domingo, 13 de novembro de 2011
Metade
Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
SÓ FALTA TEMOR A D'US - PARASHÁ VAIERÁ 5772
O Rabino Shlomo Ordenstein (nome fictício) morou por alguns anos na Austrália, onde ensinava pessoas que estavam afastadas do judaísmo. Certa vez ele foi convidado para dar uma palestra a um pequeno grupo de médicos judeus, com o tema "Medicina e Judaísmo". No final da palestra, o dono da casa chamou o Rav Ordenstein de canto, apontou para um senhor de meia idade e disse:
- Rabino, este homem não consegue deitar a cabeça no travesseiro e dormir uma noite tranquila de sono há mais de 10 anos.
O dono da casa então seguiu contando o drama familiar daquele homem:
- Ele tinha um filho jovem que sofreu um grave acidente de carro e ficou mais de um ano em coma. Os médicos, após alguns exames, constataram que o coma parecia ser irreversível. Ele então decidiu lutar na justiça pelo direito de desligar os aparelhos que mantinham o filho vivo. Após uma longa batalha judicial, ele finalmente ganhou o direito de desligar os equipamentos.
Visivelmente emocionado, o dono da casa continuou:
- Ele então foi até o hospital levando a ordem judicial e entregou para uma das enfermeiras que cuidava do filho. Ao ler o conteúdo, ela devolveu o papel ao pai e disse: "Eu não sou assassina. Se você quer desligar os aparelhos do seu filho, faça com suas próprias mãos". Então, sem alternativa, o pai foi e pessoalmente desligou os aparelhos. Deste dia em diante ele nunca mais dormiu, se consumindo dia após dia com a pergunta "Será que eu fiz o que era realmente o mais correto?". (História Real)
Existem situações na vida nas quais é muito difícil tomar decisões. Por isso D'us nos deu a Torá, nosso "Manual de Instruções", para que, mesmo em situações nas quais nosso lado emocional fala mais alto, possamos ter a tranquilidade de fazer o que é realmente correto. E a Torá nos ensina a preciosidade da vida, que não cabe a nós decidir quando deve terminar.
********************************************
Na Parashá desta semana, Vaierá, a Torá continuou descrevendo alguns dos testes aos quais Avraham foi submetido. Um dos testes foi quando Avraham mudou-se para a terra de Guerar e novamente Sara chamou a atenção das pessoas por causa de sua beleza. Quando questionado pelos habitantes locais, Avraham informou que Sara era apenas sua irmã. O rei de Guerar, Avimelech, ficou encantado com a sua beleza e mandou trazê-la à força ao palácio. Para proteger Sara, D'us fez com que Avimelech adoecesse e não conseguisse nem mesmo encostar nela. De noite, D'us apareceu para Avimelech em um sonho, informou que Sara era esposa de Avraham e exigiu que ela fosse devolvida ao marido sem demora. Caso contrário, D'us avisou a Avimelech que ele morreria.
Avimelech, assustado, madrugou e imediatamente foi devolver Sara a Avraham. Ele então deu uma bronca em Avraham por não ter contado que Sara era sua esposa e perguntou o porquê dele ter se comportado daquela maneira. E assim foi a resposta: "E disse Avraham: pois eu disse: 'Somente temor a D'us não há neste lugar, e eles me matarão por causa de minha esposa'" (Bereshit 20:11). O que Avraham quis dizer com isto? Qual era exatamente o medo dele? E por que utilizou a palavra "somente", que parece desnecessária na frase?
Nos ensina o Rav Elchanan Wasserman, um dos maiores alunos do Chafetz Chaim, algo surpreendente. Quando Avraham chegou à terra de Guerar, viu que se tratava de um povo muito evoluído. Como eram pessoas intelectuais, ele percebeu que haviam criado uma sociedade saudável, na qual os habitantes, através de seu intelecto, buscavam melhorar suas características pessoais. Então o que ele viu para chegar à conclusão de que naquele lugar não havia temor a D'us? Explica Rashi, famoso comentarista da Torá, que as pessoas viram Avraham chegar acompanhado de Sara, uma mulher de beleza incomparável. Todos se aproximaram para perguntar quem era aquela mulher e se era casada. Mas ninguém se preocupou em perguntar se eles precisavam de comida, bebida ou um lugar para descansar. Avraham entendeu que eles tinham bons modos e uma boa índole, mas quando surgia algum desejo forte, estes bons modos eram completamente anulados. O que isto significava? Que eles não tinham temor a D'us.
Foi por isso que Avraham disse que "somente" não havia temor a D'us. Ele viu uma sociedade com pessoas intelectuais, educadas, cultas, que faziam caridade e buscavam justiça, mas sem nenhuma ferramenta para vencer os instintos e desejos. Portanto ele entendeu que, se dissesse que Sara era sua esposa, ninguém ousaria cometer adultério, pois era socialmente feio, mas provavelmente o matariam para poder casar com ela. Os bons modos e a cultura não serviriam para apagar o fogo do desejo despertado, pois Avraham sabia que a única força que existe capaz de frear os desejos do ser humano é o temor a D'us
O próprio Rav Elchanan Wasserman, quando esteve na Alemanha, alguns anos antes da ascensão do partido nazista ao poder, discursou para uma série de rabinos e estudantes de Torá. Ele trouxe este ensinamento do "somente não há temor a D'us" e aplicou à Alemanha, afirmando que tragédias poderiam acontecer lá. Os rabinos não quiseram acreditar em suas palavras, afinal, a Alemanha era a pátria-mãe do povo judeu. Os alemães eram um povo evoluído, amante das artes, composto por pessoas cultas, intelectuais e justas. Como acreditar que, daquelas pessoas tão dóceis e educadas, poderia sair algum tipo de maldade?
Infelizmente o mundo entendeu, poucos anos depois, que o Rav Elchanan Wasserman estava certo. Aqueles mesmos alemães finos, educados e intelectuais, parte da nação mais civilizada do mundo, começaram a perseguir os judeus, primeiro queimando livros, depois queimando pessoas. Os tribunais de justiça alemães, símbolo da busca por justiça, foram utilizados para acusar, prender e torturar injustamente milhares de judeus. A mídia alemã, criada para levar cultura a todos, foi utilizada para denegrir e espalhar mentiras sobre os judeus, justificando o extermínio de um povo inocente. Os dóceis e educados alemães começaram a assassinar, a sangue frio e de maneira sistemática, sem nenhum tipo de misericórdia, homens, mulheres e crianças. Mas eles não eram educados e cultos? Sim, somente não tinham temor a D'us.
O Rav Elchanan Wasserman não era um profeta. Então como ele sabia que tragédias aconteceriam na Alemanha? Diz Shlomo Hamelech (Rei Salomão), o mais sábio de todos os homens: "Não há novidade sob o sol". A história se repete, de maneira cíclica, e os acontecimentos de hoje são apenas repetições do que já aconteceu no passado. A Torá não é um livro de histórias, é um ensinamento de realidades espirituais que se repetem de geração em geração.
Se olharmos para nossa história, perceberemos algo impressionante. O povo judeu foi exilado e perseguido diversas vezes. Egípcios, Babilônios, Romanos, Espanha, Portugal e Alemanha, entre outros. O que estas nações têm em comum? Eram as maiores potencias de sua época. Eram os lugares onde se desenvolveram as tecnologias mais avançadas, a cultura e as artes. Por que o povo judeu nunca foi exilado nas selvas africanas? Por que os exílios e perseguições mais sangrentas do povo judeu sempre foram nas sociedades mais evoluídas de cada geração?
D'us, através dos exílios, estava nos ensinando uma lição muito importante, que insistimos em não aprender: não importa o quanto um povo é evoluído cientificamente, culturalmente ou até se destaca pelos bons modos. Se este povo não tem temor a D'us, quando os desejos contradizem as leis e os bons hábitos deste povo, os desejos vencem. E quando os desejos tomam conta do ser humano, não existe mais limite até onde ele está disposto a chegar para saciá-los. Os alemães desejaram formar uma raça superior. Mais de duzentas mil pessoas com algum defeito físico ou mental foram mortas pelo regime nazista entre 1939 e 1945. E somente pelo fato destas práticas terem tornado-se aceitáveis é que a idéia expandiu-se e começou a incluir mais e mais pessoas "indignas" de viver, entre elas os judeus.
Precisamos constantemente tomar cuidado com nossos passos para não fazer parte de uma geração sem temor a D'us. Assuntos delicados como aborto e eutanásia, que lidam com a vida e a morte de seres humanos, não podem ser tratadas como se fossem assuntos médicos ou judiciais. Os médicos e juízes não têm conhecimento nem direito para decidir quem merece viver. Não somos apenas um corpo, temos uma alma Divina. A vida e a morte não estão em nossas mãos. D'us nos dá a vida e apenas Ele pode decidir quando é o momento de retirá-la.
Uma sociedade que se acha no direito de decidir suas próprias leis, passando por cima de leis eternas entregues pelo Criador do mundo, é uma sociedade sem temor a D'us. É o primeiro passo para possibilitar o acontecimento de grandes tragédias na humanidade.
SHABAT SHALOM
R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Gn.18:1-22:24, 2Rs. 4:1-37, Lc.1:26-38, 24:36-53
- Rabino, este homem não consegue deitar a cabeça no travesseiro e dormir uma noite tranquila de sono há mais de 10 anos.
O dono da casa então seguiu contando o drama familiar daquele homem:
- Ele tinha um filho jovem que sofreu um grave acidente de carro e ficou mais de um ano em coma. Os médicos, após alguns exames, constataram que o coma parecia ser irreversível. Ele então decidiu lutar na justiça pelo direito de desligar os aparelhos que mantinham o filho vivo. Após uma longa batalha judicial, ele finalmente ganhou o direito de desligar os equipamentos.
Visivelmente emocionado, o dono da casa continuou:
- Ele então foi até o hospital levando a ordem judicial e entregou para uma das enfermeiras que cuidava do filho. Ao ler o conteúdo, ela devolveu o papel ao pai e disse: "Eu não sou assassina. Se você quer desligar os aparelhos do seu filho, faça com suas próprias mãos". Então, sem alternativa, o pai foi e pessoalmente desligou os aparelhos. Deste dia em diante ele nunca mais dormiu, se consumindo dia após dia com a pergunta "Será que eu fiz o que era realmente o mais correto?". (História Real)
Existem situações na vida nas quais é muito difícil tomar decisões. Por isso D'us nos deu a Torá, nosso "Manual de Instruções", para que, mesmo em situações nas quais nosso lado emocional fala mais alto, possamos ter a tranquilidade de fazer o que é realmente correto. E a Torá nos ensina a preciosidade da vida, que não cabe a nós decidir quando deve terminar.
********************************************
Na Parashá desta semana, Vaierá, a Torá continuou descrevendo alguns dos testes aos quais Avraham foi submetido. Um dos testes foi quando Avraham mudou-se para a terra de Guerar e novamente Sara chamou a atenção das pessoas por causa de sua beleza. Quando questionado pelos habitantes locais, Avraham informou que Sara era apenas sua irmã. O rei de Guerar, Avimelech, ficou encantado com a sua beleza e mandou trazê-la à força ao palácio. Para proteger Sara, D'us fez com que Avimelech adoecesse e não conseguisse nem mesmo encostar nela. De noite, D'us apareceu para Avimelech em um sonho, informou que Sara era esposa de Avraham e exigiu que ela fosse devolvida ao marido sem demora. Caso contrário, D'us avisou a Avimelech que ele morreria.
Avimelech, assustado, madrugou e imediatamente foi devolver Sara a Avraham. Ele então deu uma bronca em Avraham por não ter contado que Sara era sua esposa e perguntou o porquê dele ter se comportado daquela maneira. E assim foi a resposta: "E disse Avraham: pois eu disse: 'Somente temor a D'us não há neste lugar, e eles me matarão por causa de minha esposa'" (Bereshit 20:11). O que Avraham quis dizer com isto? Qual era exatamente o medo dele? E por que utilizou a palavra "somente", que parece desnecessária na frase?
Nos ensina o Rav Elchanan Wasserman, um dos maiores alunos do Chafetz Chaim, algo surpreendente. Quando Avraham chegou à terra de Guerar, viu que se tratava de um povo muito evoluído. Como eram pessoas intelectuais, ele percebeu que haviam criado uma sociedade saudável, na qual os habitantes, através de seu intelecto, buscavam melhorar suas características pessoais. Então o que ele viu para chegar à conclusão de que naquele lugar não havia temor a D'us? Explica Rashi, famoso comentarista da Torá, que as pessoas viram Avraham chegar acompanhado de Sara, uma mulher de beleza incomparável. Todos se aproximaram para perguntar quem era aquela mulher e se era casada. Mas ninguém se preocupou em perguntar se eles precisavam de comida, bebida ou um lugar para descansar. Avraham entendeu que eles tinham bons modos e uma boa índole, mas quando surgia algum desejo forte, estes bons modos eram completamente anulados. O que isto significava? Que eles não tinham temor a D'us.
Foi por isso que Avraham disse que "somente" não havia temor a D'us. Ele viu uma sociedade com pessoas intelectuais, educadas, cultas, que faziam caridade e buscavam justiça, mas sem nenhuma ferramenta para vencer os instintos e desejos. Portanto ele entendeu que, se dissesse que Sara era sua esposa, ninguém ousaria cometer adultério, pois era socialmente feio, mas provavelmente o matariam para poder casar com ela. Os bons modos e a cultura não serviriam para apagar o fogo do desejo despertado, pois Avraham sabia que a única força que existe capaz de frear os desejos do ser humano é o temor a D'us
O próprio Rav Elchanan Wasserman, quando esteve na Alemanha, alguns anos antes da ascensão do partido nazista ao poder, discursou para uma série de rabinos e estudantes de Torá. Ele trouxe este ensinamento do "somente não há temor a D'us" e aplicou à Alemanha, afirmando que tragédias poderiam acontecer lá. Os rabinos não quiseram acreditar em suas palavras, afinal, a Alemanha era a pátria-mãe do povo judeu. Os alemães eram um povo evoluído, amante das artes, composto por pessoas cultas, intelectuais e justas. Como acreditar que, daquelas pessoas tão dóceis e educadas, poderia sair algum tipo de maldade?
Infelizmente o mundo entendeu, poucos anos depois, que o Rav Elchanan Wasserman estava certo. Aqueles mesmos alemães finos, educados e intelectuais, parte da nação mais civilizada do mundo, começaram a perseguir os judeus, primeiro queimando livros, depois queimando pessoas. Os tribunais de justiça alemães, símbolo da busca por justiça, foram utilizados para acusar, prender e torturar injustamente milhares de judeus. A mídia alemã, criada para levar cultura a todos, foi utilizada para denegrir e espalhar mentiras sobre os judeus, justificando o extermínio de um povo inocente. Os dóceis e educados alemães começaram a assassinar, a sangue frio e de maneira sistemática, sem nenhum tipo de misericórdia, homens, mulheres e crianças. Mas eles não eram educados e cultos? Sim, somente não tinham temor a D'us.
O Rav Elchanan Wasserman não era um profeta. Então como ele sabia que tragédias aconteceriam na Alemanha? Diz Shlomo Hamelech (Rei Salomão), o mais sábio de todos os homens: "Não há novidade sob o sol". A história se repete, de maneira cíclica, e os acontecimentos de hoje são apenas repetições do que já aconteceu no passado. A Torá não é um livro de histórias, é um ensinamento de realidades espirituais que se repetem de geração em geração.
Se olharmos para nossa história, perceberemos algo impressionante. O povo judeu foi exilado e perseguido diversas vezes. Egípcios, Babilônios, Romanos, Espanha, Portugal e Alemanha, entre outros. O que estas nações têm em comum? Eram as maiores potencias de sua época. Eram os lugares onde se desenvolveram as tecnologias mais avançadas, a cultura e as artes. Por que o povo judeu nunca foi exilado nas selvas africanas? Por que os exílios e perseguições mais sangrentas do povo judeu sempre foram nas sociedades mais evoluídas de cada geração?
D'us, através dos exílios, estava nos ensinando uma lição muito importante, que insistimos em não aprender: não importa o quanto um povo é evoluído cientificamente, culturalmente ou até se destaca pelos bons modos. Se este povo não tem temor a D'us, quando os desejos contradizem as leis e os bons hábitos deste povo, os desejos vencem. E quando os desejos tomam conta do ser humano, não existe mais limite até onde ele está disposto a chegar para saciá-los. Os alemães desejaram formar uma raça superior. Mais de duzentas mil pessoas com algum defeito físico ou mental foram mortas pelo regime nazista entre 1939 e 1945. E somente pelo fato destas práticas terem tornado-se aceitáveis é que a idéia expandiu-se e começou a incluir mais e mais pessoas "indignas" de viver, entre elas os judeus.
Precisamos constantemente tomar cuidado com nossos passos para não fazer parte de uma geração sem temor a D'us. Assuntos delicados como aborto e eutanásia, que lidam com a vida e a morte de seres humanos, não podem ser tratadas como se fossem assuntos médicos ou judiciais. Os médicos e juízes não têm conhecimento nem direito para decidir quem merece viver. Não somos apenas um corpo, temos uma alma Divina. A vida e a morte não estão em nossas mãos. D'us nos dá a vida e apenas Ele pode decidir quando é o momento de retirá-la.
Uma sociedade que se acha no direito de decidir suas próprias leis, passando por cima de leis eternas entregues pelo Criador do mundo, é uma sociedade sem temor a D'us. É o primeiro passo para possibilitar o acontecimento de grandes tragédias na humanidade.
SHABAT SHALOM
R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Gn.18:1-22:24, 2Rs. 4:1-37, Lc.1:26-38, 24:36-53
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Uma lição tardia - IV: O reino do ódio
Olavo de Carvalho
No artigo anterior falei do zelo devoto com que a matilha do “Roda Viva” defende a honra e o prestígio do movimento comunista, atacando seus inimigos a dentadas e habituando o público a dar por pressuposto, sem a mais mínima discussão, que ninguém pode ser anticomunista por motivo moralmente respeitável ou intelectualmente relevante. Nenhuma apologia do comunismo é mais eficaz e penetrante do que essa. Discursar em favor da estatização da economia, argumentar pela teoria da luta de classes, enaltecer o futuro brilhante da humanidade no jardim das delícias do socialismo – nada disso tem a força persuasiva da prática reiterada, tanto mais sedutora quanto mais implícita, de atribuir aos comunistas e seus parceiros o monopólio do bem e da virtude, reduzindo seus adversários e criticos à condição de delinqüentes pérfidos movidos por interesses egoístas. A propaganda comunista ostensiva colocaria o seu praticante na difícil contingência de ter de defender o indefensável: o genocídio, a tirania, o trabalho escravo, a miséria. Muito mais prático é contornar o assunto, evitar até mesmo a palavra “comunismo”, omitir cuidadosamente as comparações e em vez disso concentrar as baterias no “trabalho do negativo”: a demonização constante e sistemática dos inimigos, donde resulta, por irrefreável automatismo mental, a canonização dos amigos, reforçada aqui e ali por alguma louvação discreta e comedida o bastante para não dar impressão de sectarismo. Toda argumentação explícita em favor de alguma idéia ou partido desperta irresistivelmente o impulso da contestação. A devoção tácita e indireta, consagrada em hábito inconsciente, inibe e paralisa a discussão, dando ao objeto de culto aquele poder mágico cuja conquista Antonio Gramsci considerava o objetivo supremo da propaganda comunista: “a autoridade onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.
Tal tem sido o objetivo estratégico e a única razão de ser da TV Cultura desde há muitos anos, e especialmente o de um programa cujo nome já é, por si, um dos emblemas consagrados da autobeatificação mitológica da esquerda como vitima santa e inocente da maldade direitista.
Chamarei a essa devoção “fanática”? O termo é inexato. O fanatismo supõe uma crença formal, positiva, declarada. Os homens do “Roda Viva”, como em geral os esquerdistas brasileiros, não necessitam de nada disso. O esquerdismo que os unifica, que lhes garante o esprit de corps, não consiste em nenhuma fé, em nenhuma doutrina, em nenhum projeto de sociedade explícito o bastante para poder ser discutido e, eventualmente, impugnado. Consiste unicamente no ódio ao inimigo, um inimigo que ao mesmo tempo não querem conhecer nem compreender, do qual só querem saber, com seletividade obstinada e fiel, o que podem dizer contra ele. No Brasil, a deformidade congênita da “imaginação esquerdista” descrita por Lionel Trilling tornou-se obrigação legal, critério de veracidade na mídia, mandamento número um da moral e princípio fundador da educação.
No fundo, todo esquerdismo, hoje em dia, é isso e nada mais que isso. Há muito tempo os comandantes do processo já desistiram de impor ao movimento revolucionário a unidade da vulgata marxista-leninista que dava aos militantes de outrora uns ares de “intelectuais populares” não desprovidos de certa nobreza. Hoje preferem dirigir as massas na base de slogans e palavras-de-ordem puramente emocionais, sem um arremedo sequer de conteúdo sociológico ou filosófico. Um marxista às antigas chamaria a isso “irracionalismo”, mas racionalismo e irracionalismo só existem no plano da discussão teórica. Esta foi substituída pelo engenharia comportamental, e, nessa clave, nada pode ser mais racional que a manipulação científica da irracionalidade alheia. Os arruaceiros de Nova York acreditam combater a alta finança internacional, mas seguem ordens de George Soros, que é a própria alta finança encarnada, apóiam o governo Obama, que é um pseudópodo de Wall Street, clamam por uma moeda mundial, que é a menina-dos-olhos da elite bancária globalista, e bradam de ódio a Rupert Murdoch, um homem de indústria totalmente alheio a especulações financeiras. Se não têm a menor idéia de contra quê estão lutando, tanto melhor: sua fúria pode ser canalizada contra qualquer alvo que o comando revolucionário escolha no momento.
A unidade da esquerda militante hoje em dia é simplesmente a do ódio – um ódio que se torna tanto mais radical e intolerante quanto mais vagos e indefinidos os objetos contra os quais se volta e as metas que nominalmente o inspiram. Como explicar, fora dessa perspectiva, o fato de que a esquerda internacional lute, ao mesmo tempo, pelo império do gayzismo e pelo triunfo do mais estrito moralismo islâmico, sem que surja, no seu seio, a mais mínima discussão a respeito, o mais leve sentimento de desconforto ante uma contradição intolerável?
É aí que se deve buscar também a raiz da facilidade com que uma militância inflada de retórica autobeatificante se acomoda, sem o mais mínimo escrúpulo de consciência, aos interesses do narcotráfico e do banditismo organizado em geral. Quando os sentimentos morais prescindem de qualquer deferência para com os dados da realidade e se condensam no puro ódio a um objeto indefinido, é inevitável que já não haja mais distância entre a presunção de santidade e o mergulho na treva mais funda do crime e da maldade.
Isso é a esquerda, hoje em dia: a síntese militante das ambições mais altas com os sentimentos mais baixos. A tensão insolúvel entre os dois pólos traz como conseqüência incontornável a redução da vida psíquica aos seus mecanismos mais toscos e elementares, o enrijecimento numa atitude de permanente autodefesa paranóica, a produção obsessiva de novos pretextos de ódio e, portanto, a supressão de toda compreensão humana, trocada por uma autopiedade cada vez mais exigente e rancorosa.
Em muitos países esse fenômeno está limitado às massas militantes, mas, no Brasil, onde a hegemonia esquerdista reina sem contraste, ele se tornou o padrão e norma da cultura nacional.
Eis o motivo pelo qual a lição de Lionel Trilling já não pode ser aprendida nesta parte do mundo. Uma esquerda civilizada, capaz de apreender os sentimentos morais de seus adversários (condição sine qua non da alternância democrática no poder), não tem razão de existir, nem possibilidade de vir a existir, num ambiente onde esses adversários se tornaram tão pequenos e inofensivos que a esquerda não precisa mais compreendê-los: pode inventá-los como bem lhe interesse.
http://www.olavodecarvalho.org/semana/111110dc.html
No artigo anterior falei do zelo devoto com que a matilha do “Roda Viva” defende a honra e o prestígio do movimento comunista, atacando seus inimigos a dentadas e habituando o público a dar por pressuposto, sem a mais mínima discussão, que ninguém pode ser anticomunista por motivo moralmente respeitável ou intelectualmente relevante. Nenhuma apologia do comunismo é mais eficaz e penetrante do que essa. Discursar em favor da estatização da economia, argumentar pela teoria da luta de classes, enaltecer o futuro brilhante da humanidade no jardim das delícias do socialismo – nada disso tem a força persuasiva da prática reiterada, tanto mais sedutora quanto mais implícita, de atribuir aos comunistas e seus parceiros o monopólio do bem e da virtude, reduzindo seus adversários e criticos à condição de delinqüentes pérfidos movidos por interesses egoístas. A propaganda comunista ostensiva colocaria o seu praticante na difícil contingência de ter de defender o indefensável: o genocídio, a tirania, o trabalho escravo, a miséria. Muito mais prático é contornar o assunto, evitar até mesmo a palavra “comunismo”, omitir cuidadosamente as comparações e em vez disso concentrar as baterias no “trabalho do negativo”: a demonização constante e sistemática dos inimigos, donde resulta, por irrefreável automatismo mental, a canonização dos amigos, reforçada aqui e ali por alguma louvação discreta e comedida o bastante para não dar impressão de sectarismo. Toda argumentação explícita em favor de alguma idéia ou partido desperta irresistivelmente o impulso da contestação. A devoção tácita e indireta, consagrada em hábito inconsciente, inibe e paralisa a discussão, dando ao objeto de culto aquele poder mágico cuja conquista Antonio Gramsci considerava o objetivo supremo da propaganda comunista: “a autoridade onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.
Tal tem sido o objetivo estratégico e a única razão de ser da TV Cultura desde há muitos anos, e especialmente o de um programa cujo nome já é, por si, um dos emblemas consagrados da autobeatificação mitológica da esquerda como vitima santa e inocente da maldade direitista.
Chamarei a essa devoção “fanática”? O termo é inexato. O fanatismo supõe uma crença formal, positiva, declarada. Os homens do “Roda Viva”, como em geral os esquerdistas brasileiros, não necessitam de nada disso. O esquerdismo que os unifica, que lhes garante o esprit de corps, não consiste em nenhuma fé, em nenhuma doutrina, em nenhum projeto de sociedade explícito o bastante para poder ser discutido e, eventualmente, impugnado. Consiste unicamente no ódio ao inimigo, um inimigo que ao mesmo tempo não querem conhecer nem compreender, do qual só querem saber, com seletividade obstinada e fiel, o que podem dizer contra ele. No Brasil, a deformidade congênita da “imaginação esquerdista” descrita por Lionel Trilling tornou-se obrigação legal, critério de veracidade na mídia, mandamento número um da moral e princípio fundador da educação.
No fundo, todo esquerdismo, hoje em dia, é isso e nada mais que isso. Há muito tempo os comandantes do processo já desistiram de impor ao movimento revolucionário a unidade da vulgata marxista-leninista que dava aos militantes de outrora uns ares de “intelectuais populares” não desprovidos de certa nobreza. Hoje preferem dirigir as massas na base de slogans e palavras-de-ordem puramente emocionais, sem um arremedo sequer de conteúdo sociológico ou filosófico. Um marxista às antigas chamaria a isso “irracionalismo”, mas racionalismo e irracionalismo só existem no plano da discussão teórica. Esta foi substituída pelo engenharia comportamental, e, nessa clave, nada pode ser mais racional que a manipulação científica da irracionalidade alheia. Os arruaceiros de Nova York acreditam combater a alta finança internacional, mas seguem ordens de George Soros, que é a própria alta finança encarnada, apóiam o governo Obama, que é um pseudópodo de Wall Street, clamam por uma moeda mundial, que é a menina-dos-olhos da elite bancária globalista, e bradam de ódio a Rupert Murdoch, um homem de indústria totalmente alheio a especulações financeiras. Se não têm a menor idéia de contra quê estão lutando, tanto melhor: sua fúria pode ser canalizada contra qualquer alvo que o comando revolucionário escolha no momento.
A unidade da esquerda militante hoje em dia é simplesmente a do ódio – um ódio que se torna tanto mais radical e intolerante quanto mais vagos e indefinidos os objetos contra os quais se volta e as metas que nominalmente o inspiram. Como explicar, fora dessa perspectiva, o fato de que a esquerda internacional lute, ao mesmo tempo, pelo império do gayzismo e pelo triunfo do mais estrito moralismo islâmico, sem que surja, no seu seio, a mais mínima discussão a respeito, o mais leve sentimento de desconforto ante uma contradição intolerável?
É aí que se deve buscar também a raiz da facilidade com que uma militância inflada de retórica autobeatificante se acomoda, sem o mais mínimo escrúpulo de consciência, aos interesses do narcotráfico e do banditismo organizado em geral. Quando os sentimentos morais prescindem de qualquer deferência para com os dados da realidade e se condensam no puro ódio a um objeto indefinido, é inevitável que já não haja mais distância entre a presunção de santidade e o mergulho na treva mais funda do crime e da maldade.
Isso é a esquerda, hoje em dia: a síntese militante das ambições mais altas com os sentimentos mais baixos. A tensão insolúvel entre os dois pólos traz como conseqüência incontornável a redução da vida psíquica aos seus mecanismos mais toscos e elementares, o enrijecimento numa atitude de permanente autodefesa paranóica, a produção obsessiva de novos pretextos de ódio e, portanto, a supressão de toda compreensão humana, trocada por uma autopiedade cada vez mais exigente e rancorosa.
Em muitos países esse fenômeno está limitado às massas militantes, mas, no Brasil, onde a hegemonia esquerdista reina sem contraste, ele se tornou o padrão e norma da cultura nacional.
Eis o motivo pelo qual a lição de Lionel Trilling já não pode ser aprendida nesta parte do mundo. Uma esquerda civilizada, capaz de apreender os sentimentos morais de seus adversários (condição sine qua non da alternância democrática no poder), não tem razão de existir, nem possibilidade de vir a existir, num ambiente onde esses adversários se tornaram tão pequenos e inofensivos que a esquerda não precisa mais compreendê-los: pode inventá-los como bem lhe interesse.
http://www.olavodecarvalho.org/semana/111110dc.html
AS BASES DE UM CONSERVADOR
O filósofo Olavo de Carvalho elaborou a lista ao lado para ajudar a diferenciar conservadores de revolucionários
TRADIÇÃO
O conservador preza a experiência passada como forma de pensar o presente, em contra-ponto ao revolucionário, que entende o presente com base num futuro hipotético
PROVIDÊNCIA
O povo não deve sofrer os efeitos das escolhas de gerações anteriores. Os políticos têm o direito de experimentar e aprender com a experiência, mas não o de testar práticas arriscadas de longo prazo
REFORMA
Governos não têm o direito de fazer algo que os seguintes não possam desfazer. Nenhuma ordem social do passado foi tão ruim a ponto de bloquear a mera possibilidade de uma nova ordem
DEMOCRACIA
A revogabilidade das medidas de governo é um princípio democrático essencial, mas propostas revolucionárias tendem a concentrar o poder e a excluir para sempre as propostas alternativas
EQUILÍBRIO
A mentalidade revolucionária não é um traço permanente da natureza humana e deve ser erradicada como condição essencial para a sobrevivência da liberdade no mundo
http://epocasaopaulo.globo.com/vida-urbana/quem-sao-e-o-que-pensam-os-jovens-militantes-de-direita-que-fazem-usp/
TRADIÇÃO
O conservador preza a experiência passada como forma de pensar o presente, em contra-ponto ao revolucionário, que entende o presente com base num futuro hipotético
PROVIDÊNCIA
O povo não deve sofrer os efeitos das escolhas de gerações anteriores. Os políticos têm o direito de experimentar e aprender com a experiência, mas não o de testar práticas arriscadas de longo prazo
REFORMA
Governos não têm o direito de fazer algo que os seguintes não possam desfazer. Nenhuma ordem social do passado foi tão ruim a ponto de bloquear a mera possibilidade de uma nova ordem
DEMOCRACIA
A revogabilidade das medidas de governo é um princípio democrático essencial, mas propostas revolucionárias tendem a concentrar o poder e a excluir para sempre as propostas alternativas
EQUILÍBRIO
A mentalidade revolucionária não é um traço permanente da natureza humana e deve ser erradicada como condição essencial para a sobrevivência da liberdade no mundo
http://epocasaopaulo.globo.com/vida-urbana/quem-sao-e-o-que-pensam-os-jovens-militantes-de-direita-que-fazem-usp/
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
“Que eles cortem toda assistência”: países africanos se revoltam contra ameaça da Inglaterra de cortar assistência por causa da homossexualidade
Peter Baklinski
África, 8 de novembro de 2011 (Notícias Pró-Família) — O presidente de Gana está liderando a investida enquanto vários países africanos estão assumindo posturas contra a ameaça da Inglaterra para que eles legalizem os atos homossexuais ou sejam excluídos de receber assistência financeira.
“Eu, como presidente desta nação, nunca iniciarei nem apoiarei tentativa alguma de legalizar a homossexualidade em Gana”, disse o presidente John Evans Atta Mills numa declaração oficial para o governo da Inglaterra sob o primeiro-ministro David Cameron na quarta-feira passada.
Na Reunião de Chefes de Governo da Comunidade Britânica de Nações em Perth, Austrália no final de outubro, na qual o primeiro-ministro Cameron esteve presente, a questão da homossexualidade nos países em desenvolvimento foi levantada num relatório interno que recomendava que todos os países da Comunidade eliminassem as leis que proibiam a atividade homossexual, conforme disse uma reportagem da BBC.
Cameron, falando no programa de televisão The Andrew Marr Show em Perth durante sua estada na Austrália, disse: “A assistência britânica deveria ter mais obrigações específicas”.
“A Inglaterra é agora uma das nações que mais dão assistência no mundo. Queremos ver os países que recebem nossa assistência respeitando direitos humanos específicos, e isso inclui o modo como as pessoas tratam os indivíduos gays e lésbicos”, continuou Cameron.
“Estamos dizendo que esta é uma das coisas que determinarão nossa política de assistência”, disse ele, acrescentando que “esses países [africanos] estão todos num percurso [para superar a discriminação] e cabe a nós ajudá-los ao longo desse percurso”.
Entretanto, o presidente Mills respondeu rapidamente que a Inglaterra não tem o direito de decretar ou anular os valores culturais e morais de Gana.
“Ninguém pode negar ao primeiro-ministro Cameron seu direito de fazer políticas, adotar iniciativas ou fazer declarações que reflitam as normas e ideais de sua sociedade. Mas, ele não tem o direito de dirigir outras nações soberanas quanto ao que devem fazer, principalmente em áreas em que as normas e ideais de suas sociedades são diferentes das normas e ideais que existem na sociedade do primeiro-ministro Cameron”.
“Embora agradeçamos toda a assistência financeira e toda a ajuda que nos foi dada por nossos parceiros de desenvolvimento, não aceitaremos nenhuma assistência que venha acompanhada de ‘imposição de condições’ se essa ajuda não beneficiar nossos interesses, ou se a implementação — ou a utilização — dessa ajuda com condições impostas particularmente piorasse nossa difícil situação como nação, ou destruísse a própria sociedade onde queremos usar o dinheiro para trazer melhorias”.
Malaui
Antes das declarações de Mills, Patricia Kaliati, porta-voz do governo de Malaui, disse que era “deplorável” que a Inglaterra estivesse considerando “condições pró-homossexualismo” para dar assistência, acrescentando que os atos homossexuais são ilegais em Malaui. Ela comentou que tais leis são um legado do governo britânico, conforme disse reportagem do jornal Nyasa Times.
Uganda
Igualmente em 31 de outubro, John Nagenda, conselheiro presidencial de Uganda, fez uma declaração forte para a BBC, dizendo que os ugandenses estavam “cansados desses sermões” e não deveriam ser tratados “como crianças”, acrescentando que a “mentalidade de truculência” de Cameron é “muito errada”.
“Uganda, se você recorda, é um Estado soberano e estamos cansados de pessoas que nos passam esses sermões”.
“Se eles querem levar seu dinheiro, que assim seja”, concluiu ele.
Tanzânia
Depois das declarações de Mill, a Tanzânia se adicionou à crescente lista de países africanos que estão dizendo que não farão concessões com seus valores culturais e morais, ainda que isso signifique perder o apoio financeiro da Inglaterra.
“A Tanzânia jamais aceitará a proposta de Cameron porque temos nossos próprios valores morais. A homossexualidade não é parte da nossa cultura e jamais a legalizaremos”, disse Bernard Membe, ministro das relações exteriores, de acordo com o jornal Guardian da Tanzânia.
“A Tanzânia está pronta para terminar suas relações diplomáticas com a Inglaterra se o governo inglês impuser condições na assistência que dá para pressionar em favor da aceitação de leis que reconhecem a homossexualidade”.
“Somos guiados por nossa tradição. Temos famílias compostas por uma mãe, um pai e filhos. O que Cameron está fazendo pode levar ao colapso da Comunidade Britânica de Nações”.
Zanzibar
Zanzibar, o arquipélago semiautônomo da Tanzânia, também se manifestou publicamente contra a assistência britânica acompanhada de condições impostas.
“Temos uma forte cultura zanzibar e islâmica que detesta as atividades gays e lésbicas, e para qualquer um que nos disser que a assistência de desenvolvimento está ligada à aceitação da homossexualidade, vamos dizer ‘não”, disse Ali Mohamed Shein, presidente do Zanzibar, para jornalistas na última sexta-feira.
“Não podemos fazer concessões desonrosas com relação à nossa cultura profundamente enraizada nem permitir algo que é completamente contra nossa religião. Que eles cortem sua assistência [para nós]”.
Os atos homossexuais são ilegais, em maior ou menor grau, em 40 dos 53 países africanos, de acordo com um levantamento feito pela Associação Internacional de Gays e Lésbicas.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
APROVADO novo Código Florestal nas comissões de Agricultura e Ciência
O relatório do senador Luiz Henrique da Silveira do novo Código Florestal brasileiro acaba de ser aprovado nas comissões de Ciência e Tecnologia e Agricultura e Reforma Agrária.
A votação nas duas comissões foi nominal. Na de Ciência e Tecnologia, foram 10 votos a favor e apenas 1 contra, o da senadora Marinor Brito. Já na comissão de Agricultura e Reforma Agrária, a aprovação foi unânime.
Veja os votos:
COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA:
ANGELA PORTELA – SIM
ANIBAL DINIZ – SIM
VALTER PINHEIRO – SIM
ANTONIO CARLOS VALLADARES – SIM
RODRIGO ROLLEMBERG – SIM
CIRO NOGUEIRA – SIM
EUNICIO OLIVEIRA – SIM
CIRO MIRANDA – SIM
FLECHA RIBEIRO – SIM
ALUISIO NUNES FERREIRA – SIM
MARINOR BRITO – NÃO
COMISSÃO DE AGRICULTURA E REFORMA AGRÁRIA
ANTONIO RUSSO – SIM
RODRIGO ROLLEMEBERG – SIM
VALTER PINHEIRO – SIM
VALDEMIR MOKA – SIM
REDITARIO CASOL – SIM
VALDI RALPI – SIM
FLECHA RIBEIRO – SIM
CIRO MIRANDA – SIM
JAYME CAMPOS – SIM
SÉRGIO SOUZA – SIM
Os destaques e as emendas serão votados somente amanhã (9) em uma nova reunião que terá início às 8h30.
>> Na Agência Senado: Os destaques de votação em separado, referentes a emendas rejeitadas pelo relator, serão examinados em reunião marcada para esta quarta-feira (9), às 8h30. Entre esses destaques, estão propostas dos senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Antonio Carlos Valadares (PSB-DF) referentes à recomposição das matas ciliares.
Depois de concluída a votação na CRA e na CCT, o Código Florestal será analisado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), onde é relatado por Jorge Viana (PT-AC). Depois disso, irá ao Plenário. Se aprovado pelo Senado, o projeto deverá retornar à Câmara, em razão de ter sido modificado.
>> Valadares propõe três alterações no relatório do novo Código Florestal
O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) apresentou três destaques (propostas de alteração) ao relatório do novo Código Florestal (PLC 30/2011). No primeiro, ele sugere que a delimitação de mata ciliar seja a partir do leito maior dos rios (no período de cheias) e não da calha regular, como consta do texto.
Em outro destaque, Valadares propõe que seja detalhada a regra para situações excepcionais para supressão da vegetação nativa em Área de Preservação Permanente (APP).
No terceiro, ele propõe que o prazo para adesão a programa de regularização ambiental seja prorrogado por uma única vez. Conforme argumenta, a possibilidade de prorrogações indefinidas, como consta do texto em exame, configura em "anistia eterna" para aqueles que desmataram irregularmente áreas protegidas.
Ao comentar os destaques, o relator do projeto, Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), disse ser consenso que a APP em margens dos rios seja delimitada a partir da calha regular.
Quanto aos outros destaques, Luiz Henrique disse considerar possível que sejam acatados, mas apenas quando da tramitação na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), para onde o texto seguirá após votação nas comissões de Agricultura (CRA) e de Ciência e Tecnologia (CCT).
>> Rollemberg apresenta três destaques ao projeto de Código Florestal
O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) quer incluir três dispositivos no projeto do novo Código Florestal. Uma de suas propostas é incluir norma para a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) em rios com mais de dez metros de largura.
O relatório do senador Luiz Henrique (PMDB-SC) já prevê que, para rios com até essa largura, seja obrigatória a recomposição de apenas 15 metros de mata ciliar, e não 30 metros, que é a norma para APPs ripárias em rios com até dez metros de largura. Mas o texto é omisso quanto às regras de recomposição de matas nas margens de rios mais largos. Rollemberg propõe 30 metros de APP para rios de 10 a 100 metros; 50 metros de APP para rios de 100 a 200 metros de largura; e 100 metros de APP para rios com largura acima de 200 metros.
Outra alteração proposta por Rollemberg é deixar explícito que a desobrigação de recomposição de reserva legal, nos casos de propriedades de até quatro módulos fiscais, só é válida para as propriedades que tinham quatro módulos em 22 de julho de 2008. Ele afirmou que essa exigência não está clara no texto de Luiz Henrique.
Por fim, Rollemberg quer incluir dispositivo para prever que uma das formas de recuperação de espécies nativas seja a regeneração natural, "já que em muitos casos o mero isolamento de uma APP, por muitos anos seguidos, é capaz de promover a sua regeneração".
O relator Luiz Henrique disse que é possível chegar a uma convergência sobre esses pontos.
http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/codigo-florestal/98784-ao-vivo-codigo-florestal-sera-votado-hoje-pelas-comissoes-de-agricultura-e-tecnologia.html
A votação nas duas comissões foi nominal. Na de Ciência e Tecnologia, foram 10 votos a favor e apenas 1 contra, o da senadora Marinor Brito. Já na comissão de Agricultura e Reforma Agrária, a aprovação foi unânime.
Veja os votos:
COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA:
ANGELA PORTELA – SIM
ANIBAL DINIZ – SIM
VALTER PINHEIRO – SIM
ANTONIO CARLOS VALLADARES – SIM
RODRIGO ROLLEMBERG – SIM
CIRO NOGUEIRA – SIM
EUNICIO OLIVEIRA – SIM
CIRO MIRANDA – SIM
FLECHA RIBEIRO – SIM
ALUISIO NUNES FERREIRA – SIM
MARINOR BRITO – NÃO
COMISSÃO DE AGRICULTURA E REFORMA AGRÁRIA
ANTONIO RUSSO – SIM
RODRIGO ROLLEMEBERG – SIM
VALTER PINHEIRO – SIM
VALDEMIR MOKA – SIM
REDITARIO CASOL – SIM
VALDI RALPI – SIM
FLECHA RIBEIRO – SIM
CIRO MIRANDA – SIM
JAYME CAMPOS – SIM
SÉRGIO SOUZA – SIM
Os destaques e as emendas serão votados somente amanhã (9) em uma nova reunião que terá início às 8h30.
>> Na Agência Senado: Os destaques de votação em separado, referentes a emendas rejeitadas pelo relator, serão examinados em reunião marcada para esta quarta-feira (9), às 8h30. Entre esses destaques, estão propostas dos senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Antonio Carlos Valadares (PSB-DF) referentes à recomposição das matas ciliares.
Depois de concluída a votação na CRA e na CCT, o Código Florestal será analisado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), onde é relatado por Jorge Viana (PT-AC). Depois disso, irá ao Plenário. Se aprovado pelo Senado, o projeto deverá retornar à Câmara, em razão de ter sido modificado.
>> Valadares propõe três alterações no relatório do novo Código Florestal
O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) apresentou três destaques (propostas de alteração) ao relatório do novo Código Florestal (PLC 30/2011). No primeiro, ele sugere que a delimitação de mata ciliar seja a partir do leito maior dos rios (no período de cheias) e não da calha regular, como consta do texto.
Em outro destaque, Valadares propõe que seja detalhada a regra para situações excepcionais para supressão da vegetação nativa em Área de Preservação Permanente (APP).
No terceiro, ele propõe que o prazo para adesão a programa de regularização ambiental seja prorrogado por uma única vez. Conforme argumenta, a possibilidade de prorrogações indefinidas, como consta do texto em exame, configura em "anistia eterna" para aqueles que desmataram irregularmente áreas protegidas.
Ao comentar os destaques, o relator do projeto, Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), disse ser consenso que a APP em margens dos rios seja delimitada a partir da calha regular.
Quanto aos outros destaques, Luiz Henrique disse considerar possível que sejam acatados, mas apenas quando da tramitação na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), para onde o texto seguirá após votação nas comissões de Agricultura (CRA) e de Ciência e Tecnologia (CCT).
>> Rollemberg apresenta três destaques ao projeto de Código Florestal
O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) quer incluir três dispositivos no projeto do novo Código Florestal. Uma de suas propostas é incluir norma para a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) em rios com mais de dez metros de largura.
O relatório do senador Luiz Henrique (PMDB-SC) já prevê que, para rios com até essa largura, seja obrigatória a recomposição de apenas 15 metros de mata ciliar, e não 30 metros, que é a norma para APPs ripárias em rios com até dez metros de largura. Mas o texto é omisso quanto às regras de recomposição de matas nas margens de rios mais largos. Rollemberg propõe 30 metros de APP para rios de 10 a 100 metros; 50 metros de APP para rios de 100 a 200 metros de largura; e 100 metros de APP para rios com largura acima de 200 metros.
Outra alteração proposta por Rollemberg é deixar explícito que a desobrigação de recomposição de reserva legal, nos casos de propriedades de até quatro módulos fiscais, só é válida para as propriedades que tinham quatro módulos em 22 de julho de 2008. Ele afirmou que essa exigência não está clara no texto de Luiz Henrique.
Por fim, Rollemberg quer incluir dispositivo para prever que uma das formas de recuperação de espécies nativas seja a regeneração natural, "já que em muitos casos o mero isolamento de uma APP, por muitos anos seguidos, é capaz de promover a sua regeneração".
O relator Luiz Henrique disse que é possível chegar a uma convergência sobre esses pontos.
http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/codigo-florestal/98784-ao-vivo-codigo-florestal-sera-votado-hoje-pelas-comissoes-de-agricultura-e-tecnologia.html
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
VENCENDO O COMODISMO - PARASHÁ LECH LECHÁ 5772
"Certa vez foi realizada uma expedição de cientistas com a missão de capturar uma espécie rara de macacos nas selvas africanas, para que estes macacos pudessem contribuir em um importante estudo biológico. Seria uma missão difícil, pois os macacos deveriam ser capturados vivos e ilesos, sem nenhum tipo de ferimento. Por isso a utilização de dardos tranquilizantes foi completamente descartada.
Para liderar a missão foi contratado um grupo de cientistas que conheciam todos os hábitos desta espécie de macaco. Após algum tempo de estudos e testes eles conseguiram desenvolver uma armadilha muito engenhosa e, ao mesmo tempo, extremamente simples. Foram fabricados frascos de vidro com um gargalo longo e estreito, suficiente apenas para que passasse a mão aberta de um macaco. Dentro do frasco foram colocadas nozes, a comida preferida desta espécie. Vários destes frascos foram fixados na terra, enquanto uma pequena quantidade de nozes também foi espalhada em volta dos frascos como forma de atrair os macacos para a armadilha. Depois disso os cientistas continuaram acompanhando, à distância, o comportamento dos macacos.
Como a armadilha funcionava? Quando o macaco sentia o cheiro das nozes dentro do frasco, ele enfiava a mão através da estreita abertura e pegava um punhado de nozes. Mas quando tentava tirar a braço com a mão fechada, ficava preso, pois a mão aberta passava pelo gargalo estreito, mas a mão fechada não.
Mas por que os macacos ficavam presos? Era só abrir a mão e eles estariam livres! O mais incrível foi perceber que os macacos desejavam tanto as nozes que, mesmo vendo os cientistas se aproximando para capturá-los, não conseguiam abrir a mão e deixar as sonhadas nozes para trás. Assim os macacos foram facilmente capturados, sem a necessidade de causar nenhum tipo de ferimento neles"
Podemos rir dos macacos, pensando que são muito tolos. Mas em alguns aspectos nos comportamos como eles. Nos apegamos tanto a algumas coisas materiais que, mesmo sabendo que elas nos prendem e não nos deixam crescer espiritualmente, não conseguimos nos soltar.
********************************************
Na Parashá que lemos nesta semana, Lech Lechá, a Torá nos descreve alguns dos grandes testes aos quais Avraham foi submetido durante sua vida. No total foram 10 testes, e Avraham conseguiu passar com sucesso por todos. Ele demonstrou ao mundo sua gigantesca força espiritual e seus méritos nos ajudam, até hoje, a vencer nossos testes cotidianos.
A Parashá começa justamente com um dos testes, conforme está escrito: "E D'us disse para Avram: saia para você da sua terra, dos seus parentes, da casa do teu pai, e vá para a terra que Eu te mostrarei" (Bereshit 12:1). Aparentemente abandonar a casa e ir para outro lugar parece um teste fácil, já que muitos fazem isso. Muitas pessoas mudam de cidade ou até mesmo de país em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida. Mas refletindo um pouco, percebemos que para Avraham foi um grande teste de Emuná (fé). Ele não saiu de sua casa e da sua terra para buscar melhores condições. Ele já tinha seu sustento garantido e estava próximo da família. Ele saiu apenas porque D'us pediu para que ele abandonasse tudo.
Além disso, uma pessoa que sai por vontade de sua terra sabe aonde quer chegar, mas D'us não revelou para Avraham nem mesmo para onde ele iria. D'us o levaria para perto ou para longe? Quem seriam os habitantes deste novo lugar? De onde ele conseguiria seu sustento? Seria recebido de forma amigável ou teria problemas com os moradores? Eram muitas perguntas sem resposta. E apesar das dificuldades, Avraham venceu o teste e seguiu o comando de D'us sem questionamentos, como está escrito "E Avram pegou sua esposa Sarai e Lót, filho de seu irmão... e saíram para ir à terra de Knaan, e chegaram à terra de Knaan" (Bereshit 12:5).
Observando atentamente este último versículo, surge uma grande pergunta: a Torá foi escrita de uma maneira muito concisa, de forma que mesmo uma letra "sobrando" carrega consigo ensinamentos profundos. Mas este versículo parece fugir da regra, pois se Avraham saiu de Charan para ir a Knaan, por que a Torá precisou escrever que ele chegou a Knaan? Não é óbvio?
A resposta está no final da Parashá da semana passada, Noach. A Parashá terminou falando sobre o pai de Avraham, Terach, que era um grande idólatra. Terach, por algum motivo não revelado pela Torá, também quis sair de sua casa para ir à terra de Knaan, mas nunca chegou ao seu objetivo, como está escrito: "E pegou Terach seu filho Avram, e Lót, filho de Haran, filho do seu filho, e sua nora Sarai, esposa de seu filho Avram, e saiu com eles de Ur Kasdim para ir até a terra de Knaan. E chegaram até Charan e se estabeleceram lá" (Bereshit 11:31). Se Terach queria ir para a terra de Knaan, por que ele parou no meio do caminho, em Charan, e ficou? Além disso, este detalhe sobre a vida de Terach é aparentemente desnecessário. Que mensagem a Torá está nos transmitindo?
Fomos criados com um potencial espiritual. Nosso trabalho neste mundo, durante o tempo limitado que nos foi dado, é preencher este potencial e meritar a vida eterna no Mundo Vindouro. D'us criou o mundo material para nos dar, através do livre arbítrio, méritos por cada escolha correta. E para nos dar um livre arbítrio verdadeiro, D'us criou o ser humano composto por duas partes: uma alma, que busca a espiritualidade, e um corpo, que se conecta com o material. Nosso trabalho é fazer com que a alma tenha controle sobre o corpo, para que os dois juntos cheguem ao objetivo final: utilizar o mundo material como um meio para atingir o espiritual. A maneira de fazer isto é através das Mitsvót, que conectam o mundo material com o mundo espiritual. A maioria das Mitsvót envolve objetos físicos que, quando utilizados da maneira correta, criam espiritualidade.
Mas o que acontece quando deixamos o corpo comandar as escolhas? O corpo se desvia do caminho e começa a se afundar na busca incessante pelos desejos materiais, como um cavalo que sai da estrada em busca de comida e sombra quando percebe que seu condutor adormeceu. A pessoa se acomoda com os prazeres materiais e perde a vontade de realizar seu trabalho espiritual. Ela perde o foco de qual é o seu trabalho neste mundo temporário.
A Terra de Knaan, que futuramente foi chamada de Terra de Israel, representa o nosso máximo potencial espiritual, a nossa meta. Tanto Terach quanto Avraham saíram de suas casas, isto é, iniciaram sua jornada espiritual em direção ao seu objetivo. Mas a diferença entre Avraham e Terach estava na perseverança. Terach queria ir até o final, mas chegou a Charan e se acomodou. Avraham manteve o foco, ele saiu em direção à terra de Knaan e não parou até chegar lá.
Todos nós também passamos por este teste na vida, o teste de vencer o comodismo, de procurar a verdade, de cumprir nosso papel espiritual no mundo. Mas por que vemos tantos que não conseguem chegar? Por que vemos tantas pessoas vivendo vidas completamente sem sentido? Pois muitos pensam que para atingir o propósito é necessário abrir mão de todo o conforto e prazer. Imaginam que viver uma vida espiritual é algo pesado e, por isso, desistem antes de começar. Mas isto é um grande erro. As palavras com as quais D'us ordenou a Avraham sair de sua casa nos ensinam que nós temos apenas a ganhar seguindo os caminhos espirituais. D'us não falou para Avraham apenas "Lech" (saia), Ele disse "Lech Lechá" (saia para você), isto é, para o seu benefício, para que você cresça, para que você descubra seu potencial e aumente seus méritos. Tudo o que D'us nos pede é para o nosso próprio bem.
Terach, que parou no meio do caminho, morreu como mais um idólatra, equivocado nas suas crenças infundadas, enquanto Avraham foi até o final e se transformou em um dos pilares do mundo. Se hoje em dia mais de 75% do mundo é monoteísta, isto é consequência da perseverança de Avraham, que não se acomodou, não viveu em busca de conforto nem se enfraqueceu com as dificuldades que surgiram. E se o teste se repete, as escolhas também. Podemos nos esforçar e, como Avraham, dar nossa contribuição para o mundo, ou nos comportar como os macacos que, presos pelos seus desejos, já não conseguem mais ser livres de verdade.
SHABAT SHALOM
R' Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Gn.12:1-17:27, Is. 40:27-41:16, Rm. 4:1-25
Para liderar a missão foi contratado um grupo de cientistas que conheciam todos os hábitos desta espécie de macaco. Após algum tempo de estudos e testes eles conseguiram desenvolver uma armadilha muito engenhosa e, ao mesmo tempo, extremamente simples. Foram fabricados frascos de vidro com um gargalo longo e estreito, suficiente apenas para que passasse a mão aberta de um macaco. Dentro do frasco foram colocadas nozes, a comida preferida desta espécie. Vários destes frascos foram fixados na terra, enquanto uma pequena quantidade de nozes também foi espalhada em volta dos frascos como forma de atrair os macacos para a armadilha. Depois disso os cientistas continuaram acompanhando, à distância, o comportamento dos macacos.
Como a armadilha funcionava? Quando o macaco sentia o cheiro das nozes dentro do frasco, ele enfiava a mão através da estreita abertura e pegava um punhado de nozes. Mas quando tentava tirar a braço com a mão fechada, ficava preso, pois a mão aberta passava pelo gargalo estreito, mas a mão fechada não.
Mas por que os macacos ficavam presos? Era só abrir a mão e eles estariam livres! O mais incrível foi perceber que os macacos desejavam tanto as nozes que, mesmo vendo os cientistas se aproximando para capturá-los, não conseguiam abrir a mão e deixar as sonhadas nozes para trás. Assim os macacos foram facilmente capturados, sem a necessidade de causar nenhum tipo de ferimento neles"
Podemos rir dos macacos, pensando que são muito tolos. Mas em alguns aspectos nos comportamos como eles. Nos apegamos tanto a algumas coisas materiais que, mesmo sabendo que elas nos prendem e não nos deixam crescer espiritualmente, não conseguimos nos soltar.
********************************************
Na Parashá que lemos nesta semana, Lech Lechá, a Torá nos descreve alguns dos grandes testes aos quais Avraham foi submetido durante sua vida. No total foram 10 testes, e Avraham conseguiu passar com sucesso por todos. Ele demonstrou ao mundo sua gigantesca força espiritual e seus méritos nos ajudam, até hoje, a vencer nossos testes cotidianos.
A Parashá começa justamente com um dos testes, conforme está escrito: "E D'us disse para Avram: saia para você da sua terra, dos seus parentes, da casa do teu pai, e vá para a terra que Eu te mostrarei" (Bereshit 12:1). Aparentemente abandonar a casa e ir para outro lugar parece um teste fácil, já que muitos fazem isso. Muitas pessoas mudam de cidade ou até mesmo de país em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida. Mas refletindo um pouco, percebemos que para Avraham foi um grande teste de Emuná (fé). Ele não saiu de sua casa e da sua terra para buscar melhores condições. Ele já tinha seu sustento garantido e estava próximo da família. Ele saiu apenas porque D'us pediu para que ele abandonasse tudo.
Além disso, uma pessoa que sai por vontade de sua terra sabe aonde quer chegar, mas D'us não revelou para Avraham nem mesmo para onde ele iria. D'us o levaria para perto ou para longe? Quem seriam os habitantes deste novo lugar? De onde ele conseguiria seu sustento? Seria recebido de forma amigável ou teria problemas com os moradores? Eram muitas perguntas sem resposta. E apesar das dificuldades, Avraham venceu o teste e seguiu o comando de D'us sem questionamentos, como está escrito "E Avram pegou sua esposa Sarai e Lót, filho de seu irmão... e saíram para ir à terra de Knaan, e chegaram à terra de Knaan" (Bereshit 12:5).
Observando atentamente este último versículo, surge uma grande pergunta: a Torá foi escrita de uma maneira muito concisa, de forma que mesmo uma letra "sobrando" carrega consigo ensinamentos profundos. Mas este versículo parece fugir da regra, pois se Avraham saiu de Charan para ir a Knaan, por que a Torá precisou escrever que ele chegou a Knaan? Não é óbvio?
A resposta está no final da Parashá da semana passada, Noach. A Parashá terminou falando sobre o pai de Avraham, Terach, que era um grande idólatra. Terach, por algum motivo não revelado pela Torá, também quis sair de sua casa para ir à terra de Knaan, mas nunca chegou ao seu objetivo, como está escrito: "E pegou Terach seu filho Avram, e Lót, filho de Haran, filho do seu filho, e sua nora Sarai, esposa de seu filho Avram, e saiu com eles de Ur Kasdim para ir até a terra de Knaan. E chegaram até Charan e se estabeleceram lá" (Bereshit 11:31). Se Terach queria ir para a terra de Knaan, por que ele parou no meio do caminho, em Charan, e ficou? Além disso, este detalhe sobre a vida de Terach é aparentemente desnecessário. Que mensagem a Torá está nos transmitindo?
Fomos criados com um potencial espiritual. Nosso trabalho neste mundo, durante o tempo limitado que nos foi dado, é preencher este potencial e meritar a vida eterna no Mundo Vindouro. D'us criou o mundo material para nos dar, através do livre arbítrio, méritos por cada escolha correta. E para nos dar um livre arbítrio verdadeiro, D'us criou o ser humano composto por duas partes: uma alma, que busca a espiritualidade, e um corpo, que se conecta com o material. Nosso trabalho é fazer com que a alma tenha controle sobre o corpo, para que os dois juntos cheguem ao objetivo final: utilizar o mundo material como um meio para atingir o espiritual. A maneira de fazer isto é através das Mitsvót, que conectam o mundo material com o mundo espiritual. A maioria das Mitsvót envolve objetos físicos que, quando utilizados da maneira correta, criam espiritualidade.
Mas o que acontece quando deixamos o corpo comandar as escolhas? O corpo se desvia do caminho e começa a se afundar na busca incessante pelos desejos materiais, como um cavalo que sai da estrada em busca de comida e sombra quando percebe que seu condutor adormeceu. A pessoa se acomoda com os prazeres materiais e perde a vontade de realizar seu trabalho espiritual. Ela perde o foco de qual é o seu trabalho neste mundo temporário.
A Terra de Knaan, que futuramente foi chamada de Terra de Israel, representa o nosso máximo potencial espiritual, a nossa meta. Tanto Terach quanto Avraham saíram de suas casas, isto é, iniciaram sua jornada espiritual em direção ao seu objetivo. Mas a diferença entre Avraham e Terach estava na perseverança. Terach queria ir até o final, mas chegou a Charan e se acomodou. Avraham manteve o foco, ele saiu em direção à terra de Knaan e não parou até chegar lá.
Todos nós também passamos por este teste na vida, o teste de vencer o comodismo, de procurar a verdade, de cumprir nosso papel espiritual no mundo. Mas por que vemos tantos que não conseguem chegar? Por que vemos tantas pessoas vivendo vidas completamente sem sentido? Pois muitos pensam que para atingir o propósito é necessário abrir mão de todo o conforto e prazer. Imaginam que viver uma vida espiritual é algo pesado e, por isso, desistem antes de começar. Mas isto é um grande erro. As palavras com as quais D'us ordenou a Avraham sair de sua casa nos ensinam que nós temos apenas a ganhar seguindo os caminhos espirituais. D'us não falou para Avraham apenas "Lech" (saia), Ele disse "Lech Lechá" (saia para você), isto é, para o seu benefício, para que você cresça, para que você descubra seu potencial e aumente seus méritos. Tudo o que D'us nos pede é para o nosso próprio bem.
Terach, que parou no meio do caminho, morreu como mais um idólatra, equivocado nas suas crenças infundadas, enquanto Avraham foi até o final e se transformou em um dos pilares do mundo. Se hoje em dia mais de 75% do mundo é monoteísta, isto é consequência da perseverança de Avraham, que não se acomodou, não viveu em busca de conforto nem se enfraqueceu com as dificuldades que surgiram. E se o teste se repete, as escolhas também. Podemos nos esforçar e, como Avraham, dar nossa contribuição para o mundo, ou nos comportar como os macacos que, presos pelos seus desejos, já não conseguem mais ser livres de verdade.
SHABAT SHALOM
R' Efraim Birbojm
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Gn.12:1-17:27, Is. 40:27-41:16, Rm. 4:1-25
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