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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Aumenta protecionismo brasileiro no comércio exterior

DCI
Fernanda Bompan


As expectativas para a balança comercial brasileira e seu impacto na produção industrial estão a pressionar o governo por adotar medidas de caráter protecionista
Com o déficit de US$ 1,3 bilhão em janeiro, o maior para o mês da série histórica, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) confirmou que uma série de estímulos à exportação brasileira será adotada. Ao mesmo tempo, mais atitudes para conter as importações serão tomadas.
Para especialistas entrevistados pelo DCI, essas medidas para beneficiar os exportadores devem ser mais ligadas à redução de impostos. "Não vejo espaço para mexer no câmbio ou que o governo adote ações mais criativas, como a antecipação dos recebíveis de exportação. Acredito que algum benefício fiscal deve ser tomado", especula Gabriel Charilaos Vlavianos, diretor da EAGroup Brasil, administradora de fundos de investimentos.
Ontem, em mensagem ao Congresso, a presidente da República Dilma Rousseff afirmou que o Brasil vai avançar ainda mais neste ano nas políticas de defesa comercial para coibir a concorrência desleal contra a indústria do País. Desde o final do ano passado, o governo adotou medidas que visa favorecer o crescimento econômico, tal como o aumento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados.
E, agora, há uma expectativa de que após a volta da presidente Dilma e dos ministros do Mdic, Fernando Pimentel, e das Relações Internacionais, Antônio Patriota, um acordo entre Brasil e México possa ser rompido, a fazer com que carros importados passem a valer 35% a mais em imposto ao entrar no País.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), disse, por meio de nota, que considera importante a manutenção do Acordo de Comércio Automotivo Brasil-México por sua relevância como fator de integração comercial e de fomento do comércio bilateral.
"A Anfavea entende que acordos internacionais de comércio são dinâmicos e podem ser atualizados, ampliados e ou ajustados em sua abrangência e condições. E defende ainda a celebração de novos acordos de comércio e preferências tarifárias, como instrumento indutor e promotor do comércio exterior brasileiro e como fator de estabilidade e de competitividade das relações de trocas ", avaliou no comunicado.
Segundo a associação, o comércio automotivo de veículos e peças Brasil-México, no valor de US$ 4,3 bilhões em 2011, representa 47% do fluxo comercial entre os dois países. Entre 2000 e 2011 as exportações de veículos e peças para o México totalizaram US$ 21,2 bilhões e as importações, US$ 8,7 bilhões.
Pelos dados do Mdic, as importações de automóveis mexicanos cresceram 40% em 2011, ao somar R$ 2 bilhões, e resultaram em um déficit de US$ 1,7 bilhão na balança comercial.
Para Vlavianos, ações como o aumento de impostos são formas de atrair a instalação de fabricantes estrangeiras no País, e com isso, trazer mais tecnologia. Intenção essa que já surte resultados, já que, segundo ele, a JAC Motors mostrou interesse em abrir fábricas no Brasil. "O governo, de fato está preocupado com a situação da balança comercial. Por isso, é possível que continue a fazer medidas mais paliativas", diz o diretor da EAGroup.
Contudo, recentemente um grupo de sete governos - Austrália, União Europeia, Estados Unidos, Hong Kong, Coreia, Japão e Colômbia - atacou na Organização Mundial do Comércio (OMC) as barreiras adotadas pelo Brasil no setor automobilístico, acusando de serem "inconsistentes" com as regras internacionais.
Em resposta, o governo brasileiro insistiu que estava sendo transparente em relação às medidas. Mas sabe-se que alguns países consultaram suas empresas para saber se há interesse da abertura de uma disputa.

Protecionismo
Ao divulgar o resultado da balança comercial de janeiro, a secretária de comércio exterior do Mdic, Tatiana Prazeres, previu que o ano será complicado para o País. Segundo ela, as importações estão avançando muito além das exportações. Dados do varejo confirmam que a tendência é de que a compra de produtos estrangeiros deve continuar forte, a se acompanhada pela depreciação da moeda norte-americana, que fechou ontem a R$ 1,7220 por dólar, com recuo de 0,63%.
O diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABPT), Wilen Manteli, entende que o Brasil tem direito a se defender das disputas internacionais. "O que não pode é ter um protecionismo que beneficie a ineficiência", diz. A opinião é endossada por Vlavianos.
De acordo com Manteli, não adianta proteger o comércio exterior brasileiro, sem resolver os gargalos internos. "A carga tributária ainda é muito alta no País, o que prejudica o setor privado como um todo, inclusive os exportadores. Além de que a logística do País ainda é deficitária. Há avanços no setor portuário, por exemplo, mas o acesso a ele [transporte] é complicado", analisa o especialista.


COMENTO:
Este governo é de uma incompetência absurda.
Protecionismo? Para começar, vai proteger o quê? A indústria brasileira está por um fio.
Não há estrutura seja rodoviária, de portos ou de aeroportos. A carga tributária é um horror. Tenho certeza absoluta que se houvesse menos burocracia e mais incentivos conseguiríamos ao menos sobreviver. Mas como concorrer com a China, este gigante que tem mão-de-obra barata, baixos impostos e o câmbio a seu favor?
O mais interessante é que a única coisa que ainda resiste e segura a balança comercial brasileira é o agronegócio. Seria muito bom que as pessoas tivessem conhecimento disto. Pois até com isto os ambientalistas querem acabar: com a produção de alimentos.
O Novo Código Florestal já está em pauta novamente. Aguardemos e veremos.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Se as commodities caírem

O Estado de S. Paulo

Rolf Kuntz
O Brasil continua aproveitando a onda de bons preços internacionais para minérios, produtos agrícolas e bens intermediários. Cotações favoráveis são a principal explicação para o bom desempenho do comércio exterior, com exportação de US$ 157,6 bilhões de janeiro até a terceira semana de agosto - valor 31,3% maior que o de um ano antes - e superávit de US$ 18,4 bilhões. O resultado final do ano deverá ultrapassar o de 2010, US$ 20,2 bilhões. A última projeção do mercado financeiro é um saldo de US$ 22,8 bilhões. E se os preços caírem? As cotações tendem a manter-se ou a diminuir, segundo comentou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em depoimento no Congresso nesta terça-feira. Não virão, portanto, novas pressões inflacionárias desse mercado, segundo sua avaliação. Mas poderá - faltou acrescentar esse ponto - haver consequências indesejáveis nas contas externas. De janeiro a julho, o País acumulou um buraco de US$ 28,9 bilhões nas transações correntes com o exterior, equivalente a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2010, no mesmo período, a proporção foi maior, 2,4%. Houve melhora, portanto, graças ao crescimento do PIB, e esse déficit parece perfeitamente administrável. Mas como ficará a situação, se houver uma desvalorização das commodities?
É bom levar em conta essa possibilidade, por causa do risco de uma nova recessão nas economias mais avançadas e da perspectiva de menor crescimento chinês. Nos últimos três anos os termos de troca - relação entre preços de exportações e de importações - aumentaram 35%. Isso permitiu suportar o aumento de importações, principalmente de bens de consumo e bens intermediários, ocasionado pela expansão da demanda interna e pela valorização do real. O déficit na conta corrente voltou a crescer, mas se manteve em níveis considerados seguros. Mas convém pensar nas consequências de uma volta dos termos de troca a padrões menos favoráveis.
Se os termos de troca permanecerem constantes, o déficit em transações correntes cairá dos atuais 2,1% do PIB para 1,8% no próximo ano, segundo estimativa da Sobeet, a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica. Se convergirem para a média observada a partir de 2000, o buraco aumentará para 3,1% em 2012. Mas poderá chegar a 3,3% ou a 3,6%, no mesmo ano, se as médias forem aquelas dos períodos iniciados em 1990 ou em 1980. A manutenção de todas as demais variáveis, incluído o crescimento do PIB, é um dos pressupostos adotados para esses cálculos. Mesmo na pior hipótese, o déficit continuaria financiável em 2012, segundo os autores das projeções. Mas poderia haver problemas nos anos seguintes.
utros economistas têm procurado estimar como ficariam as contas, no caso de uma alteração nos termos de troca. Se a relação entre preços de exportação e de importação estivesse na média de 1980 a 2010, o saldo comercial nos 12 meses terminados em julho seria um déficit de US$ 24,6 bilhões, em vez de um superávit de US$ 26,4 bilhões, segundo cálculo da Quest Investimentos citado pelo Valor.
O crescimento brasileiro, baseado principalmente no dinamismo do mercado interno, tem dependido, portanto, das condições excepcionalmente favoráveis do mercado de produtos básicos e bens intermediários. A demanda interna tem pressionado fortemente as importações. Neste ano, o gasto com produtos importados, mesmo sem grande influência de preços, foi até a terceira semana de agosto 28,2% maior que o de um ano antes. A diferença entre o valor exportado neste ano e o registrado em 2010 foi pouco maior - 31,3% - e é explicável essencialmente pelo aumento de preços internacionais. A relativa segurança das contas externas - com o déficit em conta corrente em nível ainda administrável - tem dependido, portanto, de fatores fora do controle dos brasileiros - o crescimento dos emergentes, especialmente da China, e seus efeitos sobre as cotações das commodities.
Esses fatores são reversíveis e já há quem preveja uma forte desaceleração da economia chinesa. Esse é o caso do professor americano Michael Pettis, da Universidade de Pequim, segundo reportagem da correspondente Claudia Trevisan, publicada no Estado de segunda-feira. Admitir a hipótese de um crescimento menor da China, pelo menos para montar uma estratégia defensiva, seria uma demonstração de prudência do governo brasileiro. Muito mais prudente, no entanto, teria sido um cuidado maior com o poder de competição da economia brasileira. Aproveitar a valorização das commodities é muito bom. Ruim é depender dos preços desses produtos e da fome de matérias-primas de umas poucas economias emergentes.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Commodities puxam balança comercial brasileira

O Estado de S. Paulo

Alessandra Saraiva
As commodities devem "salvar" a balança comercial brasileira este ano, na avaliação do presidente em exercício da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. O saldo deficitário, que poderia ocorrer em consequência do câmbio, está praticamente afastado. As projeções da AEB, revisadas ontem, apontam para superávit de US$ 26,260 bilhões, ligeiramente acima da última estimativa, de US$ 26,100 bilhões.
O avanço das importações este ano foi equilibrado pela forte procura por matérias-primas brasileiras no mercado internacional. A estimativa para as exportações brasileiras saltou de US$ 225,790 bilhões para US$ 244,561 bilhões; e a projeção para as importações subiu de US$ 199,690 bilhões para US$ 218,301 bilhões.
Para as exportações, a AEB revisou de 13,1% para 21,1% o crescimento previsto para este ano, similar ao que ocorreu com as importações, cuja elevação foi revisada de 9,5% para 20,2%. Mas a entidade alertou para a intensa concentração de poucos produtos na pauta exportadora brasileira. Em 2011, apenas três commodities devem responder por 35,7% das receitas totais de exportação do Brasil: minério de ferro, complexo soja, e petróleo e derivados. No caso específico do minério, o produto deve responder por US$ 39,036 bilhões da receita, ou 15,96% dos ganhos totais do País com vendas externas este ano.
Para José Augusto de Castro, é alto o risco de o Brasil voltar a ocupar a posição de fornecedor de matérias-primas no mercado internacional. "No momento, estamos respondendo à boa demanda por commodities no cenário internacional. Mas o problema é que não temos plano B", afirmou o executivo.
A ineficiência das medidas adotadas pelo governo para conter o consumo doméstico, anunciadas em dezembro do ano passado, também influenciou as revisões das estimativas da AEB. "Ainda temos forte demanda interna e, além disso, a oferta de crédito aumentou. Isso estimula crescimento das importações", comentou o especialista.
O cenário conduziu à redução no número de exportadoras; e avanço no de importadoras. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) citados por Castro atestam que 198 empresas deixaram de exportar de janeiro a maio deste ano; no mesmo período, surgiram 3.156 novas importadoras.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Exportações do setor primário ultrapassam R$ 5 bilhões em janeiro

Jornal do Comércio
Ana Esteves
As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 5,1 bilhões em janeiro, 26,3% a mais que o registrado em janeiro de 2010. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, o resultado é o melhor para o mês desde 1989, quando teve início a série histórica. O saldo da balança comercial do setor (exportações menos importações) foi de US$ 3,9 bilhões, cerca de US$ 800 milhões a mais que em janeiro do ano passado.
A balança comercial do País em janeiro, divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), registrou exportações de US$ 15,215 bilhões e saldo de US$ 424 milhões. Assim, as exportações do agronegócio representaram 33,8% dos embarques no primeiro mês de 2011.
Os produtos que se destacaram pelo aumento das exportações foram complexo soja, café, carnes, cereais, farinhas e preparações, sucos de frutas e produtos florestais. Aproveitando as boas cotações internacionais dos alimentos, o complexo soja, que inclui óleo, farelo e grão, teve o maior aumento em valor (89,3%) e volume (67,7%) exportados em janeiro. As vendas do produto para o exterior renderam US$ 598,6 milhões.
Os embarques de café também tiveram crescimento expressivo, de 23,9% em quantidade e de 65,9% em valor, alcançando US$ 595,4 milhões. As exportações de carnes aumentaram 19,7% em valor (US$ 1,03 bilhão) e 9,3% em volume. O aumento dos preços internacionais da proteína animal contribuíram para esse faturamento, já que a quantidade embarcada foi menor para carnes bovinas (-22%) e suínas (-10,9%). O destaque foi a carne de frango, com crescimento de 27,8% em quantidade e 50,2% em valor.
As exportações do agronegócio brasileiro nos últimos 12 meses terminados em janeiro somam US$ 77,5 bilhões, outro recorde. De fevereiro de 2010 a janeiro de 2011, as exportações cresceram 19,8% na comparação com o período de fevereiro de 2009 a janeiro de 2010, quando a receita fechou em US$ 64,7 bilhões.
O Ministério da Agricultura informou que os países em desenvolvimento são os que mais ampliaram as importações de produtos do agronegócio brasileiro. Entre os principais compradores estão China, que quase dobrou as compras de alimentos do Brasil (aumento de 94,3%), Argélia (126,7%), Marrocos (108%), Espanha (84,3%), Egito (83,6%), França (46,5%), Rússia (44,9%), Itália (42,2%) e Bélgica (40,9%).
As exportações do setor para a China, principal parceiro comercial do Brasil, passaram de US$ 8,8 bilhões para US$ 11,1 bilhões nos últimos 12 meses, um aumento de 25,5%. A participação do país asiático nas compras do agronegócio nacional é de 14%

Comento:
Diante destes resultados tem alguma lógica a pressão que ambientalistas fazem para diminuuir a área produtiva brasileira? Pois, se o Novo Código Florestal não for aprovado, no mínimo, será arrancado de cada produtor brasileiro 20% de sua área. O impacto na economia e na produção real de alimentos será magistral. Por que ninguém fala isto? Porque quando o preço dos alimentos sobe automaticamente sobe a inflação. Façam as contas: Aumento na demanda, diminuição na produção = alta dos preços. Preciso falar mais ou quer que eu desenhe?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Agronegócio prevê que vai exportar US$ 85 bi este ano

DCI
Daniel Popov
O agronegócio brasileiro pode movimentar US$ 85 bilhões com as exportações neste ano, afirmou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) durante apresentação do balanço do setor ontem, em Brasília. Esse montante representa um crescimento de 10% ante os US$ 76,4 bilhões obtidos em 2010. Entre os produtos que mais ampliaram as suas arrecadações estão o milho com 69,8% a mais que em 2009, seguido pelo açúcar com incremento de 52,3% e o café com 37,8%.
No ano passado, o agronegócio brasileiro registrou exportações recordes no setor agropecuário com US$ 76,4 bilhões, que representa um aumento de 18% ante os números vistos em 2009 (US$ 64,7 bilhões). Até então, o melhor ano para as exportações brasileiras, em termos de receita, foi 2008, com US$ 71,8 bilhões.
Além da previsão do ministério brasileiro quanto a alta das exportações de 10% para este ano, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), acredita que estes valores possam chegar a US$ 87 bilhões. "Nós calculamos um crescimento de até US$ 87 bilhões em 2011, porém temos de observar o cambio, pois isso pode atrapalhar os resultados. A previsão é que mesmo no período de colheitas teremos preços até 10% mais altos que 2010", disse Rosimeire dos Santos, superintendente técnica da CNA.
No mesmo período, o superávit da balança comercial do agronegócio alcançou a marca de US$ 63 bilhões, ante os US$ 54,9 bilhões vistos em 2009. Outra curiosidade é que esse saldo foi três vezes maior que os US$ 20 bilhões observados no superávit do comércio global do Brasil no mesmo período. "Esse desenvolvimento é muito raro em uma economia, principalmente na agrícola, e muito significativa em tão pouco espaço de tempo. Quase quadruplicamos nossas exportações nos últimos 10 anos, passamos de US$ 20,7 bilhões em 2000, para US$ 76,4 bilhões este ano", contou o coordenador geral de organização para exportação da Mapa, Eliezer Lopes.
Com vista à manutenção do ritmo de crescimento no setor, o ministério afirmou que já estuda um projeto para o sistema único de garantia ao produtor, que abrange o Programa de Garantia de Preço Mínimo (PGPM) e o Seguro Rural.
"Os programas de apoio à Agricultura tendem a encontrar formas mais aperfeiçoadas e nosso objetivo é sair de uma política de apoio, no que diz respeito a preço mínimo e comercialização, para uma garantia mais ampla do que um seguro rural, que envolva riscos climáticos e mercadológicos", finalizou.
Apesar de uma receita de exportação ainda pequena em relação a outras commodities, o milho obteve o maior crescimento, ficando à frente do açúcar e do café. Em 2010, o grão bateu o recorde de exportação com US$ 2,1 bilhões, que representa um incremento superior a 69% ante 2009. Em termos de quantidade, o crescimento foi de 39%, passando de 7,7 milhões de toneladas (t), em 2009, para 10,8 milhões de toneladas em 2010.
Esse foi o segundo maior volume da série, superado apenas pelas 10,9 milhões de t de 2007. "O milho obteve um resultado melhor que o esperado, e muito desse resultado se deve ao governo que ajudou bastante o produtor na hora de comercializar", disse, Steve Cachia, analista da Cerealpar.
Já o açúcar, responsável por US$ 12,7 bilhões nas exportações do ano passado, cresceu 52,3% em sua receita, fruto do aumento da quantidade exportada e dos preços praticados, afirmou o analista.
Os preços do produto tiveram um incremento 32,2% em 2010, passando de US$ 345 em média por tonelada.
Para a superintendente da CNA, neste ano o algodão estará entre os cinco produtos que mais crescerão em renda.
Paralisação na Argentina
Os agricultores argentinos anunciaram ontem a suspensão, a partir da próxima segunda-feira, das vendas de grãos e oleaginosas para protestar contra políticas de exportação do governo.
A manifestação de sete dias foi convocada pelo descontentamento com as políticas governamentais, especialmente aquelas relacionadas ao trigo.
O superávit da balança comercial do agronegócio em 2010, mesmo com o dólar mais baixo, alcançou a marca de US$ 63 bilhões, ante os US$ 54,9 bilhões vistos em 2009. Esse saldo foi três vezes maior que os US$ 20 bilhões observados no superávit do comércio global do Brasil no mesmo período. Os números mostram que o agronegócio quase quadruplicou suas exportações nos últimos 10 anos: de US$ 20,7 bilhões em 2000 para US$ 76,4 bilhões em 2010.
E o cenário deverá melhorar em 2011. A projeção do agronegócio é de exportar US$ 85 milhões este ano, 10% acima dos US$ 76,4 bilhões do ano passado. A previsão do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, indica que as commodities, como o milho, açúcar e café, que foram as principais responsáveis pelo resultado positivo no ano passado, devem manter a importância na balança da agropecuária em 2011.
A previsão foi reforçada ontem depois que o Departamento da Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) anunciou que houve redução drástica dos estoques de milho e de soja do país, o que gerou aumento imediato nas cotações do mercado futuro desses grãos na Bolsa de Chicago, que chegaram a seu nível mais alto em 30 meses.
A Cargill, que anunciou ontem que os lucros triplicaram no segundo trimestre de seu ano fiscal, para US$ 1,49 bilhão, está vendo seus principais concorrentes -a Archer Daniels Midland Co., a Bunge e a Louis Dreyfus- seguirem de perto como principais beneficiários da falta de grãos. As quatro empresas dominam os fluxos globais de commodities agrícolas. Aproveitando o bom cenário, a JBS está em negociação com o BNDES para emitir debêntures conversíveis. O interesse da brasileira é a compra da norte-americana Sara Lee.