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sexta-feira, 3 de março de 2017

VENCENDO A PREGUIÇA - PARASHÁ TERUMÁ 5777

"Era uma vez um grande palheiro que ficava perto de uma aldeia. Vários animais de pequeno porte haviam construído suas casas naquele palheiro e ali habitavam de forma harmoniosa, sem serem molestados pelos seres humanos. Entre os habitantes daquele palheiro estavam três grandes amigos: o jabuti, a tartaruga e o esquilo. O esquilo era agitado e ágil, enquanto o jabuti e a tartaruga eram muito lentos e preguiçosos.

Certo dia, os três estavam conversando animadamente no palheiro quando, de repente, ouviram pessoas gritando: "Fogo! Fogo!". Muitos animais ficaram assustados e começaram a correr para salvar suas vidas. O jabuti não se incomodou, afirmando que estava tranquilo porque sabia mais de cem maneiras de lidar com o fogo. A tartaruga também não se preocupou e disse que sabia mais de mil maneiras de como acabar com um incêndio. Somente o esquilo percebeu o real perigo e, após tentar convencer seus amigos, fugiu para salvar sua vida. Enquanto todos os animais corriam, o jabuti e a tartaruga ficaram ali, discutindo e comparando seus conhecimentos sobre combate a incêndios.


Infelizmente, dos três amigos, o esquilo foi o único que sobreviveu ao incêndio."
Esta pequena fábula ilustra a terrível influência da preguiça em nossas vidas. O preguiçoso, mesmo diante de um terrível fogo, não toma atitudes. Ao invés de correr, de se movimentar, o preguiçoso procura justificativas lógicas para continuar parado. E é por isso que o preguiçoso acaba se queimando tanto na vida.

A Parashá desta semana, Terumá (literalmente "Porção"), descreve uma das realizações mais incríveis do povo judeu: a construção do Mishkan, o Templo Móvel que funcionava como "residência" da Presença Divina no meio do povo no deserto. O Mishkan foi construído com materiais nobres, que foram prontamente doados pelo povo, como está escrito: "E esta é a porção que você pegará deles: ouro, prata e cobre; lã turquesa, lã púrpura e lã escarlate; linho e pelo de cabra; couro de carneiro tingido de vermelho; couro de Tachash (animal multicolorido, já extinto); madeira de acácia; óleo para a iluminação, especiarias para o óleo da unção e para o incenso aromático; pedras de Shoham e pedras de preenchimento, para o Avental e para o Peitoral" (Shemot 25:3-7).

Há algo nesta lista que nos chama muito a atenção. Aparentemente a ordem dos materiais listados está de acordo com o seu valor monetário, começando com os metais mais preciosos e terminando com o óleo. Porém, no final da lista aparecem as pedras de Shoam e as pedras de preenchimento, que eram pedras preciosas de valor inestimável. Então por que, se tinham um valor tão alto, elas apareciam apenas no final da lista, como se fossem materiais sem valor?

Responde o Rav Chaim ben Atar zt"l (Marrocos, 1696 - Israel, 1743), mais conhecido como Ohr HaChaim Hakadosh, que os Nessiim, príncipes das tribos, as pessoas mais influentes e ricas do povo judeu, ao escutarem que o Mishkan seria construído com as doações do povo, disseram: "Deixe o povo doar o que eles puderem e tudo o que faltar nós completaremos". Porém, no final o plano deles deu errado, pois o povo doou com tanta alegria e entusiasmo que Moshé precisou até mesmo pedir para que as doações parassem de ser trazidas. Quando os Nessiim perceberam, todos os materiais já haviam sido doados e eles acabaram ficando de fora. D'us ficou muito aborrecido com o comportamento deles e castigou-os, fazendo com que a palavra "Nessiim", normalmente escrita com a letra "Iud", fosse escrita incompleta, sem a letra "Iud" (ver Shemot 35:27). Porém, ao perceber que os Nessiim estavam arrependidos do seu erro, D'us permitiu que eles trouxessem as pedras preciosas do Avental e do Peitoral, que faziam parte das roupas do Cohen Gadol (Sumo Sacerdote). Pelo fato da doação das pedras preciosas envolver algum tipo de transgressão, elas são mencionadas por último na lista de materiais doados ao Mishkan, pois apesar de seu grande valor material, a imperfeição espiritual da doação causou com que as pedras preciosas fossem inferiores aos outros materiais da lista.

Porém, ainda não está claro qual foi exatamente o erro dos Nessiim. Qualquer pessoa responsável pela captação de fundos de uma sinagoga ou de uma instituição filantrópica sonharia em escutar este tipo de oferta. Um doador que se dispõe a cobrir tudo o que falta parece ser uma pessoa muito caridosa, um verdadeiro Tzadik (Justo). Se o aborrecimento de D'us foi com o atraso das doações dos Nessiim, aparentemente eles adiaram suas doações com motivações nobres e compreensíveis. Qual foi exatamente o erro que eles cometeram? E se foi apenas um pequeno deslize, por que eles foram punidos de maneira tão dura por D'us.

Rashi (França, 1040 - 1105), no versículo no qual a palavra Nessiim aparece faltando o "Iud", nos traz a seguinte explicação: "Pelo fato dos Nessiim terem sido preguiçosos no início, eles perderam um "Yud" no seu nome". Rashi está trazendo uma explicação incrível, que demonstra que D'us vê inclusive os pensamentos mais íntimos do coração de cada ser humano. D'us revelou que, mesmo revestido por justificativas corretas, o argumento dos Nessiim era, na verdade, apenas uma desculpa. Embora os Nessiim estivessem justificando que não estavam levando imediatamente suas doações por motivos nobres, D'us sabia que no fundo o motivo era a preguiça.

O Rav Moshe Chaim Luzzatto zt"l (Itália, 1707 - Israel, 1746) explica em seu livro "Messilat Yesharim" (Caminho dos Justos) que mesmo os motivos aparentemente mais válidos para não assumirmos responsabilidades na vida normalmente não passam de desculpas que encobrem nossa preguiça e nosso desejo de não sair do lugar. Um exemplo impressionante que ilustra esta força do nosso Yetser Hará (mau instinto) é o livro "Chovot Halevavot" (Deveres do coração), uma das maiores obras de Mussar (Ética) já escritas, que certamente já teve uma incrível influência espiritual sobre dezenas de gerações de judeus. O Rav Bahya ibn Paquda (Espanha, início do século 11), autor do "Chovot Halevavot", detalhou na introdução do seu livro quantas dificuldades ele venceu para escrevê-lo. Uma das principais dificuldades foi que, depois de ter decidido escrever o livro, ele acabou mudando de ideia, baseando-se em uma série de motivos lógicos e aparentemente racionais. Por exemplo, ele imaginava que não tinha força nem entendimento suficientes para captar profundamente os ensinamentos da Torá e transmiti-los em um livro. Além disso, o livro deveria ser escrito em árabe, a língua que a grande maioria dos judeus falava na região em que ele vivia, porém ele não dominava um estilo elegante da escrita árabe. Ele também tinha medo de assumir a responsabilidade de uma difícil tarefa cuja consequência poderia ser a exposição pública de seus próprios defeitos e limitações. Por estes e outros motivos, o Rav Bahya decidiu abandonar o projeto. Os judeus de todas as gerações teriam perdido uma incrível fonte de ensinamentos espirituais.

O que levou o Rav Bahya a mudar de ideia e novamente investir em sua obra? Ele parou para refletir sobre sua decisão e chegou à conclusão que talvez suas motivações não estavam sendo completamente puras. Ele começou a suspeitar que havia escolhido a opção mais confortável, buscando apenas tranquilidade na vida. Ele chegou à conclusão que, por trás das razões aparentemente racionais, o que realmente havia motivado o cancelamento do projeto era o desejo de ficar parado na vida. Para o eterno benefício do povo judeu, ele acabou juntando forças, teve a coragem de encarar os desafios e, apesar das dificuldades, escreveu o "Chovot Halevavot". Não podemos nem imaginar o povo judeu desprovido das incríveis orientações espirituais contidas neste livro.

As razões do Rav Bahya para não escrever o livro pareciam realmente corretas e lógicas, mas ele conseguiu reconhecer, em sua grandeza espiritual, que eram razões "manchadas" pelo desejo de conforto na vida. Se alguém grande como o Rav Bahya estava sujeito às influências das nossas características negativas, em especial a preguiça, muito mais nós, em nosso nível espiritual tão baixo, devemos nos preocupar com os riscos de cairmos nas armadilhas da preguiça, um traço de caráter destruidor. Cada um de nós sempre tem razões aparentemente válidas e corretas para ignorar possíveis caminhos de melhoria na vida, mas devemos estar conscientes que, na grande maioria das vezes, é apenas a preguiça nos convencendo a ficarmos parados.

O Yetser Hará da preguiça é tão astuto que pode vir disfarçado de traços de caráter admiráveis, como a humildade. O Rav Moshe Feinstein zt"l (Lituânia, 1895 - EUA, 1986) nos ensina que temos a tendência comum de subestimarmos o nosso potencial, argumentando que temos poucos talentos e que não estamos destinados à grandeza espiritual. Mas o que parece humildade é, na verdade, o nosso Yetser Hará querendo nos enganar. Esta tendência de subestimar o nosso potencial vem da nossa preguiça, uma manifestação do nosso desejo por conforto. Atingir a grandeza espiritual requer muito esforço e disposição para encarar contratempos e até mesmo fracassos. Isto não é uma tarefa fácil, o que torna ainda mais tentador para a pessoa "se liberar" de suas responsabilidades na vida e escolher os caminhos mais fáceis e cômodos. Muitas "almas de ouro" do povo judeu podem simplesmente ter se apagado por terem se acomodado na vida.

Constantemente surgem oportunidades de crescimento e melhoria. Estas oportunidades servem para podermos crescer no nosso nível espiritual e também para influenciarmos positivamente outras pessoas em volta. A dura lição aprendida pelos Nessiim é eterna e também serve para cada um de nós. Talvez o mais poderoso fator que pode nos impedir de atingir a grandeza espiritual é o desejo pelo conforto, que deriva da preguiça. Isto faz com que a pessoa crie inúmeras razões para justificar a sua inabilidade de crescer tudo o que poderia. Foi por isso que D'us castigou os Nessiim de forma tão dura, para mostrar o quanto esta característica da preguiça é terrível e pode nos impedir de crescer e de cumprir o nosso objetivo na vida. O livro "Messilat Yesharim" nos ensina a identificar estas razões e justificativas como sendo "conselhos do Yetser Hará". Devemos, portanto, ignorá-las e continuar os nossos esforços para alcançar os nossos objetivos. Para vencer este terrível Yetser Hará, cada um precisa se esforçar, antes de tudo, para ser sincero consigo mesmo. Precisamos refletir e saber identificar quando realmente nossos argumentos são verdadeiros e quando são apenas desculpas para nos manter parados.

Viemos ao mundo material justamente para crescer, mas não há crescimento sem esforço. Fracassos são parte da vida, ninguém chega ao sucesso sem tropeços e dificuldades. Quando tentamos fazer nosso trabalho espiritual e surgem dificuldades, isto é um sinal de que estamos indo no caminho correto, pois o Yetser Hará está tentando nos impedir de alcançar nosso objetivo. Quando alguém está cavando em busca de um tesouro e bate com a pá em algo duro, é um sinal de que o tesouro está perto. O mesmo vale para a nossa vida, pois quando surgem grandes desafios e dificuldades, isto é um sinal de que o sucesso está muito perto.
SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com.br/
Ex. 25:1-27:19, 1 Rs. 5:12 -6:13

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

PRINCIPAL E SECUNDÁRIO - PARASHAT TERUMÁ 5776

"Em uma época em que as Yeshivót (Centros de estudo de Torá) da Lituânia estavam passando por uma situação econômica muito delicada, o Rav Zalman Sorotzkin zt"l (Lituânia, 1881 - Israel, 1966) e uma delegação enviada pelos grandes rabinos da geração fizeram um evento em Varsóvia, na Polônia, com o objetivo de tentar encontrar formas de salvar as Yeshivót. Algumas delas não tinham nem mesmo dinheiro para alimentar os estudantes e corriam o risco de fechar suas portas, deixando centenas de alunos sem um local para se dedicar dia e noite ao estudo da Torá. Entre os participantes do evento estavam vários editores de jornais judaicos, que foram convidados justamente para que a iniciativa desta delegação de tentar ajudar as Yeshivót fosse amplamente divulgada. Um dos editores, ao escutar os detalhes da difícil situação das Yeshivót, perguntou ao Rav Zalman:

- Desculpe a sinceridade, mas escutei que o Rav Meir Shapira (Império Austro-Húngaro, 1887 - Polônia, 1933) está construindo uma bela Yeshivá em Lublin, na Polônia, e teve êxito em juntar muito dinheiro para a construção. Não seria melhor ele utilizar este dinheiro para ajudar as outras Yeshivót já existentes? Por que ele não dedicou seu tempo e esforço para juntar comida para os alunos que mal tem o que comer?

- Sua pergunta é muito boa - respondeu o Rav Zalman - mas a resposta é muito simples. Mesmo que ele tentasse juntar dinheiro para as outras Yeshivót, ele não teria sucesso. As pessoas gostam de fazer generosas doações para a construção de Yeshivót bonitas e luxuosas, mas para manter o dia a dia das Yeshivót depois de prontas infelizmente são poucos os que querem participar. Tenho certeza de que quando a Yeshivá do Rav Meir Shapira estiver pronta, ele terá as mesmas dificuldades das outras Yeshivót da Europa para se manter.

E infelizmente foi exatamente o que aconteceu. Apesar da facilidade que o Rav Meir Shapira teve para construir a "Yeshivá Chochmei Lublin", depois de pronta ele passou muitas dificuldades e contraiu enormes dívidas para poder mantê-la funcionando".

Assim é a natureza do ser humano. Fazemos grandes doações para prédios e construções faraônicas, mas são poucos os que estão dispostos a ajudar a manter os lugares de Torá depois de prontos. 
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Nesta semana lemos a Parashat Terumá (que literalmente significa "doação"), que descreve a construção do Mishkan (Templo Móvel), o local onde D'us escolheu para repousar a Sua presença junto ao povo judeu. O Mishkan e seus utensílios, como a Menorá e o Mizbeach (Altar de sacrifícios), foram construídos com madeiras nobres e metais preciosos, como ouro e prata. De onde vieram estes materiais? De doações do povo, como está escrito: "Fale com os Filhos de Israel e peguem para Mim uma Terumá (doação ou porção), de cada pessoa cujo coração for generoso peguem a Minha Terumá. E esta é a Terumá que vocês pegarão deles..." (Shemot 25:2,3).

Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que nestes versículos aparece três vezes a palavra Terumá, referindo-se aos três tipos diferentes de doações feitas pelo povo judeu. A primeira era uma doação obrigatória, no valor de meio Shekel de prata por pessoa, destinado à construção das bases do Mishkan. A segunda era uma doação anual obrigatória, no valor de meio Shekel de prata por pessoa, destinada a um fundo para a compra dos Korbanót (sacrifícios) comunitários oferecidos diariamente no Mishkan. E a terceira era uma doação voluntária, sem valor definido, cujo objetivo era reunir os materiais necessários para a construção do Mishkan e seus utensílios.

Mas desta explicação trazida por Rashi surge um grande questionamento. Para a construção das bases do Mishkan e para o fundo dos Korbanót comunitários, D'us decretou que as doações do povo fossem obrigatórias, com um valor fixo por pessoa, e esta obrigatoriedade incluía até mesmo os pobres, enquanto na construção do Mishkan, que tinha uma importância fundamental para o povo judeu, D'us deixou para que cada um doasse de forma voluntária, apenas quem quisesse e o valor que quisesse. Não deveria ter sido o contrário?

Responde o Rav Zalman Sorotzkin zt"l que a Torá está se aprofundando na psicologia do ser humano e nos ensinando uma incrível lição. Normalmente somos muito ágeis para fazer doações para projetos que envolvem a construção de salas e prédios, mas temos mais dificuldade em doar para manter o propósito do prédio após ele estar pronto. Mas será que isto é correto? Por exemplo, o que é mais importante e querido aos olhos de D'us, a construção do Mizbeach ou a manutenção dos Korbanót que eram oferecidos ali diariamente? Obviamente que o propósito é mais importante do que os meios, isto é, a oferenda dos Korbanót é muito mais importante do que o Mizbeach, que é apenas um meio para que a oferenda seja realizada.

Há uma prova interessante que demonstra como nos enganamos ao achar que as construções são mais importantes do que seus propósitos posteriores. Apesar de ser proibido fazer Shechitá (abate Kasher) em um animal no Shabat, por ser uma das 39 Melachót (trabalhos criativos proibidos), há uma exceção em relação à Shechitá dos Korbanót oferecidos no Shabat, que é permitida. Já a construção do Mishkan, apesar de sua importância e santidade, não fazia parte de nenhuma exceção e deveria parar completamente durante o Shabat. Portanto, enquanto a oferenda dos Korbanót tinha uma permissão especial para ocorrer no Shabat, a construção do Mizbeach era proibida, demonstrando que aos olhos de D'us os Korbanót eram ainda mais importantes do que o próprio Mizbeach.

Porém, apesar de ser mais querido para D'us a oferenda diária dos Korbanót do que a construção do Mishkan, e apesar das doações para a construção do Mishkan serem voluntárias, em um único dia o povo doou até mais do que era necessário para a construção do Mishkan, e as pessoas somente pararam de doar quando foi dado um aviso para que parassem de trazer materiais. Como D'us conhece as inclinações do coração de Suas criaturas, Ele sabia que para a construção do Mishkan todas as pessoas correriam para trazer sua doação, o que é bastante compreensível, pois todos querem deixar sua marca para a posteridade. Por isso não foi necessário que esta doação tivesse um caráter obrigatório, pois as pessoas naturalmente trariam até mais do que era necessário, como ocorreu. Mas para o objetivo final da construção, isto é, a oferenda dos Korbanót propriamente dita, as pessoas não teriam doado a não ser que fosse uma obrigação. D'us, que conhece a natureza humana, sabe que esta doação é difícil, e por isso quis incentivar as doações garantindo que doar para a compra dos Korbanót traria expiação espiritual para o doador.

Infelizmente também podemos observar este fenômeno atualmente. O propósito da construção de uma Yeshivá ou de uma sinagoga é o estudo de Torá e a Avodat Hashem (Serviço Divino) que ocorrerão lá dentro depois de pronta e que trarão méritos para todo o povo judeu, enquanto a construção do prédio da Yeshivá e da sinagoga é apenas um meio. Apesar disso, vemos que muitas pessoas são extremamente generosas na construção dos prédios, doando fortunas para as paredes, portas, janelas, e tijolos, mas são poucos os que são generosos para manter as Yeshivót e sinagogas funcionando. Poucos se preocupam que na mesa dos estudantes de Torá haja comida e bebida suficiente para que possam ter força para estudar, ou que as contas de luz e de água da sinagoga sejam pagas.

Por que isto acontece? Normalmente as pessoas querem investir seu dinheiro em coisas duráveis. Quando alguém doa para a construção de uma sinagoga, sabe que daqui a muitos anos seu investimento ainda estará de pé e seu esforço estará presente naquelas paredes, enquanto aquele que doa para comprar comida está doando para coisas não duráveis, pois as comidas são imediatamente consumidas. Mas este é um grande equívoco, pois o alimento é o que mantém os estudantes saudáveis e fortes para poderem estudar com concentração e alegria, e toda a Avodat Hashem realizada nestes prédios certamente é eterna, muito mais duradoura do que as construções de tijolo e cimento, apesar de não percebermos isto com os nossos olhos. Nas sinagogas, a luz, a água e outros gastos, apesar de também serem investimentos não duráveis, é o que mantém o propósito do lugar. Os tijolos, cimento, móveis, pintura e acabamentos são apenas meios para que as pessoas tenham um lugar físico para sua Avodat Hashem, mas o principal, a meta, é o estudo diário da Torá e as Tefilót, que são tão queridos aos olhos de D'us e são eternos.

Mas se este conceito é verdadeiro, então por que a doação das bases do Mishkan também era obrigatória? Apesar das pessoas se interessarem em doar para a construção de prédios, isto ocorre apenas depois que já se iniciaram as fundações, isto é, depois que as pessoas já viram que o projeto realmente vai acontecer. Antes das fundações as pessoas ainda não acreditam que o projeto realmente sairá do papel, e ainda não se interessam em doar. Por isso D'us teve que obrigar a doação da prata para as bases de sustentação do Mishkan, enquanto para o restante das estruturas o povo correu para doar até mais do que era necessário.

Da Parashat aprendemos que doar para a construção de Yeshivót e sinagogas é algo muito grandioso e valoroso, porém mais valoroso ainda para D'us é a manutenção dos lugares de Torá já existentes. Ao manter uma sinagoga ou uma Yeshivá, apesar de não estarmos construindo paredes físicas, certamente estamos construindo paredes espirituais eternas.
SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

TZEDAKÁ NUNCA É DEMAIS - PARASHÁ TERUMÁ 5775

"O Rav Yoel Teitelbaum zt"l (Império Austro-Húngaro, 1887 - EUA, 1979), mais conhecido como Satmer Rebe, foi um dos maiores "Gabaim Tzedaká" (pessoa que recolhe fundos para distribuir aos necessitados) de sua geração. Todo o dinheiro que chegava às suas mãos, milhares de dólares todos os meses, era imediatamente distribuído entre os pobres e necessitados.

Certa vez chegou ao Rebe de Satmer um homem muito pobre, que começou a se queixar das adversidades e dificuldades pelas quais passava na vida. Comentou que havia perdido precocemente sua esposa, e ela havia deixado vários órfãos sob seus cuidados. Disse também que era manco de uma perna, o que causava muita dificuldade para conseguir um bom emprego. Falou ainda que não tinha nem mesmo condições para comprar comida para alimentar seus filhos pequenos. Após desabafar por alguns minutos, com os olhos cheios de lágrimas, o homem estendeu a mão ao Rebe de Satmer para receber algum dinheiro. Como de costume, o Rebe de Satmer ficou muito sensibilizado e deu àquele homem uma boa quantia de dinheiro. Ele se despediu do pobre com muitas Brachót, desejando que sua situação melhorasse. O homem pobre agradeceu e saiu de lá mancando.

Após alguns minutos entrou na sala do Rebe de Satmer o zelador da sinagoga. Como ele estava aflito e visivelmente alterado, o Rebe percebeu que havia algo errado. O homem, quase sem fôlego, começou a falar:

- Rebe, sabe aquele homem que saiu daqui há alguns minutos, dizendo que era manco? Ele é um mentiroso! Eu o vi saindo da sinagoga mancando, mas quando ele virou a esquina, apoiou o pé no chão e começou a andar normalmente! Além disso, ele disse que era viúvo, mas sua esposa o estava esperando na esquina. Rebe, tudo o que ele contou é mentira!!!

O zelador da sinagoga viu que o Rebe ficou agitado com o que escutou. Ele achou que o Rebe o mandaria correr atrás daquele homem para recuperar o dinheiro, já que tratava-se de um impostor. Mas, para sua surpresa, o Rebe deu um grande suspiro e disse:

- Uau, que enorme alegria você me deu com esta notícia. Baruch Hashem que este homem não é manco, que ele não é viúvo, e que não existem as dificuldades que ele contou…"

Quando damos Tzedaká (caridade) para uma pessoa necessitada, o principal que devemos usar não é a carteira, e sim o coração. 
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Na Parashá desta semana, Terumá, a Torá começa a descrever a construção do Mishkan (Templo Móvel), o lugar onde residia a Presença Divina. O Mishkan também era o local onde eram feitos vários Serviços Divinos, como a oferenda de Korbanót (sacrifícios), a oferenda de incensos e o acendimento da Menorá. Para estes Serviços Divinos foram construídos, junto com a estrutura do Mishkan, vários utensílios, tais como o altar de sacrifícios, o altar de incensos e a Menorá, feitos de ouro puro ou de outros materiais nobres. De onde saíram estes materiais nobres utilizados na construção do Mishkan e de seus utensílios?

A resposta está nas primeiras palavras da Parashá: "Fale com os Filhos de Israel e peguem para mim uma doação" (Shemot 25:2). Todos os materiais para a construção do Mishkan e seus utensílios foram doados pelo povo, e cada um doou de acordo com sua vontade. Estes materiais nobres vieram dos objetos preciosos que os judeus pegaram dos egípcios quando estavam saindo do Egito. Nossos sábios ressaltam que há algo interessante na palavra "Terumá" (תרומה), que significa "doação". As mesmas letras desta palavra, rearranjadas, formam a palavra "Hamotar" (המותר), que significa "o excesso". Qual a relação entre doações e excessos?

Explica o Rav Ytzchak Zilberstain shlita que quando D'us nos julga, Ele utiliza duas medidas: Din (Julgamento) e Cheshbon (Cálculos). Din é o julgamento que leva em consideração somente o ato no momento em que a pessoa o cometeu, enquanto Cheshbon é o julgamento que também leva em consideração os atos da pessoa em outros momentos. Por exemplo, quando alguém com necessidades financeiras pede ajuda a uma pessoa e ela se nega a ajudar, argumentando que não tem condições financeiras, neste momento esta pessoa é julgada por D'us por sua omissão. Como o Din julga a pessoa apenas naquele momento, isto dá para ela o benefício da dúvida e é levada em consideração a possibilidade da pessoa realmente não ter condições de ajudar por estar "apertada". Mas este julgamento não é encerrado imediatamente, ele fica suspenso, até que na semana seguinte esta mesma pessoa passa o dia inteiro no shopping, "torrando" dinheiro em coisas completamente supérfluas. Neste momento entra o Cheshbon, e a pessoa passa a ser duramente questionada: por que ela não foi comedida nos seus gastos do shopping da mesma maneira que foi comedida nos seus gastos de doação aos necessitados? Onde foi parar a dificuldade financeira que não a deixava ajudar os pobres? O Cheshbon prova que, na verdade, a "falta de dinheiro" era apenas uma desculpa egoísta para não ajudar alguém com necessidades.

Este conceito ajuda a responder nossa pergunta. Quando D'us encontra na casa de uma pessoa certos excessos, esta pessoa é imediatamente colocada em um grande teste. Pelos móveis caros da casa, é perceptível que o dono não se importa em gastar dinheiro e está disposto a esbanjar, sem peso na consciência, altas quantias em coisas completamente desnecessárias e luxos apenas ostensivos. Isto é considerado "excesso", pois a pessoa não necessita realmente de grande parte das coisas que compra. Então D'us fica aguardando o momento em que um pobre ou alguém recolhendo dinheiro para alguma causa importante for bater na porta daquela pessoa. Neste momento, no qual a pessoa tem a possibilidade de gastar seu dinheiro fazendo uma doação, D'us observa se a quantia doada será proporcional aos gastos com as coisas supérfluas da casa. Será que a mesma característica de ser "mão aberta" demonstrado na compra daquele magnífico sofá na loja mais cara da cidade se repetirá quando o assunto em questão for os gastos com Mitzvót?

Portanto, esta é a relação entre "doação" e "excesso". Enquanto para os nossos luxos pessoais, nosso "excessos", não medimos gastos, será que o mesmo acontece em relação à nossa ajuda aos necessitados? Nosso Ipad precisa ser o mais moderno e o nosso Iphone precisa ser o mais atual, mas será que nossos gastos com Tzedaká também são assim tão "caprichados"? Achamos que testes são apenas as dificuldades e os desafios pelos quais passamos, mas na verdade todas as coisas boas que D'us nos dá também são testes. Por exemplo, quando Ele nos dá dinheiro em abundância, Ele está testando se utilizaremos a Brachá (benção) que recebemos para também beneficiar pessoas menos favorecidas ou se utilizaremos de forma egoísta o que Ele nos presenteou. Por isso nossos sábios nos advertem que o teste da abundância é ainda mais difícil do que o teste da escassez.

Porém, se por um lado vimos que há uma enorme cobrança se tivermos a possibilidade e não dermos Tzedaká aos necessitados, por outro lado nossos sábios ressaltam os enormes benefícios recebidos por aqueles que dão Tzedaká e ajudam a sustentar os pobres e necessitados. Quando cumprimos qualquer Mitzvá da Torá, os méritos adquiridos ficam guardados para o Olam Habá (Mundo Vindouro), mas neste mundo não recebemos nenhum tipo de recompensa, como afirma o Talmud (Kidushin 39b) "Não há recompensa pelas Mitzvót neste mundo". Outra fonte do Talmud (Eruvin 22a) também afirma: "Hoje (no Mundo Material) é para cumpri-las (as Mitzvót), e amanhã (no Mundo Vindouro) é para receber suas recompensas". Mas em relação à Mitzvá de Tzedaká o Talmud (Taanit 9a) afirma: "Doe seu dízimo (aos pobres e necessitados) para que você possa enriquecer". Isto quer dizer que, diferente do que ocorre nas outras Mitzvót, aquele que dá Tzedaká já recebe uma recompensa neste mundo, sem perder o que está guardado para ele no Mundo Vindouro.

A palavra "Tzedaká" normalmente é traduzida como "caridade", mas a tradução correta é "justiça". Significa que, quando uma pessoa que recebeu de D'us muitos bens ajuda alguém em piores condições, ela não está fazendo uma bondade, e sim um ato de justiça. Afinal, para que D'us deu para ela tanto dinheiro, para que ela gastasse de forma egoísta com excessos ou para que utilizasse para transformar este mundo em um lugar melhor? É indiscutível que o mundo material nos dá muitos prazeres, mas certamente não há prazer e alegria maior do que saber que fizemos a diferença na vida de alguém que precisava de ajuda.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
Ex. 25:1-27:19, 1 Rs. 5:12 -6:13

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

EQUILÍBRIO - PARASHÁ TERUMÁ 5774


“O Rebe Avraham Mordechai Alter, mais conhecido como Imrei Emes (Polônia, 1866 - Israel, 1948), estava certa vez na sinagoga quando um dos frequentadores se aproximou e pediu a ele um Tefilin emprestado, pois havia perdido o seu e levaria algum tempo até que pudesse comprar um novo. O Rebe, sem pensar duas vezes, emprestou a ele um Tefilin. Mas não era um Tefilin qualquer, era um Tefilin extremamente valioso, que havia pertencido ao pai do Imrei Emes, o Rebe Yehudah Aryeh Leib Alter, mais conhecido como Sfas Emes (Polônia, 1847-1905), um homem de muita santidade. Aquele Tefilin tinha um valor inestimável, e as pessoas sabiam o quanto o Rebe era cuidadoso com ele. Um dos seus alunos, ao ver que o Rebe havia emprestado aquele Tefilin tão valioso, questionou por que ele não havia emprestado um Tefilin mais simples. O Rebe explicou:

- Está escrito na Torá: “Este é o meu D’us e eu farei para Ele uma Morada” (Shemot 15:2). Deste versículo aprendemos que quando fazemos uma Mitzvá, devemos fazê-la da melhor maneira possível. Este conceito não se aplica apenas nas Mitzvót diretamente relacionadas com D’us, mas também nas Mitzvót relacionadas com o próximo. Isto inclui o Chessed (bondade) que fazemos aos outros e, portanto, devemos fazê-lo da melhor maneira possível. Foi por isso que eu não emprestei a ele um Tefilin qualquer, eu fiz questão de emprestar o meu Tefilin mais valioso.”

O Imrei Emes entendeu que o conceito de embelezar as Mitzvót também se aplica no nosso relacionamento com o próximo. Da mesma maneira que queremos ser cuidadosos no nosso relacionamento com D’us, para que tudo seja feito da maneira mais adequada e minuciosa possível, assim também devemos ser cuidadosos no nosso relacionamento com as outras pessoas.

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Nesta semana lemos a Parashá Terumá, que nos ensina sobre os detalhes do Mishkan (Templo Móvel), uma construção com uma função muito nobre: ser o local de repouso da Presença Divina. Apesar de D’us estar presente em todos os lugares, o Mishkan era o lugar físico onde a Presença Divina podia ser sentida de uma maneira mais palpável. A Parashá descreve tanto a estrutura do Mishkan quanto seus utensílios, como a Menorá, a Shulchan (mesa de ouro) e o Mizbeach (altar de oferendas).

A estrutura do Mishkan era composta por tábuas de madeira apoiadas em bases de prata. As tábuas eram mantidas unidas por barras de madeira de acácia, como está escrito: “E a barra central passará por dentro das tábuas, de uma extremidade à outra” (Shemot 26:28). Esta barra central era de extrema importância, pois ajudava a dar estabilidade para toda a estrutura do Mishkan.

Explica o Targum Yonathan (tradução da Torá para o aramaico, de autoria do Rav Yonathan Ben Uziel, que viveu no 1º século da era comum) que esta barra central foi feita com a madeira da árvore que Avraham Avinu havia plantado para fazer bondade com as pessoas, como está escrito: “E plantou (Avraham) uma “Eshel” em Beer Sheva” (Bereshit 21:33). Por que esta árvore que Avraham plantou recebeu um papel tão importante no Mishkan, dando estabilidade para toda a estrutura? Qual a mensagem que a Torá está nos transmitindo?

Explica o Rav Nosson Tzvi Finkel, mais conhecido como Alter MiSlobodka (Lituânia, 1849 - Israel, 1927), que muitas vezes, mesmo querendo chegar à perfeição, o ser humano faz sua Avodat Hashem (Serviço Divino) de uma maneira desequilibrada, e isto o afasta do seu objetivo. Onde está este desequilíbrio? Normalmente damos atenção às Mitzvót que são “Bein Adam LaMakom” (entre o homem e D’us), mas acabamos esquecendo de dar a devida importância para as Mitzvót “Bein Adam LeHaveiró” (entre o homem e seu semelhante), e este desequilíbrio pode nos custar caro. O Alter Mi Slobodka adverte que no momento em que uma pessoa está cumprindo uma Mitzvá Bein Adam LaMakom, ela deve ser extremamente cuidadosa para não causar nenhum dano ou constrangimento às outras pessoas, pois se causar qualquer aborrecimento aos outros por falta de sensibilidade, ela corre o risco de perder mais do que ganhou com a Mitzvá.

Infelizmente existem muitas situações onde isto acontece, até mesmo dentro da sinagoga. Por exemplo, após a leitura pública da Torá, quando o Sefer Torá é reconduzido ao Aron Hakodesh, temos o costume de beijá-lo, como uma forma de dar Kavód (honra) e mostrar o quanto a Torá é querida para nós. Porém, pessoas que estão distantes do Sefer Torá acabam empurrando os outros para conseguirem chegar perto. Nossos sábios afirmam que este é um grande erro, pois evitar machucar e incomodar outras pessoas certamente se sobrepõe ao ato de beijar o Sefer Torá. Enquanto dar um beijo no Sefer Torá é apenas um embelezamento da Mitzvá, causar danos à outra pessoa é uma grave transgressão. Outro exemplo é a pessoa que, no momento de vestir seu Talit, não se importa com a pessoa de trás. Quando a pessoa joga o Talit para trás, os longos fios se transformam em um verdadeiro chicote, podendo machucar. É muito bonito ver como há pessoas preocupadas em cumprir a Mitzvá de vestir o Talit com Kavaná (intenção), mas nunca podemos esquecer, mesmo quando estamos cumprindo uma Mitzvá importante, que há outras pessoas à nossa volta.

Outra área em que vemos o desequilíbrio na Avodat Hashem é nas Chumrot (rigorosidades) que recebemos sobre nós. Em várias Mitzvót Bein Adam LaMakom a pessoa recebe sobre si vários níveis de rigorosidade. Um exemplo clássico é na área de Kashrut, na qual muitas pessoas decidem ser extremamente rigorosas, para se afastar de qualquer tipo de dúvida ou risco de comer algo que não seja Kasher. Esta é certamente uma atitude muito louvável, uma demonstração de temor a D’us. Mas será que esta pessoa também recebe sobre si as mesmas rigorosidades em relação às Mitzvót Bein Adam LeHaveiró? Ela verifica muito bem o que vai entrar na sua boca, mas será que ela verifica muito bem o que vai sair da sua boca? Será que ela pensa muitas vezes antes de dizer algo, para checar se não dirá nada que possa ofender ou machucar os outros?

Há um importante comentário do Ramban (Nachmânides, Espanha, 1194 - Israel, 1270), e muito conhecido por todos, sobre o versículo “Sejam sagrados” (Vayikrá 19:2). Ele ensina que daqui aprendemos que não é suficiente apenas cumprir as Mitzvót “ao pé da letra”. Para fazermos a nossa Avodat Hashem da maneira correta, devemos nos esforçar para atingir cada vez níveis maiores de proximidade com D’us, tentando melhorar a cada dia nossos atos. Mesmo as Mitzvót que nós já cumprimos, podemos tentar fazer um pouco melhor e de forma um pouco mais cuidadosa. Mas há outro comentário do Ramban que, apesar de ser igualmente importante, não é tão conhecido. Ele aprende do versículo “E você deve fazer o que é correto e bom aos olhos de D’us” (Devarim 6:18) que também no nosso relacionamento com as outras pessoas não devemos apenas cumprir a lei “ao pé da letra”, e sim fazer até mais do que é exigido de nós. Portanto, segundo o Ramban, para a pessoa realmente fazer a sua Avodat Hashem da maneira correta, antes de tudo ela deve perceber que D’us espera de nós que possamos tratar as pessoas com o máximo nível de sensibilidade.

Explica o Rav Zelig Pliskin que D’us exigiu que parte importante da sustentação do Mishkan fosse feita com as madeiras que Avraham Avinu plantou por bondade para nos lembrar de que, mesmo quando estamos fazendo nossa Avodat Hashem com o máximo empenho, mesmo que seja uma Mitzvá tão especial e sagrada quanto a construção do Mishkan, a Morada de D’us, não podemos esquecer de ter compaixão pelas outras pessoas, que foram criadas à imagem e semelhança Dele. A barra central do Mishkan é um lembrete eterno de que há dois pilares na nossa Avodat Hashem: Bein Adam LaMakom e Bein Adam LeHaveiró. O segredo para alcançar a perfeição é o equilíbrio, isto é, mesmo nos momentos de maior devoção a D’us, não se esquecer das nossas obrigações com as outras pessoas.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
Ex. 25:1-27:19, 1 Re. 5:12 -6:13

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ENCONTRANDO SEU LUGAR IDEAL - PARASHÁ TERUMÁ 5773


"O Rav Elchanan Wasserman desde cedo se destacou muito no estudo da Torá. Depois de casar, foi morar na casa do seu sogro e recusou muitos cargos rabínicos, alguns que lhe trariam muito prestígio, pois preferia se dedicar apenas ao estudo de Torá. Alguns anos mais tarde, começou a ensinar Torá e montou uma Yeshivá (Centro de estudos de Torá) para jovens alunos, onde começou a se destacar muito como professor de Torá.

Passados alguns anos, para evitar uma possível discussão com um rabino local, o Rav Elchanan Wasserman saiu do comando da Yeshivá e foi estudar no Kolel (Centro de estudos de Torá para homens casados) dirigido pelo Rav Israel Meir HaCohen, o Chafetz Chaim, onde continuou se destacando muito pela sua constância e dedicação nos estudos. Incentivado pelo Chafetz Chaim, montou uma nova Yeshivá para jovens alunos, mas a Primeira Guerra Mundial fez com que ele tivesse que fugir para vários lugares.

Após o fim da guerra, o Rav Elchanan Wasserman foi para a Polônia e tornou-se o Rosh Yeshivá (Diretor) de Novardok, que mais tarde, graças à sua genialidade, tornou-se a uma das Yeshivót mais famosas da Europa. A Yeshivá cresceu muito e, em poucos anos, tinha mais de 300 alunos. Influenciou de maneira significativa todo o Mundo de Torá da Europa e tornou-se um dos líderes de sua geração.

Mas momentos difíceis vieram e não havia mais dinheiro nem mesmo para comprar comida para os alunos. O Rav Elechanan Wasserman então decidiu viajar para os Estados Unidos, onde tinha certeza que conseguiria juntar muito dinheiro para a Yeshivá. Enquanto ainda estava nos Estados Unidos começou a Segunda Guerra Mundial, e muitos aconselharam o Rav Elchanan a ficar na América, onde estaria seguro. Voltar para a Europa, com o avanço das tropas nazistas, seria certamente um grande risco de vida. Mas ninguém conseguiu convencer o Rav Elchanan a ficar. Sua única preocupação era com seus alunos, que haviam ficado sozinhos na Europa, sem um guia espiritual para ajuda-los naquela situação difícil.

E a decisão do Rav Elchanan Wasserman se mostrou acertada. Ele voltou para a Europa e por algum tempo ainda conseguiu ensinar Torá aos seus alunos e tranquilizá-los. Mas o cerco nazista foi se fechando cada vez mais até que o Rav Elchanan Wasserman sentiu que o fim se aproximava. Então ele reuniu os judeus que estavam com ele em Slobodka e fez um último discurso emocionado, que reviveu o espírito quebrado dos judeus. Ele ressaltou que a morte deles era para trazer expiação a todo o povo judeu, como os Korbanót (sacrifícios) que eram oferecidos no Beit Hamikdash (Templo). Ressaltou que eles não deveriam ter nenhum questionamento sobre a bondade e os caminhos de D'us, e assim, com Emuná (fé) completa, eles morreriam em total pureza espiritual, cumprindo a Mitzvá de santificar o nome de D'us. Afirmou que a morte deles não seria em vão, pois salvaria a vida de milhões de judeus que estavam do outro lado do oceano. E finalizou dizendo que o fogo que consumiria seus corpos seria o mesmo fogo que reconstruiria o Beit-Hamikdash em Jerusalém. Em 1941, o Rav Elchanan Wasserman foi preso e morto por colaboradores nazistas na Lituânia"

O Rav Elchanan Wasserman poderia ter pensado apenas em si mesmo e salvado a sua vida. Mas ele preferiu pensar nos outros, e decidiu não deixar seus alunos sozinhos. No final, além de toda a Torá e o incentivo que ele conseguiu transmitir aos alunos, ele meritou cumprir, de maneira completa, a Mitzvá de santificar o nome de D'us.



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Nesta semana lemos a Parashá Terumá que, entre outros assuntos, descreve a doação dos materiais necessários para a construção do Mishkan (Templo Móvel) e para a confecção das roupas dos Cohanim (sacerdotes), como está escrito: "A oferenda que vocês tomarão deles será a seguinte: ouro, prata e cobre... Pedras de ônix e "Avnei Miluim" (pedras preciosas) para o efod e para o peitoral" (Shemot 25:3,7). As pedras preciosas foram doadas para serem utilizadas em uma das roupas do Cohen Gadol (Sumo sacerdote), chamada peitoral. Nela eram incrustadas 12 pedras preciosas, cada uma representando uma das 12 tribos de Israel.

É interessante notar que as pedras preciosas utilizadas no peitoral receberam um nome coletivo, "Avnei Miluim". Rashi, comentarista da Torá, explica que este nome, que literalmente significa "as pedras de preenchimento", descreve a função destas pedras preciosas. No peitoral do Cohen Gadol havia 12 "engastes" feitos de ouro, formando cavidades onde as pedras deveriam ser encaixadas. Portanto, a função das pedras, como o nome sugere, era encaixar-se e preencher a cavidade dos engastes de ouro.

Mas desta explicação do Rashi ficam duas perguntas. Em primeiro lugar, por que a Torá atribuiu às pedras preciosas um nome "menos nobre", sugerindo que elas eram apenas "preenchedoras de um espaço vazio", ao invés de atribuir a elas um nome que acentuasse sua beleza e seu elevado valor? Além disso, cada pedra representava uma das 12 tribos de Israel, com suas qualidades e identidades únicas. Então por que as pedras receberam um nome coletivo, o que aparentemente anulava a individualidade e a singularidade de cada uma delas?

Responde o Rav Yohanan Zweig que este pequeno detalhe escrito na Torá nos ensina um fundamento muito importante para nossas vidas. É muito comum ocorrer situações nas quais ficamos divididos entre ficar em um lugar que necessita do nosso talento ou mudar para outra área que parece ser mais propícia para o nosso crescimento pessoal. O que é mais importante? O que é o correto a se fazer? Devemos pensar nos outros, isto é, na necessidade coletiva, ou em nós mesmos e no nosso próprio crescimento? As pedras preciosas nos ajudam a resolver este dilema. Apesar de que a beleza e o valor individual de cada pedra seriam certamente ressaltados caso cada uma delas estivesse isolada do conjunto, a Torá descreve que a função das pedras era ficar em seus devidos lugares, fazendo parte de um conjunto. Com isso a Torá nos ensina que é preferível a pessoa ficar no lugar onde necessitam dela, ao invés de mudar para uma área que parece ser mais propícia para o seu crescimento pessoal, mas onde ela não é tão necessária.

A saída de alguém de um local onde ele é muito necessário causa um impacto muito negativo naqueles que ficam, deixa um grande vazio. É como no caso das pedras preciosas do peitoral do Cohen Gadol, se apenas uma das pedras preciosas estivesse faltando, o vazio deixado por ela ofuscaria completamente as outras pedras. Poderíamos pensar que este é o ensinamento das pedras preciosas: devemos estar dispostos a nos sacrificar, abrindo mão de nossas necessidades pessoais em prol das necessidades comunitárias.

Mas as pedras preciosas nos ensinam algo ainda mais profundo. A verdade é que a escolha de ficar no local onde a pessoa é necessária é a escolha mais benéfica também para ela mesma. No final das contas, o crescimento pessoal será maior caso ela permaneça no local onde ela é mais necessária, ao invés de ir para o local onde, apesar de ter mais ferramentas de autodesenvolvimento, ela não as utilizará, pois não será tão necessária naquele local. É isto o que a Torá está nos ensinando ao chamar as pedras preciosas de "Avnei Miluim", dando a elas um nome coletivo e relacionado com sua função de preencher o local criado para elas, ao invés de ressaltar sua beleza e valor individuais. Pois o valor de cada pedra preciosa se tornava ainda maior pelo fato delas terem um local ao qual elas se adequavam perfeitamente.

Este é um ensinamento muito precioso para nossas vidas. Não apenas é muito desejado que uma pessoa pense mais no coletivo do que em si mesma, mas a Torá está ensinando que este é o melhor caminho para ela também. Quanto mais pensamos e ajudamos os outros, mais o nosso brilho e o nosso valor verdadeiro são ressaltados.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
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Ex. 25:1-27:19, 1 Re. 5:12 -6:13, Mt. 5: 33-37, Hb. 9: 1-10

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

OURO PURO POR DENTRO E POR FORA - PARASHÁ TERUMÁ 5772

"O Rav Menachem Mendel Morgensztern, mais conhecido como Kotzke Rebe, viveu há cerca de 200 anos e foi um grande líder Chassídico. Além de tudo o que ele ensinou durante sua vida, um dos ensinamentos mais importantes foi justamente perto de sua morte.
Quando o Kotzke Rebe estava já no final de sua vida, no leito de morte, ele estava cercado por muitas pessoas queridas, entre familiares, amigos e alunos. Certo dia ele se sentiu tão fraco que, em determinado momento, pensou que iria morrer. Cobrindo os olhos com a mão, ele pronunciou o "Shemá Israel" com grande fervor, achando que aquelas seriam suas últimas palavras no mundo.
Ao ver aquela cena, todos os presentes entenderam que o pior estava para acontecer. Mas nada aconteceu, o Kotzke Rebe não faleceu naquele momento e até mesmo voltou a recuperar um pouco de suas forças. Os alunos, curiosos, perguntaram quais foram os pensamentos que passaram pela sua cabeça no momento em que recitava o que seria o último "Shemá Israel" de sua vida. O Kotzke Rebe respondeu:
- Quando senti que o fim estava chegando, o primeiro pensamento que passou em minha cabeça foi: "O que todos pensarão e dirão sobre mim quando virem que minhas últimas palavras foram o Shemá Israel?".
Obviamente que o Kotzke Rebe teve intenções muito elevadas e puras no momento em que pronunciou o Shemá Israel. Provavelmente ele se referiu a algum sentimento sutil de contentamento que sentiu ao imaginar o que as pessoas diriam sobre ele. Este foi um grande ensinamento que o Kotzke Rebe nos deixou: mesmo sendo uma pessoa tão elevada, e nos prováveis últimos instantes de vida, ele não estava livre da necessidade de buscar louvores. Muito mais nós, que não estamos em níveis tão elevados, devemos nos cuidar desta necessidade de buscar reconhecimento público por nossos bons atos.
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Na Parashá desta semana, Terumá, a Torá começa a descrever todos os detalhes da construção do Mishkan, o Templo Móvel que acompanhou os judeus durante todos os anos em que permaneceram no deserto. O Templo Móvel ainda foi utilizado durante muitos anos na Terra de Israel, mas depois foi substituído, durante o reinado de Shlomo Hamelech (Rei Salomão), pelo Beit Hamikdash de Jerusalém. No total, a Torá dedica quase cinco Parashiót inteiras para descrever os detalhes do Mishkan. Por que estes detalhes são tão importantes, se o Mishkan permaneceu por apenas algum tempo e depois foi definitivamente substituído?
Ensinam nossos sábios que cada detalhe do Mishkan traz consigo preciosos ensinamentos para nossas vidas. Por exemplo, ao prestar atenção na estrutura do Aron Hakodesh (Arca Sagrada), aprendemos algo interessante. O Aron Hakodesh foi construído com madeira de acácia, mas D'us instruiu que ele fosse revestido de ouro, tanto por dentro quanto por fora, como está dito: "E você o revestirá de ouro puro por dentro, e por fora o revestirá" (Shemot 25:11). É interessante perceber que, quando a Torá descreve o revestimento interno, fala explicitamente que deve ser de ouro puro, mas não menciona o ouro puro quando descreve o revestimento externo. Será que havia alguma diferença entre os revestimentos interno e externo do Aron Hakodesh?
Explica o Kli Yakar, famoso comentarista da Torá, que certamente o revestimento externo também foi feito com o ouro mais puro, pois em todos os detalhes do Mishkan foram utilizados apenas os melhores materiais. Então por que a Torá diferenciou a parte interna da parte externa, se as duas foram feitas exatamente da mesma maneira?
Quando um artesão faz uma peça, a tendência é que ele capriche muito mais no acabamento externo, a parte que todos vêem, do que no acabamento interno. Por isso a Torá não precisou ressaltar que o revestimento externo também deveria ser de ouro puro, pois se o artesão sabia que deveria fazer o revestimento interno de ouro puro, certamente que faria o revestimento externo também.
Mas há uma explicação ainda mais profunda, relacionada com a grande dificuldade que o ser humano tem de vencer seu orgulho e sua necessidade de buscar honra. Estamos sempre procurando elogios e reconhecimento. Grande parte das coisas boas que fazemos na vida recebe um "empurrãozinho" quando sabemos que há alguém olhando. Queremos parecer boas pessoas aos olhos dos outros e, por isso, muitas vezes fazemos bons atos em público que nunca faríamos se estivéssemos sozinhos. Pode parecer algo normal e até aceitável, mas nossos sábios ensinam que o orgulho é uma das piores características do ser humano, da qual devemos fugir com todas as nossas forças.
Sentir orgulho pelos nossos atos é tão grave que, durante o Vidui (confissão) que pronunciamos 10 vezes durante Yom Kipur, mencionamos muitas transgressões relacionadas com o nosso orgulho. Por exemplo, uma das confissões é "pelos pecados que pecamos diante de Você com mesquinharia". Explicam nossos sábios que mesquinharia inclui também todas as vezes em que deixamos de fazer favores aos outros por saber que não se tornariam públicos e, portanto, não receberíamos louvores por eles.
O oposto do orgulho é a humildade em nossos atos cotidianos. A humildade é uma característica tão importante que a Torá abre exceções para que possamos atingi-la. Por exemplo, a Torá nos adverte duramente sobre a gravidade de falarmos mentira. Porém, o Talmud (Baba Metzia 23b) ensina que há 3 coisas pelas quais temos permissão de mentir, sendo uma delas a humildade. Existe a permissão de esconder nosso verdadeiro nível espiritual, mesmo que para isso seja necessário ocultar a verdade. Por exemplo, se alguém pergunta para um grande estudioso de Torá se ele já estudou todos os tratados do Talmud, mesmo se já tiver estudado ele pode dizer que não.
O grande valor da humildade nos atos também pode ser enxergado na Mitzvá de Tzedaká (caridade). Por mais que seja muito louvável qualquer ato de doação, quando ele é feito de maneira oculta, sem que a pessoa que recebeu ou outras pessoas em volta saibam quem está doando, ele adquire muito mais santidade e pureza.
Por isso nossos sábios ensinam que a pessoa é julgada pela bondade que faz em casa, com sua família, e não pelas bondades que faz na rua. Mesmo que alguém seja presidente de uma associação beneficente que ajuda milhares de carentes, se ele não ajuda também sua esposa e seus filhos, sua bondade não tem valor. Pois na rua as pessoas fazem bondades para mostrar aos outros o quanto são caridosas, mas o verdadeiro teste do ser humano é o quanto ele faz bondades dentro de casa, mesmo quando ninguém está olhando.
É isso que a Torá está nos ensinando através dos detalhes da construção do Aron Hakodesh. Quando alguém faz um ato "interno", isto é, sem que os outros estejam olhando, então este ato é como o ouro puro, pois é certamente movido por boas intenções verdadeiras. Já os atos "externos" nem sempre são puros, pois podem ter outras motivações menos nobres envolvidas, como a vontade de que outras pessoas testemunhem estes bons atos e o elogiem. Na realidade, é muito difícil manter motivos completamente puros quando fazemos uma Mitzvá em público.
Nos ensina a Torá: "Em todo lugar que encontramos a grandeza de D'us, lá encontramos também a Sua humildade". Não há grandeza verdadeira sem humildade. Temos que nos assemelhar ao Criador, buscar a humildade em nossos atos, fugir das honras e elogios. A pessoa espiritualmente elevada, que conhece seu valor verdadeiro, não precisa fazer propaganda de seus bons atos, pois para ela é suficiente que o Criador esteja vendo suas bondades. Por isso temos que nos esforçar para fazer nossos bons atos de maneira oculta, onde não há chances da pureza de nossas intenções ser manchada pelo desejo de reconhecimento.

Como vencer o nosso orgulho? Ensina o livro "Orchót Tzadikim" (Psicologia dos Justos) que todas as vezes em que fizermos um bom ato, temos que nos questionar: "Se ninguém estivesse olhando o que vou fazer agora, eu faria do mesmo jeito ou não?". Somente assim poderemos ter a certeza de que nosso revestimento é de ouro puro, tanto por dentro quanto por fora.
SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
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