sem perceber, essa filosofia, chamada relativismo, matou a verdade onde quer que ela se encontra-se. A verdade é absoluta por sua própria natureza. É como a esfericidade do globo ou a redondeza do círculo. Se tirarmos o absoluto da verdade não existe mais nada.
O cristianismo se sustenta sobre o fato da verdade absoluta. Suas afirmações são definitivas. Jesus é a Verdade com “V” maiúsculo e não uma entre tantas verdades que temos por aí. Só Nele há salvação e em nenhum outro (Atos 4.12). A Bíblia é a Palavra de Deus, onde a estrutura da realidade é devidamente representada e suas normas morais são indiscutíveis e definitivas. Os mandamentos de Deus são o fundamento absoluto do certo e o do errado.
Com o relativismo nossa sociedade pluralista foi se tornando cada dia menos cristã e agora vai se tornando cada dia mais anticristã. Os valores morais e espirituais do cristianismo, por serem absolutos, vão sendo sufocados por políticas estatais que não se ajustam a tal relativismo. Pelo menos em três áreas isso é visível
O certo e o errado não possuem mais um padrão absoluto. Antes ele até poderia ser estabelecido pela maioria, mas agora as minorias também podem impor suas normas morais através de ações políticas. Basta lembrar do gayzismo, esse movimento que está tentando transformar uma prática sexual condenada universalmente no mundo e na história em uma casta privilegiada que não pode ser criticada de forma nenhuma. Uma ação que um dia foi crime hoje criminaliza quem a condena.
O mesmo podemos dizer da bruxaria. Outrora definia práticas demoníacas e condenáveis. Hoje seus praticantes a ensinam para crianças e adolescentes até com certo glamour.
O cristianismo vai sendo discriminado por condenar práticas imorais, demonstrando que existe o certo e o errado.
As culturas foram sacralizadas, isto é, tudo nelas se tornou intocável. Quando o cristianismo começou a singrar os mares, o canibalismo, o infanticídio e a queima de viúvas sobre os túmulos dos maridos foi abolido. Entendia-se que aqueles elementos eram errados porque eram condenados pela revelação divina na Palavra de Deus.
Se fosse hoje os europeus seriam criticados e criminalizados por se escandalizar com os sacrifícios humanos dos astecas, por exemplo. Os antropólogos condenam qualquer atividade missionária, pois, isso alteraria a cultura indígena. O infanticídio comum entre certas tribos não pode ser proibido porque é “cultural”. Todo mal é cultural. E nem todos os aspectos de uma cultura são aprovados por Deus.
O cristianismo vai aos poucos sendo marginalizado por colocar Deus acima da cultura.
Absolutamente, só H2O forma a água. Dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Nada diferente disso será água, pelo menos não como a conhecemos naturalmente. A realidade tem uma estrutura absoluta.
Mas no trato com as coisas espirituais o relativismo quer igualar tudo. Tanto faz se uma religião prega o amor ao próximo e o sacrifício em favor dos outros, como faz o cristianismo ou se fura um boneco para destruir a vida do inimigo, como no Vodu. Todas as religiões têm o mesmo valor.
Na Inglaterra um presidiário ganhou o direito de praticar o satanismo na cadeia. É a liberdade religiosa.
Qualquer crítica que o cristianismo faça à outras religiões começa a ser considerado ofensa grava. Em alguns lugares dos EUA já não se pode falar Feliz Natal para não ofender adeptos de outras religiões. Em certos países pregar o Evangelho é proselitismo e é considerado ilegal. E não estamos falando de países muçulmanos, mas daqueles que um dia foram chamados de cristãos.
O cristianismo está sendo condenado por se declarar único caminho capaz de ligar o homem a Deus. Seu exclusivismo choca-se com o relativismo secular.
Os absolutos do cristianismo estão se chocando com o relativismo secular. E o secularismo é a filosofia oficial dos Estados. Isso significa que cada vez mais o cristianismo será tolhido pelas políticas estatais. Leis anticristãs se tornarão cada vez mais influentes. Essa é a nossa situação.
Urge uma resposta nossa. E essa resposta depende de nossa visão de cristianismo e de mundo. Deus nos ajude a tomarmos as atitudes certas.
Precisamos entender um pouco nossa civilização, que um dia foi chamada de cristã e que dia após dia torna-se mais anticristã.
Primeiro veio a liberdade de pensamento, de expressão, de religião. Cada um podia pensar o que quisesse, dizer o que bem entendesse, crer em qualquer coisa. E assim nosso mundo tornou-se um multiverso, com centenas de ideias e crenças diferentes e distintas. Nenhum problema. Até aqui, tudo bem.
De repente, alguém disse que o pensamento e as crenças do outro estavam errados e que suas palavras também estavam errados. Então surgiu alguns e começaram a dizer que nada estava errado porque tudo era relativo. Não havia preto ou branco, só cinza. Bem ou mal dependia do conceito de cada um. Também não havia nenhuma certeza em religião alguma. Todas estavam certas.
Parecia uma boa saída para que religiões e opiniões diferentes pudessem caminhar juntas sem se chocarem. Todo mundo estava certo, não havia verdades absolutas para serem defendidas. Sem perceber, essa filosofia, chamada relativismo, matou a verdade onde quer que ela se encontra-se. A verdade é absoluta por sua própria natureza. É como a esfericidade do globo ou a redondeza do círculo. Se tirarmos o absoluto da verdade não existe mais nada.
O cristianismo se sustenta sobre o fato da verdade absoluta. Suas afirmações são definitivas. Jesus é a Verdade com “V” maiúsculo e não uma entre tantas verdades que temos por aí. Só Nele há salvação e em nenhum outro (Atos 4.12). A Bíblia é a Palavra de Deus, onde a estrutura da realidade é devidamente representada e suas normas morais são indiscutíveis e definitivas. Os mandamentos de Deus são o fundamento absoluto do certo e o do errado.
Com o relativismo nossa sociedade pluralista foi se tornando cada dia menos cristã e agora vai se tornando cada dia mais anticristã. Os valores morais e espirituais do cristianismo, por serem absolutos, vão sendo sufocados por políticas estatais que não se ajustam a tal relativismo. Pelo menos em três áreas isso é visível
Relativismo moral
Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo! (Isaías 5.20)O certo e o errado não possuem mais um padrão absoluto. Antes ele até poderia ser estabelecido pela maioria, mas agora as minorias também podem impor suas normas morais através de ações políticas. Basta lembrar do gayzismo, esse movimento que está tentando transformar uma prática sexual condenada universalmente no mundo e na história em uma casta privilegiada que não pode ser criticada de forma nenhuma. Uma ação que um dia foi crime hoje criminaliza quem a condena.
O mesmo podemos dizer da bruxaria. Outrora definia práticas demoníacas e condenáveis. Hoje seus praticantes a ensinam para crianças e adolescentes até com certo glamour.
O cristianismo vai sendo discriminado por condenar práticas imorais, demonstrando que existe o certo e o errado.
Relativismo cultural
“Quando entrarem na terra que o SENHOR, o seu Deus, lhes dá, não procurem imitar as coisas repugnantes que as nações de lá praticam. (...) O SENHOR tem repugnância por quem pratica essas coisas, e é por causa dessas abominações que o SENHOR, o seu Deus, vai expulsar aquelas nações da presença de vocês (Deuteronômio 18.9, 12)As culturas foram sacralizadas, isto é, tudo nelas se tornou intocável. Quando o cristianismo começou a singrar os mares, o canibalismo, o infanticídio e a queima de viúvas sobre os túmulos dos maridos foi abolido. Entendia-se que aqueles elementos eram errados porque eram condenados pela revelação divina na Palavra de Deus.
Se fosse hoje os europeus seriam criticados e criminalizados por se escandalizar com os sacrifícios humanos dos astecas, por exemplo. Os antropólogos condenam qualquer atividade missionária, pois, isso alteraria a cultura indígena. O infanticídio comum entre certas tribos não pode ser proibido porque é “cultural”. Todo mal é cultural. E nem todos os aspectos de uma cultura são aprovados por Deus.
O cristianismo vai aos poucos sendo marginalizado por colocar Deus acima da cultura.
Relativismo religioso
Irmãos, o desejo do meu coração e a minha oração a Deus pelos israelitas é que eles sejam salvos. Posso testemunhar que eles têm zelo por Deus, mas o seu zelo não se baseia no conhecimento. (Romanos 10.1, 2)Absolutamente, só H2O forma a água. Dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Nada diferente disso será água, pelo menos não como a conhecemos naturalmente. A realidade tem uma estrutura absoluta.
Mas no trato com as coisas espirituais o relativismo quer igualar tudo. Tanto faz se uma religião prega o amor ao próximo e o sacrifício em favor dos outros, como faz o cristianismo ou se fura um boneco para destruir a vida do inimigo, como no Vodu. Todas as religiões têm o mesmo valor.
Na Inglaterra um presidiário ganhou o direito de praticar o satanismo na cadeia. É a liberdade religiosa.
Qualquer crítica que o cristianismo faça à outras religiões começa a ser considerado ofensa grava. Em alguns lugares dos EUA já não se pode falar Feliz Natal para não ofender adeptos de outras religiões. Em certos países pregar o Evangelho é proselitismo e é considerado ilegal. E não estamos falando de países muçulmanos, mas daqueles que um dia foram chamados de cristãos.
O cristianismo está sendo condenado por se declarar único caminho capaz de ligar o homem a Deus. Seu exclusivismo choca-se com o relativismo secular.
Os absolutos do cristianismo estão se chocando com o relativismo secular. E o secularismo é a filosofia oficial dos Estados. Isso significa que cada vez mais o cristianismo será tolhido pelas políticas estatais. Leis anticristãs se tornarão cada vez mais influentes. Essa é a nossa situação.
Urge uma resposta nossa. E essa resposta depende de nossa visão de cristianismo e de mundo. Deus nos ajude a tomarmos as atitudes certas.
Fonte: www.juliosevero.com
sábado, 3 de março de 2012
Porque a direita sumiu
Escrito por Olavo de Carvalho
Em artigo recente, João Mellão Neto define muito corretamente o espírito do conservadorismo, mas falha em explicar por que a direita se enfraqueceu no Brasil ao ponto de todos os candidatos, nas duas últimas eleições presidenciais, serem de esquerda. (ver http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,uma-nova-direita--por-que-nao-,839845,0.htm).
Fonte: www.dcomercio.com.br/index.php/opiniao/sub-menu-opiniao/83265-porque-a-direita-sumiu
Geisel (em pé) e Sylvio Frota: uma guinada à esquerda afastou o conservador. - Arquivo AE
Isto aconteceu, diz ele, porque a direita apoiou a ditadura e a ditadura não respeitou os direitos humanos. Esse diagnóstico revela mais sobre a mente que o produziu do que sobre os fatos a que pretende aludir.
Mellão, com toda a evidência, aceitou a narrativa histórica dos adversários e argumenta contra eles numa perspectiva que, no fim das contas, continua sendo a deles.
Ninguém entenderá a história do período militar sem estar consciente de que em 1964 não houve um golpe, porém dois: o primeiro removeu do poder um governante odiado pela população, que foi às ruas aplaudir entusiasticamente a derrubada do trapalhão esquerdista. O segundo, meses depois, traiu a promessa de restauração democrática imediata e iniciou o longo e deprimente processo de demolição das lideranças políticas conservadoras, substituídas, no poder, por uma elite onipotente de generais e tecnocratas "apolíticos".
A grande ironia das duas décadas de governo militar foi que este, movendo céus e terras para liquidar a esquerda armada, nada fez contra a desarmada, mas antes a cortejou e protegeu, permitindo que assumisse o controle de todas as instituições universitárias, culturais e de mídia, fazendo daqueles vinte anos "de chumbo" uma época de esfuziante prosperidade da indústria das ideias esquerdistas no Brasil.
Vasculhem a história do período e verão que, se o governo perseguia e amaldiçoava a violência guerrilheira, ao mesmo tempo nada fazia para combater o comunismo no plano ideológico, muito menos para ensinar à nação o valor perene dos princípios conservadores, que pouco a pouco foram caindo no total esquecimento até tornar-se como que uma língua estrangeira, desaparecida do cenário público decente já antes de os líderes esquerdistas mais notórios voltarem do exílio.
À imperdoável omissão dos governos militares no campo da guerra cultural e ideológica somou-se o desprezo da clique oficial pela classe política e as grandes lideranças conservadoras foram sendo apagadas, uma a uma, como velas sob um vendaval.
Foi durante aquele regime que vozes poderosas do campo conservador, como as de Carlos Lacerda e Adhemar de Barros, foram caladas, enquanto outras, como as de Pedro Aleixo e Paulo Egídio Martins, foram menosprezadas e esquecidas, e outras ainda, como a de Roberto de Abreu Sodré, acabaram se acomodando à mediocridade oficial até perderem toda relevância própria.
Tanto foi assim que, quando o governo Geisel deu sua virada à esquerda, adotando uma política nuclear antiamericana, estimulando o mais obsceno "terceiromundismo" na diplomacia e até fornecendo armas, dinheiro e assistência técnica para Fidel Castro invadir Angola, não se ouviu um protesto sequer das lideranças civis.
A única resistência que apareceu, vinda do campo militar por meio do valente general Sylvio Frota, foi logo sufocada sob acusações de "golpismo" e aplausos gerais ao presidente triunfante que estrangulara a "linha dura".
Nas universidades, a direita foi sistematicamente preterida na distribuição de verbas e cargos, que a generosidade insana do governo prodigalizava aos esquerdistas na ilusão de neutralizá-los ou seduzi-los (o processo, de indecência sem par, é descrito em http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/QTMFB.pdf) pelo estudioso venezuelano Ricardo Vélez Rodriguez, um dos mais abalizados conhecedores da vida universitária no Brasil).
Até mesmo no jornalismo foi ainda durante o período militar que a esquerda assumiu de vez o controle das redações (v. meus artigos em
http://www.olavodecarvalho.org/semana/111124dc.html; http://www.olavodecarvalho.org/semana/111125dc.html
e http://www.olavodecarvalho.org/semana/111130dc.html), enquanto porta-vozes fulgurantes do pensamento conservador, como Gustavo Corção, Lenildo Tabosa Pessoa e Nicolas Boer, iam sendo jogados para escanteio sem que ninguém desse pela sua falta.
A direita pensante e atuante foi, literalmente, esmagada pela ditadura, que ao mesmo tempo, na esperança idiota de dividir os adversários e ganhar o apoio de uma parte deles, abria as portas e os cofres das instituições de cultura para o ingresso da revolução gramsciana.
Quando terminou a era dos governos militares, em 1988, só o povão mudo, desprovido de canais para fazer valer suas opiniões, era ainda conservador no Brasil, enquanto o espaço cultural inteiro – mídia, movimento editorial, universidades, escolas secundárias e primárias, etc. – já era ocupado, gostosamente, pela multidão de tagarelas da esquerda que ainda mandam e desmandam no panorama mental brasileiro.
Aos sucessos retumbantes que obteve na economia e no combate às guerrilhas, a ditadura aliou, em triste compensação, uma cegueira ideológica indescritível, que expulsou a direita do cenário público e entregou o espaço àqueles que até hoje o dominam.
Cabe, nesse contexto, lembrar mais uma vez o dito de Hugo Von Hofmannsthal, segundo o qual nada está na política de um país que primeiro não esteja na sua literatura (tomada em sentido amplo de alta cultura). A direita saiu da política nacional porque, com a complacência e até a ajuda do governo militar, foi primeiro banida da cultura nacional.
Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia
Fonte: www.dcomercio.com.br/index.php/opiniao/sub-menu-opiniao/83265-porque-a-direita-sumiu
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