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sexta-feira, 10 de junho de 2011

DEIXA QUE EU FAÇO SOZINHO - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5771 (10 de junho de 2011)

"Ronaldo era um advogado de sucesso. Estava subindo muito na carreira, pois vinha conseguindo conquistas incríveis nos tribunais. Mas ele nunca atribuía à D'us o seu sucesso, e sim aos seus méritos próprios. Certo dia Ronaldo estava atrasado para uma audiência, justamente em um julgamento muito importante, que poderia lançar seu nome no cenário nacional. Dirigindo feito um louco pelas ruas, ele conseguiu chegar ao tribunal 10 minutos antes da audiência. Mas para seu desespero, ao chegar no estacionamento, descobriu que estava lotado. Deu uma volta em busca de uma vaga, mais uma volta, uma terceira volta, mas nenhum carro saía do lugar.
Ronaldo começou a suar frio. Um atraso no julgamento seria visto pelo juiz como um desrespeito, o que certamente o prejudicaria no desenvolvimento de seu trabalho naquele caso tão importante. Os minutos preciosos passavam rapidamente e nada de aparecer um lugar. Na quarta volta, desesperado, ele viu que realmente não tinha jeito e resolveu "apelar". Olhando para o céu, ele falou:
- D'us, eu sei que não tenho sido uma boa pessoa. Não tenho rezado, não tenho feito bons atos, ao contrário, tenho caprichado bastante nas transgressões. Na maioria das vezes chego a ignorar que é Você quem me ajuda sempre. Mas D'us, se você me ajudar a encontrar uma vaga, apenas uma vaguinha para que eu possa estacionar meu carro e chegar a tempo ao julgamento, eu juro que começarei uma nova vida.
Naquele mesmo instante, um verdadeiro milagre aberto aconteceu. Uma pessoa saiu do tribunal, entrou no carro que estava exatamente na frente de onde Ronaldo estava esperando, ligou o carro e saiu. Ronaldo, não acreditando no que havia acontecido, lembrou-se de seu juramento e, olhando para cima, gritou:
- D'us, não precisa mais. Já consegui minha vaga sozinho..."
Assim se comporta a pessoa orgulhosa, que pensa que todo o sucesso é fruto do seu próprio esforço, esquecendo que é de D'us que vem tudo o que temos na vida.
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No final da Parashá desta semana, Behalotechá, a Torá nos descreve o episódio em que Miriam fez Lashon Hará (maledicência) de seu irmão Moshé e foi duramente castigada por isso. Mas por que Miriam falou mal de seu irmão? Ela havia arriscado sua vida para acompanhar Moshé enquanto ele, ainda bebê, descia pelo rio Nilo. Então, se ela o amava tanto, por que o criticou?
Na época de Moshé havia outras pessoas com o dom da profecia, como seus irmãos Miriam e Aharon. Mas ao contrário de outros profetas, D'us aparecia para Moshé a qualquer momento, então ele deveria estar em um estado de pureza o tempo inteiro. Isto incluía também que Moshé se abstivesse de relacionamentos íntimos com sua esposa Tzipora. Miriam, ao descobrir isso, achou-se no direito de criticar Moshé, pois entendia que ele era um profeta como os outros e, portanto, não precisava abandonar sua vida normal pelo fato de poder falar diretamente com D'us. Ela entendeu que a atitude de Moshé era equivocada e, por amor, criticou-o para que ele consertasse o erro. Mas D'us pessoalmente revelou que Moshé não era igual a nenhum outro ser humano, como está escrito "Se existem profetas entre vocês, em uma visão Eu me faço conhecer a ele, em um sonho eu falo com ele. Não é assim com Meu servo Moshé, em toda Minha casa ele é confiável. De boca para boca Eu falo com ele, em uma visão clara..." (Bamidbar 12:6-8).
No meio deste episódio há um versículo que parece fora de contexto: "E o homem Moshé era muito humilde, mais do que qualquer pessoa na face da Terra" (Bamidbar 12:3). Nestes versículos em que D'us quer afirmar a grandeza única de Moshé, o que tem a ver a sua humildade? Há muitas outras características de Moshé que parecem estar mais conectadas com a sua grandeza, como a bondade e o altruísmo. Porém, enquanto todas as boas características de Moshé aprendemos apenas através de seus atos, a humildade é a única que está escrita, algumas vezes e de maneira explicita, na Torá. O que a humildade tem a ver com o grande potencial que Moshé atingiu?
Para entendermos a importância da humildade, é interessante ver o que a Torá nos ensina sobre o seu oposto, a arrogância. Segundo o livro "Orchot Tzadikim", a arrogância é a pior de todas as características do ser humano, e dela derivam muitos dos problemas que temos na vida. O orgulhoso é chamado de "abominação" pela Torá, e D'us o abandona e o deixa nas mãos do Yetzer Hará (má inclinação). O Talmud (Torá Oral) nos ensina que D'us chega ao ponto de dizer que não há lugar no mundo para que Ele e o arrogante vivam juntos. Mas o que há de tão terrível na arrogância? O que faz com que D'us despreze tanto a pessoa arrogante?
Na verdade o comportamento de D'us é "Midá Kenegued Midá" (medida por medida). O arrogante acredita que ele não precisa de D'us para ter sucesso na vida. Ele sente que o sucesso é conseqüência da sua inteligência e do seu talento, como diz o versículo "E você dirá no seu coração: A minha força e o poder das minhas mãos me trouxeram toda esta fortuna" (Devarim 8:17). Portanto, já que a pessoa acha que não precisa da ajuda de D'us, Ele realmente não a ajuda. Ela pode ser realmente inteligente, pode ter muito talentos, mas é apenas um ser humano mortal, limitado. Seu sucesso será, portanto, sempre limitado, nunca passará de um certo ponto, pois está limitado pelas forças da natureza.
O humilde se comporta de uma maneira exatamente oposta. Ele entende que sua inteligência e seus talentos são presentes de D'us. Portanto, ele sabe que todo o seu sucesso somente será possível se D'us estiver ajudando. O potencial da pessoal humilde é ilimitado, pois a fonte de seu sucesso também é ilimitada. Esta pessoa pode transcender, pode vencer seus próprios limites e até mesmo os limites da natureza. Era impossível para qualquer ser humano chegar ao nível que Moshé chegou, de falar com D'us "face a face", mas a sua humildade levou-o a quebrar todos os limites. Moshé não estava mais preso às leis da natureza, pois ele sabia que todo o seu sucesso era dependente de D'us, que está acima de todas as limitações naturais.
Por outro lado, nos ensina o livro Orchot Tzadikim que toda característica boa também tem seu lado negativo. E qual o lado negativo da humildade? Quando a pessoa começa a se subestimar e a argumentar que não tem os talentos necessários para ser uma grande pessoa, e por isso se acomoda na vida. Na verdade isto não é humildade, é uma falsa humildade. A verdadeira humildade é motivadora, a falsa humildade é desanimadora. Esta falsa humildade é, na verdade, uma consequência da preguiça e do desejo pelo conforto. Não é fácil chegar à grandeza, ser uma pessoa que muda o mundo. Isso exige muito esforço e disposição para enfrentar dificuldades e falhas. Por isso, às vezes se torna muito tentador se excluir e se eximir da responsabilidade de ao menos tentar ser grande. É mais fácil pensar que Moshé chegou à grandeza pois já estava predestinado e tinha todas as boas características para chegar lá. É mais cômodo pensar que Avraham Avinu mudou o mundo pois já tinha forças para isso. Mas a Torá nos ensina justamente o contrário. Segundo o Rambam (Maimônides), Avraham foi idólatra por muitos anos e somente com a idade de 48 anos encontrou D'us em Sua totalidade. Moshé também trabalhou muito para mudar suas características e se tornar o grande líder do povo judeu. O caminho de nenhum dos grandes da Torá foi construído com espreguiçadeiras na beira da piscina e água de coco.
Ensinam os nossos sábios que todos os dias devemos nos questionar: "Quando meus atos chegarão ao nível dos atos dos patriarcas?". Mas que tipo de pergunta é esta? Alguém pode sonhar em chegar aos atos de Avraham, Yitzchak e Yaacov, nossos sagrados patriarcas que mudaram o rumo da humanidade? Segundo as leis da natureza, certamente que não. Mas a pessoa humilde não se limita às forças da natureza. Ela sabe que todo o sucesso depende apenas de D'us. Portanto, o segredo do sucesso é a combinação de humildade com esforço. Esforço para fazer a nossa parte, chegar ao limite. E humildade para saber que, na verdade, quem define os limites é apenas D'us.
SHABAT SHALOM
Rav Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Nm. 8:1-12:16, Zc 2:10 -4:7, Ap. 11:l-19

sexta-feira, 20 de maio de 2011

ENTENDENDO O PROBLEMA - PARASHÁ BECHUKOTAI 5771 (20 de maio de 2011)

Esta história real aconteceu há alguns anos. Chegou ao gerente da divisão de carros da Pontiac, da GM dos EUA, uma curiosa carta de reclamação de um cliente. E assim estava escrito: "Após várias tentativas sem sucesso, volto a mandar uma carta de reclamação para vocês, e não os culpo por não me responderem. Eu posso parecer louco, mas o fato é que nós temos uma tradição em nossa família, que é a de comer sorvete depois do jantar. Repetimos este hábito todas as noites, variando apenas o tipo do sorvete, e eu sou o encarregado de ir comprá-lo. Recentemente, comprei um novo Pontiac e, desde então, minhas idas à sorveteria se transformaram num problema. Sempre que eu compro sorvete de baunilha, quando volto da sorveteria para casa, o carro não funciona. Mas se eu compro qualquer outro tipo de sorvete, o carro funciona normalmente. Os senhores devem achar que eu estou realmente louco, mas não importa o quão tola possa parecer minha reclamação. O fato é que estou muito irritado com meu Pontiac, pois aparentemente ele tem alergia a sorvete de baunilha"
A carta gerou tantas piadas do pessoal da GM que o presidente da empresa acabou recebendo uma cópia da reclamação. Ele resolveu levar a sério a reclamação e mandou um dos engenheiros da GM conversar com o autor da carta. O engenheiro se espantou ao conhecer o dono do carro. Achou que encontraria algum tipo esquisito, mas o que viu foi um senhor bem-sucedido na vida e dono de vários carros. Para fazer um teste, foram juntos à sorveteria no Pontiac "alérgico". O engenheiro sugeriu comprar sabor baunilha. Para sua surpresa, no momento de voltar para casa, o carro realmente não funcionou. Quando o dono do carro trocou o sorvete por outro sabor, o carro funcionou normalmente.
O engenheiro voltou nos dias seguintes, na mesma hora e fez o mesmo trajeto. A única coisa que ele mudava era o sabor do sorvete. Com qualquer sabor o carro funcionava normalmente, mas misteriosamente, quando o sabor escolhido era baunilha, o carro não pegava na volta.
O problema acabou virando uma obsessão para o engenheiro, que passou a fazer experiências diárias, anotando todos os detalhes possíveis. Depois de duas semanas, chegou a uma grande descoberta, mas manteve o sigilo. Chamou o dono do carro e, juntos, foram mais uma vez comprar sorvete. O engenheiro pediu ao dono do carro que comprasse o sorvete de baunilha, mas, ao invés de pegar um pote fechado, orientou-o a pedir para que o vendedor enchesse um pote vazio com sorvete de baunilha. Assim foi feito e, para a alegria do dono do caso e alívio do engenheiro, desta vez o carro pegou. O carro não era alérgico a sorvete de baunilha.
O engenheiro explicou que havia descoberto uma pequena diferença entre o sorvete de baunilha e os outros sabores. Como o sorvete de baunilha era o mais vendido, ela já vinha pronto em uma embalagem fechada. Já os outros sabores tinham que ser retirados da lata e colocados em uma embalagem vazia. E qual era a diferença na prática? O homem levava alguns minutos a mais para comprar os outros sabores do que para comprar o sorvete de baunilha.
Mas o mistério ainda não estava resolvido. Por que aquela diferença de tempo causava o mau funcionamento do carro? Examinando o motor, o engenheiro fez uma nova descoberta: como o tempo de compra era mais reduzido no caso da baunilha em comparação ao tempo dos outros sabores, o motor não chegava a esfriar. Com isso, os vapores de combustível não se dissipavam, impedindo que a nova partida fosse instantânea. Isto explicava porque justamente com o sorvete de baunilha o carro não funcionava.
A partir deste episódio, a Pontiac mudou o sistema de alimentação de combustível e introduziu a alteração em todos os seus modelos"
Assim também acontece em nossas vidas. Às vezes temos certeza de que entendemos os motivos de algum problema ou dificuldade pela qual passamos, até que alguém de fora nos mostra que estávamos completamente enganados...
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Nesta semana lemos a Parashá Bechukotai, terminando o terceiro livro da Torá, Vayikrá. A Parashá começa com todas as Brachót (bênçãos) que recaem sobre o povo judeu quando andamos nos caminhos da Torá. Porém, depois disso o tom muda e a Parashá começa a descrever as terríveis calamidades que recaem sobre o povo judeu quando os caminhos da Torá são abandonados. Para nosso alívio a série de maldições e castigos listadas na Parashá terminam com um consolo: "E Eu lembrarei do Meu pacto com Yaacov, e também Meu pacto com Yitzchak, e também Meu pacto com Avraham Eu me lembrarei, e Eu me lembrarei da Terra" (Vayikrá 26:42). Da mesma forma que muitas das calamidades descritas na Parashá realmente aconteceram durante a história do povo judeu, justamente nas épocas em que o povo judeu mais se afastou do pacto com D'us em processos de assimilação, também podemos ter a certeza de que as palavras de consolo da Parashá se cumprirão no final dos tempos.
Mas deste consolo surge uma famosa pergunta: por que a ordem dos patriarcas está invertida? Explica Rashi, comentarista da Torá, que a ordem está de acordo com os méritos de cada um dos patriarcas, como se D'us estivesse dizendo "Se o mérito de Yaacov, o menor dos patriarcas, não for suficiente, então lembrarei do mérito de Yitzchak. Se também o mérito de Yitzchak não for suficiente, então lembrarei do mérito de Avraham, e será suficiente". Porém, esta explicação de Rashi tem um problema. Segundo nossos sábios, Yaacov foi o maior de todos os patriarcas. A prova disso é que tanto Avraham quanto Yitzchak tiveram filhos Tzadikim (Justos), mas também tiveram filhos Reshaim (malvados), Ishmael e Essav, que não tiveram o mérito de fazer parte do povo judeu. Já Yaacov teve 12 filhos completamente Tzadikim, que formaram as sagradas tribos de Israel. Então como pode ser que a ordem é de acordo com os méritos, do menor para o maior?
Muitas vezes é difícil entender por que D'us nos manda tantos testes e dificuldades na vida. Se pudéssemos escolher, certamente escolheríamos uma vida tranqüila, sem nenhum tipo de obstáculo ou desafio. Pedimos para D'us resolver nossos problemas e parece que os problemas apenas aumentam! A resposta deste questionamento está nas palavras do Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "De acordo com a dificuldade, assim é a recompensa". Quanto maior é a dificuldade que a pessoa vence para atingir seus objetivos espirituais, maior é o mérito que ela alcança. É por isso que o Talmud nos ensina que "No lugar onde está um Baal Teshuvá (pessoa que se desviou, mas voltou aos caminhos corretos), um Tzadik Gamur (pessoa completamente justa) não pode alcançar". Uma pessoa que foi educada em uma casa onde não se cumpriam as leis da Torá e, apesar das dificuldades, se esforçou e conseguiu começar a cumprir as Mitzvót e a se afastar das transgressões, tem um mérito muito maior do que aquele que foi educado em uma casa religiosa e desde cedo foi educado para cumprir as Mitzvót da Torá.
Quando D'us nos manda dificuldades, não é por maldade. Ao contrário, são as dificuldades que nos dão mais méritos, que fazem nossas conquistas valerem mais. É por isso que os méritos de Avraham são maiores do que os outros patriarcas. Ele foi criado em uma casa onde todos faziam idolatria. Não apenas a sua casa, mas toda a sociedade onde ele vivia era idólatra, e Avraham teve que ir contra todos em sua crença de um único D'us. Ele teve que criar, a partir do nada, uma perspectiva e um modo de vida completamente diferentes. Avraham começou uma nova época na história e mudou o curso de toda a humanidade. Yitzchak teve menos dificuldades, pois nasceu em um mundo onde já existia esta nova perspectiva. Mas explica o Rav Matitiahu Salamon que a dificuldade de Yitzchak foi desenvolver a idéia de que um filho deve seguir fielmente as diretrizes estabelecidas por seu pai. Já Yaakov, ao contrário, não teve que começar uma nova religião nem precisou desenvolver o conceito de seguir os caminhos de seu pai. Ele enfrentou grandes desafios em sua vida, mas sua tarefa foi mais fácil do que seus antepassados. Assim, embora Yaakov tenha sido o maior dos patriarcas, seu mérito foi menor. Portanto, esta Parashá nos ensina a enxergar os problemas e as dificuldades com uma ótica completamente diferente.
Os méritos de Avraham são um grande incentivo para todos aqueles que, apesar de terem nascido em ambientes afastados da Torá, tiveram a coragem de mudar suas vidas. As dificuldades não são poucas, pois muitas vezes a família e os amigos não aceitam e não entendem. Mas herdamos de Avraham os méritos de ir contra a sociedade, de fazer o que é correto apesar das dificuldades. E de acordo com a nossa dificuldade será a nossa recompensa. Por isso, ao invés de reclamar, devemos agradecer a D'us por cada desafio, pois é a oportunidade de transformar uma pedra no caminho em um trampolim para que possamos chegar ainda mais alto.
SHABAT SHALOM
Rav Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Lv 26:3-27:34, Je 16:19-17:14, Mt.21:33-46

sexta-feira, 18 de março de 2011

QUEM PROCURA, ACHA - PURIM 5771 (18 de março de 2011)

"A Sra. Kogan (nome fictício) e sua filha voltavam para São Paulo de avião, após passarem um mês de férias na Bahia. A viagem estava tranqüila, o vôo havia saído no horário, tudo transcorria bem. Até que o avião chegou a São Paulo e, por causa do mau tempo, não conseguiu pousar. As nuvens eram tão espessas que tiravam praticamente toda a visibilidade do piloto. Nestas condições, fazer uma aterrissagem utilizando apenas instrumentos era algo extremamente perigoso, um risco que o piloto preferia não correr. Por isso ele ficou dando voltas em torno do aeroporto, esperando que as condições meteorológicas melhorassem.
Após um longo tempo voando em círculos, o piloto ligou o rádio de comunicação com os passageiros e, inexplicavelmente, deu uma informação que de nada servia aos passageiros a não ser criar no avião uma grande histeria. O piloto informou, em alto e bom tom, que o combustível estava acabando e que o avião tinha autonomia para, no máximo, mais 30 minutos. Os passageiros imediatamente foram tomados pelo pânico. Várias pessoas começaram a chorar e a passar mal. A Sra. Kogan e sua filha também ficaram assustadas e imediatamente começaram a rezar.
Cerca de 5 minutos depois, que para os passageiros pareceram horas, o piloto novamente ligou o rádio de comunicação e informou que as condições meteorológicas haviam melhorado. Havia se formado, de repente, um "buraco" nas nuvens sobre o aeroporto, possibilitando o pouso. Poucos minutos depois o avião estava aterrissado e todos os passageiros estavam sãos e salvos" (História Real)

Temos duas maneiras de olhar esta história. Podemos olhar como se tudo não passou de um grande acaso. As condições meteorológicas desfavoráveis, a infeliz e inconseqüente idéia do piloto de avisar aos passageiros que o combustível estava acabando, o pânico das pessoas (que levou muitas a rezar) e a repentina melhora no tempo, formando um "buraco" sobre o aeroporto.
Porém, há outra maneira de ver a história. Podemos ver que D'us, desde o princípio, estava controlando toda a situação. Foi Ele quem colocou a idéia na cabeça do piloto de fazer um comunicado tão inconseqüente. Para que? Para que as pessoas rezassem e aumentassem seus méritos, possibilitando assim a salvação do avião. É a mesma história, os mesmos acontecimentos, mas com uma ótica completamente diferente. E, certamente, muito mais realista.
 
Portanto, vemos que mesmo os pequenos detalhes aparentemente sem importância do início da Meguilá são parte da salvação do povo judeu quando vistos sob um olhar mais atento. Assim também acontece em nossas vidas, vários acontecimentos "casuais", ao serem vistos sob um olhar mais cuidadoso, revelam a participação Divina em cada pequeno detalhe do nosso cotidiano. A palavra "מקרה" (Mikrê, que em hebraico significa "acaso"), contém as mesmas letras que formam "רק מה'" (Rak Me Hashem, que em hebraico significa "tudo é de D'us"). É um jogo de letras que reflete uma realidade mais profunda: nada neste mundo é um acaso, tudo está sob a Supervisão Divina. Em que nível? Os nossos sábios ensinam que para cada folha de grama há um anjo designado para ficar dando tapinhas e dizendo "cresça". O Rav Eliahu Dessler explica que cada gota de chuva cai do céu já com seu propósito bem definido, se irá irrigar a terra, causar uma inundação ou correr para um bueiro.

A palavra "mundo", em hebraico, é "Olam", e vem da mesma raiz da palavra "Elem", que significa "ocultamento". D'us criou o mundo material e colocou nossas almas dentro de corpos materiais justamente para nos dar livre-arbítrio e, consequentemente, méritos por cada escolha correta. Ele deixou no mundo a possibilidade de vermos cada coisa que nos ocorre como se fossem acasos isolados. O nosso trabalho de conexão com D'us começa com a reflexão, tentando juntar as informações, encontrar sentido em cada coisa que ocorre no nosso dia-a-dia. Isto também vemos na Meguilá, pois quando a rainha Ester soube do decreto contra o povo judeu, ela mandou perguntar a Mordechai "O que está acontecendo e qual o motivo disto estar acontecendo". Ester tinha muito claro que nada acontece por acaso, ela sabia que tudo tem um fundo espiritual. Por isso ela não quis apenas saber o que havia acontecido, pois o principal, para reverter a situação, era saber o motivo pelo qual aquilo tinha acontecido.
Esta é a essência da festa de Purim e a lição que deve nos acompanhar para todo o ano: saber olhar o que está nas entrelinhas da história de nossas vidas. Não apenas em grandes acontecimentos, mas também nas pequenas coisas que ocorrem no nosso cotidiano. Assim poderemos enxergar a mão de D'us em tudo o que ocorre e fugir da tolice de achar que tudo acontece por acaso.
SHABAT SHALOM
Rav Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/search?updated-min=2011-01-01T00%3A00%3A00-02%3A00&updated-max=2012-01-01T00%3A00%3A00-02%3A00&max-results=11

sexta-feira, 4 de março de 2011

Shabat Shalom!

O ERRO DOS OUTROS
Parasha Pekudei 5771
O telefone tocou na farmácia. Era um médico, extremamente irritado e mau-humorado, exigindo saber por que o farmacêutico tinha dado ao seu paciente um medicamento diferente do que ele havia prescrito na receita. O farmacêutico, pego de surpresa, não sabia nem o que dizer, então apenas pediu desculpas pelo erro. Explicou que muitas vezes a famácia ficava muito cheia e todos clientes queriam ser atendidos rapidamente. Nesta situação de stress, talvez ele tivesse realmente cometido algum equívoco.

Mas o médico não quis escutar as explicações do farmacêutico e continuou com um longo discurso a respeito da importância de tomarmos cuidado ao dar um remédio ao paciente e a grande responsabilidade que isto envolve. Deu ao farmacêutico, por alguns minutos, uma grande lição de moral.
Aquela bronca acabou com o dia do farmacêutico, pois ele se sentiu muito culpado. Ele era uma pessoa cuidadosa, algo assim nunca havia acontecido em toda a sua carreira. Como ele havia se descuidado e cometido um erro assim tão grave? Havia colocado em risco a vida de outra pessoa! Começou a procurar a receita do médico em uma grande pilha de prescrições, para tentar entender qual havia sido seu erro. Finalmente encontrou a receita e, para sua surpresa, viu que havia entregue os remédios corretos, exatamente como havia sido prescrito. Foi o médico que tinha cometeu um erro, ele tinha escrito o medicamento errado por engano!
O farmacêutico ficou aliviado. Mas então lembrou-se da lição de moral que havia escutado do médico. Pegou o telefone, ligou para ele e, muito irritado, desabafou por alguns minutos. O médico escutou em silêncio e, no final, apenas disse:
- Ei, calma, não fique tão irritado. Qualquer um pode cometer um erro"
Temos que dar aos outros sempre o benefício da dúvida, pois muitos erros que vemos nos outros podem ser, na verdade, erros nossos.
http://ravefraim.blogspot.com/

sábado, 12 de fevereiro de 2011

COFRE CHEIO NÃO FAZ BARULHO - PARASHÁ TETZAVÊ 5771

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ TETZAVÊ 5771


"O rabino Isroel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, estava viajando com outro famoso rabino em uma importante missão. No caminho os dois pararam em uma estalagem, cuja dona era uma mulher judia temente a D'us, para fazer uma refeição. Os dois rabinos foram acomodados à mesa e tratados com todas as honras.
Após terminarem a refeição, a proprietária foi até a mesa perguntar se eles tinham apreciado a comida. O Chafetz Chaim sorriu educadamente, agradeceu e respondeu que a comida estava muito saborosa. O outro rabino também agradeceu a boa comida, mas acrescentou que a sopa estava sem sal. Quando a proprietária se afastou, o Chafetz Chaim voltou-se para seu acompanhante e, numa voz angustiada, declarou:
- Inacreditável! Durante toda a minha vida tenho evitado falar ou ouvir Lashon Hará (calúnias e maledicências), e agora sou colocado numa situação em que fui obrigado a ouvir você falar Lashon Hará! Arrependo-me profundamente do meu envolvimento nesta missão.
O outro rabino ficou aborrecido com a reação do Chafetz Chaim. Para ele, parecia ser uma observação tão inocente. O Chafetz Chaim começou a explicar-se:
- Você não entende o poder que as palavras possuem. Apenas veja a reação em cadeia que as suas palavras desencadearão. A dona da estalagem provavelmente contrata alguma pobre mulher para cozinhar, talvez seja uma viúva que depende do trabalho para viver. Por causa do seu comentário impensado, a empregada será repreendida por não ter colocado sal suficiente na comida. Ela tentará defender-se dizendo que colocou sal o bastante, o que será uma mentira. Então a patroa a acusará de mentir, pois certamente colocará a sua palavra acima da palavra dela. Isso levará a uma discussão e a proprietária, irritada, despedirá a pobre mulher, que então não terá mais como sustentar a família.
- Veja quantos pecados foram causados por uma observação desastrosa! – continuou o Chafetz Chaim - Você falou Lashon Hará e fez com que eu escutasse; a dona da estalagem repetiu o Lashon Hará; a pobre cozinheira foi obrigada a dizer uma mentira; a patroa causou sofrimento à pobre mulher; suas palavras provocaram uma discussão. Todas estas são graves violações da Torá!
O rabino continuou achando as palavras do Chafetz Chaim um exagero. Então o Chafetz Chaim levantou-se da cadeira, ainda agitado, e puxou o outro rabino até a cozinha. Lá, depararam com um quadro triste: a proprietária estava de pé perante uma senhora idosa, dando-lhe uma grande bronca. A pobre senhora tinha lágrimas correndo pelo rosto. O rabino, abalado, correu para a cozinheira e pediu-lhe perdão por toda a dor que tinha causado. Voltou-se então à proprietária e implorou que ela mantivesse o emprego da senhora. Ele jamais havia pensado que aquilo seria levado tão a sério.
A partir daquele dia ele adquiriu um novo respeito pelo grande poder das palavras.
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