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sexta-feira, 9 de junho de 2017

RECLAMANDO DE BARRIGA CHEIA - PARASHÁ BEHAALOTECHÁ 5777

"Havia uma pequena cidade no Oriente Médio que era muito famosa por sua deliciosa carne de cervo. De várias partes do mundo as pessoas viajavam para lá somente para poder provar aquele sabor tão delicioso e especial. O povo judeu, ao sair do Egito, estava acampando no deserto não muito longe daquele lugar. Os judeus também escutaram sobre aquela carne gostosa e tiveram desejo de saboreá-la. Alguns judeus pensaram que seria uma boa ideia desviar-se um pouco da rota para poder ir àquele lugar e desfrutar da famosa carne de cervo. Porém, necessitavam da aprovação de Moshé Rabeinu, já que o povo judeu não fazia nada sem seu consentimento. Quando alguém por fim tomou coragem de pedir a Moshé permissão para ir àquele lugar, ele negou. Por mais que tentassem convencê-lo de que valeria a pena, não conseguiram. Até que um deles pediu a Moshé:

- Por favor, Moshé, nos explique por que não! O que há de errado?

Moshé, com enorme paciência, respondeu:

- Vou explicar o que acontece. Todos os dias de manhã cai no nosso acampamento o Mán, um "pão do céu". Mesmo que já estamos acostumados, é um alimento milagroso em várias aspectos. Por exemplo, conforme os raios do sol começam a brilhar, o Mán que não foi recolhido pelo povo se derrete e forma um pequeno riacho, que flui para um rio. Então os cervos daquele lugar bebem a água desse rio e, consequentemente, parte do Mán derretido, diluído na água, entra em seus corpos. Por isso as pessoas desfrutam tanto do sabor desta carne. Por que vocês, que têm aqui todos os dias o Mán fresco, querem ir até lá comer resíduos?"

Esta história, adaptada de um Midrash, nos ensina que muitas vezes buscamos a felicidade e o propósito de nossas vidas em lugares distantes do judaísmo. Sacrificamos muitas coisas para isso, sem nos dar conta que dentro da Torá podemos encontrar a verdadeira felicidade. Então por que se contentar com os resíduos dela?

Nesta semana lemos a Parashá Behaalotechá (literalmente "quando você acender"), que começa com o comando de D'us para que Aharon HaCohen fizesse o acendimento diário da Menorá. Depois disso a Parashá traz um versículo de louvor para Aharon, afirmando que "E assim fez Aharon... conforme D'us ordenou a Moshé" (Bamidbar 8:3). Mas o que este louvor tem de especial? Não era o esperado de Aharon, uma pessoa tão elevada espiritualmente, que ele cumprisse exatamente o que D'us ordenou? A resposta está na continuação da Parashá, que começa a descrever muitos atos de rebeldia do povo judeu. Por exemplo, a Parashá traz uma das reclamações que o povo judeu fez no deserto, por causa de comida, como está escrito: "E a multidão que estava entre eles sentiu um enorme desejo e mais uma vez também choraram os Filhos de Israel. E eles disseram: 'Quem nos alimentará com carne?'" (Bamidbar 11:4).

Quem era esta "multidão"? De acordo com Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, tratava-se dos "Erev Rav", egípcios que se misturaram com o povo judeu durante a saída do Egito. Eles estavam em um nível espiritual muito baixo, por isso começaram a reclamar e a chorar por causa do desejo de comer carne. Infelizmente o povo judeu acabou se unindo a eles no choro e foram duramente castigados.

Mas como entender este comportamento do povo judeu? Imagine um grupo de banqueiros, vestidos com os ternos mais finos, saindo de uma importante reunião de negócios na qual fizeram transações de bilhões de dólares. Os banqueiros então olham para um grupo de crianças brincando na areia e subitamente desejam brincar junto com elas. Os banqueiros tiram seus ternos caros, arregaçam as mangas de suas camisas importadas e se sentam para brincar na areia. Porém, quando uma das crianças percebe que havia pouca areia para brincar, começa a chorar. Ao escutar o choro da criança, os banqueiros também ficaram tristes pela falta de areia e também começam a chorar. É difícil imaginar que um quadro destes possa realmente acontecer, a não ser que o grupo de banqueiros enlouqueça completamente.

Da mesma forma, como podemos entender o comportamento do povo judeu, que se uniu aos "Erev Rav" para chorar por carne? Os judeus estavam em um nível muito elevado, haviam presenciado no Egito enormes milagres e tinham recebido a Torá diretamente de D'us no Monte Sinai. Além disso, não faltava nada de alimento para eles. Recebiam diariamente o Mán, um alimento que literalmente caía do céu para alimentá-los. Nem mesmo o prazer da gastronomia faltava ao povo judeu, pois além de o Mán conter todos os nutrientes necessários para manter o povo judeu saudável, ele também podia ter o gosto que as pessoas desejassem. Então qual era o problema do povo judeu? O que faltava para eles?

A pergunta fica ainda mais forte quando lemos a continuação da reclamação do povo judeu: "Nos lembramos do peixe que nós comíamos de graça no Egito" (Bamidbar 11:5). Como pode ser que o povo judeu preferia a comida do Egito, que vinha misturada com lágrimas e com o sangue de suas feridas, ao invés do Mán, que era comido com gosto e com tranquilidade? Além disso, o que quer dizer que o peixe era "de graça"? A Torá nos ensina que nem mesmo a palha era dada de graça para que eles fabricassem os tijolos!

Explica Rashi algo impressionante: a expressão "de graça" significa "sem Mitzvót". A comida que eles comiam no Egito não era gratuita, mas era sem Mitzvót, isto é, eles comiam sem obrigações. Podiam comer o que quisessem e da maneira que quisessem, não havia regras. Isto demonstra a força que o materialismo exerce sobre o ser humano. Mesmo que eles estavam em um nível espiritual elevado, mesmo que eles tinham tudo de bom, o materialismo os puxava para baixo, a ponto de reclamarem sobre a falta de carne mesmo tendo tudo de bom na vida. Pelo prazer de viver uma vida sem regras e sem leis, sentiram saudades dos dias de escravidão.

Qual foi a resposta de D'us para a reclamação do povo judeu? O próximo versículo da Torá diz: "E o Mán era como a semente do coentro e sua cor era como a cor do cristal" (Bamidbar 11:6). Segundo Rashi, é como se D'us estivesse dizendo: "Vejam, seres humanos, sobre o que os Meus filhos estão reclamando!". D'us quis ressaltar como era uma reclamação sem cabimento, o famoso "reclamar de barriga cheia".

O terrível efeito do materialismo e da busca por prazeres foi ressaltado na Parashá da semana passada, Nassó, com a justaposição de dois assuntos: a mulher "Sotá" e a pessoa que recebia sobre si o voto de "Nazir". A Sotá era uma mulher que, por causa de seus desejos materiais desenfreados, se colocou em uma situação de suspeita de infidelidade. Ela então precisava passar por uma degradante cerimônia pública para demonstrar sua inocência. Logo depois a Torá fala sobre o voto de Nazir, quando alguém voluntariamente recebia sobre si algumas proibições, como se abster do prazer de beber vinho. Por que a Torá juntou estes dois assuntos? De acordo com o Talmud (Sotá 2a), isto nos ensina que todo aquele que assistia uma mulher Sotá passando por aquela cerimônia degradante deveria imediatamente receber sobre si um voto de Nazir e se afastar do prazer do vinho, para diminuir sobre si o impacto do materialismo.

É interessante perceber que, de acordo com a linguagem do Talmud, todas as pessoas que tivessem assistido a cerimônia de Sotá deveriam receber sobre si o voto de Nazir, inclusive se fossem pessoas muito elevadas espiritualmente, pessoas de comportamento impecável. Apesar de estarmos falando de uma mulher baixa e corrompida, que naturalmente não era um modelo de vida para ninguém, mesmo assim o Talmud ressalta que todos precisavam fazer o voto de Nazir. Isto nos ensina que a força do materialismo é tão intensa sobre o ser humano que mesmo uma pessoa elevada espiritualmente não está a salvo de se desviar e de sofrer um enorme tropeço. A Torá traz exemplos de gigantes espirituais, como Korach e os líderes das tribos que foram espionar a Terra de Israel, que após viverem uma vida inteira de santidade e retidão, acabaram em um instante se desviando e caindo em um abismo espiritual. Por isso nossos sábios ensinaram: "Não confie em você mesmo até o dia da sua morte" (Pirkei Avót 2:4).

Se isto se aplica até mesmo a gigantes espirituais, certamente nós, pessoas comuns, devemos ser ainda mais cuidadosos com os tropeços do mundo material. Se o povo judeu caiu por influência dos Erev Rav, e se mesmo essoas grandes precisavam tomar uma atitude drástica após assistir uma cerimônia de Sotá, também devemos estar muito atentos com as influencias que recebemos. Acabamos nos expondo a notícias que banalizam a desonestidade, a traição e a promiscuidade. E o maior perigo vem do fato de vivermos em uma sociedade que justifica comportamentos distorcidos e os transformam em "corretos". Grandes transgressões se transformam em "parte da vida cultural e seus progressos".

Aharon foi elogiado pela Torá pois, apesar de toda a pressão social, ele conseguiu se manter íntegro e cumpriu a vontade de D'us. É nossa obrigação se afastar das influências negativas. Devemos blindar nossas casas, não apenas pelas nossas crianças, mas também por nós mesmos, pois todos estamos expostos às forças do materialismo. Temos a nossa Torá, a fonte de toda a sabedoria. Não precisamos nos expor em busca de felicidade e prazer, procurando fontes duvidosas, sendo que temos a principal fonte de felicidade nas nossas mãos. Muitas vezes abandonamos a Torá em busca de novos prazeres, mas acabamos ficando apenas com os resíduos.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com.br/
Nm. 8:1-12:16, Zc 2:10 -4:7

sexta-feira, 24 de junho de 2016

A GRANDEZA E A HUMILDADE - PARASHÁ BEHAALOTECHÁ 5776

"Duas gotas d'água conversavam sobre a vida. Uma delas era extremamente humilde, enquanto a outra era demasiadamente arrogante e orgulhosa. A gota arrogante se achava melhor que as outras gotas, e queria estar sempre por cima, em destaque, enquanto a gota humilde ficava tranquila e sabia seu lugar. A gota humilde se sentiu na obrigação de ajudar, e tentou ensinar para a gota orgulhosa:

- Escute bem o que eu vou te explicar. A verdadeira humildade é firme e segura. A humildade é a mais nobre de todas as virtudes, pois somente ela traz sabedoria. O contrário da humildade é o orgulho. O orgulhoso julga-se superior e esconde-se por trás da tola vaidade. Quando uma pessoa humilde comete um erro, ela diz: "me equivoquei", pois sua intenção é de aprender e crescer. Mas quando uma pessoa orgulhosa comete um erro, ela diz: "não foi minha culpa", pois acha que não está sujeita a erros. A pessoa humilde diz "gostaria de ser melhor do que sou" e respeita os que são superiores, enquanto o orgulhoso acha que já chegou ao seu máximo potencial e não respeita os superiores, pois acha que não há ninguém acima dele. A pessoa orgulhosa não aceita críticas, enquanto a humilde está sempre disposta a ouvir as opiniões e aprender com elas. Por isso, quem é humilde cresce sempre, mas quem é orgulhoso fica estagnado a vida inteira, preso na ilusão da sua falsa superioridade. O orgulho é o bloqueio que impede a evolução das pessoas, enquanto a humildade é a chave que abre as portas da perfeição...

A gota orgulhosa interrompeu o discurso da gota humilde com uma sonora gargalhada. Quem aquela gota pensava que era? Não estava interessada em aprender nada daquela gota inexpressiva. Mas o tempo passou e a gota humilde se transformou em um mar. O mar é imenso e poderoso, pois é humilde o bastante para se colocar alguns centímetros abaixo de todos os rios. Sabendo receber de todos, torna-se grande. Mas a gota arrogante, querendo estar sempre acima de todos, transformou-se em pequena poça d'água no alto de uma montanha, passando o resto da vida sozinha e isolada..."

"Humildade" vem do latim "humus", que significa "terra fértil, preparada para receber a semente". A pessoa humilde está sempre disposta a aprender e deixar brotar a boa semente no solo fértil da sua alma. "Humus" também é a raiz da palavra "homem", demonstrando que a essência verdadeira do ser humano é ser humilde. 
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Nesta semana lemos a Parashá Behaalotechá (literalmente "quando você acender"), que termina com um importante ensinamento. Moshé Rabeinu estava acima de todos os outros profetas e, por causa de seu nível espiritual, precisou tomar uma atitude dolorosa, mas que era o correto a se fazer. A irmã de Moshé, Miriam, que também era uma profetiza, não entendeu a diferença do nível de Moshé e dos outros profetas. Ela achou que o ato de Moshé havia sido exagerado e foi conversar com Aharon para discutir com ele sobre a decisão aparentemente equivocada de Moshé. Neste momento, D'us pessoalmente veio intervir, dando uma grande bronca em Miriam por ter falado mal de Moshé. D'us então explicou para Miriam e para Aharon que Moshé estava muito acima do nível dos outros profetas, a ponto de falar com D'us "face a face".

Porém, um pouco antes de D'us esclarecer a grandeza espiritual de Moshé e seu nível único, a Parashá traz um versículo que parece estar um pouco fora de contexto: "E o homem Moshé era mais humilde do que qualquer homem sobre a face da terra" (Bamidbar 12:3). Qual a conexão entre a humildade de Moshé e a sua grandeza espiritual, trazida nos próximos versículos? A mesma pergunta surge em relação a um ensinamento do Talmud (Meguilá 31a): "Em todo lugar que você encontra o poder de D'us, lá você também encontra a Sua humildade". Por que os nossos sábios juntaram os conceitos de grandeza espiritual e humildade?

Explica o Rav Yaacov Naiman zt"l (Bielorússia, 1909 - EUA, 2009) que a resposta está no entendimento mais profundo sobre as nossas "Midót" (traços de caráter). A humildade e todas as outras boas Midót são características naturais da nossa alma. Quando o ser humano foi criado, a Torá nos ensina que "D'us formou o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas a alma da vida" (Bereshit 2:7). Por que D'us soprou a alma dentro do ser humano, ao invés de colocá-la dentro de nós de outra maneira? O Zohar (parte mística da Torá) explica que "aquele que sopra, de si mesmo sopra", nos transmitindo a valiosa informação de que nossa alma é uma parte da própria Divindade. Isto significa que todas os bons traços de caráter são parte da natureza da nossa alma nobre. Portanto, quanto mais nos aproximamos da nossa alma, mais nos tornamos humildes.

Porém, se é algo tão natural ao ser humano ter boas características, por que vemos no mundo tantas pessoas arrogantes e prepotentes? Por que a humildade é a exceção? Pois, conforme descreve o versículo, D'us criou nosso corpo com o pó da terra, isto é, conectado com o materialismo, e soprou dentro de nós uma alma Divina. Isto cria o equilíbrio que permite ao ser humano ter livre arbítrio, que é a possibilidade de escolher entre nos inclinarmos para o lado do corpo ou para o lado da alma. Se a pessoa se conecta com a sua alma, ela vai se tornando cada vez mais humilde. Por outro lado, se a pessoa se conecta com o seu corpo, ela vai se tornando cada vez mais orgulhosa, pois a natureza do corpo é ser orgulhoso. Quanto mais a pessoa se afunda nas vanidades do materialismo e na busca por prazeres sem limites
, sua arrogância também vai aumentando.

Assim nos ensina o profeta: "Não se vanglorie o sábio por sua sabedoria, e não se vanglorie o forte por sua força, nem se vanglorie o rico por sua riqueza" (Yirmiahu 9:22). A sabedoria, a força e a riqueza representam o apego pelo materialismo, e são coisas que deixam a pessoa orgulhosa. Então o profeta conclui com as seguintes palavras: "Mas sim se vanglorie por Me entender e Me conhecer" (Yirmiahu 9:23), pois são coisas que representam a conexão com D'us e, portanto, trazem humildade ao ser humano.

Isto se aplica não apenas à humildade e ao orgulho, mas a todas as Midót. As Midót ruins não vêm da nossa alma, que é uma parcela Divina e não contém nenhum tipo de mal. A fonte de todas as Midót ruins é o corpo, que é turvo, e quanto mais a pessoa vive uma vida dependente dos prazeres materiais, mais ela é dominada pelas Midót ruins. Por outro lado, quanto mais o ser humano vive uma vida espiritual, se afastando da busca desenfreada pelos prazeres materiais, então ele passa a desenvolver naturalmente Midót boas. A alma vai de acordo com a sua natureza, e o corpo vai de acordo com a sua natureza. O que nos resta é escolher se vamos de acordo com a natureza da nossa alma, nos elevando espiritualmente e nos transformando em pessoas melhores, mais humildes e altruístas, ou se vamos de acordo com a natureza do nosso corpo, caindo espiritualmente e nos transformando em pessoas egoístas e orgulhosas.

Este conceito nos ajuda a entender um ensinamento enigmático dos nossos sábios. O Talmud (Eruvin 13b) afirma que por dois anos e meio os dois maiores centros de estudo de Torá do povo judeu, Beit Shamai e Beit Hilel, discutiram se era melhor para o ser humano ter sido criado ou não. Após a discussão, chegaram à conclusão de que era melhor para o ser humano não ter sido criado. Mas como entender esta conclusão dos nossos sábios? Explica o Rav Simcha Zissel Ziv Broida zt"l (Lituânia, 1824 - 1898), mais conhecido como Saba MiKelem, que como a conclusão foi "é melhor para o ser humano não ter sido criado",  então devemos viver como se não tivéssemos sido criados, isto é, com o mínimo de envolvimento na busca de prazeres mundanos supérfluos. Pois todos os sofrimentos que passamos aqui no mundo material são derivações e consequências das nossas Midót ruins. Por outro lado, não há prazer maior do que desenvolver Midót boas, como afirmou o mais sábio de todos os homens, Shlomo HaMelech (Rei Salomão): "Todos os dias de um homem pobre são miseráveis, mas quem tem um bom coração está sempre em alegria" (Mishlei 15:15).

Com este conceito podemos entender por que a Torá trouxe a humildade de Moshé junto com os versículos que falam sobre a sua grandeza espiritual e o quanto ele estava conectado com D'us. Quanto mais Moshé se elevava espiritualmente, maior era a sua humildade. Quando Moshé chegou ao seu ápice espiritual, a ponto de conversar com D'us "face a face", então a Torá ressalta que sua humildade também atingiu o seu ápice, pois as duas coisas andam juntas. Quando Moshé transformou sua existência material em espiritualidade, as boas Midót se conectaram definitivamente a ele.

Assim a Torá nos ordena a nos relacionarmos com D'us: "Você deve temer a D'us, servi-Lo, e unir-se a Ele" (Devarim 10:20). Mas como é possível unir-se a D'us, se Ele é como um fogo que consome? Nossos sábios explicam que unir-se a D'us significa unir-se às Suas Midót. Da mesma forma que Ele é misericordioso, então devemos ser misericordiosos. Da mesma forma que ele é gracioso com Suas criaturas, então devemos ser graciosos. Mas como é possível termos Midót boas como D'us, que é a Fonte de toda a perfeição? Isto somente é possível pois todas as boas Midót de D'us estão presentes em nossa alma. Tudo o que precisamos fazer é nos aproximarmos da nossa alma, e naturalmente nos conectaremos às nossas Midót boas.
SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com.br/
Nm. 8:1-12:16, Zc 2:10 -4:7

sexta-feira, 5 de junho de 2015

FAGULHA DIVINA - PARASHÁ BEHAALOTECHÁ 5775

"O Rav Elazar Man Shach z"l (Lituânia, 1899 - Israel, 2001), o famoso Rosh Yeshivá (Diretor) de Ponovitch, além de ter sido um gigante espiritual em termos do estudo da Torá, também era muito conhecido por sua incrível sensibilidade e pelo respeito que tinha com todas as pessoas, independentemente de quem fosse.

Talvez uma das histórias que mais demonstram este cuidado com a honra dos outros ocorreu quando o Rav Shach teve que passar por um tratamento médico extremamente doloroso. Além da dor que naturalmente seria causada pelo tratamento, a família do Rav Shach percebeu que o médico não era um profissional muito habilidoso e acabava, sem intenção, causando mais dor do que o necessário durante o tratamento.

Após algum tempo, vendo que a inabilidade do médico persistia e a dor do tratamento era muito intensa, a família do Rav Shach começou a recomendar que ele interrompesse o tratamento com aquele médico e procurasse outro médico para concluir o tratamento, mas O Rav Shach se recusava. E assim ele explicava aos familiares:

- Eu tenho muito medo de mudar de médico, pois este médico acabará sabendo que eu continuei o tratamento com outra pessoa e isso vai certamente ferir os seus sentimentos"

Isto quer dizer que o Rav Shach chegou ao incrível nível de preferir sentir dores físicas intensas a causar qualquer tipo de sentimento negativo em outra pessoa, mesmo que não era ninguém próximo nem famoso.

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A Parashá desta semana, Behaalotechá, termina com um ensinamento que é de extrema importância para a nossa geração. A Torá nos conta que Miriam e Aharon, irmãos de Moshé, estavam conversando e acabaram fazendo um comentário crítico sobre Moshé. No comentário crítico não havia nenhuma maldade, apenas Miriam não havia entendido uma decisão que Moshé havia tomado em sua vida pessoal e ficou incomodada. Qual havia sido o erro nos cálculos de Miriam? Moshé estava em um nível de profecia muito maior do que qualquer outro ser humano, mas ela achou que não havia nenhuma diferença entre Moshé e outros profetas do povo judeu, e por isso pensou que a decisão que ele havia tomado era equivocada. D'us pessoalmente repreendeu Miriam por seu ato, explicando que o nível de Moshé estava muito acima de qualquer outro profeta. Por causa de seu Lashon Hará (maledicência), Miriam foi castigada com Tzaraat (doença espiritual, com manifestações físicas muito parecidas com a lepra) e precisou sair do acampamento, isolando-se do resto do povo por sete dias, e somente depois ela pôde voltar e passar pelos processos necessários de purificação.

Por que D'us deu tanto destaque para o castigo de Miriam, deixando gravado para sempre na Torá este episódio? Pois nos ajuda a fazer uma importante reflexão em relação aos nossos maus atos. Miriam falou mal de Moshé, mas sem nenhuma intenção de denegri-lo ou prejudicá-lo. Ela amava seu irmão e queria apenas o seu bem, e Moshé imediatamente perdoou-a por seu comentário. Apesar disso, seu ato foi considerado um grave Lashon Hará e ela foi duramente castigada. Se mesmo com amor e sem intenção de denegrir o castigo de Miriam foi tão duro, então daqui aprendemos que muito maior será o castigo daqueles que usam um dos maiores dons do ser humano, a fala, para machucar, ofender e denegrir o próximo.

Infelizmente o nosso Beit-Hamikdash (Templo Sagrado) foi destruído por causa do Lashon Hará e, apesar de mais de dois mil anos já terem se passado, ainda não tivemos o mérito de reconstruí-lo, pois continuamos caindo na terrível transgressão de Lashon Hará. Mas por que as pessoas falam tanto Lashon Hará? Nos cuidamos tanto com Kashrut, com o Shabat e com tantas outras Mitzvót, então por que não tomamos cuidado para não falar mal dos outros? Um dos principais motivos é que não damos às pessoas o seu devido valor. Nos achamos melhores que os outros, e por isso pensamos que temos o direito de denegrir e criticar quando alguém faz algo errado. Aos nossos olhos achamos que estamos sempre certos e os outros estão sempre errados. Então como podemos trabalhar nossas Midót (traços de caráter) para conseguir olhar as pessoas de uma maneira mais positiva? Como fazer para evitar a terrível transgressão do Lashon Hará?

Explica o Rav Yohanan Zweig que a resposta está em uma incrível característica que Moshé Rabeinu desenvolveu. Quando D'us repreendeu Miriam por ela ter diminuído a importância de Moshé, Ele começou a citar diversas qualidades que tornavam Moshé uma pessoa única e especial. Entre elas, D'us relatou que Moshé tinha a incrível capacidade de "olhar a imagem de D'us" (Bamidbar 12:8). O que isto significa?

Superficialmente a Torá está nos ensinando que Moshé tinha um dom de profecia tão especial que permitia a ele enxergar D'us de uma maneira como nenhum outro ser humano conseguia. Porém, se olharmos com atenção a linguagem do versículo, perceberemos que há algo fora do comum. O verbo utilizado para "olhar" é "Yabit", que não é comumente utilizado na Torá. Outra exceção da Torá onde esse mesmo verbo aparece é um versículo em relação à Avraham Avinu: "E (D'us) levou-o para fora e disse: 'Olhe para o céu e conte as estrelas'" (Bereshit 15:5). Rashi (França, 1040 - 1105), ao comentar este versículo sobre Avraham Avinu, explica que o verbo "Habet" significa "olhar de cima para baixo", isto é, desde um ponto de vista mais alto para um ponto de vista mais baixo.

No caso de Avraham é possível entender a utilização do verbo "Habet". As estrelas e constelações, chamadas de "Mazalót", exercem muita influência sobre a vida dos seres humanos, tudo de acordo com a sabedoria e os decretos de D'us. Quando a Torá escreve que D'us levou Avraham para fora e ordenou-o a olhar as estrelas de cima para baixo, é para nos ensinar que Avraham havia chegado a um nível espiritual tão alto que foi elevado acima da influência espiritual das estrelas, pois havia se conectado diretamente com D'us. A linguagem "Habet", neste caso, ressalta que a partir daquele momento Avraham estava acima das estrelas, e para olhar para elas precisava olhar para baixo. Mas como entender a utilização do verbo "Habet" em relação a Moshé?

De todas as excelentes qualidades de Moshé, a Torá repetidas vezes exalta a maior delas: a humildade. Logo depois de Miriam ter criticado Moshé está escrito: "E o homem Moshé era muito humilde, mais do que qualquer pessoa na face da Terra" (Bamidbar 12:3). Por que justamente neste momento a Torá quis ressaltar a humildade de Moshé? De acordo com o Ramban (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270), apesar de ter sido criticado por Miriam, Moshé era tão humilde que não se defendeu, e por isso D'us veio pessoalmente intervir. Moshé poderia se levantado para defender sua honra, certamente tinha argumentos que comprovavam que ele estava certo, pois até mesmo D'us concordou com sua atitude, mas mesmo assim ele preferiu ficar em silêncio. Poucos são os que conseguem ficar em silêncio quando são ofendidos. E o silêncio de Moshé não vinha de sua natureza pacata ou por ter medo de se levantar e enfrentar os outros, pois quando foi necessário confrontar o Faraó e se levantar contra o egípcio que golpeava um judeu, ele o fez sem hesitar. O silêncio de Moshé vinha de sua incrível humildade.

Mas afinal, o que é humildade? De acordo com o Rav Moshé Cordovero (Israel, 1522-1570), um dos maiores Cabalistas da história do povo judeu, humildade é a habilidade de uma pessoa de grande estatura de se relacionar com pessoas de menor estatura sem demonstrar, e nem mesmo sentir, que é superior. E esta característica vem da capacidade de conseguir enxergar o verdadeiro valor de cada ser humano.

Com todos estes conceitos reunidos conseguimos entender o grande elogio dado por D'us a Moshé. Quando a Torá fala que Moshé "olhava de um ponto de vista mais alto para um ponto de vista mais baixo e enxergava a imagem de D'us", isto significa que Moshé, apesar de estar em um nível espiritual muito acima de qualquer outro ser humano, conseguia enxergar que cada pessoa foi criada à imagem e semelhança de D'us, e por isso ele sabia que cada pessoa é tão especial e única. Ele olhava para baixo e enxergava a imagem de D'us que havia em cada ser humano, e por isso entendia o valor infinito de cada um. Assim ele conseguiu atingir a verdadeira humildade. Mesmo sendo o maior dos profetas, mesmo estando acima de todas as outras pessoas, Moshé conseguia enxergar a grandeza dos outros. Isto fez com que ele, durante toda sua vida, conseguisse lidar com cada ser humano como se ele fosse uma pessoa única e de muito valor.

Normalmente as pessoas que se destacam acabam se considerando melhores do que os outros, e por isso podem acabar até mesmo desprezando e causando sofrimentos a outras pessoas. Moshé é o nosso modelo de conduta. Apesar de ser um gigante espiritual, ele não se sentia melhor do que ninguém, e por isso tratava a todos com o devido respeito. Ele enxergava a fagulha Divina presente em cada ser humano, e por isso tomava muito cuidado para nunca desrespeitar nenhuma pessoa. E muitos gigantes do povo judeu seguiram os ensinamentos de Moshé e, apesar de terem se destacado tanto em seu conhecimento de Torá, conseguiam respeitar cada ser humano e enxergar nele a fagulha Divina presente.

A grande maioria das pessoas, quando quer enxergar D'us, precisa olhar para cima. Mas Moshé, um gigante espiritual, foi um dos poucos que conseguiu enxergar D'us mesmo quando olhava para baixo.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
Nm. 8:1-12:16, Zc 2:10 -4:7

domingo, 8 de junho de 2014

OS PRESENTES DA VIDA- PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5774

"Carlos e sua turma, adolescentes alegres e de bem com a vida, foram à festa de aniversário de uma amiga e resolveram, por brincadeira, entregar um presente diferente à aniversariante. Ela ficou contente quando recebeu uma enorme caixa embrulhada. Ela abriu a caixa na frente de todos, devagarzinho, mas para sua surpresa encontrou outra caixa, um pouco menor. Ao abri-la, tornou a encontrar outra caixa, e mais outra, em uma sucessão de embrulhos e caixas que parecia não ter fim. Ele tinha passado um bom tempo desembrulhando caixas, com a ajuda dos convidados, quando finalmente encontrou uma caixinha de madeira, onde estava um lindo anel de ouro, que a deixou emocionada.

Anos mais tarde, cada um daquela turma já tinha seguido um caminho diferente na vida. Mas a brincadeira das caixas nunca mais saiu da cabeça de Carlos. Apesar do anel talvez nem mais existir, ele sabia que aquele presente nunca mais seria esquecido por ninguém, pois ele trazia uma incrível mensagem: a cada momento, a vida está nos presenteando com oportunidades. Mas estes presentes estão quase sempre muito bem embrulhados, por isso não os vemos com facilidade. É preciso treinar nossa forma de observar e desenvolver nossa sensibilidade. É preciso paciência para desembrulhá-los através da constante reflexão, pois só encontram as oportunidades quem está preparado para recebê-las.

A vida começa a ser bem vivida a partir do momento em que aprendemos a desembrulhar os presentes que ela nos oferece"

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A partir da Parashá desta semana, Behalotechá, a Torá traz diversas Parashiót que descrevem muitos erros que o povo judeu cometeu durante o período em que permaneceu no deserto, alguns tão graves que tiveram consequências negativas inclusive para as futuras gerações. Muitos erros estão relacionados com reclamações do povo, que estava sempre insatisfeito com tudo o que D'us fazia, como quando o povo judeu reclamou do "Man", a comida milagrosa que caía do céu. O "Man" envolvia vários milagres, pois caía na quantidade certa para cada pessoa, nutrindo-a com tudo o que ela necessitava. Além disso, o Man tinha o gosto que a pessoa desejasse. Apesar de tantas bondades que envolviam o Man, os judeus desejaram comer carne e gritaram para D'us: "Nós lembramos do peixe que comíamos no Egito de graça, e dos pepinos, dos melões, dos alhos porrós, das cebolas e dos alhos. Mas agora nossas almas estão secas, não há nada a não ser o Man diante dos nossos olhos" (Bamidbar 11:5).

Mas como entender este versículo? Nossos sábios ensinam as dificuldades que o povo passou, os terríveis sofrimentos e castigos aos quais eram submetidos durante a escravidão egípcia. Certamente os egípcios não foram mais misericordiosos com o povo judeu do que os nazistas nos Campos de Concentração. Então como pode ser que o povo judeu reclamou e demonstrou sentir saudades da vida que eles tinham no Egito, se era um verdadeiro inferno?

Explica o Rav Simcha Barnett que o ser humano tem uma tendência natural de mitificar e romantizar seu passado, esquecendo o quanto ele realmente foi difícil. Lembramos apenas dos poucos bons momentos e extrapolamos, como se tivéssemos sido completamente felizes no passado, como eternizou John Lennon em sua música "Yesterday", na qual ele ressalta que seu passado era perfeito e feliz, enquanto seu presente era apenas sombras e tristezas. Mas por que isto acontece? Por que nos sentimos assim, sempre com saudades do passado, apesar das dificuldades e problemas que também tivemos em cada momento?

Um dos motivos é que todos nós queremos voltar para casa. Este desejo, que está no fundo das nossas almas, é o desejo que temos de nos reunir à nossa fonte, D'us. Uma das expressões deste desejo é a vontade de voltar ao passado, à nossa juventude. Mas este desejo deve ser canalizado da forma correta, para nos dar energia, pois caso ele não seja bem utilizado, pode ser extremamente prejudicial. Na prática, muitas pessoas acabam ficando atoladas no seu passado, sentindo-se impossibilitadas de suportar a enorme bagagem de suas experiências de vida, e acabam não aproveitando seu potencial da forma correta.

Combinado com esta glorificação do passado, muitas pessoas também se apoiam nas ilusões, preocupações e metas que elas têm para o futuro, e esquecem completamente de viver o presente. Nós somos puxados pelos nossos planos futuros, sendo que apenas parte deles é composta por responsabilidades, mas a grande maioria é composta por preocupações e fantasias. Nos afundamos tanto no "se tornar" que acabamos deixando de "ser".

Viver com a cabeça no passado ou no futuro, além de ser uma ilusão, distorce também a nossa percepção do próprio presente. Ao invés de verem o Man como uma Brachá (benção) ilimitada, uma demonstração de carinho e cuidado de D'us com o povo, os judeus viram o Man como algo repetitivo e monótono, e deixaram sua imaginação viajar até o ponto de desejaram tanto carne que já não podiam mais suportar comer o milagroso Man. Como não era fácil estar nos deserto, a carne se transformou na solução de todos os problemas, e até mesmo o inferno egípcio se transformou em um paraíso.

A verdade é que o ser humano precisa de uma renovação constante. É por isso que pessoas que viajam para lugares exóticos e fascinantes voltam energizadas, pois cada dia da viagem tem um sentido especial, é possível transformar o cotidiano em algo mágico e novo. Mas o que acontece quando voltam para casa? Esta energia dura apenas alguns poucos dias. Após este período, elas caem novamente no hábito do cotidiano, e passam a novamente viver sonhando com a próxima oportunidade de uma grande viagem ou outra nova sensação na vida. Como fazer para estarmos sempre energizados, não dependendo de pequenos "flashes" de renovação?

A resposta está no próprio Man. Embora superficialmente o Man realmente não apresentasse nenhuma variedade, profundidade ou capacidade de saciar, se fosse abordado da maneira correta, ele teria exatamente o gosto, a variedade e a essência que o povo realmente desejava. O mesmo ocorre com os nossos dias, isto é, se olharmos nosso dia da maneira correta, não dependeremos de viagens exóticas para vermos o quanto nossas vidas podem ser significativas em cada pequeno detalhe do cotidiano.

Este conceito foi muito bem explorado no filme "Feitiço do tempo". Bill Murray, o ator principal, é um repórter da televisão que sonha em fazer uma grande reportagem, mas recebe a missão de cobrir uma estúpida cerimônia chamada "O dia da Marmota" em uma pequena cidade no meio do nada. O que seria apenas mais um dia inútil e atirado no lixo se transforma em uma grande oportunidade. Algo estranho acontece e o repórter fica preso no tempo, acordando sempre no mesmo dia e tendo que viver novamente as mesmas situações. A mensagem do filme é que mesmo um dia que parecia inútil e seria jogado no lixo se transformou em um enorme potencial de crescimento. O repórter percebeu que podia usar o dia para se aperfeiçoar e influenciar positivamente todos à sua volta.

É um pouco assustador pensar que vemos a maioria dos nossos dias como sendo inúteis. Estamos sempre esperando por momentos mais emocionantes ou novas experiências. Esquecemos que nossa vida deve ser vivida hoje, sem estarmos atolados nos erros do passado nem presos às ilusões do futuro. Ensina o Rav Simcha Barnett que nosso lema deve ser: "Viva hoje, pois o amanhã nunca chegará". Se você não vive o "hoje", então você não está vivendo, pois literalmente o "amanhã" nunca chegará. O "amanhã" é uma ilusão, pois quando você chega lá, ele magicamente se transforma em "hoje". Nossa vida é uma soma de "hojes". Todos os nossos objetivos de vida, sonhos e planos que criamos para o nosso futuro somente são úteis se eles nos ajudam a viver o "hoje" da melhor maneira possível.

Há uma dica de como fazer isto na prática: devemos dedicar alguns poucos minutos todos os dias para pararmos de "fazer" e começarmos a "ser". Podemos apenas fechar os olhos por alguns instantes e tentar sintonizar a beleza da vida à nossa volta. Começar a perceber pequenos momentos de prazer que temos no nosso dia, mas que pela força do hábito, deixamos de aproveitar em sua verdadeira intensidade. Podemos escrever em um papel, com o máximo de detalhamento, algo que nos dá prazer. Algo como um café com leite gostoso de manhã, uma ducha quente depois de um dia cansativo de trabalho ou um simples mergulho no mar em um dia quente de férias. Pouco a pouco, isto nos ajuda a vivermos a vida de uma maneira mais vibrante, ao percebermos as oportunidades de prazer e contentamento que temos nas pequenas coisas do cotidiano.

A próxima vez em que olharmos para uma paisagem estonteante, como um por do sol ou um céu estrelado, este momento de transcendência deve nos trazer uma mensagem, um despertar de que este contato com o Criador não deve ser buscado apenas em momentos dispersos e raros, mas de forma constante, nos pequenos detalhes da vida. O mesmo D'us que se revela no esplendor da natureza também se revela nas pequenas coisas do cotidiano. Por um lado podem ser coisas simples, mas ao mesmo tempo são os incríveis "hojes" da nossa vida.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
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Nm. 8:1-12:16, Zc 2:10 -4:7

sexta-feira, 24 de maio de 2013

PREPARANDO-SE PARA AS DIFICULDADES - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5773

 

Júlio estava andando em um parque. Diante dele, a uma curta distância, estava uma mãe e sua filhinha de três anos de idade. A menininha andava contente, segurando um balão de gás na mão. De repente, quando a menininha estava distraída, uma rajada de vento arrancou o balão de sua mão e ele começou a subir em direção ao céu. Júlio se preparou para escutar, em poucos segundo, um grande escândalo. Mas não foi isto o que aconteceu. A pequena menina acompanhou com os olhos o balão indo para o céu, virou-se alegremente para sua mãe e gritou: "Uau!".

Júlio, sem perceber, havia aprendido naquele momento uma importante lição de vida. Mais tarde, naquele mesmo dia, ele recebeu um telefonema de uma pessoa com a notícia de um problema inesperado. Em um primeiro momento ele sentiu vontade de dizer "Não acredito! E agora, o que faremos?". Mas então Júlio lembrou-se da reação da garotinha. Ele então abriu um grande sorriso e disse para a pessoa que aguardava, aflita, do outro lado da linha:

- Uau, este problema é interessante. Como podemos resolvê-lo juntos?

Uma coisa é certa: a vida sempre tentará nos desequilibrar apresentando problemas inesperados e situações difíceis. Isto é um fato. Mas o que está em nossas mãos é a nossa reação, a nossa resposta diante dos problemas. Podemos escolher ser derrotados, ou podemos escolher ser vitoriosos.

Quanto mais nos prepararmos para encarar os problemas de maneira positiva e confiante, quanto mais investirmos em nossa espiritualidade para adquirirmos ferramentas de autocontrole e Emuná (fé), estaremos aumentando as chances de, nas situações mais difíceis, olharmos os nossos problemas de maneira positiva, ao invés de perdermos a tranquilidade e a esperança.

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A Parashá desta semana, Behalotechá, descreve o momento em que o povo judeu já se aproximava de sua entrada na Terra de Israel, após cerca de um ano no deserto, mas termina com uma série de transgressões, que culminaram no terrível pecado dos espiões, descrito na Parashá da semana que vem, e o consequente decreto de que o povo judeu permaneceria 40 anos no deserto. Entre os pecados desta Parashá estão o "excesso de vontade" do povo de abandonar o Monte Sinai, como uma criança que foge da escola ao escutar o sinal, e o pecado de terem desejado tanto comer carne a ponto de reclamarem do Man que D'us mandava diariamente, causando com que uma praga matasse muitos judeus.

Ao escutarmos estas transgressões, como definimos em nossas cabeças o nível dos judeus daquela época? Parecem pessoas guiadas apenas pelos desejos, ávidas por prazeres físicos imediatos, que não apreciavam o prazer profundo do estudo da Torá no Monte Sinai e os benefícios espirituais de comer Man, a comida que caía do céu. Mas certamente este é um entendimento equivocado, pois aquela era uma gerações de pessoas em um elevado nível espiritual, que haviam presenciado os grandes milagres da saída do Egito e a revelação de D'us no Monte Sinai. A geração do deserto é conhecida como "a geração do conhecimento" e, portanto, não poderiam ter se comportado como animais, apenas guiados pelos seus desejos. Então como devemos entender estes graves erros desta geração tão elevada?

Explica o Rav Avraham Grodzinsky que o povo judeu, durante todo o período em que estava no deserto, estava vivendo acima das leis da natureza. Eles não comiam uma comida normal, não precisavam se envolver com tarefas domésticas como lavar as roupas, não precisavam arar a terra e presenciavam constantemente milagres abertos. Esta não é a vida normal para a qual D'us nos criou, pois não somos anjos, seres meramente espirituais. A vida verdadeira é uma vida de interação com o mundo material, na qual é necessário um esforço constante para elevar o material e transformá-lo em espiritual. Os anjos não passam pelos testes que nós passamos, e são justamente os testes que nos elevam e nos conectam a D'us em um nível especial e único. Então por que D'us fez com que o povo judeu vivesse desta maneira "artificial" por tanto tempo? Pois, em Sua sabedoria superior, D'us queria que o povo judeu se preparasse para os futuros testes que se deparariam quando entrassem na terra de Israel. Eles precisavam de um tempo de espiritualidade pura para que, quando precisassem estar envolvidos com o mundo material, continuassem firmes no propósito de se conectar a D'us em cada pequeno ato do cotidiano.

Porém, esta situação "artificial" tinha um lado negativo. Quando uma pessoa está sujeita a testes e dificuldades, ela se conecta a D'us através do esforço utilizado para derrotar sua má inclinação. Cada vez que ela vence um teste, ela se eleva e adquire mais espiritualidade. Mas enquanto o povo judeu vivia neste estado "sobrenatural", eles não estavam sujeitos a nenhum tipo de teste e, portanto, o seu elevado nível espiritual em que eles se encontravam não foi conquistado, e sim dado de presente por D'us.

Esta foi a fonte dos erros descritos nesta Parashá. O povo judeu já estava há quase um ano no deserto, imersos em total espiritualidade. Eles então sentiram que já estavam prontos para voltar ao mundo material. Sua motivação era sincera e sua intenção era pura, pois o povo judeu queria aplicar toda a espiritualidade absorvida no Monte Sinai na difícil tarefa de elevar o mundo material. Foi este o motivo que os levou ao "excesso de vontade" de abandonar o Monte Sinai. Não uma vontade infantil de fugir da espiritualidade, e sim o desejo de viver de maneira a conseguir elevar o material ao espiritual. Isto também explica a rejeição do Man e a vontade de comer carne. O Man simboliza o estilo de vida "sobrenatural", e o povo sentiu-se pronto para abandonar este estado "artificial" e começar uma existência real, dentro das leis da natureza, comendo comida normal. Eles acreditavam que assim se deparariam com os testes que acompanham uma vida física e, portanto, teriam a oportunidade e o mérito de se aproximar de D'us em um nível nunca antes atingido.

Porém, se esta foi a verdadeira motivação do povo judeu, então por que D'us os castigou de maneira tão severa? Responde o Rav Avraham Grodzinsky que o momento do povo judeu voltar a uma existência natural ainda não havia chegado. Eles ainda precisavam viver uma vida "sobrenatural" por mais algum tempo, para estarem suficientemente preparados para vencer os desafios que encontrariam pela frente. O desejo de sair deste estado "sobrenatural" foi, portanto, prematuro e grave, pois colocou em risco todo o elevado nível espiritual do povo judeu. Além disso, o povo foi duramente castigado pois, ao invés de confiar em D'us, preferiu fazer seus próprios cálculos. Se D'us continuava mandando Man, significava que ainda era importante continuar no nível "sobrenatural". Se D'us não os havia mandado sair do Monte Sinai, significava que ainda havia muita espiritualidade para ser absorvida antes dos testes. A consequência foi desastrosa, causando uma queda espiritual que culminou no pecado dos espiões, e aquela geração inteira, a geração do conhecimento, morreu no deserto e não teve o mérito de entrar na Terra de Israel.

Portanto, fica para nós uma enorme lição de vida. Para podermos enfrentar os desafios e dificuldades da vida, é necessária uma preparação espiritual. A vida verdadeira não é uma vida de anjos, uma vida completamente espiritual, e sim uma vida material, na qual o materialismo precisa ser canalizado para o espiritual e, através do controle dos nossos impulsos e desejos, podemos nos conectar a D'us. Isto somente é possível com a devida preparação. O tempo diário que passamos no Beit HaMidrash (Centro de estudos de Torá), nos dedicando a estudar a Torá e a trabalhar nossas Midót (características), é uma das partes mais importantes na nossa preparação para os desafios da vida. Durante este tempo diário, no qual a pessoa quer se dedicar ao seu crescimento espiritual, ela deve se desconectar de suas ocupações mundanas e se focar na sua espiritualidade. Uma dica simples e importante é desligar o telefone celular durante o estudo de Torá e da Tefilá (reza), para aproveitarmos profundamente cada momento de espiritualidade do nosso dia.

A vida sempre nos traz dificuldades. Mas são justamente as dificuldades que nos ajudam a crescer. Quanto mais estivermos preparados, maiores serão as chances de conseguirmos reagir da maneira correta aos testes da vida. Assim, como a menininha do balão de gás, ao invés de lamentarmos e reclamarmos quando surgir uma dificuldade, poderemos abrir um enorme sorriso e dizer aos nossos problemas: "Uau".

"NÃO DIGA A D'US QUE VOCÊ TEM UM GRANDE PROBLEMA. DIGA AO PROBLEMA QUE VOCÊ TEM UM GRANDE D'US"

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
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sexta-feira, 8 de junho de 2012

ESCRITO NAS ENTRELINHAS - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5772

"Certa vez o Rabino Yossef Dov Soloveitchik, mais conhecido como Beit Halevi, estava em casa, na véspera de Pessach, cuidando dos últimos preparativos para o Seder. Foi quando escutou alguém batendo na porta. Era um homem muito pobre, que queria tirar uma dúvida em relação a uma das Mitzvót do Seder de Pessach. Convidaram-no a entrar, e ele fez a seguinte pergunta:- Rabino, eu não tenho dinheiro para comprar vinho. Será que eu posso cumprir a Mitzvá dos 4 copos de vinho do Seder com 4 copos de leite?
O Beit Halevi balançou negativamente a cabeça e ensinou ao pobre que, de acordo com a Halachá (lei judaica), não era possível cumprir a Mitzvá dos 4 copos daquela maneira. Mas pediu ao pobre que aguardasse um pouco e voltou, alguns instantes depois, com um soma considerável de dinheiro. Entregou o dinheiro ao pobre e pediu que ele comprasse com aquele dinheiro vinho e comida para o Seder de Pessach. O pobre não cabia em si de contentamento, não sabia nem como agradecer. Abraçou e Beit Halevi e saiu apressado para comprar a comida e o vinho para o Seder.
Algum tempo depois do pobre ter ido embora, a esposa do Beit Halevi, não aguentando a curiosidade, perguntou:
- Você poderia ter dado apenas o dinheiro suficiente para que aquele homem pudesse comprar uma garrafa de vinho para cumprir a Mitzvá dos 4 copos. Ele não pediu dinheiro para mais nada. Então por que você deu tanto dinheiro para ele?
- Provavelmente você não percebeu o que estava nas entrelinhas da pergunta daquele homem – respondeu, com um sorriso, o Beit Halevi - Cada um dos 4 copos deve ser tomado em um momento específico do Seder, sendo que dois deles são tomados apenas depois do término da refeição. Se de acordo com a Halachá não podemos beber leite imediatamente depois de ter comido carne e é necessário esperar algumas horas, então como aquele homem pretendia cumprir a Mitvzvá dos 4 copos com leite? Então eu entendi que ele também não tinha dinheiro nem mesmo para comprar carne para o jantar. Foi por isso que eu dei tanto dinheiro para ele, mais do que o necessário para apenas uma garrafa de vinho"
Nossos grandes sábios se esforçaram muito para adquirir a sensibilidade de entender não apenas as palavras ditas pelas pessoas, mas também o que está nas entrelinhas. Pois as entrelinhas muitas vezes carregam mensagens até mais importantes do que aquilo que é efetivamente falado.
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A partir da Parashá desta semana, Behaalotechá, a Torá começa a relatar uma série de reclamações e rebeliões do povo, pelos mais variados motivos como, por exemplo, a insatisfação com o Man (Maná) que caía do céu e o desejo de comer carne. E assim está escrito na Parashá: "E o povo era como aqueles que reclamam, e foi mal aos ouvidos de D'us. E D'us escutou, e Sua fúria se acendeu, e um fogo de D'us queimou contra eles..." (Bamidbar 11:1).
Observando a linguagem do versículo, surgem algumas perguntas. Em primeiro lugar, por que a Torá diz que o povo era "como aqueles que reclamam", se eles estavam efetivamente reclamando? Além disso, por que a Torá ressalta que D'us escutou, não é óbvio que D'us escuta tudo? E finalmente, o deserto é um lugar muito difícil, perigoso e estressante e, portanto, era normal que o povo tivesse queixas por causa das dificuldades. Então por que D'us ficou tão furioso por causa de simples reclamações do povo?
É interessante perceber que neste versículo não é mencionado nenhum motivo explícito para as reclamações. Rashi, comentarista da Torá, explica que os judeus na realidade não tinham nenhuma reclamação específica, eles estavam apenas procurando um pretexto para se afastar de D'us. Eles não tinham nenhuma razão válida para reclamar, então fizeram parecer que as reclamações vinham por causa das dificuldades da viagem no deserto. Isto explica por que o versículo diz "como aqueles que reclamam", pois na verdade eles não tinham nenhuma reclamação verdadeira, eram apenas desculpas para encobrir o que realmente os incomodava: a grande responsabilidade de viver de acordo com as leis Divinas.
Portanto, a Parashá está nos ensinando um fundamento muito importante para utilizarmos em nossas vidas: muitas vezes quando alguém reclama ou cria uma discussão, na verdade nem ele mesmo acredita em seus próprios argumentos. É apenas uma desculpa para encobrir e justificar alguma forma de comportamento indesejável.
 Um exemplo muito marcante disto pode ser visto na primeira discussão da história da humanidade, entre Cain e Hevel (Abel), que terminou em assassinato. Assim a Torá descreve a discussão: "E Cain falou com Hevel, seu irmão, e enquanto eles estavam no campo, Cain se levantou contra seu irmão Hevel e o matou" (Bereshit 4:9). Mas sobre o que eles conversaram, para que chegasse ao nível de um irmão assassinar o outro? Explicam os nossos sábios que Caim começou a negar D'us, dizendo para Hevel que não havia nem Supervisão Divina, nem castigo e recompensa. Hevel começou a discutir com Cain, argumentando que D'us sim existia, e certamente havia castigo e recompensa para cada ato que fazemos. A argumentação foi ficando cada vez mais forte até que, no calor da discussão, Cain se levantou e matou Hevel.
 Mas se a discussão entre Cain e Hevel foi um debate filosófico tão fundamental, por que a Torá não escreveu explicitamente o motivo da discussão, deixando para os nossos sábios o detalhamento? Explica o Rav Yssocher Frand que, na verdade, Cain não acreditava em nada do que falou para Hevel, ele estava apenas procurando uma desculpa para começar uma discussão com seu irmão. A Torá não descreveu o conteúdo da discussão pois, na verdade, ele era irrelevante, esta discussão filosófica nunca foi uma discussão real.
Diz o Rav Yonathan Guefen que é por isso que no versículo dos "reclamões" da nossa Parashá está escrito que "D'us escutou". O verbo "Lishmoa", utilizado no versículo, não significa apenas escutar, mas também entender, internalizar. D'us, que conhece o coração de cada pessoa, escutou as reclamações do povo, que pareciam reclamações por causa das condições difíceis da viagem, mas entendeu a verdadeira intenção delas. D'us viu que não havia nenhum motivo real para as reclamações, apenas a vontade de se distanciar Dele. Foi por isso D'us reagiu de maneira tão dura com o povo.
Por nossas limitações, não podemos, como D'us, ver o coração das pessoas. Mas podemos nos assemelhar a Ele e desenvolver a sensibilidade de entender, não apenas as palavras ditas, mas também o que o está por trás daquelas palavras. Por exemplo, muitas vezes quando alguém pergunta "por que boas pessoas sofrem", não necessariamente a pessoa está em busca de uma resposta filosófica. Pode ser que a pessoa está passando por um sofrimento ou dificuldade e, mais do que uma resposta, precisa de apoio e compreensão. Pode ser que a pessoa quer apenas atacar o judaísmo e, portanto, nenhuma resposta vai satisfazê-lo, pois ele não está perguntando, está atacando. Quando alguém vem discutir, nem sempre a pessoa acredita nos seus próprios argumentos, ela pode estar apenas demonstrando alguma dificuldade em aceitar a verdade. Uma criança que diz que não gosta de ir para a escola não é necessariamente uma criança preguiçosa que precisa de ajuda para gostar dos estudos. Pode ser um sinal de ela está passando por algum tipo de constrangimento ou humilhação, mas não se sente à vontade para se abrir e contar a verdade. Portanto, sempre que escutamos algo, precisamos ser ponderados, agir com paciência e prestar atenção nos detalhes.
Grandes líderes do povo judeu, como Yaacov, Moshé e David Hamelech (Rei David), foram pastores. Por que? Pois os animais não falam, e por isso eles conseguiram desenvolver a capacidade de entender além das palavras. Esta é uma importante qualidade que precisamos alcançar na vida: não entender apenas o que fala a boca dos outros, mas se esforçar principalmente para escutar o que diz o coração deles.
SHABAT SHALOM
R' Efraim Birbojm
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Nm. 8:1-12:16, Zc 2:10 -4:7, Ap. 11:1-19