quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Brasil e EUA com agenda agrícola comum podem alimentar 7 bilhões de pessoas, diz senadora Kátia Abreu na Columbia University

Canal do Produtor

Assessoria de Comunicação CNA

 

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu,
disse que, apesar da população mundial ter chegado a 7 bilhões de pessoas essa semana e isso
trazer uma série de preocupações ligadas à alimentação e ao meio ambiente no mundo, não há
porque não celebrar o crescimento populacional. “As preocupações procedem, e até 2050
acredita-se que se chegará a 9 bilhões de pessoas no mundo, porém muitas alternativas serão
desenvolvidas para resolver o problema alimentar e ambiental”, afirmou a senadora Kátia
Abreu na noite desta terça-feira (1/11), em palestra na Universidade de Columbia,
em Nova York, nos Estados Unidos.
Como um exemplo de solução prática para esse problema, a presidente da CNA
citou os dois maiores produtores mundiais de alimentos, o Brasil e os Estados Unidos,
que podem aumentar radicalmente a sua produção alimentar apenas investindo em tecnologia,
sem novos desmatamentos em um primeiro momento. “O Brasil, 45 anos atrás, era um grande
importador de comida. Importava carne da Austrália, leite da Europa, arroz das Filipinas e
feijão do México, por exemplo. Até que, nos anos 70, o governo decidiu virar auto-suficiente.
Em cinco anos, na época, o Brasil passou de importador para exportador, simplesmente
investindo em pesquisa e inovação. É possível fazer uma revolução tão grande quanto aquela
agora, com o uso da tecnologia”, explicou a senadora Kátia Abreu.
Além disso, na década de 1970, a família média brasileira gastava cerca de 40%
da renda familiar em alimentos. Atualmente, esse valor não passa de 16%.
A produção alimentar ficou muito mais eficiente e sustentável, mas pode melhorar ainda mais.
Hoje, a agropecuária no Brasil representa 22,4% do Produto Interno Bruno (PIB)
nacional e 37% dos empregos formais no país. A presidente da CNA também
lembrou que o setor é responsável por 37,9% das exportações brasileiras. “Isso é tudo muito
positivo, mas é importante frisar que 70% da produção agropecuária brasileira ficam nas
mesas das famílias brasileiras, apenas 30% da produção vira exportação”, disse a
senadora Kátia Abreu.
Em relação ao meio ambiente, a presidente da CNA afirmou que é muito importante
discutir e desenvolver formas cada vez mais sustentáveis de produzir mais, porém
com embasamento científico e sem ‘ambientalismo ideológico’. “Nós, agricultores,
estamos muito interessados nesse tema, até porque dependemos do ambiente
para a nossa atividade econômica. Quer dizer, sem água, com terreno degradado,
com animais doentes, não há produção. Mas é preciso falar em sustentabilidade
econômica também”, explicou.
A senadora Kátia Abreu também respondeu às perguntas dos estudantes da Universidade de
Columbia sobre reforma agrária, o novo Código Florestal e a preservação de plantas
exóticas nos biomas brasileiros Um dos pontos mais defendidos pela presidente da CNA
foi o combate às subvenções agrícolas nocivas, que criam preços artificiais no comércio
agropecuário internacional e causam danos aos países em desenvolvimento. “A produção
do açúcar de beterraba na Europa, assim como do milho e do algodão subsidiados nos EUA,
faz com que países na África e da América Latina continuem pobres, porque os países ricos
competem de forma desleal”, afirmou a senadora, durante palestra a convite do Institute of
Latin American Studies (ILAS) e pelo Center for Brazilian Studies, cujos trabalhos são
direcionados à pesquisa, ensino e debates relacionados a assuntos da América Latina.
Nesta quarta-feira pela manhã, a senadora Kátia Abreu participará de um debate
com banqueiros, diplomatas e investidores interessados nas oportunidades do agrobusiness
brasileiro, na Câmara de Comércio Brasil América. Durante a tarde, a comitiva liderada
pela presidente da CNA se deslocará para Washington, onde voltará a discutir com
representantes do Congresso Americano sobre o combate às subvenções agrícolas nocivas.

 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Culpe a Revolução Sexual, não os homens

Escrito por Mona Charen


A capacidade dos homens em insistir na promiscuidade reside completamente na cooperação feminina.
Kate Bolick encara o mundo da capa da revista The Atlantic. Usa um vestido de noite, preto e de mangas. "O que, casar, eu?" pergunta a manchete. Ela não está sorrindo.
De fato, ela não está sorrindo em nenhuma das fotos que acompanham seu longo ensaio sobre solteirice, casamento e a mudança da natureza do namoro e da união na América de hoje. Bolick, 38, está tentando aceitar a ideia de que ela poderá nunca se casar. Ela quer muito convencer a si mesma - e a nós - que velhas idéias sobre solteironas "infelizes" são uma bagagem cultural inconveniente que deve ser jogada fora. E ainda há fotos glamurosas -- Bolick atrás da roda em um atraente vestido vermelho; Bolick em um vestido de gala dourado segurando uma taça de champanhe; Bolick em um elegante vestido preto – mas suas expressões variam de pensativa a triste – nunca feliz.
Bolick parece sinceramente confusa sobre casamento. Filha de uma militante feminista, ela entrou no ensino superior “em blusinhas cavadas verdes ou azuis com a frase: “UMA MULHER SEM UM HOMEM É COMO UM PEIXE SEM UMA BICICLETA.” Ela lembra que quando estava trocando carinhos com seu namorado do colegial no banco de trás do carro da família, sua mãe se virou e perguntou: “Já não é hora de vocês começarem a ver outras pessoas?” Bolick tomou por certo, ela escreve, “que [eu] casaria, e que sempre haveria homens com os quais [eu] gostaria de casar.”
Ela estava tão certa de sua disponibilidade ilimitada de oportunidades românticas que, aos 28 anos, rompeu com um namorado maravilhoso. Eles estavam juntos havia três anos. Ele era “uma pessoa excepcional, inteligente, bem-apessoado, leal, carinhoso.” Por que ela o descartou? “Faltava alguma coisa.”
Dez anos depois, ela escreve de um jeito (não totalmente) pesaroso: “Se namorar e casar são de fato um mercado [...] hoje estamos enfrentando um novo ‘gap de namoro’, onde mulheres voltadas para o casamento se confrontam cada vez mais tanto com molengas quanto com aventureiros.”
Há um dado interessante de grande importância nessa afirmação. De acordo com o Pew Research Center, 44% dos nascidos na geração do milênio e 43% da chamada Geração X pensam que o casamento está se tornando obsoleto. Em 2010, as mulheres ocupavam 51,4% de todas as posições profissionais e gerenciais, comparado com 26% em 1980. Grande parte dos bacharéis e mestres são mulheres, e elas formam a maioria na força de trabalho. Três quartos dos empregos perdidos durante a recessão pertenciam a homens. “Um estudo recente encontrou um aumento de 40% no número de homens que têm menor estatura que suas esposas.” Metade da população adulta é solteira, comparada com 33% em 1950.
Mas essas informações, ainda que interessantes, lançam apenas um olhar oblíquo sobre o problema do declínio de homens casáveis. Bolick chega perto da verdade em sua discussão sobre o sexo.
“O começo dos anos 1990”, ela escreve, “testemunhou o alvorecer da ‘cultura da paquera’ em universidades, enquanto as faculdades pararam de atuar in loco parentis [na verdade, eles abdicaram desse papel nos anos 1970] e graduandos [...] começaram a se lançar em um frenesi de sexo casual.” Algumas jovens, ela afirma, sentiram-se “compelidas a uma promiscuidade pela qual não pediram”, enquanto os rapazes “estavam mais felizes do que nunca”.
De acordo com o economista Robert H. Frank, “quando mulheres disponíveis são significativamente mais numerosas que homens [...] o comportamento de corte muda para a direção que os homens querem.” E vice-versa. Se há falta de mulheres, as mulheres têm o poder de exigir o que elas querem – o que tende à (surpresa!) monogamia. Em campi universitários, as mulheres são maioria -- 57%, contra 43% de homens.
Mas a análise econômica só chega até aqui. A capacidade dos homens em insistir na promiscuidade reside completamente na cooperação feminina. E as mulheres têm sido cúmplices tolas por décadas.
Elas conspiraram para sua própria perda de poder não porque adoram sua liberdade sexual (ainda que algumas o façam), mas porque pessoas como Gloriam Steinem e a mãe da Srta. Bolick convenceram-nas de que a antiga moral sexual, junto com casamento e crianças, era opressiva às mulheres.
O conseqüente declínio do casamento tem sido um desastre para as crianças, uma grande frustração para as solteiras relutantes, e prejudicial para homens solteiros, que estão menos felizes, vivem menos e são mais pobres que homens casados. A revolução sexual deixou um rastro de destruição em seu despertar, mesmo quando as vítimas não reconhecem seu algoz.
Mona Charen é colunista do National Review Online.
Tradução: Felipe de Oliveira Azevedo Melo, editor do blog da Juventude Conservadora da UNB.
http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/12538-culpe-a-revolucao-sexual-nao-os-homens.html#.TrG-wvw08wE.twitter

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fantasma da fome

O Estado de S. Paulo

Xico Graziano

Segundo as contas da ONU, o mundo acaba de completar 7 bilhões de habitantes. "Hoje à noite precisamos abrir espaço para 219 mil pessoas na mesa do jantar". Curiosa e dramática, a frase de Lester Brown instiga o pensamento. Haverá comida para tanta gente?
A população humana atingiu seu primeiro bilhão em 1800. Naquela época Thomas Malthus fez uma das previsões mais famosas da História, afirmando que a população humana crescia em progressão geométrica enquanto a produção de alimentos aumentava em progressão aritmética. A tragédia da fome aproximava-se.
Demorou 130 anos para dobrar a população humana. E, ao contrário do que se previra, a produção agrícola, impulsionada pela tecnologia, deu conta do recado. A expansão das áreas cultivadas e o aumento da produtividade por hectare afastou o temor do colapso alimentar. Somado aos extraordinários avanços na medicina, que favoreceram a saúde pública, o estouro demográfico na Terra acelerou-se. Em 1960 já éramos 3 bilhões de almas.
Os neomalthusianos se eriçaram. O intenso crescimento populacional no chamado Terceiro Mundo levaria à catástrofe famélica. Novamente, porém, a agronomia ajudou a derrotar o pessimismo, graças à força produtiva do pacote tecnológico, assentado em quatro pilares: melhoramento genético, mecanização, irrigação e quimificação (fertilizantes e defensivos). Em 1970, o Nobel da Paz laureou o agrônomo norte-americano Norman Borlaug, pai da Revolução Verde.
Nos últimos 40 anos a produção rural saltou 150%, ante metade disso na população. O processo da Revolução Verde deixou claro que a fome, persistente em várias regiões do mundo, não se deve às deficiências da produção, mas, sim, às dificuldades de sua distribuição na sociedade. Quer dizer, uma culpa das desigualdades na renda. Sem dinheiro no bolso falta comida na mesa. Malthus parecia esquecido definitivamente.
Ledo engano. Um temor pela escassez varre o mundo. Mesmo atenuado pela queda da natalidade, o crescimento populacional está recebendo a contribuição de novos fenômenos para pressionar a demanda alimentar. Trata-se dos ganhos de renda da população nos países em desenvolvimento, em sintonia com a urbanização, verificada na Ásia, especialmente.
Nesse contexto, a Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que até 2050 a produção de alimentos - grãos e carnes - precisará crescer entre 70% e 100% para atender à procura das famílias. Não ocorrendo, haverá tendência global a majorar o preço médio dos alimentos, afetando imensos contingentes populacionais. O fantasma da fome ronda perigosamente a civilização.
O raciocínio antigo, viciado e simplista, logo pensa: bobagem, esse assunto já se resolveu antes. Há coisas mais relevantes para preocupar a humanidade, como, por exemplo, a devastação ambiental. Aqui, sim, o panorama futuro surge assustador.
Confesso que ando meio desorientado, refletindo sobre essa matéria. Não sou o único. A ameaça da fome coletiva, que angustia os estudiosos há séculos, parece retomar uma espiral ascendente. Desta vez, porém, vestiu uma nova complexidade. É como se a ecologia estivesse elevando ao quadrado o problema resolvido até então pela agronomia. Explico-me.
A gradativa tomada de consciência pública sobre os problemas ambientais estipula limites crescentes à expansão da agropecuária. A sociedade não tolera mais o desmatamento. Antigamente a ocupação do oeste norte-americano ou a mais recente derrubada da mata atlântica eram sinônimos de progresso. Agora representam uma tragédia contra a biodiversidade.
Basta ver, por aqui, a polêmica sobre o Código Florestal. Certos ambientalistas combatem radicalmente as mudanças propostas, recebendo enorme respaldo de mídia. Venerado na velha sociedade, o ruralismo periga transformar-se em palavrão. Os esverdeados tempos modernos azucrinam a agricultura.
Existem, ademais, limitações físicas à expansão dos cultivos. Nos EUA, na Europa, na Austrália, no Oriente Médio e na China as terras aráveis encontram-se totalmente ocupadas. Sofrem, ao contrário, prejuízos trazidos pela desertificação de territórios e pelo rebaixamento de lençóis freáticos. Encolhendo a irrigação, cai junto a produção.
Grosso modo, o homem apropriou-se produtivamente de dois terços da Terra. No terço restante localizam-se a Amazônia, as savanas africanas, as florestas asiáticas, as tundras geladas, áreas preservadas. Explorar tais espaços em nome da segurança alimentar vai dar encrenca, agravando a crise ecológica.
O preocupante cenário indica que entre preservar e produzir é preciso fazer as duas coisas. Só que ninguém sabe direito como. Alguns vislumbram que os produtos transgênicos venham a ser a solução do dilema, elevando a produtividade das áreas já exploradas. Aos ambientalistas soa como uma ironia da História.
Tudo anda contraditório. O aquecimento global, por um lado, compromete a produção tropical de alimentos e, por outro, vai liberar terras geladas para o plantio. O confinamento de animais dispensa pastagens, mas exige rações processadas com grãos, cujo cultivo aumenta. Energia renovável da biomassa pode roubar terra do alimento.
Engana-se redondamente quem pensa ser fácil vencer o moderno desafio da fome. Há quem sugira a dieta vegetariana obrigatória - falta convencer quem começou agora a comer picanha. Combater o desperdício - incluindo a gula da obesidade. Ingerir proteicos insetos - basta esquecer o nojo. Soluções ousadas, não impossíveis.
O caminho da sabedoria passa pela humildade. Se vencer a arrogância típica da humanidade, enterra Malthus de vez. Senão virá a crise.

Xico Graziano, agrônomo, foi secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Para comemorar o aniversário de Drummond (31/10/1902), um dos meus poetas prediletos.

http://www.astormentas.com/drummond.htm

domingo, 30 de outubro de 2011

Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida será realizado no Brasil no começo de novembro

Steve Jalsevac

26 de outubro de 2011 (Notícias Pró-Família) — [A organização pró-vida] Vida Humana Internacional (VHI) estará realizando uma conferencia de quatro dias no Brasil sobre a batalha internacional a favor dos valores da vida e família de 3 de novembro a 6 de novembro no Monastério de São Bento em São Paulo.
O Segundo Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida apresentará palestrantes do Brasil, Estados Unidos, Itália, Argentina, Equador e México, e cobrirá temas desde o aborto e ideologia de gênero até a descristianização do Ocidente e o advento de um “inverno demográfico”.
O congresso apresentará tais palestrantes como Dom João Carlos Petrini, presidente da Comissão Episcopal Pastoral sobre Vida e Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), assim como o Pe. Shenan Boquet, o novo presidente de VHI.
Outros palestrantes incluirão o famoso ativista pró-vida brasileiro Pe. Lodi da Cruz, que falará sobre a questão do aborto, Raymond da Souza de VHI sobre descristianização, o Pe. Paulo Ricardo sobre marxismo cultural, Piero Tozzi do Fundo de Defesa Aliança sobre o alegado “direito” ao aborto nas leis internacionais e Matthew Cullinan Hoffman de LifeSiteNews, o qual falará sobre as metas, métodos e histórico do movimento homossexual.
O congresso será transmitido ao vivo pela internet desde o Monastério de São Bento, um dos mais importantes tesouros arquitetônicos de São Paulo. Para mais informações, visite o site: http://congressoprovida.com.br/
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/international-congress-for-truth-and-life-to-be-held-in-brazil-in-early-nov

sábado, 29 de outubro de 2011

Amar:

Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro.

Mário Quintana

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

MILAGRE OU NATUREZA? - PARASHÁ NOACH 5772

"O pequeno Yacov, de apenas 6 anos de idade, voltou para casa mais agitado do que o normal. Seu pai então perguntou o que ele havia aprendido na escola. Ele respondeu que, como a festa de Pessach estava se aproximando, o professor havia ensinado todos os detalhes da saída do povo judeu do Egito. O pai ficou interessado em escutar o que ele havia aprendido e o pequeno Yacov começou a contar:
- Moshé queria tirar o povo judeu do Egito, mas o exército egípcio era uma grande ameaça. Foi então que a força aérea israelense apareceu, com centenas de caças F-16, e bombardeou o Egito. Os egípcios ainda tentaram impedir a saída dos judeus, mas eles foram facilmente derrotados pela artilharia. Durante o trajeto no deserto, helicópteros Apache israelenses voavam na frente, eliminando todos os perigos e iluminando o caminho de noite. Quando eles se aproximaram do Mar Vermelho, não era possível atravessar. Então navios de guerra israelenses deram cobertura para que robôs comandados por controle remoto construíssem uma ponte metálica, possibilitando que todo o povo judeu atravessasse. Quando os egípcios foram atravessar, submarinos nucleares israelenses explodiram a ponte, afogando todo o exército egípcio.
O pai escutou calado todo o relato do filho, sem piscar os olhos, em estado de choque. Respirando fundo, ele perguntou, incrédulo:
- É isso que estão te ensinando na escola?
O garoto abriu um sorriso e confessou ao pai.
- Olha, pai, na verdade eu inventei tudo isso, pois se eu tivesse contado a verdade, com todos os milagres que aconteceram na saída do Egito, certamente você não teria acreditado!"
Infelizmente para muitas pessoas é mais fácil acreditar em acasos da natureza e outros tipos de explicação científica do que enxergar, em cada evento que acontece, a mão de D'us.
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Nesta semana lemos a Parashá Noach, que traz dois eventos que mudaram os rumos da humanidade. A Parashá começa descrevendo o dilúvio que destruiu o mundo inteiro. Dentre todos os humanos, apenas Noach (Noé) e sua família foram salvos em uma arca que eles mesmos construíram sob o comando de D'us. Em seguida a Parashá descreve a construção da Torre de Babel, como está escrito "Venham, vamos construir para nós uma cidade e uma torre com seu topo nos céus, e façamos um nome para nós, para que não sejamos dispersados por toda a Terra" (Bereshit 11:4). D'us, vendo que a construção era feita com más intenções, destruiu o plano misturando todas as línguas, de maneira que as pessoas não podiam mais se comunicar.
Refletindo um pouco sobre a construção da Torre de Babel, surgem algumas perguntas: em primeiro lugar, aparentemente não há nada de errado em construir uma torre alta. Então qual foi exatamente o erro que aquela geração cometeu? Além disso, por que a Torá juntou os eventos da Arca de Noach e a Torre de Babel, se eles ocorreram com uma diferença de 340 anos? E finalmente, sabemos que a Torá não é apenas um livro de histórias. Que mensagem eterna a Torá nos ensina com o episódio da Torre de Babel?
Há um Midrash muito interessante que nos ensina qual foi o fim da Torre de Babel: um terço foi completamente queimado, um terço afundou na terra e um terço continua intacto, e é tão alto que as palmeiras vistas lá de cima parecem gafanhotos. O que este Midrash significa? Será que deve ser entendido de forma literal? Onde está este terço que não foi destruído?
Ensinam os nossos sábios que há uma grave proibição de não acreditar em um Midrash por ele parecer "fantasioso" demais, pois D'us tem poder ilimitado e pode fazer o que desejar. Porém, temos a transmissão oral dos nossos sábios de que alguns Midrashim não devem ser entendidos literalmente. Eles são como mensagens codificadas, transmitindo algo mais profundo.
Há outro Midrash que nos ajuda a "decodificar" a mensagem sobre a destruição da Torre de Babel. O Midrash traz três diferentes opiniões sobre o motivo que levou as pessoas a quererem construir a Torre de Babel. De acordo com a primeira opinião, a construção da Torre era para estabelecer uma nova ordem mundial, um governo universal para toda a humanidade. De acordo com a segunda opinião, as pessoas construíram a Torre para chegar aos céus e lutar contra D'us. Há ainda uma terceira opinião na qual a construção seria para evitar um novo dilúvio. As pessoas pensavam que dilúvios eram fenômenos naturais cíclicos, causados por aberturas no céu, e por isso quiseram construir uma estrutura que chegasse até o céu e o sustentasse, impedindo a queda das águas.
Explica o Rav Yssocher Frand que estas três opiniões representam, na verdade, três diferentes filosofias. E é esta a explicação do Midrash sobre o fim da Torre de Babel: cada uma das três partes da Torre representa o que aconteceu, no decorrer da história, com cada uma destas três filosofias.
A filosofia de lutar contra D'us foi completamente queimada e destruída, isto é, foi erradicada do mundo. Mesmo grandes monstros como Saddam Hussein e Muamar Kaddafi assassinavam e roubavam, mas sempre em nome de D'us. Eles desafiaram o mundo afirmando que D'us estava do lado deles. Apesar de ser uma forma de enganar a si mesmos, eles demonstraram que atualmente, mesmo nos governos mais corruptos e perversos, não há uma luta contra D'us.
A filosofia de criar uma nova ordem mundial apenas afundou na terra, isto é, não desapareceu completamente. De tempos em tempos esta filosofia coloca sua cabeça para fora da terra e ressurge. Por exemplo, após a Primeira Guerra Mundial foi criada a "Liga das Nações", uma tentativa de criar um governo único e universal, mas que durou poucos anos e terminou no final da Segunda Guerra Mundial. Depois disso foi criada a "Organização das Nações Unidas", que cada vez mais demonstra ser uma instituição falida e corrupta. D'us nos garantiu que a união de todos os povos sob um único governo somente acontecerá após a vinda do Mashiach. Qualquer tentativa, antes do momento certo, pode funcionar por um tempo limitado, porém não trará frutos duradouros.
Mas a terceira filosofia, de atribuir tudo o que ocorre ao acaso e às forças da natureza, permanece firme até os dias de hoje. Durante 120 anos Noach avisou as pessoas sobre o dilúvio, mas as pessoas o ridicularizaram. Finalmente o dilúvio veio, exatamente conforme Noach havia profetizado. As pessoas deveriam ter aprendido a lição. As pessoas deveriam ter aproveitado a oportunidade de enxergar a mão de D'us, de ver um milagre aberto. Mas o que a geração da Torre de Babel fez, poucos séculos depois? Tentou construir um apoio para os céus. Enxergou tudo como sendo um fenômeno da natureza. Ao invés de aprender alguma lição espiritual para corrigir seus erros, procuraram explicações científicas.
E o que nos ensina o final do Midrash, ao dizer que a parte remanescente de torre é tão alta que lá de cima mesmo as grandes palmeiras se parecem com minúsculos gafanhotos? O Midrash ressalta o nível de cegueira das pessoas que querem se enganar. Mesmo quando D'us faz milagres incríveis, grandes como as altas palmeiras, eles são minimizados como se fossem míseros gafanhotos por aqueles que não querem enxergar.
Um exemplo aconteceu há 20 anos. Em 1991, Israel foi atacado por Saddam Hussein, durante a Guerra do Golfo, com 39 mísseis "Scud". Apesar de serem mísseis com elevado poder de destruição, eles causaram apenas 3 mortes. Dos 39 mísseis que caíram, 3 destruíram filiais da "Super Farm", uma grande rede de drogarias cujo slogan era "Funcionamos inclusive no Shabat". A "coincidência" foi tanta que os jornais locais divulgaram a seguinte manchete: "O que Saddam Hussein tem contra a Super Farm?". O número 39 é exatamente a quantidade de trabalhos criativos proibidos no Shabat. Difícil ser coincidência, não? Mas quando muitos israelenses foram questionados sobre o milagre de não ter ocorrido uma gigantesca tragédia, a maioria respondeu: "demos muita sorte, né? Os mísseis caíram no lugar certo".
Podemos ver nos nossos dias o quanto esta filosofia ainda é forte, levando muitos a perder a mensagem principal. Quando recentemente o Japão foi atingido por uma série de terremotos, Tsunamis e explosões nas usinas nucleares, tudo o que os jornais noticiaram foram as movimentações das placas tectônicas que causaram tremores de terra, como se tudo tivesse sido um grande acaso. Que lições aprendemos sobre o Japão? O que mudamos depois desta tragédia? Nada, pois se são apenas fenômenos da natureza, o que há para aprender e mudar?
Por que as pessoas procuram tanto explicações científicas ou naturais para as catástrofes? Pois é mais cômodo do que se perguntar "o que eu tenha a ver com isso?". É mais fácil acreditar no acaso do que assumir um erro. Mas fechar os olhos não faz o problema sumir. Procurar soluções na ciência e construir torres não evita dilúvios e não muda decretos espirituais. Mas Teshuvá (arrependimento), Tefilá (reza) e Tzedaká (caridade) podem mudar o curso do mundo. Somente quando aprendermos com as tragédias, assumindo nossos erros e os corrigindo, poderemos nos alegrar com o fim das tragédias "naturais".
SHABAT SHALOM
R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Gn.6:9-11:32, Is 66:1-24, 23; 1Pe 2:4-10 (Shabat/Rosh Chodesh)