quarta-feira, 6 de julho de 2011

The Queen!

Esta é a peça rara que nos conquistou e tomou conta de todos. Rodinha, da raça Rhodia, que definitivamente não aceita ser galinha. Come com os gatos (o que geralmente dá problema...) e dorme com os cães. Bota muuitos ovos, mas vai com certeza absoluta, morrer de velhice, porque esta é uma amiga que conversa com a gente (co coooó...) e gosta de um cafuné. É um tanto escandalosa, nos acorda muito cedo mas já faz parte da família!
Estes posts representam bem uma vida simples, quando nos divertimos com coisas inimagináveis no mundo moderno e que fazem tudo ter graça e nos preenche a cada dia!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Que fofura!



A chocadeira está a pleno vapor! Estes pintinhos são tão fofinhos! Espero que cresçam logo porque estamos investindo muito neles. Não podemos dar nomes e fazer amizades. Senão, acabou.
A Rodinha, nossa galinha de estimação, não vendemos, não comemos. É uma peça raríssima. Nunca vi uma galinha tão inteligente. A caminha dela é bem debaixo da nossa janela. Ótimo despertador. Clareou o dia, ninguém dorme! Ele come junto com os gatos e gosta de descansar ao lado dos cães. Já fez amizade com todos e não aceita ser galinha. Quando a colocamos no galinheiro, deu o maior problema. Ela brigou com todos e baixinha invocada que é, tivemos que tirá-la para não ter maiores prejuízos.
Tudo isto é parte da minha vida simples. É gostoso cuidar da horta, acompanhar o nascimento e crescimento dos animais. Observar visitantes inusitados como Lagartius, Tucanos, Gaviões. Todos nós habitando o mesmo meio, naturalmente. Cada um respeitando o outro. Pena que isto não acontece entre os seres humanos.

Canal do Produtor - FEED 2011

Canal do Produtor - FEED 2011
Evento muito interessante sobre Agronegócio e Meio Ambiente.
Gostaria de participar, com certeza!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Horta dá trabalho! Mas vale a pena!



Lembram quando postei esta foto do mato que tinha virado minha horta? Meses de verão muito chuvosos são realmente um convite ao desleixo. Mas quando me propus a limpar o terreno e voltar aos dias glória e produção de alimentos saudáveis e orgânicos escrevi que logo postaria o resultado. E aí está!
Claro que leva tempo para tudo crescer e tenho ainda muito a fazer.
Na escola que trabalho sugeri implantarmos uma horta como projeto de educação ambiental. Está sendo um sucesso! As crianças gostam muito de mexer com terra. Eles mesmos plantaram e são responsáveis pera rega todos os dias. É bom ensinar aos pequenos este amor e respeito que eu tenho pela terra. Acredito que esta lição eles levarão por toda vida...
Mas voltando à minha horta, pretendo ainda plantar tomates além das verduras que já estão em processo de produção. Cenouras e beterrabas demoram um pouco porém são deliciosas quando colhidas fresquinhas.  Não existe alface mais gostoso que o produzido com amor. É até doce!
Aconselho sempre que é um ótimo exercício físico e mental, totalmente desestressante, saudável e ainda por cima ecologicamente correto! Mais sustentável que isso, impossível!

O germe do autoritarismo

Denis Lerrer Rosenfield -
O Estado de S.Paulo

O País apresenta uma situação assaz curiosa. De um lado, observamos estranha complacência com os mais distintos descalabros relativos à coisa pública, tratada, na verdade, como coisa de uns poucos. É como se a Nação estivesse adormecida. De outro, notamos uma espécie de cruzada contra alguns comportamentos, tidos por nocivos à saúde e ao bem de cada um, como se coubesse ao Estado ingerir nas escolhas individuais. É uma espécie de puritanismo de Estado.
A Nação está adormecida. Governantes e parlamentares estão dando uma amostra do que não deveria ser um comportamento exemplar de representantes do povo. O exemplo funciona ao contrário, como aquilo que não deveria ser feito. A mensagem que esses representantes passam aos cidadãos é a seguinte: locupletem-se com o dinheiro público, com os impostos de cada um de nós.
A aprovação de leis na Câmara e no Senado torna-se objeto de barganha pública por cargos, emendas e benesses dos mais diferentes tipos, como se o mérito de cada uma das iniciativas não devesse ser considerado enquanto tal. Estamos mesmo perdendo o sentido da hipocrisia. Nesta, um tributo é ainda pago à virtude, pois os que dela fazem uso procuram, ao menos, encenar um outro comportamento, voltado para o "bem". Na ausência da hipocrisia, até essa encenação desaparece.
Palavras perdem o seu sentido ou passam a significar algo totalmente distinto, como se ilícitos ou crimes fossem brincadeiras de crianças, coisas de "aloprados". O escândalo dos aloprados ganhou nova dimensão com a revelação, pela revista Veja, do "desabafo" de um "qualificado" militante petista de que suas ações "inqualificáveis" tiveram apoio partidário para desqualificar a candidatura de José Serra ao governo do Estado de São Paulo, em 2006. Foi mais preciso ainda ao dizer que o mesmo instrumento já havia sido utilizado com sucesso para desqualificar uma companheira do partido, Serys Slhessarenko, e o tucano Antero Paes de Barros, em Mato Grosso. Nem os companheiros são poupados.
Num país "acordado", essa nova revelação teria efeito bombástico, sendo propriamente um fato novo que deveria ensejar novas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público e uma atitude firme do Congresso. Até agora, nada aconteceu. O ministro Aloizio Mercadante, apontado por seu companheiro de partido como um dos mentores daquela ação criminosa, compareceu ao Senado e nada aconteceu. A própria oposição mostrou desinteressar-se do caso. O ministro chegou ao desplante de dizer que a militância envolvida no episódio achava que, assim, iria destruir a corrupção: "Eles entendiam que havia blindagem na imprensa em relação às ações do governo Lula. Então eles achavam que tinham essa missão heroica de combater isso".
A bandidagem mudou de nome, agora se chama "missão heroica". Está entendido. Os "aloprados" deveriam ser considerados "heróis", embora possam ter-se equivocado em sua ação. Trata-se de uma enormidade. O problema, porém, reside em como podemos ter chegado lá, quando uma frase desse tipo é dita no Senado sem que produza comoção. Isso só se explica pela degradação moral do ambiente político.
Por outro lado, o governo transmite uma outra mensagem, compartilhada também por governos de outras agremiações partidárias nos níveis estadual e municipal. O Estado estar-se-ia ocupando da saúde dos indivíduos, do seu bem. No país do carnaval e da cachaça, a mensagem é a de um puritanismo alicerçado no Estado.
As medidas de cerceamento da liberdade de escolha, em diferentes níveis, só se têm acentuado. Começam insensivelmente, de modo a não produzir grandes reações. Funcionam como uma espécie de anestesia progressiva. Progressiva porque não se trata de uma anestesia comum, que deixa de produzir os seus efeitos após um breve período.
As coisas funcionam anodinamente. Numa espécie de longa história, ela começa com o cinto de segurança. Deveria ser função do Estado informar sobre os eventuais malefícios de dirigir sem o cinto de segurança, cabendo a cada um decidir se seguirá ou não essa orientação, assumindo, evidentemente, as suas consequências. A história prossegue com uma cruzada contra o fumo e as bebidas alcoólicas, como se as pessoas fossem incapazes de discriminar por si mesmas o que é melhor para elas. Para evitar qualquer tipo de mal-entendido, não estou advogando que uma pessoa em ambiente fechado fume na cara de outra, o que seria um evidente desrespeito ao direito alheio, mas que se possam frequentar lugares exclusivos para uns e outros. Tampouco que bêbados dirijam pelas ruas. Se causarem um acidente por isso, devem, evidentemente, ser severamente punidos. Daí não se segue uma legislação puritana que só tem equivalente no mundo em países como a Arábia Saudita. Uma legislação mais tolerante seria muito mais adequada, como ocorre em vários países europeus. Um cálice ou dois de vinho não causam embriaguez!
A situação de restrição à escolha individual chega às raias da insensatez, obrigando as pessoas a usarem um padrão de tomada determinado, como se cada um não pudesse fazer sua opção. Parece não haver limites para a intromissão do Estado, obrigando até mesmo os médicos a não prescreverem certos tipos de remédios para emagrecer, como se não fossem pessoas qualificadas para o exercício de sua profissão. A lista é longa e se estende à compra de antibióticos nas farmácias sem receita especial, além de outras que já se anunciam quanto à publicidade de comidas gordurosas ou contendo alto teor de sódio. Telefones celulares estão igualmente na mira, pelas ondas que utilizam.
A situação não deixa de ser paradoxal. Complacência completa com a imoralidade pública e imposição de comportamentos puritanos na esfera privada. Quem ganha com esse estranho jogo, o do germe do autoritarismo?
PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFRGS.
E-MAIL: DENISROSENFIELD@TERRA.COM.BR
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110704/not_imp740255,0.php

sábado, 2 de julho de 2011

Relator da proposta do novo Código Florestal no Senado quer contribuições da CNA para o texto

Canal do Produtor

Da Redação
O senador Jorge Viana (PT/AC), um dos relatores da proposta de atualização do Código Florestal (PLC 30/2011) em tramitação no Senado, afirmou, nesta sexta-feira (1/7), que pretende ir à CNA, na próxima semana
O senador Jorge Viana (PT/AC), um dos relatores da proposta de atualização do Código Florestal (PLC 30/2011) em tramitação no Senado, afirmou, nesta sexta-feira (1/7), que pretende ir à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), na próxima semana, para ouvir as contribuições que o setor agropecuário tem a oferecer para o aperfeiçoamento do novo Código Florestal. “A CNA, onde provavelmente farei uma visita na semana que vem, tem uma contribuição importantíssima a dar para que a gente possa chegar a um bom termo da legislação ambiental”, destacou Jorge Viana. O anúncio foi feito durante audiência pública realizada pelas comissões de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) para debater o novo Código Florestal.
Representante da CNA na audiência pública, o assessor técnico da Comissão Nacional de Meio Ambiente da entidade, Rodrigo Justus, defendeu a aprovação de uma lei que simplifique o entendimento da legislação ambiental por parte dos produtores rurais e da sociedade como um todo. Segundo ele, a legislação em vigor é um emaranhado de medidas provisórias, normas e resoluções que alteraram a versão original, que é de 1965. “Qualquer pessoa que tenha lido a legislação ambiental atual não sabe o que é o Código Florestal em vigor, porque ele não é mais uma lei. Ele é um conjunto de medidas provisórias, de leis e resoluções, sem falar nos decretos que o alteraram”, explicou o assessor técnico da CNA.
O efeito negativo dessas sucessivas alterações na legislação ambiental, na sua avaliação, é que não existe atualmente nenhuma propriedade rural no Brasil onde o fiscal não encontre irregularidades. “Por mais que os produtores tenham respeitado a legislação, as regras vão mudando com o tempo e jogam as pessoas na ilegalidade”, completou. Justus reforçou também a necessidade de os Estados legislarem juntamente com a União sobre matérias relacionadas ao meio ambiente, conforme previsto no artigo 24 da Constituição.
Segundo ele, a União deve ditar as normais gerais, enquanto as unidades da federação devem decidir sobre as questões específicas, de acordo com as peculiaridades regionais. “A exclusividade da União de ditar parâmetros de utilização ambiental nos Estados não existe na Constituição, pelo fato de que a competência concorrente deu autonomia aos entes federativos estaduais para resolver os assuntos de ordem regional”, explicou Justus.
Também participaram da audiência pública o consultor jurídico da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Leonardo Papp; o assessor de meio ambiente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Eliziário Toledo; além dos senadores Rodrigo Rollemberg (PSB/DF), Blairo Maggi (PR/MT) e Acir Gurgacz (PDT/RO), que presidiu a audiência.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

CUIDADO COM O QUE VOCÊ FALA - PARASHÁ CHUKAT 5771 (01 de julho de 2011)

CUIDADO COM O QUE VOCÊ FALA - PARASHÁ CHUKAT 5771 (01 de julho de 2011)

"Mauro e Rafael viviam em uma pequena cidade do interior. Desde pequenos não se desgrudavam, passavam os dias brincando juntos, amigos inseparáveis. Era uma amizade verdadeira, que enchia os olhos de todos que os conheciam. Quando eles cresceram a amizade cresceu junto, mas a vida levou cada um para um caminho diferente. Mauro foi para a cidade grande, estudou em uma famosa universidade e tornou-se um empresário bem sucedido que, em pouco tempo, estava milionário. Já Rafael permaneceu na sua cidade natal. Logo cedo abandonou os estudos para se dedicar ao trabalho, tornando-se uma pessoa muito simples e ingênua. Tinha um pequeno mercadinho, que abria algumas poucas horas por dia, e de lá tirava seu sustento. No resto do tempo sentava-se na porta de sua casa, uma construção velha e muito simples, para ficar conversando com os vizinhos.
Certo dia, Mauro sentiu saudades do seu querido amigo de infância. Fazia um bom tempo que eles não se encontravam. Decidiu fazer uma surpresa e apareceu no meio do dia para dar um abraço em Rafael. Encontrou-o sentado na porta de casa, batendo papo com os amigos. Abraçaram-se longamente e sentaram para contar as últimas novidades. No meio da conversa, Rafael viu que de longe chegava alguém. Rapidamente, sem dar nenhuma explicação, correu para dentro de casa e se trancou. A pessoa chegou, tocou a campainha por alguns minutos e, vendo que ninguém respondia, foi embora muito mal-humorado. Rafael então saiu de casa, pediu desculpas para Mauro e explicou que aquele era um cobrador. Os negócios não estavam indo bem e ele estava com algumas dívidas, mas como não tinha dinheiro, fugia dos credores toda vez que eles apareciam.
Continuaram conversando animadamente quando, de repente, apareceu um cachorro de rua. O cachorro babava muito e estava com o rabo entre as pernas, sinais típicos de um cachorro com raiva. Desta vez todos se levantaram e correram para se proteger do cachorro raivoso, inclusive Mauro, mas Rafael ficou tranquilamente sentado, enquanto o cachorro passava a poucos metros dele. Quando o cachorro foi embora, Mauro voltou e deu-lhe uma imensa bronca:
- Você ficou maluco? Dos credores você se esconde, mas de um cachorro raivoso você não tem medo? Se você me pedisse dinheiro, em nome da nossa amizade eu pagaria todas as suas dívidas. Porém, se este cachorro raivoso te mordesse, nem todo o dinheiro do mundo poderia te ajudar"
Explica o Chafetz Chaim que muitas vezes nos comportamos na vida como o ingênuo Rafael. Nos cuidamos de muitas transgressões, mas acabamos nos descuidando da pior de todas elas: o Lashon Hará. Enquanto em relação à todas as transgressões D'us pode nos ajudar e nos perdoar, em relação ao Lashon Hará a Sua conduta é muito mais rigorosa. Portanto, devemos tomar muito mais cuidado com o Lashon Hará do que com qualquer outra transgressão.
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Nesta semana lemos a Parashá Chukat que, entre outros assuntos, nos descreve mais uma das muitas reclamações que o povo judeu fez contra D'us no deserto. A punição veio de maneira rápida e dolorosa: cobras venenosas atacaram o povo, causando muitas mortes, como está escrito: "E D'us mandou cobras venenosas contra o povo e elas morderam o povo. Uma grande quantidade de pessoas de Israel morreu. As pessoas vieram a Moshé e disseram:... Reze para que D'us remova de nós a cobra, e Moshé rezou pelo povo. E D'us disse para Moshé: 'Faça uma cobra e coloque sobre um mastro, e cada um que foi mordido olhará e viverá' " (Bamidbar 21:6-8)
Diz o grande rabino Israel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, que é necessário se aprofundar um pouco mais para entender exatamente qual foi o erro do povo e o castigo recebido, pois existem algumas dificuldades nos versículos. Por exemplo, por que o versículo diz que as cobras atacaram "o povo" e depois está escrito que "pessoas de Israel" morreram? Além disso, por que está escrito "remova de nós a cobra", no singular, e não "as cobras", já que eram várias cobras, como está escrito anteriormente "E D'us mandou cobras venenosas"? E finalmente, as cobras somente foram embora depois que Moshé construiu uma cobra e colocou sobre um mastro, mas não imediatamente após a sua Tefilá (reza). Por que a Tefilá de Moshé para que as cobras fossem embora não funcionou imediatamente, como funcionou, por exemplo, para tirar os sapos do Egito?
Para responder estas perguntas é necessária uma pequena introdução. Explica o Chafetz Chaim que a reclamação do povo foi, na realidade, um grande Lashon Hará (maledicência) que o povo fez de D'us e de Moshé, como está escrito "E o povo falou contra D'us e contra Moshé" (Bamidbar 21:5). E diferentemente de outras transgressões, D'us é extremamente rigoroso com o Lashon Hará. Da mesma forma que o estudo de Torá equivale a todas as Mitsvót, o Lashon Hará equivale a todas as transgressões. Mas por que o Lashon Hará é espiritualmente tão grave?
Segundo as fontes místicas judaicas, todas as vezes que cometemos uma transgressão criamos um anjo acusador. Isto não quer dizer que o anjo fica o tempo inteiro ativamente nos acusando. Quando chegar o Dia do Julgamento ele estará lá, e sua própria existência testemunhará contra nós pelo mau ato realizado. Mas com a transgressão de Lashon Hará é diferente, pois o anjo criado com esta transgressão tem boca e língua, já que foi criado através da fala, e por isso fica ativamente acusando, anunciando a grave transgressão cometida e cobrando uma punição ao transgressor.
Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que D'us é muito misericordioso e constantemente nos perdoa por muitos pecados cometidos, mas Ele se incomoda tanto com o Lashon Hará que se recusa a ajudar a pessoa que comete esta transgressão. E assim nos ensina o Zohar (livro místico judaico): "Todas as transgressões D'us perdoa, com exceção do Lashon Hará". Por que? Pois quando uma transgressão chega ao Trono do Julgamento, D'us pode ter misericórdia da pessoa e a perdoar, já que o acusador está ali quieto. Mas quando a transgressão é o Lashon Hará, o acusador fica o tempo inteiro exigindo que a pessoa seja punida. É como um juiz que, com misericórdia, quer inocentar o réu de sua culpa. Mas se o acusador fica o tempo inteiro gritando no tribunal e exigindo uma punição, há maneira do juiz inocentá-lo?
Com estes conceitos é possível responder as dificuldades encontradas nos versículos da nossa Parashá. Os verdadeiros culpados pelo Lashon Hará foram pessoas espiritualmente mais baixas, chamadas pela Torá de "o povo". São as pessoas que não se cuidaram e acabaram cometendo esta grave transgressão de falar mal de D'us e de Moshé. Porém, as pessoas em um nível mais elevado, chamadas pela Torá de "Israel", apesar de não terem feito o Lashon Hará, deveriam ter advertido as pessoas do povo e evitado a transgressão, mas não fizeram nada. Por isso morreram muitas "pessoas de Israel", que, apesar de não terem falado Lashon Hará, também não fizeram nada para evitá-lo, sendo juntamente responsabilizadas pela grave transgressão.
Além disso, o Chafetz Chaim explica que, de acordo com as fontes místicas judaicas, quando a pessoa faz Lashon Hará ela cria uma cobra espiritual que fica acusando a pessoa diante do Trono Celestial. Quando Moshé rezou pelo povo, pediu para que "a cobra" fosse retirada, isto é, esta cobra espiritual criada com o Lashon Hará, a responsável pelas acusações contra o povo. Caso esta cobra espiritual fosse retirada por D'us, automaticamente as cobras venenosas, que eram apenas consequência do erro, também seriam retiradas.
Mas D'us respondeu para Moshé que, diferente dos outros acusadores, este não poderia ser simplesmente retirado apenas com a misericórdia. Então Ele ensinou a cura: "Faça uma cobra e coloque sobre um mastro, e cada um que foi mordido olhará e viverá". Como isto salvou o povo judeu? Ensina o Talmud (Rosh Hashaná 29a) que não são as cobras que matam, são as transgressões que as pessoas cometem que matam. A cobra colocada em um mastro fazia com que as pessoas levantassem seus olhos para o céu e voltassem a se subjugar à vontade de D'us, se arrependendo de seu erro tão grave. Somente através da Teshuvá (retorno sincero aos caminhos corretos) elas conseguiam ser curadas.
Fica desta Parashá uma importante lição: o cuidado que devemos ter com o Lashon Hará. Obviamente devemos ser muito rigorosos com todas as transgressões, pois cada uma delas nos afasta de D'us e afeta a nossa espiritualidade. Mas nossa má-inclinação nos faz sermos rigorosos com tudo, mas extremamente lenientes com o Lashon Hará. E o mais interessante é que, mesmo o povo testemunhando o castigo recebido por Miriam por ter falado Lashon Hará de Moshé e o castigo recebido pelos espiões por terem falado Lashon Hará da Terra de Israel, eles não aprenderam a lição, voltando a cometer o mesmo erro mais uma vez. Por que sempre voltamos ao mesmo erro de falar Lashon Hará, apesar de sabermos que é tão grave e causa consequências tão graves?
Infelizmente não dedicamos nosso tempo ao estudo das complexas leis de Shmirat Halashon (cuidados com a nossa fala), que nos ensinam o que realmente é permitido e o que é proibido falar sobre outra pessoa. Com isso, sempre procuramos "permissões" para falar mal de alguém, justificando nossos atos. Esta tentativa de encobrir nossos próprios erros nos afasta da Teshuvá verdadeira, fazendo do Lashon Hará uma transgressão ainda mais grave.
Dizem os biólogos que os peixes morrem pela boca, isto é, se dermos comida demais eles comem até morrer. Mas a verdade é que também os seres humanos morrem pela boca, pois a grande maioria das desgraças que ocorrem no mundo é conseqüência do nosso Lashon Hará. Por isso nos ensinou David Hamelech (Rei David) a solução: "Quem é o homem que deseja vida e ama os dias de ver o bem? Guarda a sua língua do mal e os seus lábios de falarem enganações" (Salmos 34:13,14).
SHABAT SHALOM
Rav Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Nm. 19:1-22:1, Jz. 11:1-33, Jo. 3:10-21