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sábado, 17 de setembro de 2016

ALÉM DAS APARÊNCIAS - PARASHÁ KI TETSÊ 5776

"Marcelo voltava do trabalho dirigindo em um dia de trânsito pesado. De repente, ele viu no retrovisor que um carro, dirigido por um homem de meia idade, vinha apressadamente "costurando" no trânsito. Ele vinha forçando a passagem, acendendo e pagando as luzes. Quando aquele carro chegou ao lado do carro de Marcelo, forçou a passagem querendo mudar de pista e entrar na frente dele. Marcelo ficou muito irritado com aquele homem, pois enquanto todos aguardavam pacientemente o trânsito, aquele malandro queria levar vantagem. Marcelo teve vontade de acelerar, impedindo a passagem do outro carro, e dizer para aquele folgado algumas verdades. Quase seus instintos conseguiram dominá-lo, mas ele respirou fundo e conseguiu se controlar. Diminuiu a marcha e deixou o outro carro passar e seguir seu caminho.

Ao chegar em casa, ainda um pouco estressado, Marcelo recebeu a assustadora notícia que seu filho de três anos havia sofrido um grave acidente e estava no hospital. Imediatamente seguiu para lá, desesperado. Quando chegou, sua esposa veio ao seu encontro e o tranquilizou:

- Fique calmo, querido. Graças a D'us agora está tudo bem. O médico chegou a tempo para socorrer nosso filho e dar os primeiros socorros. Ele já está fora de perigo.

Marcelo, mais tranquilo, pediu que sua esposa o levasse até o médico para agradecê-lo. Qual não foi sua surpresa quando percebeu que o médico era aquele homem cujo carro havia forçado passagem quando ele voltava para casa..."

Por trás de uma atitude, sempre existe uma história, um motivo que leva as pessoas a agirem de determinada maneira. Se você quer acertar no julgamento dos outros, procure ver além das aparências.
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A Parashá desta semana, Ki Tetsê (literalmente "Quando vocês saírem"), traz diversas leis relacionadas aos cuidados nos relacionamentos interpessoais. Entre os vários assuntos, há um extremamente importante para refletirmos em Elul, o último mês do ano, a época de preparação final para o nosso julgamento de Rosh Hashaná: a transgressão de Lashon Hará, que significa utilizar a nossa fala para denegrir e diminuir a honra dos outros, causando sofrimento e prejuízos financeiros, espirituais ou psicológicos.

Cometemos diversos erros durante o ano, nas mais diferentes áreas. Mas infelizmente um dos erros no qual mais tropeçamos é o mau uso da nossa fala. Pelo fato de falarmos o tempo inteiro, o descuido nesta área pode ter consequências graves, como está escrito: "Lembre-se o que Hashem, teu D'us, fez para Miriam no caminho, quando vocês saíram do Egito" (Devarim 24:9). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que este versículo é uma advertência em relação ao Lashon Hará. A Torá está nos avisando que, da mesma forma que Miriam falou negativamente de seu irmão Moshé e foi castigada com Tzaráat, uma doença espiritual que se manifestava através de manchas na pele, também aquele que fala Lashon Hará é castigado com Tzaráat. Desde a destruição do nosso Beit Hamikdash (Templo Sagrado) a Tzaráat já não causa mais manchas físicas no nosso corpo, mas certamente continua manchando a nossa alma.

Este versículo, que nos comanda a lembrar das consequências do Lashon Hará de Miriam, é considerado pelo Rav Isroel Meir HaCohen zt"l (Bieloríssia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, como uma das 613 Mitzvót da Torá. Mas qual é a conexão entre a transgressão de Lashon Hará e o castigo de Tzaráat? Sabemos que D'us é Misericordioso e, por isso, Ele faz com que o castigo que vem como consequência de uma transgressão já traga um componente de conserto deste erro. Como a Tzaráat vem consertar o Lashon Hará? E por que a Torá fez questão de conectar a Tzaráat com o erro de Miriam, ao invés de explicar de uma maneira genérica que todo aquele que fala Lashon Hará fica com Tzaráat?

Antes de tudo precisamos entender exatamente qual foi o erro de Miriam, uma Tzadeket (mulher justa e correta) que havia atingido o nível de profecia. O Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) nos ensina que Miriam era a irmã mais velha de Moshé e havia ajudado a criá-lo desde pequeno. Ela arriscou sua própria vida para acompanhá-lo no rio Nilo quando Moshé foi colocado em uma cestinha à deriva. Em seu Lashon Hará, Miriam não falou nada de mal sobre Moshé, apenas se equivocou ao igualá-lo aos outros profetas. Além disso, Moshé não se ofendeu nem guardou rancor. Apesar de tudo isso, Miriam foi castigada com Tzaráat.

Das palavras do Rambam aprendemos que a transgressão de Miriam foi consequência de um erro em suas considerações. Se não fosse este pequeno erro de cálculo, suas palavras teriam sido corretas, pois ela teve boas intenções e certamente foi cuidadosa em verificar se havia reunido todas as condições necessárias para que fosse permitido falar algo que pode denegrir outra pessoa. Portanto, aprendemos de Miriam que o castigo da Tzaráat está associado ao julgamento equivocado. Se pararmos para refletir, perceberemos que na maioria das vezes que tropeçamos em Lashon Hará é por termos sido precipitados e não julgarmos a pessoa da maneira correta. A causa é o desleixo no cumprimento da Mitzvá de "com justiça julgue seu companheiro" (Vayikrá 19:15).

Mas esta Mitzvá não é fácil de ser entendida. O Rabeinu Yona zt"l (Espanha, século 12) explica esta Mitzvá da seguinte maneira: sempre que vemos uma pessoa fazendo algo que parece errado, e existe a possibilidade de julgar seu ato de uma maneira meritória, somos obrigados a julgá-la positivamente. Ele acrescenta que, se a pessoa que está sendo analisada é alguém com temor a D'us, nossa obrigação vai além e devemos julgá-la de forma positiva mesmo quando as evidências e o entendimento racional estejam pendendo para o lado da culpa. De acordo com a explicação do Rabeinu Yona parece que esta Mitzvá não é lógica e racional, pois não parece muito lógico julgar uma pessoa de forma positiva quando tudo parece apontar para o outro lado. Quando uma situação se inclina para o lado da culpa, julgar a pessoa positivamente é, aparentemente, fazer o contrário do que é correto e justo. Então por que a Torá nos comanda a "com justiça julgará seu companheiro", e não a "com bondade julgará seu companheiro"?

Ensina o livro "Lekach Tov" que, na verdade, quando julgamos alguém que tem um temor a D'us elevado e sincero, inclinar o julgamento para o lado positivo é certamente o correto e o justo, mesmo quando as evidências parecem pender para o outro lado. Para alguém com temor a D'us as transgressões são algo tão abominável, e o estrago causado por elas é tão marcante, que a pessoa se afasta com todas as suas forças de qualquer tipo de erro. Por isso, por mais ilógico que possa parecer uma justificativa para um ato desta pessoa, certamente é mais lógico do que imaginar que alguém neste nível de temor a D'us tenha cometido o erro que aparenta. Então por que erramos tanto no julgamento das pessoas? Pois somos tão pequenos e estamos tão distantes do temor a D'us verdadeiro que não conseguimos nem entender o quanto pessoas com temor a D'us se afastam das transgressões. Portanto, quando achamos difícil julgar alguém para o lado positivo, muitas vezes o erro está em nós mesmos, na nossa falta de entendimento do que é o temor a D'us.

Além disso, outro motivo pelo qual tropeçamos muito em não julgar os outros de forma favorável é o fato de enxergarmos o mundo de acordo com os pensamentos do nosso próprio coração. Aquele que honra as criaturas comprova que ele também é uma pessoa honrada, enquanto aquele que despreza as criaturas justamente as despreza por projetar nos outros seus próprios erros, como afirmam nossos sábios: "Todo aquele que vê defeitos em seu companheiro, na verdade está vendo seus próprios defeitos". Por isso, quanto mais elevada for a pessoa que está fazendo o julgamento, suas considerações vão emanar do lado do bem e será mais fácil para ela julgar o próximo positivamente. Por outro lado, quanto mais baixa for a pessoa, suas considerações vão emanar do lado negativo e ela estará mais propensa a julgar tudo de maneira negativa. Portanto, no final das contas, a Mitzvá de "com justiça julgue seu companheiro" é uma forma de autoavaliação e aquele que sempre julgar tudo para o mal deve parar e procurar o mal que há dentro de si.

Mas como a Tzaráat ajudava o transgressor a corrigir seu erro de julgamento? A pessoa com Tzaráat passava por um terrível sofrimento. Era desprezada pela sociedade e precisava se afastar de sua esposa e de seus filhos. Ao invés de amigos, sua companhia eram as moscas que ficavam em volta das feridas de sua pele. Esta pessoa ficava sozinha, sentada fora do acampamento, impura e abandonada. A pessoa contaminada com Tzaráat era uma pessoa cujo mundo material havia sido completamente destruído, a ponto de nossos sábios definirem que, naquele estado, ela era como uma pessoa morta. Como seria possível encorajar uma pessoa nestas condições? Como alguém poderia trazer consolo para ela? Somente ressaltando seu lado espiritual. Apesar de seu lado material ter sido destruído, sabemos que o mundo material é limitado, é apenas um corredor diante do mundo espiritual. Mesmo que, neste momento, seu corpo material havia se tornado algo desprezível, a pessoa precisava focar que o corpo é apenas uma vestimenta temporária para sua alma eterna.

Ensinam os nossos sábios que tudo o que nos puxa para o lado positivo é fundamentado na vontade da alma, enquanto tudo o que nos puxa para o lado negativo é fundamentado na vontade do corpo. Na prática, a Tzaráat destruía o mundo material da pessoa que falou Lashon Hará, obrigando-a a se agarrar em seu lado espiritual e voltar a colocar sua alma como o principal e seu corpo como o secundário. Isto fazia com que, daquele momento em diante, a pessoa fizesse suas considerações de uma maneira mais espiritual e, portanto, pendendo para o lado positivo. A pessoa passava a julgar os outros de uma maneira favorável, interpretando com seu lado bom e nobre as ações, omissões, pensamentos e falas de seu companheiro. Este era o conserto que a Tzaráat trazia para o erro de Lashon Hará, que é principalmente consequência de julgarmos as pessoas de maneira negativa.

Elul é o momento de fazermos uma autoavaliação sincera. Julgamos os outros sempre de maneira precipitada, sem termos nas mãos todas as informações. Não nos esforçamos para procurar justificativas positivas para os aparentes maus atos das pessoas. Não chegamos nem mesmo a cogitar que "talvez não foi exatamente assim" ou "talvez o erro foi meu". De acordo com o conceito que vimos, isto é sinal de que o mal não está nos outros, e sim dentro de nós mesmos. Por isso, é importante sermos sinceros antes do nosso julgamento de Rosh Hashaná, pois podemos passar a vida enganando os outros e a nós mesmos, mas não podemos enganar a D'us.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com.br/
Dt. 21:10-25:19, Is. 54:1-10

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A FORÇA DO HÁBITO - PARASHÁ KI TETSÊ 5774

"O rabino estava dando um belo discurso, explicando a importância de estarmos sempre conectados com a nossa espiritualidade, mesmo quando não estamos na sinagoga. Ele ressaltou a importância de termos pensamentos de espiritualidade até mesmo quando estamos no trabalho, no meio dos negócios. Um dos frequentadores, querendo fazer uma piadinha, se levantou e gritou:

- Ei, rabino, eu não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. Como você quer que eu consiga fazer negócios e mesmo assim ainda pensar em Torá e Mitzvót?

- É fácil, meu querido - respondeu o rabino, sem se abalar - da mesma maneira que você consegue todos os dias pensar nos seus negócios mesmo estando no meio da sua Tefilá (reza), então você também vai conseguir pensar em espiritualidade mesmo quando estiver no meio dos seus negócios"

Pela força do hábito, muitas vezes acabamos cumprindo as Mitzvót de forma mecânica. Como na Tefilá, quando muitas vezes nosso corpo está na sinagoga, mas nossa cabeça está vagando em diferentes lugares do planeta...
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Na Parashá desta semana, Ki Tetsê, a Torá lista os povos que não podem fazer parte do povo judeu de forma completa. Para alguns povos, como os egípcios, a proibição é por apenas algumas poucas gerações, mas para outros povos, como Amon e Moav, a proibição é eterna. Mas por que esta rigorosidade com Amon e Moav? Eles foram piores do que os egípcios, que nos escravizaram e nos torturaram por 210 anos?

A Torá traz explicitamente dois motivos pelos quais Amon e Moav não são aceitos como parte do povo judeu, sendo o primeiro deles: "Pelo fato deles não terem recebido vocês com pão e água no caminho, quando vocês estavam saindo do Egito" (Devarim 23:5). Amon e Moav viram diante deles um povo de pessoas sofridas, que haviam passado por dois séculos de duros castigos e humilhações no Egito, e que estavam em um deserto inóspito, mas mesmo assim não tiveram a dignidade de nos oferecer nem mesmo pão e água. Seria o equivalente a ver um sobrevivente do Holocausto, magro e abatido, pedindo um prato de comida, e não sentir absolutamente nenhuma misericórdia por ele. Como a essência do povo judeu é o Chessed (bondade), característica que herdamos de Avraham Avinu, então pessoas tão desumanos como os habitantes de Amon e Moav não podem fazer parte do nosso povo.

Porém, esta extrema falta de bondade de Amon e Moav levanta um sério questionamento. Os dois povos são descendentes de Lót, o sobrinho de Avraham. E a Torá nos ensina que Lót, como Avraham, se destacou justamente na característica de Chessed, chegando ao ponto de arriscar sua vida e a integridade física de suas próprias filhas apenas para fazer bondade com dois beduínos, que na verdade eram anjos disfarçados. Sabemos que até hoje o Chessed é parte do povo judeu por causa da "genética espiritual" que herdamos de Avraham. Então por que Amon e Moav, que também deveriam ter esta característica de Chessed embutida em sua "genética espiritual" herdada de Lót, se comportaram de maneira tão desumana e mostraram tamanha indiferença diante de pessoas necessitadas?

Explica o Rav Yaacov Ashkenazy (Polônia, 1550, 1625), mais conhecido como "Melitz Yosher", que uma pessoa que cumpre uma Mitzvá ou pratica um bom ato por causa do reconhecimento interno da importância deste ato e pelo genuíno desejo de ajudar os outros, faz com que esta boa característica fique enraizada em seu coração, conseguindo transmiti-la para as futuras gerações. Mas se esta boa característica vem apenas pela força do hábito, então ela não fica enraizada no coração da pessoa e, portanto, não é transmitida para seus descendentes.

Esta foi a grande diferença entre os descendentes de Avraham e os descendentes de Lót. Avraham buscou D'us por toda a sua vida, para saber a quem agradecer por tudo de bom que recebia. Esta busca fez com que Avraham refletisse sobre a importância da bondade e entendesse de maneira profunda que o Chessed é um dos pilares que sustenta o mundo. Como ele internalizou esta Mitzvá em seu coração, esta característica foi transmitida também ao coração de seus descendentes. Já Lót não trabalhou em seu coração o valor do Chessed. Por sua longa convivência com Avraham, um homem que aproveitava cada pequena oportunidade para fazer Chessed, Lót aprendeu a fazer bondades simplesmente como um hábito, como parte natural da vida, mas nunca internalizou a sua importância, simplesmente fazia bondades de forma mecânica. Por isso esta característica não foi transmitida aos seus descendentes, que acabaram se transformando, poucas gerações depois, em pessoas egoístas e completamente insensíveis.

Com este ensinamento do "Melitz Yosher" podemos entender um triste fenômeno, que é o de jovens educados em casas observantes de Mitzvót, mas que acabam se afastando dos caminhos espirituais. Por que isto acontece? Pois quando os pais cumprem as Mitzvót sem internalizar o significado dos seus atos e a importância deles, cumprindo-as apenas por hábito e de maneira mecânica, então dificilmente conseguirão transmitir aos filhos a atitude correta em relação às Mitzvót. Assim, os filhos também apenas cumprirão as Mitzvót de maneira mecânica e, mais cedo ou mais tarde, acabarão abandonando-as.

Há outro ponto interessante sobre este incrível ensinamento do "Melitz Yosher". Apesar de muitas vezes estarmos dispostos a gastar esforços, tempo e até mesmo dinheiro para cumprir uma Mitzvá, ainda assim não é uma garantia que esta Mitzvá não está sendo cumprida apenas por hábito. Lót chegou ao ponto de arriscar a sua vida para cumprir uma Mitzvá, mas mesmo assim a Torá ainda considera que esta Mitzvá foi feita apenas pela força do hábito, tendo pouco valor espiritual. Portanto, precisamos o tempo inteiro verificar nossos atos, para checar se estamos cumprindo as Mitzvót com o coração, internalizando sua importância e o seu impacto espiritual, ou se estamos apenas cumprindo de maneira mecânica, por força do hábito, mas sem nenhuma profundidade espiritual.

Em Mitzvót que se repetem poucas vezes durante nossa vida é mais fácil sentir a espiritualidade do momento. Por exemplo, quando uma pessoa participa do Brit-Milá de seu filho, ou faz a Brachá sobre seus "Arba Minim" (4 espécies) em Sucót, ela consegue se concentrar e ter Kavaná (intenção) em suas palavras e seus atos. Mas a grande dificuldade está justamente nas Mitzvót constantes, que repetimos várias vezes todos os dias, como a Tefilá (reza). Pronunciamos 3 vezes por dia, 7 dias por semana, praticamente as mesmas palavras, e por isso é tão difícil manter a concentração. Muitas vezes estamos no meio da Tefilá e percebemos que nossa cabeça está distante, pensando nos negócios, na viagem de férias ou simplesmente naquele dinheiro que estamos devendo a um amigo. Como lutar contra a força do hábito nestes casos?

Explicam nossos sábios que precisamos todos os dias tentar trazer um gosto novo para nossas Mitzvót. Por exemplo, estudando sobre o significado das palavras que mencionamos na Tefilá, desde o entendimento mais simples até as implicações mais profundas de cada uma das palavras que nossos sábios fixaram no Sidur. Algumas vezes podemos mudar de Sidur, simplesmente para quebrar a rotina. Outras vezes podemos fazer a Tefilá em um lugar diferente da sinagoga, ou até mesmo em outra sinagoga, apenas pelo efeito de renovação que isto pode trazer, para fugir da força do hábito.

Estamos no mês de Elul, o mês de preparação espiritual para Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento. Certamente há muitas Mitzvót que ainda não cumprimos e que gostaríamos de começar a cumprir, e esta é a época propícia do ano para receber sobre nós um crescimento espiritual. Mas além de acrescentar na quantidade de Mitzvót que gostaríamos de cumprir, um trabalho muito importante é acrescentar na qualidade daquelas Mitzvót que nós já cumprimos, mas que, por causa da força do hábito, acabam se tornando apenas atos mecânicos.

Internalizar a importância de cada Mitzvá e enraizá-la nos nossos corações é a melhor forma de garantir que não apenas nosso próprio serviço espiritual será muito mais significativo, mas que também teremos mais sucesso na transmissão dos valores judaicos para todos os nossos descendentes.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
Dt. 21:10-25:19, Is. 54:1-10