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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Tea Party na democracia americana

Escrito por Nivaldo Cordeiro  
 
Dificilmente quem for consagrado pelas primárias do Partido Republicano poderá deixar de atender o anseio minarquista dos membros do Tea Party.
A leitura do artigo de hoje do Demétrio Magnoli (Os epígonos despedem-se em Iowa) é uma prova de que mesmo analistas supostamente isentos podem destilar preconceitos sobre os grupos conservadores surgidos recentemente nos EUA, sob a denominação genérica de Tea Party. Esses grupos insuflaram vida nova e de fato mudaram a trajetória do governo, de tal modo que as política esquerdistas foram inutilizadas e a irresponsabilidade que Barack Obama faria na condução dos negócios públicos foi devidamente abortada. O controle da Câmara de Deputados na última eleição legislativa dá o grau de profundidade da ação política desses grupos, que dispõem de amplo respaldo popular.
Desde o Pós-guerra houve uma sincronia e alinhamento na ação política e administrativa do Estado norte-americano, em torno do programa da social-democracia, por ambos os partidos dominantes. A resistência conservadora, mal alinhada, limitavas a conter as iniciativas de elevação de impostos. O governo Reagan, lembrado pelo articulista, como de resto os dos Bush, não mudaram essencialmente o modo de agir quando comparados aos governos dos presidentes democratas. Os membros do Tea Party, ao contrário, querem mesmo destruir o consenso social-democrata. Repudiam o Estado grande, desconfiam da mão do governo e querem que este se circunscreva a suas funções ditas clássicas. Atualmente é a única força de fato que enfrenta a social-democracia, com desdobramentos planetários. Afinal, os Tea Party não querem o governo mundial e execram a redução do poder nacional norte-americano. Em boa hora.
Demétrio Magnoli revelou-se um desses críticos torcedores contra o Tea Party ao tratar a convenção de Iowa de forma depreciativa e os principais postulantes a presidente pelo Partido Republicano da mesma forma . A tal ponto que proclamou: "A primária inicial da campanha republicana assinala o fracasso do movimento conservador abrigado sob a abóbada do Tea Party". Um grave equívoco de interpretação e uma inverdade evidente.
Dificilmente quem for consagrado pelas primárias do Partido Republicano poderá deixar de atender o anseio minarquista dos membros do Tea Party. É isso que de fato os une, o anseio por reduzir a tributação, as despesas e a ingerência do Estado na vida das pessoas. E também a preservação dos bons costumes cristãos, provavelmente a força motivadora dessa aguerrida ala do partido.
Os republicanos que comungam do consenso social-democrata estão fora do jogo, se tomarmos qualquer dos postulantes. Essa é a prova de que agora é o tempo do triunfo da visão conservadora, ao menos no interior desse partido. Magnoli revelou-se um grande torcedor-analista ao escrever: "O insucesso dos radicais na primeira batalha praticamente define os rumos da campanha inteira. Romney, que prudentemente ficou acima da briga de facas, deve ser coroado desafiante de Barack Obama nas primárias da Flórida, em menos de um mês". Pode queimar a língua duplamente, seja porque o governador do Texas não é hostil ao Tea Party, seja porque é ainda muito cedo para afirmar que seu nome foi consagrado.
O horizonte político que se abre para os EUA é conservador, de um modo que já se havia esquecido. A crise permitiu brotar todo o ressentimento contra o irracionalismo do coletivismo social-democrata, que tomou conta daquele país também. É o tempo de correção de rumos. A vitória eventual do candidato republicano contra Obama, qualquer que seja ele, será um divisor de águas. As política coletivistas serão aposentadas impiedosamente, com severas repercussões para o resto do mundo. Num cenário assim, pode-se até imaginar o renascer do conservadorismo no Brasil.
http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/estados-unidos/12712-o-tea-party-na-democracia-americana.html

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Próximo presidente terá de reconhecer a paralisia do Mercosul

Formalizado pelo Tratado de Assunção, em 1991, o Mercosul surgiu com o projeto de criar uma área de livre comércio entre as nações sul-americanas. Contudo, ao longo dos anos, o protecionismo e os interesses antagônicos dos quatro integrantes - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - impediram o bloco de prosperar. É ilustrativa das dificuldades vividas pelo grupo a decisão tomada pela Argentina, em maio, de proibir a importação de alimentos que também são produzidos em seu território. A medida, que nem foi comunicada oficialmente aos demais parceiros, afetou diretamente o Brasil. É com esse cenário que o próximo presidente brasileiro terá de lidar a partir de 2011.

“O Mercosul está totalmente paralisado. Ele está se tornando apenas um fórum de ideias políticas”, diz José Augusto Guilhon de Albuquerque, professor titular de relações internacionais do departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP). Alguns analistas consideram inclusive que o comércio brasileiro teria melhores perspectivas de crescimento se não estivesse atrelado ao bloco. "O Brasil perdeu o interesse de pertencer ao Mercosul porque é um jogador global e quer ter liberdade para negociar tratados de livre comércio de maneira individual", afirmou (qualificação) Eduardo Boneo Villegas, em entrevista à rede BBC.
Os comerciais - Protecionismo não é uma arma usada apenas pelos vizinhos. O Brasil também usou dela. O economista Roberto Teixeira da Costa, fundador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), sustenta que o país vem adotando uma atitude avessa à abertura e a novos acordos internacionais. "As tarifas de importação são muito altas, se comparadas às de outros países, como o Chile”, diz o especialista, que também foi presidente internacional do Conselho de Empresários da América Latina (Ceal).
Guilhon acrescenta que faltou pragmatismo ao governo Lula, que colocou os interesses políticos e ideológicos acima das perspectivas comerciais na hora de selar novos acordos. Exemplo disso seria o fato de o presidente se orgulhar de ter se oposto às negociações que poderiam ter desaguado na Área de Livre Comércio da Américas (Alca), englobando também os Estados Unidos. "A razão é simples: a idéia de que se fizermos comércio com certos países, seremos subjugados pelas multinacionais ou pelo império".
Não importa quem será o próximo presidente: José Serra ou Dilma Rousseff. Os especialistas defendem que o novo governo adote uma política externa que leve em conta as demandas e o potencial comercial brasileiro. "Somados, os mercados de Venezuela, Bolívia e Equador, por exemplo, não são comparáveis ao americano", diz Guilhon. O novo presidente não poderá mais ignorar isso.
Próximo presidente terá de reconhecer a paralisia do Mercosul

Mariana Pereira de Almeidahttp://veja.abril.com.br/noticia/internacional/proximo-presidente-tera-de-reconhecer-a-paralisia-do-mercosul

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Why Charlie Cook Sees a Republican Romp

In the panoply of political prognosticators populating Washington, few have painted a bleaker picture of Democrats' 2010 election prospects than Charlie Cook.

And he doesn't see that picture getting any brighter.
To the contrary, Mr. Cook, who is editor and publisher of a newsletter that bears his name, and who stands as perhaps the most respected crystal-ball gazer in politics, now says it more definitively than ever: Republicans are on track to win back control of the House of Representatives, claiming their most coveted prize of 2010.
"I think Republicans are going to get the House back," he said flatly in a conversation taped for WSJ.com's "Big Interview" segment, which will be posted Friday morning.
To be precise, Republicans need to win 39 Democratic seats to get control of the House, and Mr. Cook's current estimate is that they are in line for a 35- to 45-seat gain. "But frankly, I think we're being very conservative with that," he added. "The odds of it being higher than that range are a lot better than lower."
Mr. Cook just this week raised his newsletter's forecast of Republican gains to reflect this new view. The analysis is significant, not only because Mr. Cook has a strong track record—he correctly called the last wave that brought Democrats into power in the House, in 2006—but also because Mr. Cook and his small staff of analysts probably devote more hours and shoe-leather to analyzing individual House and Senate races than anyone outside the political parties.
It's also significant because Mr. Cook has consistently been more bullish on Republicans' prospects this year than many other nonpartisan analysts have been, and events have generally evolved to match his view.
The basis of his analysis is simple: This doesn't look or feel like a normal midterm election. "There are two kinds of elections," he said. "There's sort of the Tip O'Neill all-politics-is-local, and then there are wave elections. We're seeing just every sign in the world that this is going to be a wave, and a pretty good-sized wave."
That wave, he thinks, won't be enough to bring the Republicans control of the Senate. Republicans would have to take over 10 seats now controlled by the Democrats to pull off that feat, and even this wave doesn't appear sufficient. In numerical terms, Mr. Cook sees 18 Senate seats up for election this year that could, plausibly, change party hands one way or the other, and Republicans would have to win 16 of the 18 to take over.
That task is "a couple of orders of magnitude higher" than the challenge Republicans face taking back the House, he said.
Could Mr. Cook's analysis of the climate be wrong? The key question at this juncture is whether something might happen to make the Cook picture less bright for Republicans, and less bleak for Democrats, by Nov. 2.
One way to analyze that question is to say that there are only about 10 weeks left before the election, and the broad trend lines don't figure to change very much in that amount of time. The other way is to say that there are 10 weeks to go and, given the speed and volatility of politics these days, that's a lifetime, and plenty of time for the picture to morph.
Some things simply won't change. One is the Democrats' most basic problem, which is that they have an awful lot of House members trying to hang on to seats in difficult territory. Because of the party's gains in the last two elections, there now are 53 House Democrats trying to defend seats that were held by Republicans just four years ago. That means a lot of Democrats are exposed to danger amid adverse conditions.
In addition, Mr. Cook says, voters tend to look for "balance" in the national political leadership. That helps Republicans right now.
On the other hand, Democrats might figure out how to do a better job convincing the nation of the wisdom of their policies. The apparent return of General Motors to health after President Barack Obama's bailout might help. Mr. Obama, who, despite his problems, remains far more popular than his party's congressional leaders, stands the best chance of making that case.
And Democrats' money advantage, which Mr. Obama was working to enhance this week with a fund-raising tour, will help in the stretch run. Above all, Democrats might finally get their base more excited.
Ultimately, though, Democrats are selling a controversial agenda amid lousy economic times. It appeared briefly in the spring that the economic trend lines might be starting to point upward. It doesn't feel that way now. And that, as much as anything, explains the Cook report.
THE WALL STREET JOURNAL
Write to Gerald F. Seib at jerry.seib@wsj.com