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sábado, 5 de agosto de 2017

QUANTO VALE UMA TEFILÁ? - PARASHÁ VAETCHANAN 5777

"Yaacov viveu uma vida de muita pobreza. Não havia comida suficiente para alimentar sua família, ele não conseguia pagar suas contas e nunca em sua vida conseguiu ajudar outros necessitados. Ele não tinha idéia de como mudar esta terrível situação. Tentou diversos tipos de trabalho, mas o dinheiro nunca era suficiente.

Certa vez um amigo lhe contou que havia escutado que na casa onde Yaacov vivia havia um incrível tesouro enterrado sob as tábuas do assoalho, mas Yaacov não acreditou. Outras pessoas também comentaram a mesma coisa, mas Yaacov continuava cético. De tempos em tempos ele dava uma pancada no assoalho com o calcanhar, mas sem muita vontade, para ver se escutava o som de moedas, mas escutava somente um som oco.

Quando Yaacov já estava velhinho, certo dia sentiu que suas forças terminavam. Em seu leito de morte, viu quando uma pessoa entrou em sua casa, levantou uma tábua solta do assoalho e retirou de lá um baú cheio de ouro e pedras preciosas. A riqueza que poderia ter dado a Yaacov e sua família uma vida digna estava dentro daquele baú. Diante dos seus olhos escurecidos passaram os detalhes de toda a sua vida miserável. O remorso de nunca ter procurado o tesouro foi uma facada no coração de Yaacov, que deu seu último suspiro e morreu".

Este sentimento de remorso certamente estará presente em todos aqueles que não acreditam e não utilizam a força da Tefilá (reza). Muito do que a pessoa precisa na vida já está pronto para ela, só falta ela pedir para D'us. Mas nós não pedimos. Nos esforçamos, trabalhamos mais e mais, mas não fazemos o mais importante: Tefilá.
Nesta semana lemos a Parashá Vaetchanan (literalmente "Eu implorei"), na qual Moshé continuou recordando os principais acontecimentos dos 40 anos em que o povo permaneceu no deserto, entre eles a reclamação do povo por água, que causou com que Moshé batesse na pedra ao invés de falar com ela, recebendo o decreto espiritual de não entrar mais na Terra de Israel. Porém, mesmo assim Moshé não desistiu e continuou implorando para que D'us revogasse o decreto. Nossos sábios explicam que a linguagem "Vaetchanan" tem o valor numérico de 515, que corresponde ao número de vezes que Moshé Rabeinu rezou e implorou para que pudesse entrar em Israel, tamanho era o seu amor pela Terra e pelas Mitzvót que poderia cumprir lá.

Porém, há alguns questionamentos em relação a este ensinamento. Moshé, apesar de se assemelhar a um anjo, fez um erro que, em seu nível, foi algo muito grave, pois perdeu a oportunidade de santificar o nome de D'us diante do povo, o que os ajudaria em sua elevação espiritual. Foi por isso que D'us o castigou com um decreto tão duro. Portanto, se D'us já havia feito um decreto nos mundos espirituais, de que adiantava Moshé rezar?

Além disso, Rashi (França, 1040 - 1105) nos ensina que, em Lashon HaKodesh (língua através da qual D'us criou o mundo), existem 10 linguagens diferentes para reza. O que representa a linguagem "Vaetchanan" e por que Moshé escolheu justamente esta linguagem para transmitir ao povo que ele havia rezado?

Outro questionamento surge quando observamos o conteúdo da reza de Moshé. A Parashá começa com as seguintes palavras: "Eu implorei a D'us naquele momento e disse: 'D'us, você começou a mostrar ao Seu servo a Sua grandeza e a Sua mão forte, pois quem é como D'us no Céu ou na terra que pode fazer como Suas ações e Seu poder? Por favor, deixe-me atravessar e ver a boa terra que está do outro lado do Jordão'" (Devarim 3:23-25). Percebemos que, antes de fazer seu pedido, Moshé se alongou em louvores a D'us. Mas D'us precisa de louvores? Por que Moshé não foi direto ao ponto?

E, finalmente, se D'us sabe tudo, Ele já sabia que Moshé queria entrar na Terra de Israel, já conhecia o amor dele pela Terra e sua vontade de cumprir as Mitzvót. Então por que Moshé precisou pedir?

Explicam os nossos sábios que da Tefilá de Moshé Rabeinu aprendemos muitos ensinamentos práticos para nossa própria Tefilá. Por exemplo, o Talmud (Brachót 10a) afirma que "mesmo que uma espada afiada esteja colocada sobre o pescoço de uma pessoa, ela não deve desistir da misericórdia de D'us". Isto vale para situações do mundo material, como uma pessoa literalmente em uma situação de perigo de vida, mas também vale em relação à anulação de decretos espirituais. Moshé, mesmo sabendo que havia um decreto espiritual que o impedia de entrar em Israel, não deixou de rezar.

Mas de onde Moshé aprendeu que a Tefilá pode anular até mesmo decretos Celestiais? Observando os atos de D'us. Quando houve o decreto de destruição de todo o povo judeu, após a terrível transgressão do bezerro de ouro, D'us falou para Moshé "E agora Me deixe, e Minha fúria queimará sobre eles e Eu os destruirei, e Eu farei de você um povo grande" (Shemot 32:10). Moshé então se perguntou: "Por acaso eu estou segurando D'us e O impedindo de cumprir o Seu decreto? Por que Ele está dizendo 'Me deixe'?". Moshé entendeu que D'us estava dizendo: "Está nas suas mãos salvar o povo judeu. Depende da sua Tefilá. Se você Me deixar, isto é, se você não fizer nada, Eu destruirei o povo. Mas sua Tefilá pode anular o decreto Celestial". Por isso Moshé entendeu que a Tefilá também tinha força para cancelar o decreto de não poder entrar na Terra de Israel.

Um segundo ponto que aprendemos da Tefilá de Moshé é a linguagem utilizada por ele. "Vaetchanan" vem da linguagem "Lechanen", que significa "agraciar". Rashi explica que esta expressão se refere a "Matanat Chinam", um "presente gratuito". Normalmente pedimos para D'us as coisas com o sentimento de que Ele está nos devendo, como se fosse obrigação Dele nos dar o que precisamos. Achamos que somos tão bons e corretos que temos o direito, pelos nossos méritos, de cobrar de D'us, como se disséssemos: "Minha parte eu já fiz, D'us. Agora faça a Sua parte". Porém, não é assim que os Tzadikim (Justos) se comportam. Quando eles pedem algo para D'us, o fazem com o sentimento de que receberão um presente gratuito, isto é, eles sabem que não merecem receber nada e que tudo o que D'us nos dá é apenas por causa da Sua infinita Misericórdia. Os Tzadikim sentem como se sempre estivessem devendo para D'us e nunca cobram nada Dele. Assim também deve ser a intenção dos nossos pedidos durante a Tefilá, não como uma cobrança de D'us, e sim como um pedido baseado na Sua misericórdia infinita.

Aprendemos também de Moshé que, antes de pedir algo para D'us, devemos louvá-Lo e engrandece-Lo. É por isso que a nossa principal Tefilá, a Amidá, é dividida em três partes: Louvores, Pedidos e Agradecimentos. Antes de começarmos a pedir algo, louvamos a D'us e reconhecemos a Sua grandeza. D'us não precisa dos nossos louvores, mas nós precisamos, para que antes de nos dirigirmos a D'us possamos lembrar quem Ele é. Para falar com um presidente, uma pessoa precisa de meses de espera, além de passar por um verdadeiro exército de secretárias e assessores. Mas com D'us, o Rei dos reis, é o contrário. Apesar Dele ser infinito, enquanto nós somos insignificantes diante Dele, mesmo assim Ele nos escuta e anseia pela nossa Tefilá.

Finalmente, se D'us sabe tudo, então por que precisamos pedir? Para que possamos colocar no nosso coração a certeza de que tudo vem Dele. Muitas vezes nos perdemos na escuridão e confusão do mundo material. Achamos que a cura vem do médico e dos remédios. Achamos que encontrar a nossa "alma gêmea" depende das pessoas que vão nos apresentar alguém que combina conosco. Achamos que o dinheiro vem do nosso esforço e da nossa inteligência. Tudo isso é uma grande enganação. A Tefilá nos dá a claridade de que tudo vem de D'us. Devemos fazer o nosso esforço, mas nunca esquecendo que tudo vem Dele. É por isso que, mesmo D'us sabendo o que necessitamos, nós precisamos pedir.

O Rav Chaim Vologziner zt"l (Lituânia, 1749 - 1821) explica que as palavras do versículo "Ele (D'us) reconta para a pessoa quais foram os seus atos" (Amós 4:13) se referem à revelação que as pessoas terão, no Mundo Vindouro, em relação aos presentes que elas teriam recebido se tivessem acreditado na força da Tefilá e a tivessem utilizado. Será mostrado para estas pessoas como suas Tefilót teriam feito diferença se tivessem sido ditas com concentração e sinceridade. A pessoa doente poderia ter se curado, o casal sem filhos poderia ter sido atendido e a pessoa procurando por uma esposa poderia ter encontrado. Assim afirma o Talmud (Brachót 6b): "Há coisas que estão no topo do mundo, porém as pessoas desprezam". Rashi explica que este ensinamento se refere a coisas elevadas como a nossa Tefilá, que podem mudar a nossa vida, neste mundo e no Mundo Vindouro, e mesmo assim nós não damos o devido valor.

De acordo com o Midrash (parte da Torá Oral), no versículo "Eu implorei a D'us naquele momento e disse", a linguagem "e disse" se refere a um ensinamento de Moshé para as futuras gerações. Moshé estava dizendo que ninguém deve se desesperar nem desanimar diante de uma situação difícil. Da mesma forma que ele nunca desistiu e continuou rezando mesmo após D'us ter decretado que os portões da Terra de Israel estavam trancados para ele, nós também nunca devemos desistir da misericórdia de D'us.

Depois da destruição do nosso Beit Hamikdash (Templo Sagrado), uma divisória de ferro nos separou do nosso "Pai Celestial". Porém, um portão nunca foi fechado: o portão das lágrimas. A Tefilá é chamada de "o serviço do coração". Portanto, o principal é abrir o nosso coração, colocando toda a nossa confiança em D'us, cuja Misericórdia é infinita. Como um pai que ama seu filho, D'us quer nos dar tudo o que precisamos. Ele está ansiosamente aguardando apenas a nossa Tefilá.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com.br/
Dt. 3:23·7:11, Is. 40:1-26

sábado, 2 de abril de 2016

POTÊNCIA SEM CONTROLE - PARASHAT SHEMINI 5776

"O Dr. Vladimir Yakalevitch era um médico extremamente habilidoso. Era um profissional muito esforçado, quase obstinado em alcançar o sucesso. Especializou-se em cirurgia cardíaca e começou a crescer na carreira, até tornar-se chefe da cardiologia do Hospital Ichilov, em Tel Aviv. Era muito respeitado e admirado pelos seus colegas e pacientes.

Certa vez, o Dr. Yakalevitch estava no meio de uma cirurgia cardíaca quando seu celular tocou. Era um paciente particular que precisava de uma cirurgia de emergência, o que significava muito mais dinheiro do que aquela cirurgia de convênio que ele estava fazendo. O Dr. Yakalevitch voltou à sala de cirurgia e disse aos médicos auxiliares que infelizmente não havia mais o que fazer para salvar o paciente, e ordenou que interrompessem os procedimentos e desligassem os equipamentos. Depois disso, ele abandonou o hospital e foi cuidar de seu paciente particular.

O anestesista e o residente se olharam em estado de choque, pois sabiam que a situação não estava tão ruim assim. Eles continuaram operando sozinhos e a cirurgia foi um sucesso. Em seguida, fizeram um relatório no qual questionaram o procedimento médico do Dr. Yakalevitch. Quando o relatório chegou às mãos do diretor do hospital, ele imediatamente iniciou uma rigorosa investigação. Evidências surgiram de que aquela não havia sido a primeira vez que o Dr. Yakalevitch abandonou cirurgias para atender pacientes mais lucrativos. Também descobriram que ele aceitava subornos, intimidava médicos e praticava outros graves delitos. O caso foi parar na justiça, e o Dr. Yakalevitch foi condenado a sete anos de prisão" (História Real, relatada pelo Rav Dovid Kaplan no livro "Impact!").

Se a pessoa deseja muito crescer na vida, mas não é guiada por valores absolutos de moralidade, pode acabar transformando-se até mesmo em um frio assassino, que troca vidas por dinheiro. Isto pode acontecer com os outros, mas se não tomarmos muito cuidado, também pode acontecer com cada um de nós.
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Nesta semana lemos a Parashat Shemini (que literalmente significa "Oitavo"). Um dos assuntos da Parashat é "Kashrut" (leis alimentares), e são ensinados os sinais para reconhecermos quais são os animais e peixes permitidos ao nosso consumo. E assim a Torá fala sobre os peixes: "Entre todos os que estão na água, estes vocês comerão: todos aqueles que têm barbatanas e escamas... Mas todos aqueles que não têm barbatanas e escamas... são uma abominação para vocês" (Vayikrá 11:9,10). Portanto, para um peixe ser Kasher, ele precisa ter estas duas características: escamas que recobrem seu corpo e barbatanas que auxiliam sua movimentação na água. Em relação a estes sinais, o Talmud (Nidá 51b) traz uma informação muito interessante: "Todo peixe que tem escamas também tem barbatanas (e é Kasher); porém, há peixes que tem barbatanas mas não tem escamas (e são impuros)". Mas o próprio Talmud questiona: se todo peixe que tem escamas também tem barbatanas, por que não está escrito na Torá apenas escamas? O Talmud responde que escrever escamas e barbatanas é uma forma de engrandecer a Torá e glorificá-la.

Este ensinamento do Talmud levanta alguns questionamentos. Por que justamente estas características, escamas e barbatanas, são as que fazem com que um peixe seja Kasher? Além disso, como trazer uma informação completamente irrelevante vem engrandecer e glorificar a Torá?

Explica o Rav Yossef Jacobson que, de acordo com as fontes místicas, os atributos físicos de todos os animais refletem diferentes qualidades espirituais de suas almas. Além disso, o misticismo judaico também nos ensina que a comida consumida pela pessoa tem um profundo efeito em sua alma. Portanto, quando a pessoa come a carne de certo animal, a "personalidade" deste animal afeta a identidade de quem o consumiu. Por isso, os sinais de Kashrut dos animais escondem características sobre seu comportamento, e estas características influenciam aqueles que os consomem.

Por exemplo, as barbatanas e escamas incorporam duas qualidades que estão embutidas nas almas dos peixes que apresentam estes sinais, e que são qualidades necessárias para o desenvolvimento saudável do caráter do ser humano. Quando um judeu consome este tipo de peixe, ele se torna um ser humano mais refinado e mais "Kasher". Já quando ele consome um peixe que não tem estas características, automaticamente ele reduz em sua alma um pouco destas qualidades. Por isso, precisamos entender o que representam os sinais de Kashrut dos peixes.

As escamas, que funcionam como uma "armadura" e protegem o corpo do peixe contra agressões externas, representam a qualidade da integridade, que nos protege de nos tornarmos vítimas dos obstáculos que a vida apresenta. Um homem com integridade não vai enganar seus consumidores, apesar dos aparentes lucros envolvidos; ele não falará mentira para um amigo, apesar do conforto momentâneo que isto traz; ele não trairá sua esposa, apesar da tremenda tentação envolvida. Integridade significa ter padrões absolutos de certo e errado, e estar comprometido com uma moralidade que transcende as nossas tentações e a nossa índole. Como as escamas, a integridade protege nossa vida, tanto neste mundo quanto no Mundo Vindouro.

Já as barbatanas, membros no formato de asas que permitem que o peixe mova-se para frente com grande velocidade e habilidade, representam a qualidade da ambição. Ambição saudável significa conhecer suas próprias forças e querer utilizá-las na sua totalidade, dando o impulso necessário para atravessar os turbulentos mares da vida e maximizar o potencial que D'us nos deu. A ambição nos salva do perigo de ficarmos atolados na lama das pressões da vida, e nos leva a buscar preencher nossas aspirações e deixar gravada para sempre nossa contribuição para a humanidade.

Muitas vezes surge um dilema em nossas vidas: qual destas duas qualidades é a mais importante para ser cultivada, "escamas" ou "barbatanas"? Qual é a principal função da educação, nos concentrarmos principalmente em prover aos nossos filhos a confiança e as habilidades necessárias para que eles se tornem produtivos e sejam pessoas realizadas na vida, ou devemos focar mais intensamente em educar nossos filhos com padrões morais mais elevados? Em outras palavras, devemos nos preocupar mais em como eles viverão a vida ou como eles ganharão a vida?

A resposta está no interessante ensinamento do Talmud: "Há peixes que tem barbatanas mas não tem escamas", e estes são impuros. Isto significa que um ser humano que tem ambições mas não tem integridade não é "Kasher". Ele pode nadar e se divertir em grandes mares e oceanos com seu talento e sua genialidade, mas seus conhecimentos podem estar corrompidos e suas conquistas podem estar contaminadas, produzindo efeitos desastrosos. Uma pessoa com "barbatanas" pode estar cheia de confiança e ambição, dirigindo seus atos sempre com a motivação de causar um impacto na sociedade. Porém, educar crianças para que elas sejam ambiciosas e confiantes não garante a integridade moral delas. Atualmente, a política brasileira é um dos melhores exemplos de seres humanos que tem barbatanas mas não tem escamas. Pessoas que, com muita perseverança, com o ideal de mudar o mundo, chegaram à grandeza, mas se corromperam quando alcançaram o poder.

Por outro lado, o Talmud nos ensina que "Todo peixe que tem escamas também tem barbatanas", e é Kasher. Se você ensinar uma criança a se comportar na vida com temor e respeito diante da verdade e da integridade, com um firme compromisso de servir a D'us, o Criador que definiu uma moralidade absoluta, esta criança também terá sucesso em desenvolver suas "barbatanas". Independentemente do seu nível intelectual e de suas proezas, ele encontrará as "barbatanas" com as quais avançará em várias áreas da vida, e suas conquistas certamente contribuirão para transformar o mundo em um lugar melhor.

Quando o Talmud questiona que a Torá deveria ter escrito apenas "escamas", sem a necessidade de escrever "barbatanas", em um nível mais profundo nossos sábios estão questionando qual é a importância de enfatizar a necessidade de "barbatanas" para desenvolver um ser humano "Kasher"? Por que a ênfase em ambição faz parte de uma educação moral e "Kasher"? Por que não focar apenas na integridade e na ética? Então o Talmud responde: "Para engrandecer a Torá e glorificá-la". Isto significa que nossa missão espiritual não consiste apenas em praticar integridade e moralidade, mas também em desenvolver totalmente nosso potencial, materialmente e espiritualmente. Antes de cada alma vir ao mundo, ela já era completamente íntegra. A razão que cada alma desce ao mundo material não é apenas para guardar o que ela já possuía, mas também para fazer a diferença, para dar sua contribuição particular ao mundo. Nosso trabalho neste mundo não é apenas guardar nossas "escamas" espirituais, mas também desenvolver "barbatanas" de alta qualidade. A pessoa que consegue atingir estes dois objetivos certamente chega ao nível de "engrandecer a Torá e glorificá-la".

Estamos vivendo em uma época difícil. Quando pensávamos que a humanidade havia chegado ao fundo do poço quando vimos as cenas de terroristas derrubando as Twin Towers (Torres gêmeas), surge o Estado Islâmico para mostrar que o poço é bem mais fundo do que imaginávamos. Atos bárbaros são comemorados com festas e distribuição de balas para as crianças. Cabeças de inocentes são cortadas e as imagens transmitidas através das redes sociais, mulheres são transformadas em escravas sexuais, homens bomba são vistos como heróis e se explodem no meio de mulheres e crianças, matando e mutilando centenas de inocentes. O Estado Islâmico é a prova do quão gigantesco é o mal que pode emanar de pessoas que possuem o entusiasmo e a ambição, mas cuja moralidade foi corrompida e pervertida.

Este é grande ensinamento para nossas vidas sobre as características dos peixes: potencia sem controle é algo extremamente perigoso. Queremos atingir nosso potencial, queremos ser grandes, mas antes de tudo precisamos construir a nossa base, que é a moralidade. Com moralidade, tudo o que construímos cresce firme e saudável, e se mantém estável para sempre. Porém, sem moralidade, nossas conquistas são como um castelo de cartas, que aparenta ser algo grandioso, mas que ao menor tremor desaba completamente.
"VOCÊ É O QUE VOCÊ COME" (Ditado popular)
SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com.br/
Lv 9:1-11:47, 2 Sm. 6:1-7:17

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Agnus Dei

Alleluia, Alleluia

For the Lord God Almighty reigns
Alleluia, Alleluia
For the Lord God Almighty reigns
lleluia

Holy, Holy are You Lord God Almighty
Worthy is the Lamb
Worthy is the Lamb
You are holy, Holy are You Lord God Almighty
Worthy is the Lamb
Worthy is the Lamb
Amen

Michael W. Smith