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sábado, 5 de agosto de 2017

QUANTO VALE UMA TEFILÁ? - PARASHÁ VAETCHANAN 5777

"Yaacov viveu uma vida de muita pobreza. Não havia comida suficiente para alimentar sua família, ele não conseguia pagar suas contas e nunca em sua vida conseguiu ajudar outros necessitados. Ele não tinha idéia de como mudar esta terrível situação. Tentou diversos tipos de trabalho, mas o dinheiro nunca era suficiente.

Certa vez um amigo lhe contou que havia escutado que na casa onde Yaacov vivia havia um incrível tesouro enterrado sob as tábuas do assoalho, mas Yaacov não acreditou. Outras pessoas também comentaram a mesma coisa, mas Yaacov continuava cético. De tempos em tempos ele dava uma pancada no assoalho com o calcanhar, mas sem muita vontade, para ver se escutava o som de moedas, mas escutava somente um som oco.

Quando Yaacov já estava velhinho, certo dia sentiu que suas forças terminavam. Em seu leito de morte, viu quando uma pessoa entrou em sua casa, levantou uma tábua solta do assoalho e retirou de lá um baú cheio de ouro e pedras preciosas. A riqueza que poderia ter dado a Yaacov e sua família uma vida digna estava dentro daquele baú. Diante dos seus olhos escurecidos passaram os detalhes de toda a sua vida miserável. O remorso de nunca ter procurado o tesouro foi uma facada no coração de Yaacov, que deu seu último suspiro e morreu".

Este sentimento de remorso certamente estará presente em todos aqueles que não acreditam e não utilizam a força da Tefilá (reza). Muito do que a pessoa precisa na vida já está pronto para ela, só falta ela pedir para D'us. Mas nós não pedimos. Nos esforçamos, trabalhamos mais e mais, mas não fazemos o mais importante: Tefilá.
Nesta semana lemos a Parashá Vaetchanan (literalmente "Eu implorei"), na qual Moshé continuou recordando os principais acontecimentos dos 40 anos em que o povo permaneceu no deserto, entre eles a reclamação do povo por água, que causou com que Moshé batesse na pedra ao invés de falar com ela, recebendo o decreto espiritual de não entrar mais na Terra de Israel. Porém, mesmo assim Moshé não desistiu e continuou implorando para que D'us revogasse o decreto. Nossos sábios explicam que a linguagem "Vaetchanan" tem o valor numérico de 515, que corresponde ao número de vezes que Moshé Rabeinu rezou e implorou para que pudesse entrar em Israel, tamanho era o seu amor pela Terra e pelas Mitzvót que poderia cumprir lá.

Porém, há alguns questionamentos em relação a este ensinamento. Moshé, apesar de se assemelhar a um anjo, fez um erro que, em seu nível, foi algo muito grave, pois perdeu a oportunidade de santificar o nome de D'us diante do povo, o que os ajudaria em sua elevação espiritual. Foi por isso que D'us o castigou com um decreto tão duro. Portanto, se D'us já havia feito um decreto nos mundos espirituais, de que adiantava Moshé rezar?

Além disso, Rashi (França, 1040 - 1105) nos ensina que, em Lashon HaKodesh (língua através da qual D'us criou o mundo), existem 10 linguagens diferentes para reza. O que representa a linguagem "Vaetchanan" e por que Moshé escolheu justamente esta linguagem para transmitir ao povo que ele havia rezado?

Outro questionamento surge quando observamos o conteúdo da reza de Moshé. A Parashá começa com as seguintes palavras: "Eu implorei a D'us naquele momento e disse: 'D'us, você começou a mostrar ao Seu servo a Sua grandeza e a Sua mão forte, pois quem é como D'us no Céu ou na terra que pode fazer como Suas ações e Seu poder? Por favor, deixe-me atravessar e ver a boa terra que está do outro lado do Jordão'" (Devarim 3:23-25). Percebemos que, antes de fazer seu pedido, Moshé se alongou em louvores a D'us. Mas D'us precisa de louvores? Por que Moshé não foi direto ao ponto?

E, finalmente, se D'us sabe tudo, Ele já sabia que Moshé queria entrar na Terra de Israel, já conhecia o amor dele pela Terra e sua vontade de cumprir as Mitzvót. Então por que Moshé precisou pedir?

Explicam os nossos sábios que da Tefilá de Moshé Rabeinu aprendemos muitos ensinamentos práticos para nossa própria Tefilá. Por exemplo, o Talmud (Brachót 10a) afirma que "mesmo que uma espada afiada esteja colocada sobre o pescoço de uma pessoa, ela não deve desistir da misericórdia de D'us". Isto vale para situações do mundo material, como uma pessoa literalmente em uma situação de perigo de vida, mas também vale em relação à anulação de decretos espirituais. Moshé, mesmo sabendo que havia um decreto espiritual que o impedia de entrar em Israel, não deixou de rezar.

Mas de onde Moshé aprendeu que a Tefilá pode anular até mesmo decretos Celestiais? Observando os atos de D'us. Quando houve o decreto de destruição de todo o povo judeu, após a terrível transgressão do bezerro de ouro, D'us falou para Moshé "E agora Me deixe, e Minha fúria queimará sobre eles e Eu os destruirei, e Eu farei de você um povo grande" (Shemot 32:10). Moshé então se perguntou: "Por acaso eu estou segurando D'us e O impedindo de cumprir o Seu decreto? Por que Ele está dizendo 'Me deixe'?". Moshé entendeu que D'us estava dizendo: "Está nas suas mãos salvar o povo judeu. Depende da sua Tefilá. Se você Me deixar, isto é, se você não fizer nada, Eu destruirei o povo. Mas sua Tefilá pode anular o decreto Celestial". Por isso Moshé entendeu que a Tefilá também tinha força para cancelar o decreto de não poder entrar na Terra de Israel.

Um segundo ponto que aprendemos da Tefilá de Moshé é a linguagem utilizada por ele. "Vaetchanan" vem da linguagem "Lechanen", que significa "agraciar". Rashi explica que esta expressão se refere a "Matanat Chinam", um "presente gratuito". Normalmente pedimos para D'us as coisas com o sentimento de que Ele está nos devendo, como se fosse obrigação Dele nos dar o que precisamos. Achamos que somos tão bons e corretos que temos o direito, pelos nossos méritos, de cobrar de D'us, como se disséssemos: "Minha parte eu já fiz, D'us. Agora faça a Sua parte". Porém, não é assim que os Tzadikim (Justos) se comportam. Quando eles pedem algo para D'us, o fazem com o sentimento de que receberão um presente gratuito, isto é, eles sabem que não merecem receber nada e que tudo o que D'us nos dá é apenas por causa da Sua infinita Misericórdia. Os Tzadikim sentem como se sempre estivessem devendo para D'us e nunca cobram nada Dele. Assim também deve ser a intenção dos nossos pedidos durante a Tefilá, não como uma cobrança de D'us, e sim como um pedido baseado na Sua misericórdia infinita.

Aprendemos também de Moshé que, antes de pedir algo para D'us, devemos louvá-Lo e engrandece-Lo. É por isso que a nossa principal Tefilá, a Amidá, é dividida em três partes: Louvores, Pedidos e Agradecimentos. Antes de começarmos a pedir algo, louvamos a D'us e reconhecemos a Sua grandeza. D'us não precisa dos nossos louvores, mas nós precisamos, para que antes de nos dirigirmos a D'us possamos lembrar quem Ele é. Para falar com um presidente, uma pessoa precisa de meses de espera, além de passar por um verdadeiro exército de secretárias e assessores. Mas com D'us, o Rei dos reis, é o contrário. Apesar Dele ser infinito, enquanto nós somos insignificantes diante Dele, mesmo assim Ele nos escuta e anseia pela nossa Tefilá.

Finalmente, se D'us sabe tudo, então por que precisamos pedir? Para que possamos colocar no nosso coração a certeza de que tudo vem Dele. Muitas vezes nos perdemos na escuridão e confusão do mundo material. Achamos que a cura vem do médico e dos remédios. Achamos que encontrar a nossa "alma gêmea" depende das pessoas que vão nos apresentar alguém que combina conosco. Achamos que o dinheiro vem do nosso esforço e da nossa inteligência. Tudo isso é uma grande enganação. A Tefilá nos dá a claridade de que tudo vem de D'us. Devemos fazer o nosso esforço, mas nunca esquecendo que tudo vem Dele. É por isso que, mesmo D'us sabendo o que necessitamos, nós precisamos pedir.

O Rav Chaim Vologziner zt"l (Lituânia, 1749 - 1821) explica que as palavras do versículo "Ele (D'us) reconta para a pessoa quais foram os seus atos" (Amós 4:13) se referem à revelação que as pessoas terão, no Mundo Vindouro, em relação aos presentes que elas teriam recebido se tivessem acreditado na força da Tefilá e a tivessem utilizado. Será mostrado para estas pessoas como suas Tefilót teriam feito diferença se tivessem sido ditas com concentração e sinceridade. A pessoa doente poderia ter se curado, o casal sem filhos poderia ter sido atendido e a pessoa procurando por uma esposa poderia ter encontrado. Assim afirma o Talmud (Brachót 6b): "Há coisas que estão no topo do mundo, porém as pessoas desprezam". Rashi explica que este ensinamento se refere a coisas elevadas como a nossa Tefilá, que podem mudar a nossa vida, neste mundo e no Mundo Vindouro, e mesmo assim nós não damos o devido valor.

De acordo com o Midrash (parte da Torá Oral), no versículo "Eu implorei a D'us naquele momento e disse", a linguagem "e disse" se refere a um ensinamento de Moshé para as futuras gerações. Moshé estava dizendo que ninguém deve se desesperar nem desanimar diante de uma situação difícil. Da mesma forma que ele nunca desistiu e continuou rezando mesmo após D'us ter decretado que os portões da Terra de Israel estavam trancados para ele, nós também nunca devemos desistir da misericórdia de D'us.

Depois da destruição do nosso Beit Hamikdash (Templo Sagrado), uma divisória de ferro nos separou do nosso "Pai Celestial". Porém, um portão nunca foi fechado: o portão das lágrimas. A Tefilá é chamada de "o serviço do coração". Portanto, o principal é abrir o nosso coração, colocando toda a nossa confiança em D'us, cuja Misericórdia é infinita. Como um pai que ama seu filho, D'us quer nos dar tudo o que precisamos. Ele está ansiosamente aguardando apenas a nossa Tefilá.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com.br/
Dt. 3:23·7:11, Is. 40:1-26

sábado, 24 de dezembro de 2016

LOUVOR E AGRADECIMENTO - PARASHÁ VAIESHEV E CHÁNUKA 5777

O Rav Shraga Shmuel Schnitzler zt"l (Hungria, 1889 - Israel, 1979), mais conhecido como Tachaber Rav, estava no Campo de Concentração de Bergen Belsen, o verdadeiro inferno na Terra. Ele passava os dias tentando trazer tranquilidade e esperança aos outros judeus. Era o mês de Kislev de 1944 e a Festa de Chánuka se aproximava. Desde o começo do mês o Rav Shraga Shmuel tentava conseguir um pouco de óleo para acender a Chanukiá, mas sem sucesso. Desanimado, ele percebeu que Chánuka se aproximava e faltavam apenas alguns poucos dias. Ele sabia que se não acendesse a Chanukiá naquele ano, cortaria o último fio de esperança de muitos judeus do Campo de Concentração. Ele não queria desistir. Mesmo que só conseguisse acender por um dia, mesmo que fossem apenas por alguns instantes, mesmo que fosse somente um acendimento simbólico, ele queria trazer um pouco de luz para aquela terrível escuridão física e espiritual.

Certo dia, o Rav Shraga Shmuel estava caminhando pelo Campo de Concentração quando tropeçou em um buraco no chão e quase caiu. Ele percebeu que havia algo dentro daquele buraco, pois a terra lá dentro estava um pouco mais fofa. Após se certificar que nenhum guarda nazista o observava, ele começou a cavar. Encontrou um pequeno pote com um líquido dentro que parecia óleo. O milagre de Chánuka estava se repetindo mais uma vez. O Rav Shraga Shmuel não cabia em si de contentamento. Ele colocou mais uma vez a mão dentro do buraco e percebeu que havia um embrulho. Ao abrir, viu que eram oito pequenos copinhos de vidro e oito pavios finos de algodão. Era óbvio que algum dos prisioneiros havia escondido lá sua Chanukiá e o óleo, mas quem seria? Será que ainda estava vivo? Ele enterrou novamente seu recém-encontrado tesouro, caso o dono verdadeiro viesse buscar.

Nos dias seguintes ele passou o tempo inteiro procurando o dono daquela Chanukiá, mas não era de ninguém que estava no Campo de Concentração. Quando Chánuka chegou, o Rav Shraga Shmuel foi buscar a Chanukiá no buraco. Ele acendeu a vela, enquanto um grupo assistia, em total silêncio, aquela pequena luz lutando sua batalha eterna contra a escuridão. Alguns sorriram diante daquele milagre, outros derramaram lágrimas de emoção. Uma pequena fagulha de esperança se acendeu no coração de todos aqueles judeus que presenciavam um novo milagre de Chánuka. O milagre se repetiu nas oito noites de Chánuka, enquanto a pequena luz vencia a terrível escuridão nazista. Poucos meses depois, em abril de 1945, um milagre ainda maior aconteceu. Os alemães se rendiam às forças aliadas e a guerra chegava ao fim. O Rav Shraga Shmuel foi um dos poucos judeus da Europa que conseguiram sobreviver. Depois de sair de Bergen Belsen, ele voltou para a Hungria, onde se estabeleceu como líder espiritual de muitos sobreviventes do Holocausto.

Passaram-se muitos anos. Em uma viagem aos Estados Unidos, o Rav Shraga Shmuel foi fazer uma visita ao Rav Yoel Teitelbaum zt"l (Hungria, 1887 - Estados Unidos, 1979), mais conhecido como Satmer Rebe. Entre outras conversas, o Satmer Rebe comentou que também havia sido prisioneiro em Bergen Belsen. O Satmer Rebe contou que havia estado lá um ano antes do Rav Shraga Shmuel e que havia sido resgatado quatro dias antes de Chánuka. Ele comentou que já havia se preparado para Chánuka. Havia subornado alguns guardas para juntar óleo, potes de vidro e pavios de algodão, e havia enterrado tudo em um buraco. Comentou que o que lhe deixava muito triste era saber que ninguém havia utilizado aquela Chanukiá enterrada. Ao escutar isso, o Rav Shraga Shmuel abriu um sorriso e disse:

- Não se preocupe, sua Chanukiá foi usada. Ela dissipou a escuridão de centenas de judeus e ajudou-os a terem força e esperança para aguentar até o final da guerra. Foi um novo milagre de Chánuka" (História Real) 
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Nesta semana lemos a Parashá Vaieshev (literalmente "e se estabeleceu"), que conta a história de Yossef e seus irmãos, filhos do nosso patriarca Yaacov. A Torá se alonga na descrição dos acontecimentos da vida de Yossef. Ele foi vendido como escravo pelos seus próprios irmãos e, após alguns altos e baixos, acabou se tornando o vice-rei do Egito, um dos homens mais poderosos do mundo. Ao analisarmos a vida de Yossef, percebemos que a mão de D'us estava sempre presente, dirigindo cada pequeno acontecimento da sua vida. E este conceito de enxergar a mão de D'us está conectado com a nossa próxima parada no calendário judaico. Logo após o fim deste Shabat começaremos a reviver a Festa de Chánuka. Durante oito dias acendemos as velas da Chanukiá e acrescentamos na nossa Tefilá (reza) o trecho de "Al Hanissim" e o Halel (louvores). Chánuka é a Festa na qual celebramos a incrível vitória do povo judeu sobre o poderoso exército grego e o posterior milagre do único jarro de óleo encontrado intacto, suficiente para acender a Menorá por apenas um dia, mas que durou por oito dias.

Porém, há uma aparente contradição nas fontes judaicas sobre qual milagre é o mais significativo para representar a Festa de Chánuka. Por um lado, se prestarmos atenção no texto do "Al Hanissim", perceberemos que o principal foco é a vitória militar sobre os gregos, ressaltando a natureza milagrosa dos eventos através dos quais D'us permitiu que os judeus saíssem vitoriosos da guerra. Em contraste, o Talmud (Shabat 21b) coloca uma ênfase muito maior no milagre do óleo do que na vitória militar. Quando o Talmud questiona: "O que é Chánuka?", a resposta é a descrição do milagre do óleo, com apenas uma rápida referência à batalha. Afinal, qual dos dois milagres é o mais significativo?

Explica o Rav Chaim Friedlander zt"l (Alemanha, 1923 - Israel, 1986) que há dois aspectos que podem definir a importância de um milagre. Um dos aspectos é a necessidade do milagre ocorrer, isto é, quanto maior a urgência de uma situação, mais importante é o milagre. Por exemplo, antes do milagre da abertura do Mar Vermelho ocorrer, o povo judeu estava cercado no deserto, com os egípcios quase os alcançando e o imenso mar diante deles. Era um milagre extremamente necessário e urgente, que dele dependia a salvação do povo inteiro. Há também um segundo aspecto que pode definir a importância de um milagre, que é a medida do quanto um milagre quebra as leis da natureza. De acordo com o judaísmo, tudo é um grande milagre, pois é a mão de D'us que faz tudo acontecer. Apesar de ser algo cotidiano, até mesmo o ato de acender um fósforo é um milagre. A natureza é um simples mecanismo que D'us criou para manter o mundo funcionando sem precisar intervir o tempo inteiro de maneira revelada. Não há nenhuma dificuldade para D'us quebrar as leis que Ele mesmo criou. Entretanto, de acordo com Sua sabedoria infinita, raramente Ele faz isto, pois milagres que envolvem a quebra das leis da natureza atingem diretamente o livre arbítrio das pessoas. Nas raras ocasiões nas quais Ele quebra as leis da natureza, há um efeito muito forte sobre as pessoas que testemunharam o milagre, pois neste caso fica impossível ignorar a Providência Divina. Quanto maior e mais evidente a quebra da natureza, maior o impacto sobre as pessoas e, portanto, maior o nível de importância do milagre.

Isto nos ajuda a entender que cada um dos milagres que aconteceram em Chánuka é mais importante que o outro em um dos aspectos. Em termos da necessidade, a vitória militar sobre os gregos foi muito mais importante do que o milagre do óleo. Os decretos gregos estavam colocando em risco o cumprimento da Torá e a continuidade do povo judeu e, por isso, era essencial que o pequeno exército judeu superasse os poderosos gregos. Por outro lado, os milagres que possibilitaram a vitória militar do povo judeu não aconteceram de forma aberta, não foi necessária a quebra das leis da natureza. Alguém que testemunhou o milagre da batalha poderia atribuir a vitória à destreza dos judeus nas batalhas ou à sorte. Já o milagre do óleo não foi um milagre de grande necessidade. Mesmo sem este milagre o povo judeu já estava livre do jugo grego e poderia retomar em breve os Serviços do Beit Hamikdash (Templo Sagrado). Entretanto, este milagre foi extraordinário no sentido que representou de forma clara a quebra das leis da natureza. Milagres como este têm um poderoso efeito nas pessoas que testemunharam, deixando o envolvimento de D'us no milagre quase irrefutável.

Com este entendimento podemos responder a diferença de abordagem entre o Talmud, que foca no milagre do óleo, e o texto do "Al Hanissim", que enfatiza a vitória militar. De acordo com Rashi (França, 1040 - 1105), quando o Talmud questiona "O que é Chánuka?", a pergunta na verdade é "Por causa de qual milagre nossos sábios fixaram Chánuka como uma comemoração permanente?". Ensina o Rav Chaim Friedlander que houveram muitos eventos milagrosos na história do povo judeu e cada um deles foi transformado em uma espécie de "Yom Tov", no qual era proibido fazer "Hespedim" (discursos de elogio aos falecidos) e jejuns. Porém, chegou um momento em que estes eventos eram tão abundantes que os rabinos decidiram cancelar todos eles, com exceção de Purim e Chánuka, pois foram milagres que tiveram impactos muito profundos no povo judeu. O questionamento do Talmud é para tentar identificar qual é o milagre excepcional que justificou Chánuka ter continuado como uma Festa permanente, enquanto os outros dias de milagres foram anulados. É por isso que a resposta do Talmud foca principalmente no milagre do óleo, pois certamente foi um milagre que, por quebrar as leis da natureza, foi muito mais marcante para o povo judeu do que o milagre da batalha.

Entretanto, quando é o momento do povo judeu agradecer a D'us pelos milagres de Chánuka, nosso foco principal é no milagre mais necessário, que salvou nossas vidas e permitiu o judaísmo existir até hoje. Este milagre é a vitória na batalha contra os gregos, a vitória de poucos contra muitos, dos fracos contra os fortes. Como o "Al Hanissim" é o momento de agradecimento na nossa Tefilá, a principal ênfase é dada à vitória militar, pois este é o aspecto da história de Chánuka de maior necessidade para a continuidade do povo judeu.

O Talmud (Shabat 21b) termina sua explicação dizendo que o período de Chánuka é conhecido como "dias de Halel VeHodaá", que literalmente significa "dias de louvor e agradecimento". Talvez o Talmud esteja se referindo aos dois aspectos dos milagres que aconteceram em Chánuka. O louvor é feito em relação ao milagre do óleo, pois é o milagre que mostra de forma mais completa o envolvimento de D'us com o povo judeu, enquanto o agradecimento é feito em relação ao milagre da batalha, pois nosso maior sentimento de gratidão é em relação à nossa redenção do exílio grego.

Uma das principais lições que podemos aprender da Festa de Chánuka é que D'us faz milagres o tempo inteiro. Algumas poucas vezes Ele faz milagres abertos, que quebram as leis da natureza, mas na grande maioria das vezes os milagres são ocultos e somente conseguimos enxergar se pararmos para prestar atenção e refletir. Mesmo quando D'us faz milagres em nossas vidas, se não internalizamos, em pouco tempo as marcas deste milagre somem. Os milagres devem nos trazer para níveis espirituais mais elevados, devem nos tirar do comodismo. D'us permitiu que os gregos dominassem os judeus pois estávamos acomodados. Somente quando o povo judeu reagiu e lutou para reestabelecer as leis da Torá é que D'us nos salvou com milagres. Em um mundo de tanta escuridão, representada pelo comodismo, pela preguiça e pela falta de espiritualidade em nossas vidas cotidianas, as luzes de Chánuka nos trazem de volta à nossa essência verdadeira.   
SHABAT SHALOM E CHÁNUKA SAMEACH

R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com.br/
Gn. 37:1-40:23, Am. 2:6-3:8

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Seria bom...

Seria tão bom se eu pudesse ser ao menos 3! Uma para ler e estudar o dia inteiro. Outra para cuidar de tudo aqui no sítio e deixá-lo como eu gostaria e outra para tentar fazer todas as outras coisas que gosto do tipo costurar, fazer artesanato, fazer minha goiabada (se eu não correr logo passa da época) e assim vai...
Cada minuto é tão fugaz! E nos esquecemos que é o Senhor que nos permite vivê-los. Seja com intensidade ou frivolidade a cada manhã acordamos e nem sempre damos graças por simplesmente estarmos vivos! Aprendi que dar o melhor de si é apenas o segundo passo para conquistarmos nossos objetivos. O primeiro é louvar e pedir permissão ao Eterno para que possamos chegar aonde desejamos.
Cada gota que cai do céu, molha a terra e germina a semente à qual produz nosso alimento depende exclusivamente da bondade Divina. Que possamos sempre ver que é D~us Quem nos dá tudo e agradeçamos por isso infinitamente. Amém!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Salmo 67

1 DEUS tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós (Selá.)
2 Para que se conheça na terra o teu caminho, e entre todas as nações a tua salvação.
3 Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.
4 Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgarás os povos com eqüidade, e governarás as nações sobre a terra. (Selá.)
5 Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.
6 Então a terra dará o seu fruto; e Deus, o nosso Deus, nos abençoará.
7 Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão

domingo, 24 de outubro de 2010

O Milagre

Não importa quantas vezes aconteça. Eu sempre fico maravilhada com o milagre da vida. É lindo como uma sementinha frágil se rompe e se liberta, tornando-se mais uma vida.
Orei por chuva toda a semana e a dádiva Divina foi ainda maior: tanto o feijão quanto o milho simplesmente nasceram! O milagre excede  todo entendimento. É indescritível receber uma bênção assim. Para completar, esta noite finalmente choveu. Foi rápido, mas suficiente para dar forças às pequenas raízes que estão nascendo.
Por isso quero deixar aqui minha ação de graças em louvor ao D~us de Israel, meu Senhor e a Yeshua, meu Salvador. Por Ele, eu vivo e para Ele quero ser, sempre. Amém!


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Salmos 147

Louvai ao SENHOR, porque é bom cantar louvores ao nosso Deus, porque é agradável; decoroso é o louvor.

O SENHOR edifica a Jerusalém, congrega os dispersos de Israel.
Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas.
Conta o número das estrelas, chama-as a todas pelos seus nomes.
Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento é infinito.
O SENHOR eleva os humildes, e abate os ímpios até à terra.
Cantai ao SENHOR em ação de graças; cantai louvores ao nosso Deus sobre a harpa.
Ele é o que cobre o céu de nuvens, o que prepara a chuva para a terra, e o que faz produzir erva sobre os montes;
O que dá aos animais o seu sustento, e aos filhos dos corvos, quando clamam.
Não se deleita na força do cavalo, nem se compraz nas pernas do homem.
O SENHOR se agrada dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia.
Louva, ó Jerusalém, ao SENHOR; louva, ó Sião, ao teu Deus.
Porque fortaleceu os ferrolhos das tuas portas; abençoa aos teus filhos dentro de ti.
Ele é o que põe em paz os teus termos, e da flor da farinha te farta.
O que envia o seu mandamento à terra; a sua palavra corre velozmente.
O que dá a neve como lã; esparge a geada como cinza;
O que lança o seu gelo em pedaços; quem pode resistir ao seu frio?
Manda a sua palavra, e os faz derreter; faz soprar o vento, e correm as águas.
Mostra a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e os seus juízos a Israel.
Não fez assim a nenhuma outra nação; e quanto aos seus juízos, não os conhecem. Louvai ao SENHOR