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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Presidente da CNA defende, no Senado, investimentos em logística de transporte

Só Notícias

Da Redação
A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, criticou ontem (12/7), em discurso no Plenário do Senado, as deficiências da logística de transporte e lembrou que o investimento em 2.700 quilômetros de uma hidrovia, a Tocantins, permitiria o escoamento de tudo o que produzido na Zona Franca de Manaus e a distribuição de todo o combustível da região Norte do País e do Centro-Norte, reduzindo custos. “A hidrovia Tocantins está empatada por uma eclusa em Lajeado”, lembrou ao acrescentar que está sendo construída outra hidroelétrica em Estreito, também sem a eclusa. “Os barramentos próximos ao futuro Porto de Praia Norte impedem que essa hidrovia possa ser um instrumento poderoso para o Brasil diminuir custo”, afirmou. A construção da hidrovia Tocantins, estimou, custaria R$ 1,5 bilhão, valor inferior ao desviado, segundo denúncias da revista Veja, em apenas uma obra conduzida pelo Ministério dos Transportes no período de um ano.
A senadora Kátia Abreu avaliou, também, a condição do transporte hidroviário em países que concorrem com o Brasil no mercado internacional. Enquanto os Estados Unidos têm 41 mil quilômetros de hidrovias; a China tem 124 mil; a Rússia, 102 mil; e o Brasil, 7 mil quilômetros de hidrovias. “Essa condição empata o nosso crescimento. Estamos empatando os nossos Mississipis com as hidrelétricas sem as eclusas”, afirmou. Ao criticar a falta de investimentos em logística, a senadora Kátia Abreu citou denúncias de superfaturamento em obras do Ministério dos Transportes. “É por isso que o dinheiro não dá. Se é um sistema viciado, de anos e anos, vamos corrigir, vamos estancar essa ferida. Mas nós precisamos de logística. O País não pode continuar com o custo com que se encontra”, afirmou.
Para comprovar a ineficiência do sistema brasileiro de transporte, a presidente da CNA acrescentou, ainda, que são quatro milhões de quilômetros de rodovias asfaltadas nos Estados Unidos; na China, são 1,5 milhões de quilômetros asfaltados; e no Brasil, 196 mil quilômetros. “Esses são nossos concorrentes. Nossos concorrentes são os americanos, são os chineses, são os australianos, são os canadenses, que vão nos tirar do ramo, porque não temos logística”, afirmou. Acrescentou, ainda, as péssimas condições das estradas. “Nós sabemos que 70% das estradas do País são péssimas ou ruins”, avaliou.
Em seu discurso, a presidente da CNA citou ainda os problemas das ferrovias. Nos Estados Unidos, as ferrovias somam 226 mil quilômetros. Na China, são 74 mil quilômetros. “No Canadá, são 48 mil quilômetros, apesar das grandes extensões de gelo naquele país e de que muito pouca área daquele país produz. E no Brasil, são 29 mil quilômetros de ferrovias, enquanto o recurso público vai pelo ralo”, afirmou a senadora Kátia Abreu ao lembrar que o Ministério dos Transportes deveria “ser um ministério vital para o país, junto com a Agricultura, porque não existe produção, não existe industrialização, sem logística”.
Após apresentar uma radiografia da logística do País, a presidente da CNA avaliou os custos para implantação de cada um desses modais e afirmou que os governos anteriores não priorizaram as hidrovias sob alegação de que os custos de instalação são altos. “Mas quero dizer que construir um quilômetro de ferrovia custa R$ 6 milhões; de rodovias, R$ 2,5 milhões, mas de hidrovias não chega a R$ 50 mil, dependendo das condições do rio, como é o caso do rio Madeira, que já nasceu pronto. Basta a eclusa do Madeira, das hidrelétricas que estão sendo feitas em Jirau, para que oportunizássemos mais quatro hidrovias para fora do país”, afirmou. Em seu discurso, a senadora Kátia Abreu também lamentou que a partilha de cargos no governo seja feita por interesse de partidos. “Muitas vezes, os interesses dos estados são comprometidos. O povo não consegue entender como os cargos são divididos”, afirmou.
A senadora Kátia Abreu também destacou o artigo Por que os brasileiros não reagem?, de Juan Arias, correspondente do jornal El Pais no Brasil, texto publicado originalmente no periódico e reproduzido pelo jornal O Globo na última segunda-feira (11/7). A presidente da CNA classificou o artigo como "brilhante", mas disse que lia o texto "com muita tristeza". “Eu quero ler alguns trechos do artigo com muita tristeza. Não quero entrar em detalhes, nos méritos das culpas, dos erros, que são muitos, imensos, mas para uma reflexão de todos nós”, afirmou a senadora Kátia Abreu.
O artigo lembra que, em seis meses, a presidente Dilma Rousseff já afastou dois ministros importantes. Juan Arias diz que no Brasil não existe o "fenômeno dos indignados", comum em todo o mundo. "Será que os brasileiros não se importam que os políticos sejam salteadores do dinheiro público?", questiona o autor. Os senadores Armando Monteiro (PTB-PE) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) fizeram apartes e elogiaram o discurso da senadora Kátia Abreu.
Assista ao vídeo com o pronunciamento completo:
http://www.canaldoprodutor.com.br/comunicacao/videos/pronunciamento-da-presidente-da-cna-sobre-falta-de-log%C3%ADstica-no-brasil

sábado, 2 de julho de 2011

Relator da proposta do novo Código Florestal no Senado quer contribuições da CNA para o texto

Canal do Produtor

Da Redação
O senador Jorge Viana (PT/AC), um dos relatores da proposta de atualização do Código Florestal (PLC 30/2011) em tramitação no Senado, afirmou, nesta sexta-feira (1/7), que pretende ir à CNA, na próxima semana
O senador Jorge Viana (PT/AC), um dos relatores da proposta de atualização do Código Florestal (PLC 30/2011) em tramitação no Senado, afirmou, nesta sexta-feira (1/7), que pretende ir à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), na próxima semana, para ouvir as contribuições que o setor agropecuário tem a oferecer para o aperfeiçoamento do novo Código Florestal. “A CNA, onde provavelmente farei uma visita na semana que vem, tem uma contribuição importantíssima a dar para que a gente possa chegar a um bom termo da legislação ambiental”, destacou Jorge Viana. O anúncio foi feito durante audiência pública realizada pelas comissões de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) para debater o novo Código Florestal.
Representante da CNA na audiência pública, o assessor técnico da Comissão Nacional de Meio Ambiente da entidade, Rodrigo Justus, defendeu a aprovação de uma lei que simplifique o entendimento da legislação ambiental por parte dos produtores rurais e da sociedade como um todo. Segundo ele, a legislação em vigor é um emaranhado de medidas provisórias, normas e resoluções que alteraram a versão original, que é de 1965. “Qualquer pessoa que tenha lido a legislação ambiental atual não sabe o que é o Código Florestal em vigor, porque ele não é mais uma lei. Ele é um conjunto de medidas provisórias, de leis e resoluções, sem falar nos decretos que o alteraram”, explicou o assessor técnico da CNA.
O efeito negativo dessas sucessivas alterações na legislação ambiental, na sua avaliação, é que não existe atualmente nenhuma propriedade rural no Brasil onde o fiscal não encontre irregularidades. “Por mais que os produtores tenham respeitado a legislação, as regras vão mudando com o tempo e jogam as pessoas na ilegalidade”, completou. Justus reforçou também a necessidade de os Estados legislarem juntamente com a União sobre matérias relacionadas ao meio ambiente, conforme previsto no artigo 24 da Constituição.
Segundo ele, a União deve ditar as normais gerais, enquanto as unidades da federação devem decidir sobre as questões específicas, de acordo com as peculiaridades regionais. “A exclusividade da União de ditar parâmetros de utilização ambiental nos Estados não existe na Constituição, pelo fato de que a competência concorrente deu autonomia aos entes federativos estaduais para resolver os assuntos de ordem regional”, explicou Justus.
Também participaram da audiência pública o consultor jurídico da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Leonardo Papp; o assessor de meio ambiente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Eliziário Toledo; além dos senadores Rodrigo Rollemberg (PSB/DF), Blairo Maggi (PR/MT) e Acir Gurgacz (PDT/RO), que presidiu a audiência.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Redução de emissão de carbono, fundo para financiar conhecimento científico e novos parceiros do Projeto Biomas

Canal do Produtor

Da Redação
A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, afirmou durante evento na sede da entidade, em Brasília, que os agricultores brasileiros são os únicos produtores do mundo que estão falando em preservação do solo, da água, da biodiversidade e em corrigir erros cometidos no passado, além de diminuir o desmatamento. “Os produtores estão interessados em contribuir voluntariamente para as metas que foram estabelecidas pelo governo brasileiro”, afirmou a senadora Kátia Abreu ao anunciar o Programa de Governança Climática para uma Agricultura de Baixo Carbono (PABC) para reduzir a emissão de carbono por parte do setor agropecuário.
O novo programa reforça o compromisso dos produtores rurais com a preservação ambiental. Dentro do PABC, será criado o Observatório Tecnológico do Clima, que terá a função de medir, efetivamente, o que o setor emite de gases de efeito estufa (GEE) e o carbono que as atividades agropecuárias retêm. “Essa medida é essencial nesse debate porque as pessoas só medem o que o setor agropecuário emite e não o que nós seguramos na terra”, alertou a senadora Kátia Abreu. Os consultores contratados para a elaboração do PABC lembraram que os produtores rurais têm assumido posição de protagonismo nesse debate.
A presidente da CNA anunciou, também, a adesão de três novos parceiros ao Projeto Biomas, iniciativa da entidade em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Juntos, Monsanto, John Deere e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), investirão, nos próximos anos, cerca de R$ 11,8 milhões na fase inicial de execução do projeto, que tem o objetivo de garantir uma atividade rural sustentável, conciliando o crescimento da produção de alimentos e a preservação do meio ambiente nos seis biomas brasileiros (Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia, Caatinga, Pampa e Pantanal). Com esta iniciativa, a CNA, a Embrapa e os parceiros do projeto pretendem democratizar a pesquisa científica, oferecendo gratuitamente instrumento técnico-científico a pequenos e médios produtores rurais. Assinaram o termo de cooperação com a CNA o diretor técnico do SEBRAE, Carlos Alberto Santos, o diretor da Monsanto, Rodrigo Almeida, e o diretor da John Deere Brasil, Alfredo Miguel Neto.
A presidente da CNA lembrou, ainda, o potencial econômico da silvicultura e sua importância fundamental para o Projeto Biomas. Assinou, durante a cerimônia, portaria que instala oficialmente a Comissão Nacional de Silvicultura da CNA, que será presidida pelo vice-presidente de Finanças da entidade, Ademar da Silva Júnior. A senadora Kátia Abreu anunciou, também, a criação da Comissão de Solos e Água da entidade, que reafirma a necessidade “vital” do solo e da água para o setor agropecuário.
Fomento à Produção Científica - Outra ação anunciada pela presidente da CNA foi a criação do Fundo de Apoio à Produção do Conhecimento Científico (FACC), que servirá como fonte de recursos para incentivar a produção de trabalhos de pesquisa científica voltados à sustentabilidade da atividade agropecuária. A senadora Kátia Abreu informou que a idéia é propor a participação do setor privado neste processo, diante da escassez de profissionais acadêmicos que realizam trabalhos sobre o tema. Outro fator que estimulou a criação deste fundo foi o baixo volume de recursos da Embrapa para financiar trabalhos acadêmicos, que somam R$ 2,5 milhões para a agricultura de precisão nos próximos quatro anos.
Esse dinheiro não significa nada em termos de pesquisa e a Embrapa há muito tempo não faz concursos para renovar o quadro de pesquisadores. Conversamos com várias empresas que vamos abrir um cardápio para quem quer investir”, enfatizou a senadora. Ela acrescentou que a CNA pretende aproximar mais a pesquisa do setor privado. “No Brasil há uma distância entre academia e empresários, o que não acontece em outros países, onde ambos andam lado a lado. Queremos mostrar que o setor pode ajudar a academia”, ressaltou. Outro objetivo do fundo é conceder bolsas de estudo para alunos que fazem mestrado e doutorado nos cursos de Ciências Agrárias, com foco em agricultura de baixo carbono, agricultura de precisão e matas ciliares.
VEJA TAMBÉM:
Mensagem da Presidente da CNA na Semana do Meio Ambiente
www.canaldoprodutor.com.br/comunicacao/videos/mensagem-da-presidente-da-cna-na-semana-do-meio-ambiente#wrapper

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Presidente da CNA rebate proposta de regulação de mercados de Commodities Agrícolas

O fim dos subsídios que dificultam e impedem a comercialização internacional de produtos agrícolas é uma forma de estimular o aumento da produção agropecuária nacional. Sem os entraves comerciais que desestimulam as atividades no campo, o Brasil pode produzir mais e oferecer excedentes que atendam à crescente demanda mundial por alimentos. A avaliação é da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, que rebateu a proposta de regulação do mercado de commodities do presidente da França, Nicolas Sarkozy, como forma de evitar a alta dos preços dos alimentos em função do posicionamento de especuladores.
Além do fim dos subsídios, a presidente da CNA enumera outros fatores essenciais para garantir a ampliação da oferta de produtos agropecuários. “Além do fim dos subsídios, a produção de alimentos deve ser continuamente estimulada via aumento de produtividade e da garantia de preços para proporcionar renda e segurança alimentar”, afirma.
O tema da oferta mundial de alimentos voltou a ser discutido nas últimas semanas em função da alta dos preços das commodities agrícolas. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que preside o G-8 e G-20, que reúnem os oito mais ricos e os outros 12 em desenvolvimento, defende ainda a formação de estoques mundiais de alimentos, produtos que poderiam ser vendidos para garantir o abastecimento em momentos de oferta reduzida. Os ministros das finanças do G-20 estarão reunidos a partir de amanhã (18) em Paris para discutir, entre outros pontos, esse assunto.
Para a senadora Kátia Abreu, a preocupação do G-8 e do G-20 com a estabilidade dos mercados é “tardia e inoportuna”. “Colocar a culpa nos especuladores internacionais, responsabilizando-os pelo risco da inflação mundial é mostrar despreparo e desconhecimento para lidar com o assunto”, afirma.
Sobre a proposta de formação de estoques reguladores, a senadora explica que esses devem ser efetuados em época de abundância, quando se espera, para o momento seguinte, uma recuperação de preços. “Formar estoques em um momento de escassez irá impactar negativamente sobre a oferta, acentuando a alta dos preços”, completa a presidente da CNA.
PREÇOS – O aumento da demanda mundial por alimentos, em especial nas economias dos países emergentes, num ritmo superior aos estoques disponíveis tem elevado os preços das commodities agrícolas. Levantamento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) mostra que os preços de um grupo de cinco produtos (carnes, lácteos, cereais, óleos e açúcar) subiram 28,3% em doze meses, entre janeiro de 2010 e janeiro de 2011.
O aperto entre estoques e consumo deve continuar dando fôlego aos preços em 2011, avalia a senadora Kátia Abreu. Estudos da Superintendência Técnica da CNA mostram que, apesar de os estoques mundiais de grãos estarem mais altos do que há cinco anos, o volume vem caindo desde 2009, quando a demanda por grãos superou a oferta e os países foram obrigados a recorrer aos estoques para suprir as demandas locais.
Parte da redução da oferta mundial de alimentos é explicada pela queda na safra 2009/2010 de países produtores de grãos. Os analistas chamam a atenção para a queda de produção de trigo devido a razões climáticas, principalmente na Rússia, Ucrânia e Cazaquistão. No caso da soja, a relação entre estoque e consumo gira em torno de 24%. As projeções apontam, no entanto, que, em 2011, essa relação pode cair para 23%, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

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