quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Especialistas discutem como alimentar população mundial de 9 bilhões em 2050

Estímulo aos pequenos produtores e combate ao desperdício foram temas tratados em evento em Genebra

O mundo será habitado em 2050 por cerca de 9 bilhões de pessoas, que dependerão de um aumento entre 60 e 90% na produção de alimentos, com seu correspondente impacto no meio ambiente, ou da racionalização de sua produção e consumo.
Este foi o eixo do debate organizado nesta quarta-feira em Genebra pela revista "The Economist", com a participação de políticos, empresários e especialistas, para apresentar propostas e soluções perante a perspectiva de ter que alimentar 9 bilhões de pessoas dentro de 40 anos.
A potencialização dos pequenos produtores, especialmente nos países pobres e em desenvolvimento, a melhora da cadeia de distribuição de alimentos e a luta contra o enorme desperdício de comida foram os assuntos discutidos durante o seminário.
O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, abriu a jornada lembrando que três quartos dos 925 milhões de pessoas que passam fome no mundo vivem em áreas rurais de países pobres e em desenvolvimento, e apostou por melhorar sua capacidade de produção e acesso aos alimentos para reverter esta situação.
Graziano lembrou que hoje em dia a comida à disposição de cada pessoa é 40% superior que em 1945, apesar de a população ter aumentado desde então em 4,5 bilhões de pessoas, algo que não se traduziu em uma divisão equitativa.
"A evidência de nosso fracasso coletivo é que quase 1 bilhão de pessoas estão desnutridas e que mais de 1 bilhão sofrem de sobrepeso ou obesidade", destacou.
De acordo com Graziano, o acesso aos alimentos no âmbito local tem dificuldades para ser melhorado. "Corremos o risco de ter um mundo em 2050 com suficiente comida para todos, mas ainda com milhões de pessoas desnutridas. Muito parecido com o de hoje", disse.
"Inclusive se ampliarmos nossa produção agrícola em 60% (nos próximos 40 anos), a porcentagem de desnutrição nos países em desenvolvimento estará em torno de 4% em 2050, ou seja, haverá 300 milhões de pessoas alimentadas de forma insuficiente", explicou.
O diretor-geral da FAO chamou a atenção também sobre o desperdício de comida, já que atualmente são desperdiçados ou esbanjados um terço dos alimentos produzidos, cerca de 1,3 bilhões de toneladas por ano, principalmente no mundo desenvolvido.
"Se reduzíssemos o esbanjamento e a perda de alimentos em torno de 25%, teríamos comida adicional para 500 milhões de pessoas ao ano sem ter que produzir mais", explicou.
Paul Bulcke, executivo-chefe do gigante alimentício Nestlé, advertiu que além de levar em conta que dentro de 40 anos a população terá aumentado em 2,3 bilhões de pessoas, "estaremos em um mundo mais rico, que vai comer de forma diferente".
Na sua opinião, neste contexto a produção de alimentos terá que ser incrementada entre 70 e 80%, e inclusive poderia ter que chegar a 90%, levando em conta que "nos últimos anos o crescimento do rendimento de produção por hectare foi muito mais lento que o crescimento populacional".
Bulcke, que dirige uma multinacional que emprega direta e indiretamente 25 milhões de pessoas no negócio da alimentação, destacou também a importância sociopolítica do setor, com uma crescente volatilidade dos preços que gerou em datas recentes rebeliões civis e quedas de Governos.
Ele criticou o protecionismo na produção agrícola, fazendo referência aos "bilhões de dólares investidos pelos países ricos para proteger seus produtores, provocando uma grave distorção do mercado internacional".
Bulcke alertou também sobre o impacto dos biocombustíveis no aumento dos preços e sobre um risco associado, o da falta de água, para atender às necessidades futuras: "vamos ficar sem água muito mais rápido que sem petróleo".
O diretor-geral da Organização Mundial o Comércio (OMC), Pascal Lamy, falou sobre a distorção apresentada pelo mercado, com uma excessiva concentração da produção, alguns países produzindo mais de 75% de produtos como o arroz e a soja.
Lamy apontou a África "como a peça que falta no quebra-cabeças alimentício mundial" e como a solução potencial às necessidades de comida no mundo nas próximas décadas, já que se trata do continente com maior quantidade de terra cultiváveis e com menor produção.
O exemplo é o Brasil: "o milagre brasileiro poderia ser reproduzido. Em menos de 30 anos, este país deixou de importar alimentos para ser um dos maiores celeiros do mundo. Nesse mesmo período, a África passou de um exportador a um importador", disse.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,especialistas-discutem-como-alimentar-populacao-mundial-de-9-bilhoes-em-2050,833151,0.htm

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Você sabe quanto custa uma saca de café?

O Estado de S. Paulo

Café especial

Xico Graziano

 

Você sabe quanto custa uma saca de café? Provavelmente, não. No mercado atual, que está
aquecido, paga-se ao redor de R$ 500 por uma saca (60 kg) de grãos secos. Mas o café da
Fazenda Rainha, vendido no leilão eletrônico da Bolsa de Nova York, valeu R$ 5.400,
dez vezes acima do preço  normal. Mágica? Não, qualidade.
Acontece que as 22 sacas oriundas dos cafezais da Fazenda Rainha, situada no município de São
Sebastião da Grama, ali dentro da Mogiana Paulista, venceram o 12.º concurso chamado Cup of
Excellence, promovido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais. Outros produtores
selecionados compuseram 25 lotes de excelente bebida, todos eles arrematados por elevadíssimos
preços no mesmo leilão (18/1).
Um consórcio asiático comprou o lote campeão, entre vários estrangeiros que disputaram no tapa a
primazia de comercializar um café inesquecível. Reconhecer a qualidade e, melhor ainda, pagar
um bom diferencial por ela estimulam os cafeicultores a investir em boas práticas agrícolas.
Custa mais, porém vale a pena.
Não existe segredo, mas, sim, trabalho apurado. Um cafezal somente gera produto de qualidade
especial se for muito bem cuidado, na adubação das plantas, no controle de pragas e doenças,
na colheita do fruto maduro e, por fim, no trato dos grãos durante o processo pós-colheita, seca e
beneficiamento. Esse zelo agronômico, porém, ainda será insuficiente se as condições ambientais
não forem propícias.
Café, para dar excelente bebida, precisa estar plantado em terrenos com elevada altitude, acima de
800 metros, no mínimo. Nas encostas da Serra da Mantiqueira, por exemplo, seja do lado
paulista ou mineiro, os cafezais encontram excelente clima, em que as noites frias são essenciais.
Durante a colheita, normalmente entre julho e outubro, o tempo precisa estar seco, sem chuvas.
Senão o grão de café pode "arder", perdendo sabor.
Comandada por uma mulher, Ana Cecília, a Fazenda Rainha apresenta 280 hectares de cafezais
localizados até a altitude de 1.300 metros. Tem um sistema de gestão ambiental de última linha,
controlando minuciosamente cada gleba de produção, anotando tudo - da tecnologia, do trabalho
humano ou dos fenômenos naturais - como se fosse um diário feminino. Esmero no campo.
Nessas condições, seu café adquire características que os degustadores classificam como
"bebida mole, adocicada, acidez equilibrada, aromas intensos". Parece coisa de enólogo.
Origem certificada, nome próprio, assim os produtores e distribuidores começam a customizar
o apreciador de café, ganhando clientela sofisticada. Caso do Café Orfeu, controlador da
Fazenda Rainha.
O trabalho de marketing baseado na qualidade da bebida começou a mudar o mercado de café no
Brasil a partir de 1989. Nessa época, 67% dos brasileiros pesquisados pela Associação Brasileira da
Indústria do Café (Abic) acreditavam que café bom era exportado, restando aqui dentro a porcaria.
A Abic criou um selo de qualidade e resolveu enfrentar as costumeiras fraudes na composição do café
torrado e moído distribuído no País. Havia de tudo: grãos de café estragados, misturados com casca
ou, pior, acrescidos de palha de arroz. Até areia colocavam no pó de café para aumentar o peso.
Sempre muito adoçada, a bebida tradicional escondia tais mazelas.
O "selo de pureza" da Abic pegou. E os consumidores começaram a ficar mais espertos com a
qualidade do café que adquiriam, conferindo no rótulo da embalagem a etiqueta de garantia.
Nessa mesma época, as modernas máquinas de café expresso começaram a vencer o velho coador nos
botecos da cidade. A disputa do expresso na xícara contra o cafezinho no copo contou com a
ajuda da medicina, que progressivamente desmistificava a fama de que beber café fazia mal à saúde,
dava gastrite. Ao contrário, pesquisadores médicos passaram a recomendar a bebida no combate ao
estresse e até mesmo à depressão humana, graças ao efeito estimulador não apenas da cafeína, mas
também dos polifenóis que contém.
O somatório de fatores positivos resultou, globalmente, no estímulo ao consumo de café, cuja
qualidade melhorou, e muito. O mercado, demandando mais, puxou os preços, estimulando os
produtores rurais com boa remuneração. Criou-se um círculo virtuoso que agrada a todos. Países
que nunca participaram do mundo cafeeiro despertaram para a oportunidade surgida. Assim, o
longínquo Vietnã tornou-se o segundo maior produtor mundial de café. Quem diria!
Robusta é chamada a espécie de café plantada pelos vietnamitas. Poucos sabem, mas existem duas
espécies básicas: o Coffea arabica e o Coffea canephora - este conhecido como café robusta.
A primeira, mais delicada, originou-se na Etiópia; a segunda, mais rústica, surgiu na costa atlântica da
África. O arábica sempre predominou, pois sua bebida é mais expressiva, com paladar marcante.
Já o robusta, embora apresente teor mais elevado de cafeína, oferece uma bebida meio sem graça.
Figurava na segunda linha da cafeicultura mundial.
Tudo mudou, todavia, com a chegada do café expresso. Sabem por quê? É que aquela espuma
da xícara, apreciada pelos consumidores, somente se consegue misturando um pouco do
robusta no pó do arábica, técnica que gera o blend característico das marcas de expresso.
Foi a sorte dos capixabas. No Espírito Santo, os pesquisadores agrícolas investiram, há anos,
na lavoura do café robusta, fazendo-o ganhar produtividade. Dominam hoje esse veio do mercado.
Anda animada a cafeicultura nacional. Investe na qualidade, faz bons negócios e dorme
alimentando um sonho: ver cada chinês tomando uma xícara de café expresso.
Café e agricultores especiais.

*Agrônomo, foi Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Obviedades estratégicas

Se vocês querem algum dia ter no Brasil um movimento conservador vigoroso, apto a conquistar e exercer o poder, comecem por meditar os seguintes pontos:
1) Os grupos que dominam a política, a mídia e o mercado livreiro provêm das universidades e especialmente do movimento estudantil. A elevação dos líderes estudantis às posições de poder leva aproximadamente trinta anos. Quem domina as universidades hoje dominará o país em trinta anos.
2) Dominar as universidades não é um processo espontâneo. É o resultado de um trabalho sistemático de ocupação de espaços, de remoção dos adversários, de interproteção mafiosa e de conquista progressiva dos altos postos, que não rende frutos em menos de uma geração: mais trinta anos, que podem se reduzir a dez porque a conquista da hegemonia universitária e a formação da nova geração de estudantes não são fases estanques, mas fundidas e superpostas.
O tempo necessário para a formação de um movimento político viável é, pois, de quarenta anos aproximadamente. O acerto desse cálculo é ilustrado por exemplos inumeráveis. Data dos anos 60 o início da conquista das universidades da Europa, dos EUA e da América Latina pela "nova esquerda" inspirada na Escola de Frankfurt e naquilo que seus críticos viriam a rotular, sem muita precisão, de "marxismo cultural".
Decorridas quatro décadas, a ideologia do "politicamente correto", do feminismo, do gayzismo, do abortismo, do racialismo e do ódio anti-ocidental e anticristão dominava, e domina até hoje, a política, a mídia e o mercado editorial em toda essa área – um terço da superfície terrestre.
3) O trabalho de conquista, primeiro das universidades, depois do poder em geral, depende de duas condições:
(a) só pode ser empreendido por organizações estáveis e duradouras, capazes de esforço concentrado e sistemático ao longo de pelo menos duas gerações;
(b) exige organizações que estejam firmemente decididas a realizá-lo e que vejam nele a sua obrigação mais essencial e incontornável, ao ponto de sacrificar a ele todos os seus demais interesses políticos, sociais, culturais, financeiros etc.
Em todo o planeta, há quase dois séculos, só se interessaram seriamente por esse objetivo as organizações ligadas ao movimento revolucionário mundial em todas as suas variantes internas (comunismo, nazifascismo, terceiromundismo, "nova esquerda" etc.). Nenhuma outra.
Não estranha que a mentalidade revolucionária, em suas várias versões, incluindo as mais inconscientes de si próprias, tenha se tornado a chave dominante do pensamento político – e até da moralidade pública – em todo o mundo ocidental.
Hoje em dia, uma nova versão do movimento revolucionário – o radicalismo islâmico – está fazendo um sério, bem organizado e bem financiado esforço para conquistar as universidades da Europa e dos Estados Unidos. Se esse esforço for bem sucedido, será impossível evitar a islamização forçada do Ocidente no prazo de uma ou duas gerações.
4) Os grupos conservadores, liberais (no sentido brasileiro), cristãos, judeus sionistas etc. têm-se limitado a opor à hegemonia revolucionária nas universidades o combate intelectual, a "guerra cultural" ou "luta de ideias". Apostam nisso o melhor das suas forças. Mas é estratégia absolutamente impotente, pois o que está em jogo não é realmente nenhuma "luta de ideias" e sim uma luta pela conquista dos meios materiais e sociais de difundir ideias – coisa totalmente diversa.
Você pode provar mil vezes que tem a ideia certa, mas, se o sujeito que tem a ideia errada é o dono das universidades, da mídia e do movimento editorial, o que vai continuar prevalecendo é a ideia errada. Basta ler revistas como New Criterion ou a Salisbury Review para notar que, em comparação com a "esquerda", os conservadores têm hoje uma superioridade intelectual monstruosa. Nem por isso eles mandam no que quer que seja.
Em política, a superioridade intelectual tem apenas um valor instrumental muito relativo. Se você não sabe usá-la para quebrar a autoridade do adversário, para tomar o cargo dele e colocar lá alguém da sua confiança, ela não serve para absolutamente nada.
O movimento revolucionário já entendeu há tempos que "ocupar espaços" não é vencer debates letrados. Concentrando-se na "luta de ideias", recusando-se nobremente a praticar a ocupação de espaços, a infiltração nos postos decisivos e o boicote aos adversários, os conservadores deixam a estes o exercício do poder e se contentam com a satisfação subjetiva de sentir que são mais inteligentes e moralmente melhores.
O senso de solidariedade mafiosa, então, escapa-lhes por completo. Dificilmente um conservador ou liberal chega a reitor, a ministro ou mesmo a diretor de departamento, sem imediatamente rodear-se de auxiliares esquerdistas, só para provar a si próprio (e para grande satisfação do adversário) que seu respeito pelas pessoas está "acima de divergências ideológicas".
Essa boniteza moral é fonte de tantos malefícios políticos que chega a ser criminosa.
5) A luta pela ocupação de espaços pode comportar uma parte de debate político-ideológico, mas tem de ser uma parte bem modesta. O essencial não é vencer as "ideias" do adversário, mas o próprio adversário, pouco importando que seja por meios sem qualquer conteúdo ideológico explícito.
Trata-se de ocupar o seu lugar, e não de provar que ele está do lado errado. Isso se obtém melhor pela desmoralização profissional, pela prova de incompetência ou de corrupção, pela humilhação pública, do que por um respeitoso "debate de ideias" que só faz conferir dignidade intelectual a quem, no mais das vezes, não tem nenhuma.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

É Permitido Sonhar

(Artigo publicado no Jornal do Commercio, Pernambuco, em 02/02/2012)
Por: Leo Vinovezky, Conselheiro Político na Embaixada de Israel no Brasil.
Neste começo de 2012 não quero falar sobre guerras, atentados terroristas e flotilhas. Também não falo sobre as declarações do embaixador iraniano sobre a destruição de Israel.
Hoje falo sobre o MASHAV, a agência de Israel para a cooperação internacional que estendeu seu braço a países amigos. É uma ponte que une culturas e idiossincrasias, com uma visão muito clara: mudar o mundo é possível. Onde há fome e pobreza, que haja a prosperidade e alimentos. Onde há ignorância, que haja educação, conhecimento e sabedoria. Em outras palavras, onde houver desespero pela triste realidade, que haja a esperança de um futuro melhor.
O Mashav nasceu em 1958 pelas mãos de Golda Meir. Milhares de bolsistas de centenas de países já visitaram Israel. Outros milhares receberam em seus países especialistas israelenses dispostos a partilhar experiências e conhecimento.
A cada mês entram em Israel centenas de palestinos para formação nas mais diversas áreas. A Cooperação de Israel com a Autoridade Palestina está focada na capacitação de recursos humanos e no fortalecimento institucional. Anos atrás os profissionais palestinos representaram o maior contingente de participantes em cursos de formação profissional em Israel. Em particular, houve uma cooperação bem sucedida nos domínios da agricultura, meio ambiente e da sociedade civil, com projetos importantes sendo lançados entre os ministérios israelenses e palestinos.
“O Mashav nasceu em 1958
pelas mãos de Golda Meir.
Milhares de bolsistas de
centenas de países já
visitaram Israel em busca
de experiências e conhecimento”.
Como resultado da política civil israelense, que faz distinção entre a população civil e a organização terrorista Hamas, o PIB na Faixa de Gaza cresceu mais de 30% comparado com 2010 e a taxa de desemprego é a menor registrada nos últimos 10 anos.
No campo comercial, durante os primeiros nove meses de 2011, uma média de 4497 caminhões carregados entrou na Faixa de Gaza por mês – um aumento de 96% comparado a 2010. Na área das Exportações, foram realizadas reuniões profissionais, a fim de explicar os mecanismos de exportação e os procedimentos burocráticos da Coordenação e Relação Administrativa. Como consequência, a exportação de produtos agrícolas da faixa de Gaza teve início em novembro de 2011.
Aqui no Brasil, na última década, visitaram Israel centenas de bolsistas nas mais diversas áreas: jornalismo, educação, ciência, tecnologia, governo, saúde, água, agricultura, etc. Acredito que temos "novos embaixadores" de Israel dispersos em todos os estados da União, do Rio Grande do Sul a Roraima. Os bolsistas, ao regrassarem, trazem consigo experiências que são narradas e difundidas sem intermediários. E em Israel aprendemos muito com o que esses brasileiros têm para contar de sua terra maravilhosa: o Brasil.
Em 2009, alguns ex-bolsitas se organizaram e formaram o MASHAV SHALOM - ASSOCIAÇÃO DOS EX-BOLSISTAS DO ESTADO ISRAEL (AEBI-BRASIL). Com sede e foro na Cidade de Brasília, é uma instituição civil, sem fins lucrativos, não governamental e apolítica que tem por objetivo representar no Brasil os ex-bolsistas em cursos do Mashav e outras instituições.
A Embaixada continuará a apoiar cada uma das iniciativas dos amigos brasileiros do Mashav que, ao regressarem, tornam-se verdadeiros embaixadores de Israel. Temos projetos para realizar eventos importantes e significativos para a sociedade ao longo do próximo ano. Comprometo-me a dividir com vocês as diferentes atividades da cooperação internacional israelense nos diferentes países no mundo, em todos os continentes. Ao que parece, mudar o mundo é possível e pode ser mais fácil se o fizermos juntos. Sonhar é o que nos mantém acordados.

FISESP INFORMA - Informativo da Federação Israelita do Estado de São Paulo
Visite o nosso site: www.fisesp.org.br

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

VOCÊ NUNCA ESTÁ SOZINHO – PARASHÁ BESHALACH 5772

"Certa vez o Baal Shem Tov, fundador do Movimento Chassídico, estava viajando em uma carruagem. Quando a carruagem entrou em uma estrada deserta, ele olhou para o lado e viu que havia lindos campos e pomares repletos de suculentas frutas. O cocheiro repentinamente parou a carruagem e disse: - Escute, vou rapidamente entrar em um destes pomares e pegar um pouco destas deliciosas frutas. Mas como são pomares particulares, por favor preste atenção. Se você perceber que alguém está olhando, grite o mais alto que puder para me alertar.
Sem esperar a resposta do Baal Shem Tov, o cocheiro puxou as rédeas do cavalo, desceu do seu assento e saltou a cerca que protegia o pomar. Tinha dado poucos passos quando o Baal Shem Tov gritou com toda sua força:
- Estão olhando, estão olhando!
Imediatamente o cocheiro voltou correndo, sentou-se em seu lugar e partiu em disparada. Então ele olhou para trás e percebeu que não havia ninguém, a estrada continuava completamente deserta. Irritado, ele repreendeu o Baal Shem Tov:
- Por que você mentiu? Não há ninguém olhando!
O Baal Shem Tov apontou para o céu e disse:
- Eu não menti. Estão olhando, estão olhando..."

Ensinam os nossos sábios: "Reflita sobre 3 coisas e você nunca pecará. Saiba o que há acima de você: um Olho que vê, um Ouvido que escuta, e todos os seus atos são anotados em um livro" (Pirkei Avót 2:1).
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Na Parashá desta semana, Beshalach, o povo judeu finalmente saiu do Egito, terminando os 210 anos de escravidão. Mas a tranquilidade durou pouco, pois os egípcios logo se arrependeram de terem libertado seus escravos e partiram em sua perseguição. Apesar de todos os milagres que os judeus haviam presenciado, ao verem que os egípcios os perseguiam com centenas de carros de guerra, temeram muito e gritaram para D'us. Os egípcios viram então uma última demonstração da força e do poder de D'us, quando Ele abriu o Mar Vermelho para que o povo judeu passasse e fechou-o sobre os egípcios, matando de uma só vez todo o exército egípcio. Quando os judeus viram os egípcios mortos, sentiram-se finalmente livres e um sentimento de imensa gratidão subiu em seus corações. Neste momento eles fizeram um cântico de louvor a D'us, chamado "Shirat Haiam" (Cântico do mar).
Há um versículo antes do Shirat Haiam que nos chama a atenção: "E viu Israel a mão grande que D'us infligiu sobre o Egito. E o povo temeu a D'us, e confiou em D'us e em Moshé, Seu servo" (Shemot 14:31). Mas há algo difícil de entender, pois da linguagem do versículo parece que somente agora o povo judeu temeu e confiou em D'us. Há um Midrash (parte da Torá Oral) que é ainda mais explícito: "Até aqui eles não tinham temor a D'us. De agora em diante tiveram temor a D'us". Como podemos entender o versículo e o Midrash? Após ver todas as pragas e milagres que D'us tinha feito no Egito, o povo judeu não tinha temor a D'us? E o que o milagre da abertura do Mar Vermelho teve de tão especial, que não foi enxergado nas 10 pragas do Egito.
Explica o Rav Yossef Dov Soloveitchik, mais conhecido como Beit Halevi, que na verdade existem dois tipos de temor: um temor que vem por medo do castigo e um temor que vem por amor. O temor por medo do castigo vem quando a pessoa vê os castigos que recebem aqueles que cometem maus atos. Este é um nível muito mais baixo de temor, pois até mesmo os animais chegam a este nível, quando desenvolvem o medo de receber um castigo por um mau ato.
Já o temor que vem do amor se compara ao sentimento de uma pessoa que caiu em um rio com uma forte correnteza e foi arrastado pelas águas. Já sem esperanças, em um último esforço, ela estende a mão para fora da água. De repente ela sente uma mão agarrando-a e percebe que um homem, parado na margem, está segurando-a firmemente e puxando-a em sua direção para salvar sua vida. O que esta pessoa que quase se afogou sente? Um misto de medo e gratidão. Por um lado ela sente uma imensa gratidão por aquele homem que está salvando sua vida, mas por outro lado ela sente um grande medo, pois sua vida está nas mãos daquela pessoa. Se ele abrir a mão e soltá-lo, o afogamento é inevitável. Esta sensação, que reúne um misto de temor e amor, é o segundo nível de temor a D'us.
Explica o Beit Halevi que os judeus, quando viram a rigorosidade dos castigos que os egípcios receberam de D'us por todas as maldades que haviam feito, adquiriram o temor por medo do castigo. Eles perceberam que D'us não havia criado o mundo e se ausentado, ao contrário, Ele participava ativamente do cotidiano, controlando tudo o que acontecia com "Hashgachá Pratid" (Supervisão Particular). Eles perceberam que os castigos que recaíram sobre os egípcios não foram apenas como um tapa dado em uma criança malcriada. Cada uma das pragas foi um castigo para vingar, na mesma medida, alguma maldade que os egípcios haviam feito aos judeus. Nenhum detalhe foi esquecido, nenhuma maldade foi deixada de lado, até o último centavo foi pago.
Mas somente quando os judeus atravessaram o Mar Vermelho eles chegaram ao segundo nível de temor, o temor que provém do amor. Parte do mar se congelou, permitindo que eles o atravessassem andando, mesmo nas partes mais profundas. Nas laterais e no teto a água ficou parada, formando túneis pelos quais cada tribo conseguiu atravessar o mar. D'us segurou a água para que ela ficasse parada como uma muralha e não caísse sobre o povo judeu. Neste momento o povo judeu conseguiu se conectar a D'us em um nível que nunca havia experimentado antes. Eles se sentiam seguros sob a proteção Divina mas, ao mesmo tempo, eles temiam muito, pois sabiam que se D'us "soltasse" as águas, eles morreriam afogados imediatamente.
É isso o que o Midrash nos ensina quando diz que até aquele momento o povo judeu não temia a D'us. Apesar deles já terem desenvolvido o medo do castigo, observando as pragas que devastaram o Egito, o nível mais profundo de temor, um temor que vem por amor, eles ainda não haviam desenvolvido até aquele momento. Pois este segundo nível de temor somente é alcançado através de muita reflexão, quando conseguimos perceber que D'us, por um lado, criou o mundo a partir do nada e o mantém a cada instante, mas por outro lado, se Ele deixasse de recriar o mundo por um único instante, tudo voltaria imediatamente para o caos. É D'us quem faz as regras e Ele pode, de acordo com Sua vontade, reescrevê-las quando desejar.
As pessoas que meritam chegar a este nível de temor a D'us vencem o medo de qualquer outra coisa. Quando fica claro para a pessoa que não existe realidade fora a criada por D'us, ela consegue entender que na verdade não existe nenhuma diferença entre o mar e a terra seca. Pois também a terra seca somente existe porque D'us a está recriando a cada instante e, portanto, não há razão para se sentir mais seguro na terra do que na água. Mesmo animais ferozes não são temidos por aqueles que temem a D'us de verdade, pois nenhuma criatura tem força própria, tudo é recriado a cada instante. A força que um leão tinha para causar danos a um ser humano há um segundo não dizem nada sobre a sua força no próximo instante. Portanto, aqueles que chegam a este nível de temor perdem completamente seus medos secundários.
O temor do castigo é algo instintivo, até mesmo os animais podem atingi-lo. Já o temor por amor precisa de trabalho, de esforço, de reflexão. Precisamos trabalhar no coração a certeza de que não existem forças da natureza, tudo é controlado por D'us, tudo é recriado por Ele a cada instante. Somente assim sentiremos a tranquilidade de saber que tudo o que ocorre está somente nas mãos de D'us.
SHABAT SHALOM
R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Ex. 13:17-17:16, Jz. 4:4-5:31
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Aumenta protecionismo brasileiro no comércio exterior

DCI
Fernanda Bompan


As expectativas para a balança comercial brasileira e seu impacto na produção industrial estão a pressionar o governo por adotar medidas de caráter protecionista
Com o déficit de US$ 1,3 bilhão em janeiro, o maior para o mês da série histórica, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) confirmou que uma série de estímulos à exportação brasileira será adotada. Ao mesmo tempo, mais atitudes para conter as importações serão tomadas.
Para especialistas entrevistados pelo DCI, essas medidas para beneficiar os exportadores devem ser mais ligadas à redução de impostos. "Não vejo espaço para mexer no câmbio ou que o governo adote ações mais criativas, como a antecipação dos recebíveis de exportação. Acredito que algum benefício fiscal deve ser tomado", especula Gabriel Charilaos Vlavianos, diretor da EAGroup Brasil, administradora de fundos de investimentos.
Ontem, em mensagem ao Congresso, a presidente da República Dilma Rousseff afirmou que o Brasil vai avançar ainda mais neste ano nas políticas de defesa comercial para coibir a concorrência desleal contra a indústria do País. Desde o final do ano passado, o governo adotou medidas que visa favorecer o crescimento econômico, tal como o aumento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados.
E, agora, há uma expectativa de que após a volta da presidente Dilma e dos ministros do Mdic, Fernando Pimentel, e das Relações Internacionais, Antônio Patriota, um acordo entre Brasil e México possa ser rompido, a fazer com que carros importados passem a valer 35% a mais em imposto ao entrar no País.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), disse, por meio de nota, que considera importante a manutenção do Acordo de Comércio Automotivo Brasil-México por sua relevância como fator de integração comercial e de fomento do comércio bilateral.
"A Anfavea entende que acordos internacionais de comércio são dinâmicos e podem ser atualizados, ampliados e ou ajustados em sua abrangência e condições. E defende ainda a celebração de novos acordos de comércio e preferências tarifárias, como instrumento indutor e promotor do comércio exterior brasileiro e como fator de estabilidade e de competitividade das relações de trocas ", avaliou no comunicado.
Segundo a associação, o comércio automotivo de veículos e peças Brasil-México, no valor de US$ 4,3 bilhões em 2011, representa 47% do fluxo comercial entre os dois países. Entre 2000 e 2011 as exportações de veículos e peças para o México totalizaram US$ 21,2 bilhões e as importações, US$ 8,7 bilhões.
Pelos dados do Mdic, as importações de automóveis mexicanos cresceram 40% em 2011, ao somar R$ 2 bilhões, e resultaram em um déficit de US$ 1,7 bilhão na balança comercial.
Para Vlavianos, ações como o aumento de impostos são formas de atrair a instalação de fabricantes estrangeiras no País, e com isso, trazer mais tecnologia. Intenção essa que já surte resultados, já que, segundo ele, a JAC Motors mostrou interesse em abrir fábricas no Brasil. "O governo, de fato está preocupado com a situação da balança comercial. Por isso, é possível que continue a fazer medidas mais paliativas", diz o diretor da EAGroup.
Contudo, recentemente um grupo de sete governos - Austrália, União Europeia, Estados Unidos, Hong Kong, Coreia, Japão e Colômbia - atacou na Organização Mundial do Comércio (OMC) as barreiras adotadas pelo Brasil no setor automobilístico, acusando de serem "inconsistentes" com as regras internacionais.
Em resposta, o governo brasileiro insistiu que estava sendo transparente em relação às medidas. Mas sabe-se que alguns países consultaram suas empresas para saber se há interesse da abertura de uma disputa.

Protecionismo
Ao divulgar o resultado da balança comercial de janeiro, a secretária de comércio exterior do Mdic, Tatiana Prazeres, previu que o ano será complicado para o País. Segundo ela, as importações estão avançando muito além das exportações. Dados do varejo confirmam que a tendência é de que a compra de produtos estrangeiros deve continuar forte, a se acompanhada pela depreciação da moeda norte-americana, que fechou ontem a R$ 1,7220 por dólar, com recuo de 0,63%.
O diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABPT), Wilen Manteli, entende que o Brasil tem direito a se defender das disputas internacionais. "O que não pode é ter um protecionismo que beneficie a ineficiência", diz. A opinião é endossada por Vlavianos.
De acordo com Manteli, não adianta proteger o comércio exterior brasileiro, sem resolver os gargalos internos. "A carga tributária ainda é muito alta no País, o que prejudica o setor privado como um todo, inclusive os exportadores. Além de que a logística do País ainda é deficitária. Há avanços no setor portuário, por exemplo, mas o acesso a ele [transporte] é complicado", analisa o especialista.


COMENTO:
Este governo é de uma incompetência absurda.
Protecionismo? Para começar, vai proteger o quê? A indústria brasileira está por um fio.
Não há estrutura seja rodoviária, de portos ou de aeroportos. A carga tributária é um horror. Tenho certeza absoluta que se houvesse menos burocracia e mais incentivos conseguiríamos ao menos sobreviver. Mas como concorrer com a China, este gigante que tem mão-de-obra barata, baixos impostos e o câmbio a seu favor?
O mais interessante é que a única coisa que ainda resiste e segura a balança comercial brasileira é o agronegócio. Seria muito bom que as pessoas tivessem conhecimento disto. Pois até com isto os ambientalistas querem acabar: com a produção de alimentos.
O Novo Código Florestal já está em pauta novamente. Aguardemos e veremos.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A arma

Veríssimo
O Estado de S.Paulo

Nessa discussão sobre baixarias na TV e a má qualidade generalizada do que vai ao ar, ninguém se lembra que toda casa brasileira - pelo menos toda casa brasileira com TV - tem uma arma eficaz de autodefesa. É uma arma poderosa. Com ela se cala a boca do político embromador e do apresentador gritão, se elimina o programa que choca ou desagrada e o troca por outro, se chega até, em casos extremos, a cortar a força do aparelho ofensivo e silenciá-lo, para sempre ou por algum tempo, para aprender. E tudo isto sem sair da poltrona.
O nome da arma é Controle Remoto. É movida a pilhas e cabe na palma da mão. Não é uma invenção muito antiga. (Sim, crianças, houve um tempo em que para ligar e desligar a TV ou mudar de canal você precisava sair do sofá e ir até lá. Inconcebível, eu sei.) Mas minha neta começou a usar o controle remoto antes de começar a andar, e pelo menos duas gerações se criaram usando-o sem se dar conta da mágica que tinham nas mãos. O poder de mover as coisas a distância e comandar o mundo sem precisar sair do lugar é uma ambição humana desde as primeiras bruxas, mas as gerações que se criaram com ele usam o CR com a inconsciência de um cachorro brincando com uma bola de césio.
Se não se dão conta do seu poder mágico, muito menos se dão conta de que o CR é uma arma. Porque o CR também representa essa outra coisa potente que temos para nos defender das agressões da TV: o livre-arbítrio. A capacidade de decidir por nós mesmos. De procurar uma alternativa, outro canal, ou o silêncio. Em vez de dizer "isto deveria ser proibido" e incentivar, indiretamente, a censura, e negar o direito dos outros de gostarem de porcaria, deveríamos exercer, soberanamente, a liberdade de escolha do nosso dedão.
Tatuagem. Já que falei na neta: ela gosta de me tatuar. Fica rabiscando meu braço com uma caneta e descrevendo o que está desenhando. "Uma bailarina... Um copo... Um foguete..." Todos os rabiscos são iguais. Só ela vê a bailarina, o copo, o foguete. E eu também, claro.
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-arma-,830343,0.htm