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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A FRAGILIDADE DO SER HUMANO - PARASHAT NITZAVIM 5775 E ROSH HASHANÁ 5776

"Todos os anos o rabino chefe de New York, o Rav Yaacov Yossef zt"l (Lituânia, 1840 - EUA, 1902), dava uma importante "Drashá" (discurso) de Shabat Teshuvá (Shabat entre Rosh Hashaná e Yom Kipur). Ele era um grande "Talmid Chacham" (erudito no estudo da Torá) e podia falar por horas, citando dezenas de ensinamentos do Talmud, sem abrir um único livro ou anotação. Suas palavras entravam no coração, e por isso este discurso anual era um grande evento, fazendo com que os lugares da sinagoga fossem muito disputados.

Mas um triste incidente ocorreu quando o Rav Yaacov Yossef ainda era jovem. Com pouco mais de 55 anos, ele teve um derrame. Ninguém sabia se ele se recuperaria a tempo de dar a Drashá. Algum tempo antes de Rosh Hashaná os organizadores confirmaram, para a alegria de todos, que a Drashá aconteceria. O Rav Yaacov Yossef, apesar de debilitado, tentaria reunir forças para fazer seu discurso. Os organizadores avisaram que haveria duas diferenças em relação aos anos anteriores: o Rav falaria sentado, por sua dificuldade de permanecer de pé por muito tempo, e utilizaria livros para fazer suas citações, ao invés de falar tudo de cor.

No dia da Drashá, a sinagoga estava completamente lotada, não havia nem mesmo um único lugar vazio. O Rav Yaacov Yossef começou a Drashá com as seguintes palavras: "Diz o Talmud", mas logo depois ele parou, ficando em silêncio total. Recomeçou com as mesmas palavras: "Diz o Talmud", mas novamente permaneceu um longo tempo em silêncio. Finalmente ele começou pela terceira vez seu discurso com as palavras "Diz o Talmud", e mais uma vez estas palavras foram seguidas por um terrível silêncio. Após alguns instantes, o Rav Yaacov Yossef começou a chorar. Quando se acalmou, olhou fixamente para o público e disse:

- Até a Drashá do ano passado eu sabia todo o Talmud de cor, mas apesar de ter preparado a Drashá deste ano, eu não consigo lembrar nem mesmo qual era o assunto! Despertem, vejam qual é o fim do ser humano. Eu sou um exemplo vivo. Aprendam com o que aconteceu comigo e se arrependam enquanto ainda há tempo de consertar seus atos".

Esta Drashá, de apenas 9 palavras, talvez tenha sido a melhor Drashá da vida do Rav Yaacov Yossef. Certamente naquele dia as pessoas saíram da sinagoga sensibilizadas, muito mais conscientes da fragilidade da vida humana e de que tudo, absolutamente tudo, está nas mãos de D'us.

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Nesta semana lemos a Parashá Nitzavim que, entre outros assuntos, fala sobre o processo de Teshuvá, no qual a pessoa, através de reflexões, se arrepende dos seus maus atos e decide mudar de atitude na vida, como está escrito: "E você voltará para D'us, e escutará Sua voz... com todo seu coração e toda a sua alma" (Devarim 30:2). E no Domingo de noite (13 de setembro) começa Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, uma das datas mais importantes do calendário judaico, um dia muito conectado com a Teshuvá e com o nosso compromisso de mudanças para o próximo ano. Será que estamos nos preparando bem? Entendemos a importância deste dia?

O Talmud (Rosh Hashaná 16b) nos ensina algo impressionante sobre como se comportar no dia de Rosh Hashaná: "Todo ano que é pobre no seu começo se torna rico no seu final". Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que a expressão "pobre no começo" se refere a quando os judeus se fazem pobres em Rosh Hashaná em súplicas e rezas, isto é, quando sentem que não tem nada na vida, como uma pessoa completamente destituída, e derramam seu coração diante de D'us, implorando e rezando. Quando uma pessoa se comporta desta maneira, o Talmud nos garante que seu ano terminará rico, com muitas Brachót.

Para entender um pouco melhor as palavras do Talmud, podemos utilizar como ilustração a forma como os empresários fazem os cálculos de orçamento de suas empresas. A maioria dos empresários, quando faz seus planejamentos orçamentários para o próximo ano, utiliza como base o que aconteceu nos anos anteriores. Os gestores apenas discutem as prováveis modificações no orçamento do ano anterior, mas as partes que se manterão nem mesmo são discutidas, pois já são consideradas como "pré-aprovadas". Porém, há outra maneira de fazer o planejamento orçamentário, chamado de "Zero Based Budgeting" (Orçamento Base Zero), quando nada do orçamento do ano anterior é levado em consideração. Neste sistema, cada item do orçamento precisa ser novamente aprovado, e não apenas as alterações em relação ao ano anterior. É como se a empresa estivesse começando novamente do zero.

É exatamente esta a diferença de como nos sentimos e como deveríamos nos sentir em Rosh Hashaná. Sentimos como se tudo o que temos já está garantindo, somente precisamos pedir para D'us coisas a mais. Mas o Talmud está nos ensinando que precisamos começar o nosso novo ano com o sistema de "Zero Based Budgeting", isto é, como se não tivéssemos nada do que tínhamos no ano anterior, como se fossemos completamente pobres e destituídos, começando do zero, sem nenhuma garantia de nada.

Mas isto é verdade? Como podemos nos sentir assim, como pobres destituídos, se temos os nossos bens, nosso dinheiro, nossos talentos, nossos amigos e nossa família? Explica o Rav Yssocher Frand que temos um conceito equivocado de como funciona o mundo espiritual e os decretos de D'us. Achamos que apenas pelo fato de termos dinheiro e saúde hoje, certamente teremos o mesmo no dia seguinte. Mas a verdade é que não existe nenhuma garantia. Todos conhecem pessoas milionárias que, do dia para a noite, perderam tudo. Todos têm algum conhecido que, sem nenhum aviso prévio, perdeu completamente a saúde ao descobrir que tinha uma doença incurável. Nossos sábios ressaltam que isto se aplica em especial ao novo ano, quando D'us decide tudo o que vai acontecer no próximo ano. Não há garantia de nada, e o que foi no ano passado não é garantido que será de novo no próximo ano.

Por que existe esta diferença de percepção da realidade? Pois pensamos que as coisas que temos na vida são fruto do nosso esforço e dos nossos méritos. Mas a verdade é que tudo é uma grande bondade de D'us. Ele nos dá vida, Ele nos dá nossos dinheiro e bens, Ele nos dá nossa saúde. A pessoa que pensa que está saudável está apenas se iludindo, pois a vida do ser humano está sempre apenas por um fio. É por isso que D'us nos criou tão frágeis, para que possamos perceber que nossa vida está sempre nas mãos Dele.

Esta verdadeira percepção da realidade foi um dos últimos ensinamentos da vida de Moshé. A Parashá lida na semana que vem, Vaielech, começa com as seguintes palavras: "E foi Moshé (Vaielech Moshé) e disse: Hoje eu completo 120 anos. Já não posso mais sair e entrar. E D'us me disse: 'Não passará este (rio) Jordão' " (Devarim 31:2). Há um Midrash (parte da Torá Oral) que nos ensina que a linguagem "Vaielech" sempre indica uma advertência. Mas se procurarmos neste ou nos próximos versículos, aparentemente não encontraremos nenhuma advertência ou bronca. Então será que a regra ensinada pelo Midrash se aplica no nosso caso?

A resposta está nas seguintes palavras: "Hoje eu completo 120 anos. Já não posso mais sair e entrar. E D'us me disse: 'Não passará este Jordão' ". De acordo com os nossos sábios, estas palavras contêm uma terrível advertência de Moshé ao povo judeu, que ele deixou para o fim de sua vida justamente para ensinar ao povo de forma marcante. Moshé estava dizendo ao povo que ele, aquele mesmo homem que há pouco tempo atrás havia subido até o céu como uma águia, que havia permanecido 40 dias e 40 noites sem comer e sem dormir para receber a Torá, no mesmo nível dos anjos, agora não podia nem mesmo atravessar um simples rio como as outras pessoas. Por que? "E D'us me disse: 'Não passará este Jordão' ". Quando D'us decreta algo, não existe nenhuma garantia de nada. Ontem foi ontem, hoje é um novo dia. O mesmo Moshé que subiu aos céus não podia mais atravessar nem mesmo um simples rio, pois esta era a vontade de D'us.

Quem percebe isso, quem sabe que estamos sempre na corda bamba, age de forma diferente.  Quem sabe que tudo está em jogo em Rosh Hashaná, o dia do nosso julgamento, age diferente. Todos nós já passamos por momentos de ansiedade, principalmente quando parentes próximos estiveram sob risco de vida. Quando uma pessoa está na sala de espera de um hospital, aguardando as notícias vindas da sala cirúrgica, ela sente de verdade o que é ser um pobre destituído, o que é estar completamente nas mãos de D'us. E neste momento a pessoa age de maneira diferente. Seu coração se conecta com D'us, e ao invés de atos vãos e vazios, a pessoa se ocupa com rezas e Tehilim (Salmos). Esta é a forma de despertar para Rosh Hashaná: lembrar como a condição humana é frágil, lembrar que tudo está nas mãos de D'us, e não há garantia de nada. Todo nosso ano depende dos momentos de conexão com D'us em Rosh Hashaná, pois tudo estará sendo decretado neste dia.

Assim podemos entrar no clima de Rosh Hashaná, entendendo o que está realmente em jogo neste dia. Precisamos lembrar que nossa vida em Rosh Hashaná é julgada de acordo com o "Zero Based Budgeting", isto é, não há garantia de nada. Se entrarmos em Rosh Hashaná nos sentindo como pobres, sem nada garantido na vida, abrindo nosso coração para D'us, teremos muito mais chances de ter bons decretos e um ano com muitas Brachót. Como ensina o Talmud, que nosso ano comece pobre, para terminar muito rico.

"SHETIKATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM" (QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA) 

SHABAT SHALOM E SHANÁ TOVÁ        

Rav Efraim Birbojm
Dt. 29:10-30:20, Is. 61:10-63:9

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

JULGANDO NOSSA PROXIMIDADE COM D'US - PARASHIÓT NITZAVIM, VAYELECH E ROSH HASHANÁ 5775

O Rav Saadia Gaon (Egito, 882 – Iraque, 942), um verdadeiro gigante de Torá, foi visto certa vez por um aluno se repreendendo de forma muito dura. O aluno questionou o porquê de ele estar sendo tão rigoroso consigo mesmo. Então o Rav Saadia Gaon explicou:

- Alguns meses atrás eu decidi que a honra que eu recebia das pessoas estava interferindo no meu serviço religioso. Sem humildade não é possível servir D'us com alegria. Decidi passar alguns meses em lugares onde ninguém me conhecia. Coloquei roupas simples e comecei meu exílio, vagando de cidade em cidade. Uma noite, cheguei a uma pequena pousada de um judeu idoso, um homem gentil e simples. Conversamos um pouco antes de ir dormir, e na manhã seguinte me despedi e segui meu caminho. Horas depois, alguns alunos que estavam me procurando apareceram e perguntaram ao judeu idoso se ele havia me visto. O homem riu e perguntou: "o que uma pessoa tão grande como o Rav Saadia estaria fazendo em um lugar como a minha pousada?". Mas quando os jovens explicaram como provavelmente eu estaria vestido, o homem deu um pulo e gritou: "Meu D'us, o Rav Saadia esteve aqui! Vocês estão certos!"

- Ele correu, pulou em sua carruagem e voou na direção em que eu tinha ido - continuou o Rav Saadia Gaon - Depois de um tempo ele me alcançou, saltou da carruagem e caiu aos meus pés, chorando: "Por favor, me perdoe, Rav Saadia, eu não sabia que era você!". Fiz ele se levantar e disse que ele havia me tratado muito bem, que não precisava se desculpar por nada. Mas ele continuava inconformado, dizendo: "Não, não, rabino. Se eu soubesse quem você era, eu teria te tratado de forma completamente diferente".

- Naquele momento eu percebi que aquele homem estava me ensinando uma lição muito importante e que o propósito do meu exílio havia se cumprido - finalizou o Rav Saadia Gaon - Agradeci, abençoei-o e ele voltou para casa. Agora, todas as noites, quando vou deitar, penso em como servi D'us o dia inteiro. Então me lembro daquele senhor e digo para mim mesmo: "Se eu soubesse sobre você, D'us, no início do dia o que sei agora, eu O teria tratado de forma completamente diferente!". E é justamente por isso que eu estava me arrependendo agora".

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Nitzavim e Vayelech. A Parashá Nitzavim nos ensina a Mitzvá de Teshuvá, que inclui o arrependimento pelos nossos maus atos e o comprometimento em mudar. Esta Parashá normalmente é lida antes de Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico, dia que todas as pessoas são julgadas. Isto ocorre justamente para nos despertar, para nos ensinar que temos a possibilidade de nos arrepender por nossos erros e mudar, influenciando de forma positiva nosso julgamento. Mas será que sabemos realmente o que está em jogo em Rosh Hashaná?

O Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204), em seu livro "Mishnê Torá", nos explica um pouco mais sobre o que ocorre em Rosh Hashaná. Ele diz que todas as pessoas têm méritos e transgressões. Aquele cujos méritos são mais numerosos que suas transgressões é Tzadik (Justo), e aquele cujas transgressões são mais numerosas dos que seus méritos é Rashá (malvado) (Hilchót Teshuvá Capítulo 3 Halachá 1). Já na Halachá (lei) seguinte, o Rambam explica que aqueles cujas transgressões são mais numerosas do que seus méritos imediatamente morrem por causa de sua maldade, e o mesmo se aplica a uma cidade ou ao mundo inteiro. Ele cita como exemplos a destruição da cidade de Sdom (Sodoma) e o dilúvio que ocorreu na época de Noach (Noé), que quase apagou toda a humanidade.

Mas estes ensinamentos do Rambam levantam alguns questionamentos. Em primeiro lugar, por que o Rambam dividiu seu ensinamento em duas Halachót diferentes, se elas tratam do mesmo tema, isto é, do que ocorre com alguém que tem mais méritos ou mais transgressões? Além disso, o Rambam cita Sdom e a destruição do mundo através do dilúvio como exemplos de decretos que se cumprem imediatamente. Porém, sabemos que ambos os decretos somente ocorreram muito tempo depois das pessoas já terem atingido níveis terríveis de maldade. Em especial o dilúvio, cuja destruição já havia sido decretada 120 anos antes dele ocorrer. Então como entender as palavras do Rambam?

Outra dúvida surge quando observamos a terceira Halachá deste capítulo e percebemos uma aparente contradição. O Rambam diz que, da mesma forma que após a morte a pessoa é julgada por seus atos, isto também ocorre uma vez por ano, em Rosh Hashaná. Aquele que é considerado Tzadik é selado para a vida, enquanto aquele que considerado Rashá é selado para a morte. Mas por que nesta Halachá o Rambam diz que o Rashá é selado para a morte, se ele havia dito que o Rashá morre imediatamente?

E a principal dificuldade nas palavras do Rambam é algo que nos questionamos todos os anos: como pode ser que aqueles que têm mais transgressões do que méritos recebem imediatamente o decreto de morte em Rosh Hashaná, se nós vemos pessoas ruins que já passaram por vários julgamentos de Rosh Hashaná e nada aconteceu? E por que nunca mais o mundo foi destruído, como no dilúvio? Com tantas gerações corruptas, imorais e sanguinárias que existiram na história da humanidade, será que nunca mais as transgressões foram mais numerosas do que os méritos?

O Rav Baruch Leff traz uma possível explicação que nos ajuda a responder todos estes questionamentos. Ele explica que há dois aspectos diferentes no julgamento de Rosh Hashaná. Um dos aspectos é que a pessoa recebe em Rosh Hashaná um "rótulo", que define seu status espiritual e seu relacionamento com D'us, independente de qualquer castigo ou consequência direta. É isso o que o Rambam está discutindo na primeira Halachá. Já na segunda Halachá o Rambam está descrevendo como ocorre a aplicação da justiça de acordo com o status espiritual que a pessoa recebeu. Mas nem sempre o julgamento e a aplicação da justiça acontecem juntos, pois D'us nos julga e aplica Sua justiça apenas em alguns momentos específicos, que podem ser épocas específicas do ano ou após certas atitudes das pessoas que podem despertar o julgamento ou a aplicação de um castigo.

Isto quer dizer que, mesmo que a pessoa seja um Rashá, não significa que ela será julgada imediatamente. E mesmo se for julgada e "rotulada" como Rashá, não quer dizer que vai morrer imediatamente. A linguagem utilizada pelo Rambam, "miad", que significa "imediatamente", também pode ser entendida como "inevitavelmente, certamente". Isto quer dizer que, a partir do momento em que uma pessoa, uma cidade ou o mundo inteiro forem considerados "Reshaim", então a morte ou a destruição certamente ocorrerão. Em Sua sabedoria infinita, D'us apenas decidirá quando será o momento correto.

Foi o que aconteceu em Sdom. Certamente eles já tinham o "rótulo" de Reshaim, mas a destruição foi precedida por eventos que despertaram a aplicação da justiça, como está escrito: "E assim disse D'us: 'Pois os gritos de Sdom e Amorá se tornaram muito grandes' "  (Bereshit 18:20). Nossos sábios explicam que naquele momento as injustiças chegaram a um nível insuportável, despertando a aplicação imediata do castigo. No dilúvio, o mundo inteiro já havia se corrompido há mais de uma centena de anos, mas o que despertou a aplicação do castigo foi a imoralidade, como está escrito poucos versículos antes da descrição do dilúvio: "E os Nefilim (gigantes) estavam na terra naqueles dias. E também depois disso, quando os filhos dos governantes vieram até as filhas dos homens" (Bereshit 6:4).

Após o dilúvio, D'us escolheu não castigar mais o mundo como um todo, mesmo que tivesse o "rótulo" de Rashá, como ele prometeu a Noach: "E Eu não mais golpearei todos os seres vivos, como Eu fiz" (Bereshit 8:21). Por isto o mundo inteiro nunca mais foi destruído, apesar de certamente já termos passado por algumas gerações nas quais as transgressões foram mais numerosas do que os méritos.

Agora é possível entender porque o julgamento de Rosh Hashaná é tão importante. Não apenas pelas consequências que podem vir do julgamento, mas principalmente pelo "rótulo" com o qual seremos classificados. E isto muda todo o nosso relacionamento com D'us, como o Rambam explica: "Grande é a força da Teshuvá, que aproxima o ser humano de D'us... ontem ele era odiado por D'us, e considerado repugnante e abominável, e hoje ele é amado e querido". (Halachót Teshuvá, Capítulo 7, Halachót 6). E na Halachá seguinte ele explica: "Quanto é elevado o nível da Teshuvá. Ontem ele estava separado de D'us... gritava e não era escutado, cumpria Mitzvót e elas eram rasgadas diante dele... Hoje ele está conectado com D'us... grita e é respondido imediatamente... faz Mitzvót e elas são recebidas com agrado e alegria".

Ninguém gosta de ser chamado de Rashá, muito menos por D'us. Em Rosh Hashaná nosso status espiritual é decidido. Se somos Tzadikim ou Reshaim, se somos amados ou desprezados por Ele. E apesar de todos os erros que cometemos durante o ano, D'us nos deu um presente, que é a força da Teshuvá, a possibilidade de mudarmos nossos atos, de nos arrependermos pelos nossos erros. Quando nos arrependemos com sinceridade, nossos erros são apagados. Se nos arrependemos por amor a D'us, nossos erros são transformados em Mitzvót. A Teshuvá não apenas nos salva das punições, mas tem a incrível força de recriar nossa conexão com D'us e mudar nosso status espiritual. Toda a ajuda espiritual que teremos para crescer no próximo ano depende do julgamento de Rosh Hashaná.

O principal pensamento de Teshuvá em Rosh Hashaná deve ser de voltar a fazer de D'us o nosso Melech (rei). Apesar de Ele ser o nosso Pai, Ele é também o nosso Rei, e por isso devemos respeitar Suas leis e escutar Seus ensinamentos. Devemos saber que tudo o que Ele nos comandou é apenas para o nosso bem, para que possamos viver uma vida mais harmônica, para que possamos fazer o bem às outras pessoas e trabalharmos nossos traços de caráter. Somente através do estudo da Torá, do cumprimento das Mitzvót e do arrependimento sincero pelos nossos erros é que vamos conseguir atingir um dia a perfeição.

Na próxima 4ª feira de noite (24/09) começa Rosh Hashaná. Que possamos nos esforçar neste "sprint final" para melhorarmos nossos atos, e assim possamos todos ser "rotulados" como Tzadikim, para que nossas Tefilót (rezas) sejam recebidas de bom grado por D'us e possamos ter um ano com muitas Brachót (bençãos) e boas notícias para toda a humanidade.

SHETIKATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM (Que sejamos inscritos e selados no Livro da Vida)

SHABAT SHALOM e SHANÁ TOVÁ
Dt. 29:10-30:20, Is. 61:10-63:9, Rm. 10: 1-13
Dt. 31:1-30,Os.14:2-10, Jl 2:11-27, Mq.7:18-20, Is.55:6-56:8, Rm. 7: 7-12
 
 

sábado, 31 de agosto de 2013

CARREGANDO O PESO JUNTO COM OS OUTROS – PARASHIÓT NITZAVIM E VAYELECH E ROSH HASHANÁ

 
"O rabino Moshé Feinstein, um dos maiores rabinos da geração passada, ficou muito conhecido não apenas por sua grande erudição no estudo da Torá, mas principalmente pela sua preocupação com o próximo. Em diversas situações ele demonstrou um incrível grau de consideração com o sofrimento alheio.

Certa vez um aluno veio buscar o Rav Moshe Feinstein para uma aula que ele daria em uma sinagoga. Quando o aluno entrou na casa do rabino, viu que ele estava sentado na mesa com uma mulher que chorava sem parar. O aluno percebeu que o Rav Moshe Feinstein também estava chorando e lágrimas rolavam sem parar do seu rosto. Preocupado, o aluno fez um sinal para saber se estava tudo bem e o Rav Moshe Feinstein respondeu que sim. Novamente o aluno fez um sinal para o rabino, indicando que estavam atrasados para a aula, mas o Rav Moshe Feinstein pediu para que esperasse mais um pouco.

Alguns instantes depois, a mulher enxugou as lágrimas com um lenço, agradeceu profundamente ao Rav Moshe Feinstein e saiu. O aluno perguntou o que havia acontecido e o Rav Moshe Feinstein respondeu:

- Esta mulher bateu na porta e pediu para conversar comigo. Porém ela entrou, sentou-se na mesa e começou a chorar. E durante todo o tempo que ele ficou aqui ela apenas chorou.

 O aluno quis saber qual era o problema dela, mas o Rav Moshe Feinstein disse que também não sabia, pois ela não havia dito nada, havia apenas chorado. Então o aluno perguntou, curioso:

- Mas rabino, então por que você também estava chorando?

- Isto é simples – respondeu o Rav Moshe Feinstein, enxugando suas lágrimas – Como eu poderia ver uma mulher tão sofrida como esta, chorando sem parar, e não chorar junto com ela?"

Apesar de vivermos em um mundo com milhares de pessoas à nossa volta, o que reina é o egoísmo. A maioria das pessoas vive focada em si mesma, negligenciando as necessidades dos outros. Mas muitos conseguiram vencer sua natureza egoísta e, através de um trabalho árduo, conseguiram chegar ao nível de amar ao próximo como a si mesmos. Isto nos ensina que, quando queremos algo de verdade e lutamos para alcançar, conseguimos.

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Nesta semana lemos duas Parashiot juntas, Nitzavim e Vayelech. E assim começa a Parashá Nitzavim: "Vocês estão hoje parados, todos vocês, diante de Hashem, teu D'us... para que entrem no pacto com Hashem, teu D'us... para que se estabeleçam hoje como um povo para Ele e Ele será um D'us para vocês... como Ele falou para vocês e como Ele jurou para os seus antepassados Avraham, Yitzchak e Yaacov. Não apenas com vocês eu selo este pacto e este juramento, mas com todos os que estão aqui, parados conosco hoje, diante de Hashem, teu D'us, e com os que não estão aqui conosco hoje" (Devarim 29:9-14). O final destes versículos nos deixa uma pergunta: o que significa que o pacto está sendo selado também com os que não estão aqui hoje? Alguém perdeu a oportunidade participar deste novo pacto?
Explica Rashi, comentarista da Torá, que as palavras "os que não estão aqui hoje" se referem às futuras gerações do povo judeu. Nos ensina o Midrash (parte da Torá Oral) que a alma de todos os judeus estavam presentes no pacto com D'us, mesmo antes da criação dos seus corpos físicos. Mas o que este versículo está nos ensinando? Afinal, de que adianta apenas nossa alma fazer um pacto com D'us sem o nosso corpo, já que o livre arbítrio apenas ocorre quando os dois estão juntos?

A resposta está em um interessante conceito da biologia. Se pudéssemos rastrear e identificar todas as células de um ser humano, perceberíamos algo interessante. De todas as células identificadas em um bebê, nenhuma delas poderia ser encontrada quando este bebê chegasse à fase adulta. Por acaso este bebê se transformou em outra pessoa? Obviamente que não, ele sempre se manteve a mesma pessoa, apenas as suas células foram envelhecendo e sendo gradativamente substituídas por células mais novas.
Poderíamos pensar que o povo judeu é composto por indivíduos isolados, unidos apenas por idéias em comum. Mas a Parashá vem nos ensinar justamente o contrário. Gerações de judeus nascem, vivem e são substituídas por novas gerações, como células de um organismo. Mas o povo judeu continua intacto, pois somos uma única entidade contínua que existiu durante toda a nossa história. Como a geração do deserto fez um pacto com o Criador do mundo, esta força foi sendo transmitida por todas as gerações e, por sermos parte da mesma entidade, é como se nós também estivéssemos presentes naquele momento. Não somos indivíduos isolados, cada um de nós faz parte de uma única entidade que não pode ser dividida: o povo judeu.

 Mas que diferença faz se somos pessoas isoladas ou conectadas entre si? Explica o Rambam (Maimônides) que por sermos parte de uma única entidade, temos a obrigação de cuidar e de se preocupar com cada um dos que também fazem parte dela. Ele nos ensina que aquele que se não sente a dor de seus irmãos e não derrama lágrimas junto com eles quando ocorrem tragédias e dificuldades, perde sua parte no Mundo Vindouro mesmo que não tenha cometido nenhuma transgressão durante toda sua vida.
Para um judeu, não existe viver de maneira isolada e individual, pois somos parte de um grupo. Não existe o conceito de uma pessoa cumprir suas Mitzvót sossegadamente, sem se preocupar com as dificuldades que os outros estão passando. Qualquer tragédia pessoal é parte da tragédia coletiva do povo judeu. É por isso que, quando vamos consolar um enlutado, dizemos: "Que D'us possa te trazer consolo dentre os outros enlutados (pela destruição) de Tzion e Jerusalém". O mesmo vale para as alegrias particulares, nas quais devemos participar como se a alegria fosse algo coletivo, de todo o povo.

 Por este conceito também fazemos as nossas rezas no plural. Mesmo quando não estamos doentes, pedimos durante a Amidá (reza silenciosa) "Nos cure". Mesmo quando não estamos precisando de dinheiro pedimos "Nos abençoe". Um judeu não pode descansar e relaxar despreocupado enquanto há judeus espalhadas pelo mundo que não podem descansar. Quando uma parte do nosso corpo fica doente, o corpo inteiro adoece. Enquanto um dos nossos irmãos estiver com problemas, todos nós temos o mesmo problema.

Na próxima 4ª feira de noite (04 de setembro) é Rosh Hashaná, o ano novo judaico, a comemoração da criação do primeiro ser humano, Adam Harishon. Da mesma forma que ele foi criado e julgado no mesmo dia, assim também todos os seres humanos são julgados neste dia. Todos os nossos atos passam na frente do Criador do mundo, mesmo os menores detalhes de tudo o que fizemos durante o ano. D'us também vê nossos corações e, no momento em que pedimos mais um ano de vida, Ele vê quais são os nossos planos de crescimento espiritual para o próximo ano.

Há muitas áreas onde precisamos crescer. Há muitas Mitzvót que precisamos começar a cumprir ou melhorar ainda mais. Mas talvez a área onde mais devemos investir é no "Bein Adam Lehaveiró" (entre o homem e o seu companheiro). Há mais de 2.000 anos sofremos sem o nosso Templo Sagrado, que foi destruído por causa do ódio gratuito dentro do povo judeu. Ódio gratuito não significa apenas ofender ou agredir outro judeu. O descaso e a falta de sensibilidade com os problemas dos outros também é considerado ódio gratuito. Estar confortável no sofá assistindo televisão enquanto há judeus sem ter o que comer também é ódio gratuito. Como podemos assistir as notícias do soldado israelense Gilad Shalit, seqüestrado há mais de 4 anos por terroristas palestinos, sem dividir com sua mãe tamanha dor e sofrimento?

Para aumentar nossa sensibilidade com os outros é necessário muito trabalho. O primeiro passo é querer. O segundo passo é tentar vencer o nosso egoísmo, refletindo sobre as dificuldades dos outros, tentando nos imaginar na mesma situação. Precisamos entender que não estamos em uma corrida para chegar em primeiro lugar sozinhos, pois enquanto há irmãos que não passaram pela linha de chegada, não somos considerados vencedores. Devemos receber sobre nós a responsabilidade de ajudar, dentro das nossas possibilidades, a todos aqueles que necessitam. Seja com dinheiro, seja com um ombro amigo, seja com um sorriso. O importante é começar a sentir, desde já, que na verdade somos todos um só.

 Que neste ano de 5774 tenhamos apenas alegrias para todos os povos..

 SHABAT SHALOM e SHANÁ TOVÁ UMETUKÁ (Um ano bom e doce para todos)

"SHETICATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM" (QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA).

 Rav Efraim Birbojm
 
Nitsavim  Dt. 29:10-30:20, Is. 61:10-63:9, Ro. 10: 1-13
Vayelech Dt. 31:1-30,Os.14:2-10, Jl 2:11-27, Mq.7:18-20, Is.55:6-56:8, Rm. 7: 7-12
Rosh HaShaná (Ano Novo Judaico) Gn. 21:1-34 (Maftír Nm. 29:1-6), 1 Sm. 1:1-2:10, 1 Ts. 4:13-18

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

PEQUENO DEMAIS PARA NOSSA GRANDEZA – PARASHÁ NITZAVIM E ROSH HASHANÁ 5773

“Arnaldo era um bom menino, mas as más influências de garotos encrenqueiros da escola fizeram com que ele também começasse a fazer coisas feias, tanto na escola quanto em casa. O pai tentou conversar, passou a gritar e chegou até mesmo a deixá-lo de castigo, mas nada adiantava. Parecia que aquela má conduta tinha virado a essência dele. Mesmo com 8 anos, ninguém mais podia com ele.
Certo dia, o pai teve uma ideia para tentar despertá-lo. No momento em que o viu fazendo algo errado, imediatamente chamou-o. Arnaldo ficou assustado com o flagrante e já se preparou para o pior. Mas ao invés da esperada bronca ou castigo, o pai calmamente pediu para que ele fosse ao seu quarto e trouxesse o chinelinho que usava quando tinha 4 anos. Arnaldo, mesmo sem entender o pedido do pai, fez o que ele mandou e trouxe o chinelinho. O pai então pediu que ele vestisse o chinelinho, mas Arnaldo deu risada, achando que o pai estava brincando. Mas ao olhar para o rosto do pai, viu que ele estava sério. O pai então repetiu mais uma vez para ele calçar o chinelinho, e desta vez Arnaldo fez o que o pai mandou. Ou melhor, tentou fazer, pois obviamente o chinelo não entrou no seu pé. Naqueles últimos 4 anos ele havia crescido muito e seu pé não cabia mais dentro daquele pequeno chinelinho. Então ele falou:
- Pai, você não percebeu que meu pé cresceu? Como vou calçar este chinelinho tão pequeno, que eu usava quando tinha apenas 4 anos, se meu pé hoje em dia é tão grande?
O pai então respondeu:
- Preste atenção no que você mesmo disse agora. Este chinelo representa as suas más ações. O seu pé representa o seu potencial espiritual. Você não percebe que estes atos feios que você anda fazendo não cabem em uma pessoa tão grande e boa como você? Você não percebe que transgressões não combinam com o seu coração bondoso? Você pode até forçar o pé dentro do chinelo, mas ele nunca vai entrar. Assim também é você, filho. Você é um bom menino, tenho certeza de que estes atos pequenos e feios que você tem feito não cabem em alguém tão grande quanto você. Só falta você perceber isto.
Arnaldo foi pego de surpresa. Se viesse uma bronca ou um castigo, ele teria se rebelado ainda mais. Mas o pai foi tão doce, e mostrou de forma tão clara que ele estava errado, que decidiu mudar. Ele entendeu que podia ser uma boa pessoa, fazer coisas positivas para o mundo, ao invés de ficar se comportando de forma tão pequena e mesquinha. Ele decidiu que nunca mais deixaria aqueles maus atos, tão pequenos, entrarem dentro de seu enorme coração”
No dia em que percebermos o quanto somos grandes, então entenderemos que as transgressões não cabem em nossos enormes corações.
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Neste Shabat lemos a Parashá Nitzavim, e no domingo a noite (16 de setembro) é Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, dia em que toda a humanidade passará diante de D’us e todos os nossos atos são julgados. Mas há algo interessante neste dia, pois Rosh Hashaná está incluído nos “Asseret Iemei Teshuvá” (10 dias de Teshuvá). A Teshuvá, o retorno aos caminhos corretos, inclui o arrependimento pelos maus atos e a decisão de não voltar mais a cometê-los. Mas diferente de Yom Kipur, em nenhum momento de Rosh Hashaná nós pedimos perdão a D’us pelos nossos pecados. Na verdade, em Rosh Hashaná nós nem mesmo mencionamos que pecamos. Então onde está a Teshuvá de Rosh Hashaná?
A resposta começa na Parashá Nitzavim, que traz alguns versículos enigmáticos: “Esta Mitzvá que Eu os comando hoje, não está escondida de vocês e nem distante... Pois a coisa está muito próxima de vocês, na sua boca e no seu coração, para cumpri-la” (Devarim 30:11,14). Sobre qual Mitzvá o versículo está falando?
Explica o Ramban (Nachmânides) que o assunto trazido nestes versículos é justamente a Mitzvá de Teshuvá. E a Torá está nos ensinando, ao afirmar que a Mitzvá de Teshuvá “está muito próxima de vocês”, que é algo acessível a qualquer pessoa e algo fácil de ser cumprido. Mas se a Teshuvá inclui um arrependimento sincero, abandonar completamente o pecado e a decisão de não voltar a errar, fazer isto de maneira sincera não é nada simples. Mesmo quando estamos convictos de que queremos mudar, isto não é feito sem dificuldade e esforço. Então como pode ser que o Ramban explica que o versículo, que descreve uma Mitzvá fácil de ser cumprida, se refere à Mitzvá de Teshuvá?
A pergunta fica ainda mais difícil quando olhamos a definição do Rambam (Maimônides) sobre o que é Teshuvá. Ele ensina (Hilchót Teshuvá 2:2) que a Teshuvá verdadeira e sincera somente ocorre quando a pessoa que pecou está convicta de que nunca mais voltará aos seus maus caminhos e está confiante a ponto de até mesmo D’us atestar que ela nunca mais voltará aos erros do passado. Mas como um ser humano pode garantir que nunca mais voltará aos erros do passado? O ser humano é feito de carne e osso, isto é, está sempre suscetível a erros e constantemente sendo testado pelo seu mau instinto. Ensinam os nossos sábios que “não há nenhum homem no mundo que faz o bem e não comete transgressões”. Quem pode chegar ao nível de colocar D’us como testemunha de que nunca mais na vida vai voltar a cometer o mesmo erro?
O Rambam continua e diz que a Teshuvá somente é perfeita quando, depois do arrependimento, a pessoa se vê diante da oportunidade de novamente cometer o mesmo pecado, mas desta vez consegue vencer a tentação e não cai novamente. Ele cita como exemplo de Teshuvá perfeita uma pessoa que transgrediu através de relações ilícitas e novamente se vê fechado com a mesma mulher, no mesmo local e sentindo a mesma atração física que sentiu anteriormente, mas desta vez consegue se libertar do desejo e vencer o teste.
Mas há algo muito estranho no exemplo trazido pelo Rambam. A Torá proíbe uma pessoa de se colocar intencionalmente em uma situação de teste. Ao contrário, devemos fazer de tudo para diminuir os nossos testes. Por exemplo, uma pessoa que fez Teshuvá e deixou de comer carne com leite não deve passar pela porta do McDonald’s, para não se colocar em uma situação de desejo desnecessário. Então como o Rambam fala que a Teshuvá verdadeira é apenas quando a pessoa passa exatamente pela mesma situação em que caiu anteriormente? Não é até mais louvável que a pessoa, por seu cuidado e temor a D’us, nunca mais chegue nem perto do mesmo teste que a fez cair anteriormente?
O Talmud (Iomá 86b) ajuda a responder estas perguntas ao nos ensinar um fundamento espiritual muito importante. Quando uma pessoa repete muitas vezes o mesmo pecado, ele se torna permitido aos seus olhos. O Talmud está nos ensinando que um dos principais motivos pelo qual nós pecamos é nos enxergarmos como seres compostos pelos nossos atos do passado. Portanto, quando uma pessoa comete muitas vezes determinado erro e está diante de uma nova oportunidade de pecar, ela pensa que não é possível que o pecado a impacte mais do que já fez. A pessoa sente que o pecado já faz parte de sua própria essência e por isso não consegue se desconectar dele. Ela não consegue se comprometer a não voltar a cometer o mesmo pecado, e mesmo que se comprometa, será uma frustração quando ela certamente cair novamente, pois a pessoa que não se liberta dos seus pecados certamente voltará a cair, é apenas questão de tempo.
Explica o Rav Yohanan Zweig que o Rambam não está dizendo que existe alguém que pode chegar ao nível de garantir que nunca mais repetirá um erro, e muito menos que uma pessoa deve se colocar em teste para provar que fez uma Teshuvá verdadeira. O Rambam está ensinando qual é a atitude correta requerida para uma Teshuvá verdadeira. O primeiro passo é a pessoa se desconectar das suas atitudes passadas. Ela deve sentir que os maus atos cometidos no passado não refletem sua natureza verdadeira e, portanto, mesmo nas mesmas circunstâncias, ela não voltaria a cometer o mesmo pecado. A Teshuvá verdadeira somente é possível quando a pessoa se desconecta completamente de seus comportamentos negativos do passado e entende que eles não são parte de sua essência verdadeira. A pessoa pode até mesmo voltar a cometer o mesmo erro no futuro, mas por ter sido puxada por seu mau instinto, e não pelo fato do seu comportamento negativo do passado estar enraizado em sua essência.
Ninguém pode garantir que nunca mais voltará a pecar. Isto seria até mesmo um sinal de arrogância, como ensina Shlomo Hamelech: “Bem aventurado é aquele que tem medo sempre”, isto é, aquele que constantemente tem medo de pecar. Com a consciência de que nossos erros do passado não são parte do nosso presente e futuro, garantiremos que eles não nos influenciarão a cometer novos pecados.
Esta é a essência de Rosh Hashaná, o dia do julgamento. A Teshuvá de Rosh Hashaná é o entendimento de que o passado não nos controla. Esta é a fonte da Teshuvá verdadeira: se desconectar do que já erramos, entender a nossa grandeza, saber que os erros que cometemos são pequenos demais comparados com o nosso potencial. Isto é algo acessível para todos. Por isso a Torá diz que a Mitzvá de Teshuvá é algo fácil de ser alcançado.
Em Rosh Hashaná devemos fazer de D’us o nosso Rei. Não existe um rei de carne e osso sem súditos. A pessoa pode ter um trono, um manto e um cetro, mas se não tem súditos, ele não é rei. D’us, o Rei dos reis, não depende de ninguém. Em Rosh Hashaná dizemos que D’us é Rei, foi Rei e será Rei, isto é, mesmo antes de nossa existência e depois de nossa existência Ele sempre será Rei. Mas apesar de não precisar de nós, Ele nos escolheu como Seus súditos. Por isso não lembramos nem confessamos nossos pecados em Rosh Hashaná, pois Rosh Hashaná é o entendimento de que somos tão grandes que não “cabemos” mais nos pecados que cometemos no passado.

Esta é a grandeza de cada um de nós que precisamos focar em Rosh Hashaná. Fomos escolhidos por D’us para fazer Dele o nosso Rei. Não apenas os grandes sábios, nem só as pessoas mais puras e elevadas. Cada um de nós foi escolhido, cada um de nós pode ser um súdito do verdadeiro Rei. E quando entendemos a nossa grandeza, a nossa verdadeira conexão com D’us, nos desconectamos dos pecados e nos permitimos começar o novo ano completamente limpos e purificados.

“SHETICATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM” (QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA).

SHABAT SHALOM E SHANÁ TOVÁ

R' Efraim Birbojm

domingo, 9 de setembro de 2012

Os Dias Entre Rosh Hashaná e Yom Kipur

Dez Dias para Reflexão, Arrependimento e Retorno


No dia seguinte a Rosh Hashaná, ocorre o Jejum de Guedalyá, em lembrança ao assassinato do governador da Terra de Israel e à dispersão dos judeus remanescentes (no ano 3339 após a Criação).

Shabat Shuvá (entre Rosh Hashaná e Yom Kipur), quando lemos a Haftará Shuvá Yisrael (Retorna, Ó Israel), constitui-se num dos sábados mais importantes do ano. Até a chegada da véspera de Yom Kipur, o dia no qual nosso destino é selado para o ano todo.

O temor a D'us

"Afinal, tudo já foi ouvido: teme a D'us e guarda Seus mandamentos, pois este é o [dever do] homem completo".

Não é de se estranhar que o conselho acima tenha sido dado pelo maior e mais poderoso rei que já existiu: o rei Salomão. Nunca houve um rei mais glorioso e forte, que governou sobre o Reino de Israel. D'us lhe deu grande sabedoria quando, aos doze anos, herdou o trono de seu ilustre pai, o rei David. Todos os segredos da Criação lhe foram revelados. Ele compreendia a linguagem de todas as criaturas: das árvores, dos pássaros, dos insetos e dos animais. Podia dominar o vento e os espíritos; os demônios o serviam conforme a sua vontade. Sua fama espalhou-se pelo mundo. Os mais poderosos reis e chefes dos confins da Terra, vieram oferecer-lhe respeito, ouvir sua sabedoria e pagar-lhe tributos.

Poder-se-ia imaginar um ser humano mais poderoso que o rei Salomão? Normalmente, quanto mais poder e conhecimento, maior é a tendência de sermos orgulhosos e convencidos. Muitas pessoas perdem a cabeça por causa do sucesso e do poder. Frequentemente, esquecem que algum dia terão de prestar contas ao Criador e responder por seus atos perante o Supremo Rei dos reis.

Mas este não foi o caso do rei Salomão. O mais poderoso e o mais sábio de todos os homens era temente a D'us. Ele lembra-nos muito Moshê (Moisés) o mais humilde de todos os homens. Moshê tinha todos os motivos para se orgulhar: D'us o escolheu para libertar Seu povo da escravidão, para receber a Torá e ele se tornou o líder da nação e seu irmão, Aharon (Arão) o Sumo Sacerdote. Mesmo assim, Moshê foi o mais humilde de todos os homens que já viveram.

A modéstia de uma pessoa pobre e simples não impressiona; mas a humildade de Moshê é digna de reverência. Da mesma forma, não ficaríamos impressionados por uma pessoa frágil e humilde pregar a submissão a D'us. Mas é algo maravilhoso ouvir um homem como o rei Salomão dizer que todo seu poder e riqueza não lhe dizem nada e que a única coisa importante é o temor a D'us e somente a Ele.

Como podemos adquirir a grande virtude de temor a D'us? Pensando constantemente na majestade Divina e Seu poder ilimitado e, ao mesmo tempo, reconhecendo nossa insignificância e limitação de poderes.

Achamos que somos grandes arquitetos: podemos construir pontes imensas, arranha-céus altíssimos. Mas o que é isto comparado com o Arquiteto de todo o Universo? Acreditamos ser grandes engenheiros: podemos fazer uma máquina capaz de fornecer luz para toda uma cidade! Mas o que é isto perante a criação do Sol, que fornece luz, calor e energia para o mundo inteiro? Julgamos ser grandes químicos: podemos fazer coisas impressionantes em nossos laboratórios! Mas, como disse certa vez um grande cientista, uma folha de capim nunca poderá ser igualada.

Na realidade, somos ínfimos e insignificantes. Nossos poderes são limitados da mesma forma como nossa vida o é nesta terra. Somente D'us sabe tudo, pode tudo fazer e está em todos os lugares. Tudo o que possuímos é d'Ele. D'us criou todo o Universo e o homem para um determinado propósito. A finalidade é que o ser humano reconheça que D'us é o Criador e o Mestre; portanto, deve ser reverenciado. Isto significa que devemos servi-Lo, cumprindo as leis e mandamentos que Ele nos deu na Torá e fazer tudo o que for possível para sermos justos, honestos e corretos, pois D'us não aprecia iniqüidades. Ele sabe tudo o que fazemos, dizemos e até pensamos. O temor a D'us é a base da vida, é o primeiro passo para um caminho correto.

Os três pilares

A base do serviço a D'us durante estes dias se formam por meio de três pilares: Teshuvá (penitência, arrependimento, retorno), Tefilá (prece) e Tsedacá (caridade). A tradução habitual de "arrependimento, prece e caridade" não expressa, contudo, os verdadeiros conceitos judaicos de Teshuvá, Tefilá e Tsedacá.

Teshuvá é comumente interpretada como arrependimento. No entanto, a palavra exata em hebraico para arrependimento é Charatá. Charatá e Teshuvá são conceitos praticamente opostos. Charatá enfatiza a tomada de uma nova conduta, arrependendo-se por ter cometido uma ação má ou deixado de praticar uma boa ação e desejando se comportar de uma forma nova a partir deste momento.

Teshuvá significa um retorno. Um judeu é essencialmente bom e seu mais profundo desejo é praticar o bem. Porém, devido a várias circunstâncias, completa ou parcialmente fora de seu controle, ele erra. Este é o conceito judaico de Teshuvá - um retorno às raízes, ao seu mais íntimo ser.

Tefilá é geralmente traduzida como prece. No entanto, a palavra correta para prece em hebraico é bacashá. As conotações das duas palavras são contraditórias. O significado de bacashá é solicitação ou pedido e Tefilá quer dizer uma ligação. Bacashá enfatiza o pedido ao Todo Poderoso para que conceda nossas solicitações. Contudo, quando não necessitamos ou não desejamos coisa alguma, então o pedido se torna supérfluo.

Tefilá denota a ligação com D'us; e isto é importante para todos e em todas as ocasiões. Todo judeu tem uma alma ligada e presa a D'us. Entretanto, os laços que atam a alma ao Todo Poderoso podem se enfraquecer. Para corrigir esta debilidade, há durante o dia ocasiões específicas para a Tefilá, para renovar e tornar mais forte o elo com D'us. O conceito da Tefilá, o desejo de chegar mais perto de D'us, existe mesmo para aqueles que não necessitam de nada material. É o modo de fortalecer o apego e os vínculos entre os judeus e seu Criador.

Tsedacá é normalmente interpretada como caridade. Mas a palavra exata para caridade em hebraico é Chessed. Não usamos o termo Chessed e sim Tsedacá porque, novamente, os conceitos são antagônicos. Chessed ressalta a generosidade daquele que dá. Porém, aquele que recebe pode não ser necessariamente merecedor, nem o doador obrigado a dar, praticando o ato de bondade devido a sua generosidade.

Tsedacá, por sua vez, origina-se da palavra hebraica justiça, ressaltando que a justiça exige do judeu o cumprimento da caridade por dois motivos: primeiro, porque não está dando o que é seu e sim o que lhe foi confiado por D'us para dar aos outros; segundo, uma vez que todos dependem do Todo Poderoso para prover suas necessidades - embora D'us certamente não tenha obrigações para com ninguém - somos obrigados a retribuir "medida por medida" e dar aos outros, muito embora não devamos nada a eles.

 
http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/659928/jewish/Os-Dias-Entre-Rosh-Hashan-e-Yom-Kipur.htm

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PARA ONDE VOCÊ ESTÁ INDO? - ROSH HASHANÁ 5772

"Paulo entrou no avião já se preparando para a longa viagem com destino a Israel. Seriam quase 15 horas de vôo até o destino final. Apertou o cinto de segurança e, para relaxar um pouco, abriu seu guia de turismo sobre Israel, que havia comprado para aproveitar ao máximo a estadia.
No meio da viagem ele olhou com curiosidade para o senhor que estava sentado ao seu lado, que parecia muito à vontade no avião. Ele demonstrava já conhecer todas as diversões a bordo. Jogava jogos, assistia filmes, cochilava, passeava para conversar com outros passageiros, almoçava, comia salgadinhos na cozinha, estava bastante enturmado com os outros passageiros e com os comissários de bordo.
Paulo não quis parecer antipático e, apesar de estar cansado, tentou puxar conversa com ele. Descobriu que o senhor se chamava Gabriel e era um grande empresário de São Paulo. Paulo perguntou, curioso:
- Para onde você está indo?
Gabriel pareceu confuso com a pergunta. Ele simplesmente não sabia para onde estava indo. Na verdade, até aquele momento não havia parado para pensar naquilo. Paulo ficou irritado com a falta de claridade daquele sujeito e falou, indignado:
- Mas como o senhor está em um avião e não sabe nem mesmo para onde está indo? O senhor é louco?
- Não fique irritado, mas eu não estou preocupado com isso. Eu estou preocupado em aproveitar a viagem. Assisti dois filmes excelentes, ganhei três vezes jogando contra o computador e conheci muita gente interessante. Sem falar na comida, que estava uma delícia..."
Podemos achar que Gabriel é um louco, um lunático. Mas será que não fazemos o mesmo com nossas vidas? Assistimos bons filmes, comemos uma boa comida, conhecemos muita gente interessante. E depois, o que acontecerá? Para onde estamos indo? E o que estamos fazendo para chegar ao nosso destino verdadeiro?
Antes de pedir em Rosh Hashaná mais um ano de vida, antes de pedir a D'us para continuar nesta "viagem" chamada vida, precisamos saber para onde esta viagem nos levará.
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Rosh Hashaná está chegando. Para muitos, vem junto com uma sensação ruim. A primeira idéia que nos vem à cabeça é que seremos julgados por D'us, o Rei do Universo, e se não tivermos nos comportado bem, seremos duramente castigados. Infelizmente esta é uma visão incompleta de Rosh Hashaná, influenciada por muitos conceitos não judaicos. Por exemplo, nosso conceito de castigo é de um D'us bravo, descontando Sua raiva nas pessoas. É um conceito completamente equivocado, que nos afasta do verdadeiro significado espiritual de Rosh Hashaná, uma das festas mais bonitas e significativas do ano.
Há um versículo no final da Torá, sempre lido perto da festa de Rosh Hashaná, que nos intriga: "Eu chamo os Céus e a terra hoje para servirem de testemunhas contra vocês: Eu coloco diante de vocês a vida e a morte, a Brachá (benção) e a Klalá (maldição); escolha a vida, para que viva você e sua descendência" (Devarim 30:19). Qualquer ser humano em condições psicológicas normais sabe que devemos escolher a vida. Então por que a Torá precisa escrever "escolha a vida", como se D'us estivesse fazendo um pedido para nós? Não é Ele Quem decide tudo?
Em Rosh Hashaná comemoramos e revivemos a criação do ser humano, o ápice de toda a Criação. Portanto, para entender Rosh Hashaná, precisamos ter muito claro o propósito da vida. Segundo o livro Messilat Yesharim (Caminho dos Justos), de autoria do Rav Moshe Chaim Luzzato z"l, o ser humano foi criado com o único propósito de sentir prazer, sendo que o único e verdadeiro prazer é a proximidade com D'us. Mas se Ele nos desse este prazer de maneira gratuita, sem nenhum mérito, sentiríamos uma vergonha eterna por termos recebido algo que não conquistamos. Por isso Ele nos criou com livre arbítrio, para poder nos dar mérito por nossas escolhas corretas. O livre arbítrio é a habilidade de escolher entre viver na realidade ou em uma ilusão. Explica o Rav Noach Weinberg z"l que surge então um aparente dilema: D'us criou o mundo com o único propósito de nos fazer o bem. Por outro lado, Ele não pode nos dar esta bondade a não ser que a meritemos.
No dia 1º do mês judaico de Tishrei o ser humano foi criado. Todo ano este processo se repete e D'us nos permite ganhar o mérito de sermos recriados. Em Rosh Hashaná D'us nos julga se estamos escolhendo a realidade ou não. Se nós fazemos as escolhas corretas, Ele nos recria dentro de um ano de vida, isto é, viver dentro da realidade. Mas se escolhemos ficar dormindo, Ele nos recria dentro de um ano de morte, isto é, de desconexão, de sono espiritual, de ilusão, um ano sem sentido para a vida e sem verdade. D'us não faz isto para nos castigar, e sim por amor. Ele quer que tenhamos sucesso, mas a escolha final precisa ser nossa.
Rosh Hashaná é, portanto, o aniversário do livre arbítrio, quando devemos novamente reafirmar a nossa escolha: estar entre os vivos, que vivem uma vida com sentido, ou entre os mortos, que vagam todo o tempo dormindo acordados. Pelo fato da escolha estar totalmente em nossas mãos, em Rosh Hashaná D'us nos pede: "Eu criei o mundo para te dar prazer e felicidade. Por favor, Me deixe fazer esta bondade. Escolha a vida".
Outro ponto central de Rosh Hashaná é fazer de D'us o nosso Rei. Isto também nos traz um sentimento negativo, pois os reis que conhecemos são tiranos, egoístas e gananciosos, sedentos por poder, que subjugam as massas com ameaças e violência. Mas o conceito judaico de rei é justamente o contrário. O rei é alguém que ama e se importa com seu povo. Sua preocupação é apenas com a felicidade e harmonia das pessoas. A única razão pela qual ele cria leis e faz decretos é pelo bem estar dos seus súditos, e não para o seu próprio benefício. Por isso Rosh Hashaná é o dia de coroarmos D'us como o nosso Rei, dirigente e diretor das nossas vidas. Não fazemos isto por Ele, e sim por nós mesmos, para que Ele possa nos mandar todas as bondades e a Criação possa atingir seu propósito.
Rosh Hashaná é, portanto, o dia em que D'us quer praticar sua característica de fazer bondades. É o dia em que Ele nos implora para que possamos nos transformar, através do mérito de fazermos as escolhas corretas, em utensílios para receber todas as Brachót abundantes que Ele quer nos enviar.
Pelo fato de sermos recriados em Rosh Hashaná, temos a oportunidade de atingir níveis espirituais muito elevados, que não conseguiríamos atingir durante o resto do ano. Podemos nos recriar em um nível muito mais alto, que não éramos capazes nem de sonhar. Por isso, o nível que atingirmos em Rosh Hashaná será o nível que levaremos para todo nosso ano.
Na noite da próxima 4ª feira (28/09) começa Rosh Hashaná, o dia de escolher grandeza para nossas vidas. O dia de acordar para a realidade, de alcançar níveis ilimitados de espiritualidade. Nosso ano e nossa vida dependem disso. Que possamos aproveitar bem este dia tão especial.
Shaná Tová Umetuká – Um ano muito doce para todos.
"Sheticatev Vetechatem Bessefer Chaim Tovim" (Que sejamos inscritos e selados no Livro da Vida).
SHABAT SHALOM
R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Gn. 21:1-34 (Maftír Nm. 29:1-6), 1 Sm. 1:1-2:10, 1 Ts. 4:13-18

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Rosh Hashana תשע"ב


Rosh Hashana is one of the most important days in the Jewish calendar. On this day, we welcome the New Year and wish for a good, happy and fruitful year. A New Year makes us more optimistic, as we feel that a door is opened, a door that welcomes new opportunities, new directions, new hopes. We can walk through this door and move forward in a new way, a hopeful way, and a fearless way. During the previous month named Ellul we examined our deeds throughout the year that had passed, and now we are ready for a better, more promising year.
The name Rosh Hashana (רֹאשׁ הַשָּׁנָה) is composed of two words: Rosh (רֹאשׁ) which means “head” and Shana (שָׁנָה) which means year. Hence, Rosh Hashana means the beginning or the head of the year. The name "Rosh Hashanah" is not mentioned in the Bible - it refers to the holiday as Yom Ha-Zikkaron (the day of remembrance) or Yom Teru'ah (the day of the sounding of the shofar - a ram's horn which is blown somewhat like a trumpet).
"בַּחֹדֶשׁ הַשְּׁבִיעִי בְּאֶחָד לַחֹדֶשׁ, יִהְיֶה לָכֶם שַׁבָּתוֹן--זִכְרוֹן תְּרוּעָה, מִקְרָא-קֹדֶשׁ." וַיִּקְרָא כ"ג, פסוק כ"ד
“In the seventh month, in the first day of the month, shall be a solemn rest unto you, a memorial proclaimed with the blast of horns, a holy convocation.” Leviticus 23:24
Rosh Hashana falls on the first and second days of the month of Tishrey. In the secular year of 2011 it begins on September 28 at sundown and ends on September 30 at nightfall. It is a custom to wish “shana tova” (שָׁנָה טוֹבָה, Good year) in the days before Rosh Hashana. This is a wonderful opportunity for us to wish you a wonderful year, a year of health and happiness, a year of achieving your goals and creating new ones, a year of learning Hebrew in the most enjoyable way.
שָׁנָה טוֹבָה וּמְתוּקָה!
Shana tova umetuka!
Good and Sweet Year!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Abraham and Sons

It’s no secret that services on the first day of Rosh Hashanah are much better attended than those on its second day. But what the second day of the Jewish New Year lacks in attendance, it makes up for in narrative drama. In synagogue that day, we read Genesis 22, which recounts the binding of Isaac, a chapter that shapes the way we understand our relationship with God and, potentially, with one another.
Many commentators focus on the way that Abraham’s faith is tested when God asks him to sacrifice his beloved son, Isaac. Abraham gets to the very moment of killing his son before being stopped by an angel. The school of religious thought that celebrates blind faith hails Abraham for his willingness to put obedience to God ahead of filial love.
But there is another, very different lesson that we can draw from the juxtaposition of Genesis 22 with the reading from the first day of Rosh Hashanah, Genesis 21. The key verse is Genesis 22:2. It gets translated as God saying to Abraham: “Take your son, your only [yechidcha] son, the one that you love, Isaac, and go forth to the land of Moriah and offer him up there as a sacrifice.”
“Only son”? We know that Abraham had another son, named Ishmael. He was born out of Abraham’s union with his handmaiden, Hagar. It is only when Sarah gives birth to Isaac in her old age that Ishmael loses standing in the family. This happens when Sarah insists to Abraham that Hagar and Ishmael be banished from the household, all of which is recounted in Genesis 21. Abraham does not question God’s command to sacrifice Isaac. Nor does he question Sarah’s command to banish Hagar and Ishmael. What’s to admire?
In Genesis 22:2 it is hard to accept that God thinks Abraham has only one son. In the previous chapter, God appears to a desperate Hagar, who expects to die in the wilderness with her son. God shows Hagar a well of water, and she picks up her son from the ground and gives him drink. At that moment, God promises to make of Ishmael a great nation. Abraham is thus seen as the father of two great nations, the Jews, through Isaac, and the Arabs, through Ishmael.
Thus yechidcha, “your only son” in Genesis 22:2, must be God’s description of Abraham’s privileging Isaac over Ishmael. This reading is supported by the second part of the sentence, which specifies: “the son that you love.”
Perhaps God is not testing Abraham’s faith as much as he wants him to revisit his behavior toward Ishmael. The same Abraham who pleaded to save the lives of sinners in Sodom and Gomorrah cast his first son into the wilderness at the behest of Sarah without a second thought. Now God wants Abraham to experience the near loss of the son he favored in the hope that he can stir compassion in him for the son he cast out.
After Isaac’s life is spared, Genesis 22:19 tells us that Abraham returned to his entourage waiting for him at the base of the mountain. The Hebrew is vayashav Avraham — “Abraham returned.” It is worth noting that the root of the Hebrew word vayashav is the same as the word for “repentance,” teshuva.
The midrashic tradition suggests that Abraham came to regret how he treated Hagar and Ishmael and sought them out later in his life to make amends. Maybe the binding of Isaac was the beginning of his process of teshuva.
It would be easy for us to make Sarah the villain here, as it is her jealousy that leads to Abraham’s heartless act. But, in fact, we are all subject to the impulse that drives Sarah. We believe that love is a limited resource. If X enjoys love, favor or affection, then there is not enough for me. I thus need to either compete with X, cast aspersions on X’s reputation by speaking ill of him or her, or eliminate him or her. We do this in our families, in our work places, in our congregations and in our politics.
Rosh Hashanah calls on us to repent. Its biblical readings teach us that when we see the world through eyes that are too selfish and self-centered, we destroy the fabric of our families, not only our biological families but the human family as well. The higher self, of which we are capable (and which, for believers, is expected by God), must see that love and compassion can be an ever-expanding commodity rather than a scarce resource to be hoarded. It requires seeing every other person as representing the image of God.
We should not have to come to the verge of losing that which is most precious to us in order to see this truth.
By Sid Schwarz
The Jewish Daily Forward

http://forward.com/articles/130935/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
Rabbi Sid Schwarz is a senior fellow at CLAL-The National Jewish Center for Learning and Leadership and director of the national interfaith project Faith and the Common Good, based at Auburn Seminary. He is the author of “Judaism and Justice: The Jewish Passion to Repair the World” (Jewish Lights, 2006).