"O Rav Avraham Grodzinski, que chegou a ser o Mashguiach (líder espiritual) da Yeshivá de Slobodka, era um grande erudito de Torá desde muito jovem. Aos 17 anos ele começou a estudar na Yeshivá de Slobodka, tornando-se muito próximo do Rosh Yeshivá (Diretor), Rav Natan Tzvi Finkel. Além de se destacar nos estudos, ele era um rapaz com excelentes Midót (traços de caráter), em especial a vontade de ajudar aos outros. Desde pequeno, enquanto seus amigos iam brincar, ele acompanhava seu pai em trabalhos comunitários voluntários ou se esforçava para cumprir com perfeição a Mitzvá de Achnassat Orchim (receber convidados), pois sua casa estava constantemente cheia de convidados e visitas, em geral rabinos importantes e grandes estudiosos de Torá.
Foi justamente por todas estas boas qualidades que o Rav Ber Hirsch Heller, que na época era o Mashguiach da Yeshivá de Slobodka, quis casá-lo com sua filha, Chasia. Eles saíram algumas vezes para se conhecerem melhor e, como era esperado, ela ficou encantada com o rapaz. Apenas algo a incomodava demais: o Rav Grodzinski era notavelmente manco de uma das pernas. Infelizmente, por este motivo, ela desistiu de se comprometer com ele, deixando seu pai muito triste.
Algum tempo depois Chasia estava subindo no sótão da casa quando escorregou da escada e caiu, quebrando imediatamente a perna. Sabendo que nada ocorre por acaso, ela refletiu sobre os motivos pelos quais D'us teria mandado aquele sofrimento. O único motivo que veio em sua cabeça foi a tristeza que havia causado ao pai por ter desistido de se casar com o Rav Avraham Grodzinki, um rapaz com tanto potencial e tão boas Midót. Ficou arrepiada ao notar que havia quebrado justamente a mesma perna que ele mancava.
Arrependida de sua decisão equivocada, ele comunicou ao pai que gostaria se comprometer com o Rav Avraham Grodzinski, trazendo muita alegria para ambas as famílias. Após algum tempo eles finalmente se casaram e construíram uma casa com muita Torá e muito Chessed (bondade), cujas portas estavam sempre abertas para qualquer necessitado"
D'us está constantemente nos mandando "recados". Será que estamos "sintonizados" para escutar e entender o que Ele nos diz?
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Na Parashá desta semana, Ekev, Moshé continuou seu discurso de despedida, enfatizando ao povo judeu a necessidade de reforçar a Emuná (fé) no momento em eles estavam prestes a entrar na Terra de Israel. Por que ele sentiu a necessidade de reforçar a Emuná do povo justamente neste momento? Pois o decreto de permanecer 40 anos vagando no deserto foi consequência justamente da falta de Emuná. Como o povo havia passado por muitos sofrimentos e dificuldades, principalmente após alguns erros graves cometidos e os conseqüentes castigos recebidos, Moshé tentou encorajá-los e motivá-los, como está escrito: "E você deve saber em seu coração que, da mesma forma que um pai castiga seu filho, assim D'us castiga vocês" (Devarim 8:5). Que ensinamento Moshé quis transmitir ao comparar os castigos de D'us com a forma como um pai castiga seu filho?
O primeiro ponto é que um pai só castiga seu filho por amor e pelo seu crescimento. O pai sofre quando precisa castigar seu filho, mas sabe que o castigo é importante para que ele não continue nos caminhos errados. D'us também nos manda sofrimentos somente por amor e para o nosso próprio benefício. D'us tem controle sobre todo o universo, não há nada que Ele não possa fazer. Portanto, quando chega sobre nós alguma dificuldade, certamente esta é a vontade de D'us. Por isso, sempre que estivermos em um momento doloroso ou passando por uma dificuldade, mesmo quando não conseguimos entender racionalmente porque estamos passando por isso, precisamos ter a certeza de que D'us está fazendo por bondade infinita. D'us não foi obrigado a criar o mundo, Ele criou apenas por bondade e nos mantém vivos por bondade. Portanto, entendemos de maneira lógica que também os sofrimentos são baseados na Sua característica de bondade.
Mas há outro ponto importante que podemos aprender da comparação dos castigos de D'us com os castigos de um pai. Toda vez que o filho comete um erro, o pai tenta conversar. Se a conversa não resolve, o pai dá uma bronca. Se mesmo assim a bronca não funciona, então o pai castiga o filho. De que forma o pai castiga seu filho? De maneira que o filho entenda seu erro e o corrija. Se o filho não aprender nada com o castigo e voltar a errar, é sinal de que o castigo não atingiu seu objetivo. Este é também um dos principais propósitos pelo qual D'us nos castiga: para que possamos melhorar algum aspecto do nosso comportamento e não voltar a errar.
Explica o Rav Avraham Grodzinski, Mashguiach da Yeshivá de Slobodka, que durante muitos séculos o povo judeu teve grandes profetas, como Moshé Rabeinu e Eliahu Hanavi. A profecia era o canal de comunicação que D'us utilizava para advertir o povo sobre os erros que estavam cometendo. Mesmo quando não eram erros grosseiros e evidentes, os profetas conseguiam investigar o coração das pessoas e apontar com precisão o que precisava ser consertado. Mas atualmente não temos mais profetas. Então como D'us se comunica conosco? Como podemos saber o que é necessário corrigir e consertar em nossos atos e características?
A resposta é uma das chaves mais importantes para o nosso verdadeiro crescimento espiritual: quando terminou a profecia no mundo, D'us passou a demonstrar Sua preocupação e a se comunicar conosco através dos sofrimentos. Isto quer dizer que, quando uma pessoa está passando por uma dificuldade ou sofrimento, é D'us que está comunicando, por amor, que algo em sua vida precisa ser melhorado. Portanto, o sofrimento é um grande presente de D'us, uma oportunidade de consertar nossos erros e chegar à perfeição. O Talmud explica que mesmo pequenas dificuldades, como tentar pegar duas moedas no bolso e saírem três, também são considerados sofrimentos e carregam consigo uma mensagem.
Mas deste ensinamento do Rav Avraham Grodzinski fica uma pergunta óbvia: quando D'us se comunicava conosco através de profecia, a mensagem era direta e facilmente entendida. Agora que Ele se comunica através dos sofrimentos, como saber exatamente qual é a mensagem e o que devemos melhorar?
A resposta está em um dos fundamentos do judaísmo: D'us sempre pune uma pessoa "Midá Kenegued Midá" (medida por medida), isto é, da mesma maneira que cometemos um erro assim somos castigados. A Torá está repleta de exemplos deste comportamento de D'us. Os egípcios afogavam os bebês judeus no Rio Nilo e foram afogados no Mar Vermelho. Shimshon (Sansão) pecou com seus olhos e foi castigado através da cegueira. A pessoa que transgredia falando Lashon Hará (maledicência), tentando com seu ato causar o afastamento entre as pessoas, era castigada passando uma semana isolada do resto do povo. E assim há inúmeros casos na Torá onde podemos encontrar esta marcante característica de D'us.
Portanto, a comunicação de D'us continua sendo direta. Pelo fato de D'us nos castigar "Midá Kenegued Midá", se pararmos para refletir ao passarmos por um sofrimento, encontraremos o que precisamos mudar. Se alguém grita conosco, provavelmente estamos sendo desrespeitosos com alguém. Se alguém nos rouba, provavelmente estamos sendo desonestos em alguma área da vida. Se queimamos a língua, provavelmente estamos falando Lashon Hará (maledicência) ou mentiras. E assim com todos os tipos de sofrimentos.
Quando passamos por sofrimentos, muitas vezes tentamos escapar desta reflexão, principalmente ao utilizar fatores externos para explicar as nossas dificuldades. Por exemplo, muitos acham que suas dificuldades são sempre resultado de Ain Hará (inveja). Outros imediatamente verificam as Mezuzót para certificar que estão em ordem. É verdade que existe Ain Hará, uma força espiritual que pode causar danos, e por isso devemos tomar cuidado para não despertar a inveja nos outros. É verdade que devemos verificar periodicamente nossas Mezuzót para certificar que nenhuma letra está apagada ou danificada. Mas não podemos perder o foco principal dos sofrimentos, que é a reflexão, buscar algum tipo de crescimento nos nossos atos. Não podemos esquecer que os sofrimentos são uma mensagem clara de D'us nos dizendo que devemos crescer.
Temos que tomar apenas o cuidado de utilizar este ensinamento apenas para nós mesmos. É uma grave transgressão ver uma pessoa sofrendo e, ao invés de ajudá-la e confortá-la, ficar tentando buscar motivos para o sofrimento dela, imaginando que transgressão grave ela pode ter cometido. Esta forma de reflexão deve ser aplicada apenas para as nossas próprias dificuldades e sofrimentos.
D'us não gostaria de nos mandar sofrimentos. Ele nos manda bondades o tempo inteiro para que possamos refletir e consertar nossos erros. Mas infelizmente não prestamos atenção a tudo de bom que recebemos. Um surdo pagaria milhares de dólares para voltar a escutar, mas escutamos tudo e não damos valor. Um cego daria todo seu dinheiro para ter de volta sua visão, mas enxergamos e não apreciamos. Um paralítico trocaria até seu último centavo para levantar da cadeira de rodas e andar, mas andamos e nem prestamos atenção na bondade que estamos recebendo. E pelo fato de não refletirmos e corrigirmos nossos erros através das coisas boas, D'us precisa nos mandar sofrimentos, pois isto nos balança, nos desperta e nos faz pensar na vida. Ele faz isso apenas por amor e bondade, não o amor limitado de um pai, mas um amor ilimitado que apenas D'us pode sentir por nós.
Quando um pai dá uma bronca ou um castigo, ele não quer que seu filho fique depressivo. Ao contrário, ele quer que seu filho utilize o ensinamento de uma maneira positiva, consertando o que estava errado. D'us nos ama muito mais do que um pai ama seu filho. Cada sofrimento é resultado de amor e uma sabedoria infinita. D'us não se revela para nós de maneira aberta neste mundo e, por isso, pode ser que sairemos daqui sem entender muitos dos sofrimentos pelos quais passamos na vida. Mas uma coisa podemos ter certeza: através dos sofrimentos D'us está se comunicando conosco, Ele está demonstrando que se importa. Ele quer nos ensinar a escutar Suas mensagens que chegam através das dificuldades para que possamos, a cada dia, nos conectar um pouco mais com Ele para toda a eternidade.
Shabat Shalom
Rav Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Dt. 7:12-11:25, Is. 49:14-51:3, Hb. 11:8-13
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Consciência ambiental no campo
Agrolink
Da Redação
Comemorado em 18 de agosto, o Dia Nacional do Campo Limpo pretende conscientizar a população rural sobre a importância do descarte correto das embalagens vazias de defensivos agrícolas
Agricultores, distribuidores, cooperativas e indústria produtora são o público-alvo da campanha Dia Nacional do Campo Limpo, realizada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias - Inpev, com o apoio da CNA e de outras entidades do setor. O projeto dissemina informações sobre cuidados com a saúde humana e proteção ao meio ambiente a partir do simples ato de retirar as embalagens vazias de defensivos agrícolas das propriedades rurais.. Além disso, mostra aos produtores rurais e todos os envolvidos na atividade agrícola, a destinação correta dessas embalagens.
Nesta quinta-feira, Dia Nacional do Campo Limpo, as centrais de recebimento de embalagens vazias de defensivos agrícolas, instaladas em 23 Estados, vão desenvolver atividades de educação ambiental. E, a exemplo do ano passado, as escolas rurais também ajudam na campanha. Alunos do 4º e 5º ano do Ensino fundamental participam de concursos de desenho e redação, ambos com etapas local e nacional. O tema do concurso de desenho para 2011 é “Cuidar do campo é cuidar da vida” e do concurso de redação é “O meio ambiente e as embalagens do campo: tudo a ver!”.
Durante o Dia Nacional do Campo Limpo O INPEV vai aproveitar para divulgar os resultados das campanhas de anos anteriores.
O Inpev divulga também que 94% das embalagens plásticas vazias comercializadas anualmente são descartadas de forma ambientalmente correta. No Rio de Janeiro, por exemplo, mais de 52 toneladas de embalagens já foram retiradas do meio ambiente esse ano.
Sobre o Dia Nacional do Campo Limpo
O Dia Nacional do Campo Limpo é uma realização das centrais de recebimento de embalagens vazias e do inpEV, com apoio de seus associados e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação das Empresas Nacionais de Defensivos Agrícolas (Aenda), Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), Associação Nacional de DefesaVegetal (Andef), Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag). Prefeituras, governos e diversos parceiros locais também somam esforços no apoio.
Para mais informações sobre as atividades do Dia Nacional do Campo Limpo visite www.dianacionaldocampolimpo.org.br.
Assessoria de Comunicação do Sistema CNA/SENAR
Fonte original: CNA
Da Redação
Comemorado em 18 de agosto, o Dia Nacional do Campo Limpo pretende conscientizar a população rural sobre a importância do descarte correto das embalagens vazias de defensivos agrícolas
Agricultores, distribuidores, cooperativas e indústria produtora são o público-alvo da campanha Dia Nacional do Campo Limpo, realizada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias - Inpev, com o apoio da CNA e de outras entidades do setor. O projeto dissemina informações sobre cuidados com a saúde humana e proteção ao meio ambiente a partir do simples ato de retirar as embalagens vazias de defensivos agrícolas das propriedades rurais.. Além disso, mostra aos produtores rurais e todos os envolvidos na atividade agrícola, a destinação correta dessas embalagens.
Nesta quinta-feira, Dia Nacional do Campo Limpo, as centrais de recebimento de embalagens vazias de defensivos agrícolas, instaladas em 23 Estados, vão desenvolver atividades de educação ambiental. E, a exemplo do ano passado, as escolas rurais também ajudam na campanha. Alunos do 4º e 5º ano do Ensino fundamental participam de concursos de desenho e redação, ambos com etapas local e nacional. O tema do concurso de desenho para 2011 é “Cuidar do campo é cuidar da vida” e do concurso de redação é “O meio ambiente e as embalagens do campo: tudo a ver!”.
Durante o Dia Nacional do Campo Limpo O INPEV vai aproveitar para divulgar os resultados das campanhas de anos anteriores.
O Inpev divulga também que 94% das embalagens plásticas vazias comercializadas anualmente são descartadas de forma ambientalmente correta. No Rio de Janeiro, por exemplo, mais de 52 toneladas de embalagens já foram retiradas do meio ambiente esse ano.
Sobre o Dia Nacional do Campo Limpo
O Dia Nacional do Campo Limpo é uma realização das centrais de recebimento de embalagens vazias e do inpEV, com apoio de seus associados e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação das Empresas Nacionais de Defensivos Agrícolas (Aenda), Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), Associação Nacional de DefesaVegetal (Andef), Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag). Prefeituras, governos e diversos parceiros locais também somam esforços no apoio.
Para mais informações sobre as atividades do Dia Nacional do Campo Limpo visite www.dianacionaldocampolimpo.org.br.
Assessoria de Comunicação do Sistema CNA/SENAR
Fonte original: CNA
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Código Florestal no Senado: aprimoramentos
O Estado de S. Paulo |
Andre Meloni Nassar e Rodrigo A. C. Lima |
| Desde a aprovação do projeto do Código Florestal na Câmara dos Deputados, em maio deste ano, temos participado do maior número possível de debates e diálogos com diversas partes interessadas no tema. Baixada a poeira dos momentos mais quentes que se seguiram à aprovação, e reduzido o movimento que caracteriza o texto aprovado como um "liberou geral" para os produtores, já se tem clareza dos temas sobre os quais o Senado deverá debruçar-se na apresentação de um texto modificado. Podemos separar em três as abordagens de alteração do texto em negociação no Senado. A existência de três senadores relatores, Comissões de Agricultura, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, de certa forma, espelha tais abordagens. A primeira defende a ideia de que o texto legal precisa ser aprimorado, mas sem alterar seu mérito, ou seja, sem mudar os objetivos já definidos no texto aprovado na Câmara. A segunda abordagem defende aprimoramentos, ou para tornar mais restritivos os critérios que permitem a consolidação de atividades antrópicas, sobretudo nas áreas de preservação permanente (APPs), ou para fortalecer os instrumentos que garantirão a efetividade da aplicação da nova lei. A terceira defende a introdução de elementos novos no Código Florestal, principalmente no que diz respeito aos incentivos econômicos para conservação, sobretudo pagamento por serviços ambientais e o mecanismo de Redd+. O texto aprovado na Câmara cria um conceito novo e fundamental para reduzir a insegurança jurídica dos produtores: área consolidada com ocupação antrópica. Juntamente com a introdução desse conceito, estabelece um conjunto de medidas que permitem a regularização de áreas que, pelas disposições do código atual, estariam ilegais. A primeira é o reconhecimento de que a legislação mudou no tempo e, portanto, reconhece que áreas desmatadas legalmente pela lei vigente à época não devem ser objeto de recomposição. A segunda é que existem atividades localizadas em áreas de APPs que devem ser mantidas, por serem praticadas há muito tempo e serem de baixo impacto ambiental. Além disso, o novo código facilita a regularização das propriedades, facultando o cômputo das APPs existentes na reserva legal (RL) e permitindo a compensação da RL no mesmo bioma. Tudo isso foi criado para eliminar a necessidade de recomposição de vegetação nativa dentro de cada propriedade, que é a situação de fato hoje existente sob o código vigente, a qual acarretaria enormes perdas econômicas para os consumidores e municípios pela substituição de atividades produtivas. Esse é um ponto que merece esclarecimento. Contrariamente ao afirmado por Ana Valéria Araújo no caderno Aliás de 7/8, a reforma do código não é defendida para liberar mais área para produção. Até porque o texto aprovado na Câmara não altera em nada as regras para abertura de novas áreas, nem mesmo nas APPs. Ela é defendida porque o código corrente tem enorme potencial de deslocar área produtiva, resultando num efeito que ninguém quer: transformar em vegetação nativa áreas aptas e já utilizadas para produção. Embora haja estudos científicos mostrando que existe um grande contingente de terras não aptas para produção agrícola, principalmente ocupadas com pastagens, que poderia ser utilizado para fins de recomposição e regeneração de reservas legais, a RL fora da propriedade sempre será tratada como exceção no código vigente, restringindo seu uso. Agregar o olhar da ciência, como defendeu o senador Eduardo Braga em artigo na Folha de S.Paulo, significa incluir referências científicas na argumentação em favor dos aprimoramentos que precisam ser feitos no texto que sairá do Senado, e não usar os estudos científicos para defender a recomposição a qualquer custo nos moldes do código vigente. Conforme comentamos, é preciso fazer aprimoramentos no texto, sobretudo no tratamento dado à consolidação das atividades produtivas em APPs. Tais aprimoramentos poderão, naturalmente, ser vistos com desconfiança por alguns representantes de setores produtivos, e argumentos científicos racionais, desde que colocados de forma equilibrada e com objetivo de contribuir para a reforma - e não negá-la -, facilitarão muito a aceitação deles. Os aprimoramentos que temos defendido são o fortalecimento do Cadastro Ambiental Rural e do Programa de Regularização Ambiental, para garantir que ambos saiam do papel e se transformem nos elementos que promovam a efetividade do novo código. Preferimos uma lei mais simples, mas com maior grau de cumprimento, a uma lei complexa de difícil implementação. A outra abordagem de aprimoramento se refere à consolidação de atividades produtivas em APPs. O código aprovado na Câmara, em nossa opinião, endereça corretamente as situações de atividades florestais, culturas de espécies lenhosas, perenes ou de ciclo longo, que hoje ocupam APPs e precisam ser regularizadas, bem como as situações de agricultura praticada em várzeas. No entanto, diante da dificuldade de acomodar outras consolidações porventura legítimas, o texto acabou por flexibilizar demais, tornando a possibilidade de consolidação disponível para todas as atividades produtivas. Quando compreendemos que 65% da vegetação natural ainda existente no Brasil está em áreas privadas, reconhecemos que é fundamental criar incentivos econômicos para estimular os proprietários a conservar além das exigências impostas pela lei. Utilizar o novo código como veículo para tirar os incentivos econômicos do papel é uma boa ideia, sobretudo para premiar aqueles produtores que estão legais na vigência do código corrente. Somos defensores dessa ideia, desde que ela não seja uma desculpa para atrasar a promulgação do novo Código Florestal ainda este ano. PESQUISADORES DO ICONE (WWW.ICONEBRASIL.ORG.BR) E DA REDEAGRO (WWW.REDEAGRO.ORG.BR) |
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
“Enquanto Marina Silva se reunia com Clinton em hotel caro, eu descia o rio Purus, no Acre”
É, queridos, os dias não são nada simples. Abaixo, há uma notícia do jornal “Valor Econômico”. Leiam o que segue. Volto em seguida.
*
O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) criticou nesta segunda-feira (15) as ONGs (organizações não governamentais) internacionais. O parlamentar acusou o Greenpeace de ser uma organização aventureira e arrogante. A ex-senadora Marina Silva (AC) também foi alvo de acusações do deputado, relator do projeto de reforma do Código Florestal.
“No alto de sua arrogância, eles [Greenpeace] quiseram intimidar publicamente o Congresso Nacional quando votamos o Código Florestal”, disse Aldo Rebelo em palestra na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Sobre Marina, o deputado afirmou: “Enquanto Bill Clinton [ex-presidente dos Estados Unidos], o diretor do filme Avatar [James Cameron] e a dona Marina Silva se reuniam em hotéis caros, eu descia o Rio Purus (AC) para conversar com a população local”, afirmou.
O projeto de reforma do Código Florestal, cujo substitutivo foi aprovado na Câmara em maio, contou com o apoio de 410 deputados. Outros 63 foram contra. O texto aprovado prevê a anistia para desmatamentos ilegais feitos até julho de 2008 e permite o plantio em encostas e a criação de gado em topos de morro.
Além disso, permite a redução de 80% para 50% da área de Reserva Legal na Amazônia em casos de regularização. Na hipótese de ser aprovado dessa forma pelo Senado, o código representará uma elevação de vegetação nativa não protegida, apenas em Mato Grosso, de sete milhões para 11 milhões de hectares.
Comento
Pois é… Aldo Rebelo está certo, e ele é que é do PC do B. Já demonstrei aqui umas 300 vezes: é mentira! O código proposto por Aldo não “anistia” ninguém, ao contrário do que informa o texto do Valor. É um absurdo que essas porcarias continuem a ser escritas impunemente, como se verdades fossem. Os proprietários têm de aderir a um conjunto de medidas para que deixem de pagar a multa — ou ela será aplicada. Anistia, na prática, é aquela que está hoje em vigência.
Quanto à ocupação de encostas e topos de morros, o código não “permitirá” ocupação nenhuma; reconhece ocupações que já existem há décadas, algumas há uns dois séculos pelos menos. Essas mentiras, organizadas pelo onguismo com interesses muito bem-definidos, vão sendo repetidas por aí. Eu duvido que o redator tenha lido o código. Se leu, ou não entendeu ou decidiu agredir a verdade de modo militante e deliberado.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
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O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) criticou nesta segunda-feira (15) as ONGs (organizações não governamentais) internacionais. O parlamentar acusou o Greenpeace de ser uma organização aventureira e arrogante. A ex-senadora Marina Silva (AC) também foi alvo de acusações do deputado, relator do projeto de reforma do Código Florestal.
“No alto de sua arrogância, eles [Greenpeace] quiseram intimidar publicamente o Congresso Nacional quando votamos o Código Florestal”, disse Aldo Rebelo em palestra na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Sobre Marina, o deputado afirmou: “Enquanto Bill Clinton [ex-presidente dos Estados Unidos], o diretor do filme Avatar [James Cameron] e a dona Marina Silva se reuniam em hotéis caros, eu descia o Rio Purus (AC) para conversar com a população local”, afirmou.
O projeto de reforma do Código Florestal, cujo substitutivo foi aprovado na Câmara em maio, contou com o apoio de 410 deputados. Outros 63 foram contra. O texto aprovado prevê a anistia para desmatamentos ilegais feitos até julho de 2008 e permite o plantio em encostas e a criação de gado em topos de morro.
Além disso, permite a redução de 80% para 50% da área de Reserva Legal na Amazônia em casos de regularização. Na hipótese de ser aprovado dessa forma pelo Senado, o código representará uma elevação de vegetação nativa não protegida, apenas em Mato Grosso, de sete milhões para 11 milhões de hectares.
Comento
Pois é… Aldo Rebelo está certo, e ele é que é do PC do B. Já demonstrei aqui umas 300 vezes: é mentira! O código proposto por Aldo não “anistia” ninguém, ao contrário do que informa o texto do Valor. É um absurdo que essas porcarias continuem a ser escritas impunemente, como se verdades fossem. Os proprietários têm de aderir a um conjunto de medidas para que deixem de pagar a multa — ou ela será aplicada. Anistia, na prática, é aquela que está hoje em vigência.
Quanto à ocupação de encostas e topos de morros, o código não “permitirá” ocupação nenhuma; reconhece ocupações que já existem há décadas, algumas há uns dois séculos pelos menos. Essas mentiras, organizadas pelo onguismo com interesses muito bem-definidos, vão sendo repetidas por aí. Eu duvido que o redator tenha lido o código. Se leu, ou não entendeu ou decidiu agredir a verdade de modo militante e deliberado.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
Novo código Florestal vai acelerar crescimento do Brasil
Canal do Produtor
Marciano Bortolin
Relator do novo código florestal no senado, o senador Luiz Henrique da Silveria enfatizou a importância desta lei para o crescimento do país. "O Brasil tem maiores condições de crescer do que países como Índia e China, mas enquanto eles crescem de 8% a 10% por ano, o nosso país não passa de 5%", fala Luiz Henrique acrescentando que a nova lei precisa ficar de acordo com o que diz a Constituição. Segundo o senador, um conjunto de fatores atrapalha o desenvolvimento do Brasil, e com o novo código florestal, parte destes empecilhos serão resolvidos. Como exemplo, ele citou a duplicação da BR 101.
"Enquanto na China, uma obra destas é feita em alguns meses, aqui levamos anos e parte disso se deve a nossa legislação. A Lei atual possui falhas que permitem a contestação da justiça", ressalta. Ainda durante sua apresentação, LHS deixou claro que a preservação do meio ambiente precisa ser lei, e a pena para quem desmatar deve ser máxima.
Outro assunto comentado foi com relação aos agricultores. Para ele, os produtores não devem ser tratados como agressores do ambiente. Segundo ele, o senador Aldo Rebelo propôs que os produtores de áreas onde a agricultura é praticada há muito tempo, devem apresentar um plano de recuperação da área degredada de até dez anos, e depois deste prazo as multas poderão ser retiradas.
O senador Luiz Henrique apresenta o seu parecer cobre o novo código no próximo dia 24.
Fonte original: Noticias do Sul
Marciano Bortolin
Relator do novo código florestal no senado, o senador Luiz Henrique da Silveria enfatizou a importância desta lei para o crescimento do país. "O Brasil tem maiores condições de crescer do que países como Índia e China, mas enquanto eles crescem de 8% a 10% por ano, o nosso país não passa de 5%", fala Luiz Henrique acrescentando que a nova lei precisa ficar de acordo com o que diz a Constituição. Segundo o senador, um conjunto de fatores atrapalha o desenvolvimento do Brasil, e com o novo código florestal, parte destes empecilhos serão resolvidos. Como exemplo, ele citou a duplicação da BR 101.
"Enquanto na China, uma obra destas é feita em alguns meses, aqui levamos anos e parte disso se deve a nossa legislação. A Lei atual possui falhas que permitem a contestação da justiça", ressalta. Ainda durante sua apresentação, LHS deixou claro que a preservação do meio ambiente precisa ser lei, e a pena para quem desmatar deve ser máxima.
Outro assunto comentado foi com relação aos agricultores. Para ele, os produtores não devem ser tratados como agressores do ambiente. Segundo ele, o senador Aldo Rebelo propôs que os produtores de áreas onde a agricultura é praticada há muito tempo, devem apresentar um plano de recuperação da área degredada de até dez anos, e depois deste prazo as multas poderão ser retiradas.
O senador Luiz Henrique apresenta o seu parecer cobre o novo código no próximo dia 24.
Fonte original: Noticias do Sul
domingo, 14 de agosto de 2011
Saudades
Queria tanto que você estivesse aqui papai. Não precisava ter tanta pressa, ir assim tão cedo...
Ainda tinha tanto a aprender com você, tantas conversas, tantas risadas, broncas e discussões...
Aqui no sítio estou tentando manter tudo. É claro que eu não consigo fazer do seu jeito, mas tento fazer o melhor, pode ter certeza. Não há nada que eu faça que não pense em você e de alguma forma busque sua aprovação.
Espero que um dia a gente se encontre novamente e eu possa te dizer como eu te amo e como sinto saudades de você.
Obrigada pai, por tudo. Nos anos que estivemos juntos foi maravilhoso. Saudades...
Ainda tinha tanto a aprender com você, tantas conversas, tantas risadas, broncas e discussões...
Aqui no sítio estou tentando manter tudo. É claro que eu não consigo fazer do seu jeito, mas tento fazer o melhor, pode ter certeza. Não há nada que eu faça que não pense em você e de alguma forma busque sua aprovação.
Espero que um dia a gente se encontre novamente e eu possa te dizer como eu te amo e como sinto saudades de você.
Obrigada pai, por tudo. Nos anos que estivemos juntos foi maravilhoso. Saudades...
sábado, 13 de agosto de 2011
AUTOCONTROLE – PARASHÁ VAETCHANAN 5771 (12 de agosto de 2011)
O rabino Moshe Feinstein foi um dos maiores sábio de Torá dos Estados Unidos durante grande parte do século passado. Escreveu diversos livros, em especial sobre Halachá, a lei judaica, demonstrando um incrível conhecimento. Mas além do seu estudo, Rav Moshe, como era carinhosamente conhecido por todos, era um modelo de bondade, compaixão e preocupação com os outros. Ele conseguiu, através do estudo da Torá e do cumprimento das Mitsvót, trabalhar seu caráter pessoal em um nível quase sobre humano. Isto pode ser verificado em várias histórias contadas por seus parentes e alunos mais próximos.
Entre as histórias, uma nos chama a atenção pelo grande nível de autocontrole atingido pelo Rav Moshe Feinstein. Certo dia ele estava na sinagoga, concentrado nos seus estudos, fazendo anotações em sua Guemará (livro da Torá Oral). Alguém o interrompeu em certo momento e ele deixou brevemente sua mesa para resolver algo fora da sinagoga. Enquanto ele estava fora, um dos seus alunos teve curiosidade de ler as anotações que o rabino havia feito na Guemará. Mas ao se aproximar, acidentalmente ele derrubou um frasco de tinta azul sobre a Guemará do Rav Moshe Feinstein, deixando a página completamente azul.
O aluno entrou em pânico. Ele havia estragado a Guemará de um dos maiores rabinos da geração! Se sentiu tão envergonhado que não conseguiu nem mesmo se mover para se afastar dali. Quando o Rav Moshe Feinstein voltou para sua mesa e viu sua Guemará completamente arruinada e seu aluno paralisado de medo, abriu um grande sorriso e disse carinhosamente:
- Sabe que azul é a minha cor favorita? O livro ficou ainda mais bonito agora do que antes.
Então o Rav Moshe Feinstein sentou-se e voltou a estudar, como se nada tivesse acontecido"
Muitas pessoas gostariam de ter autocontrole para nunca ofender outro ser humano. Mas apenas querer não é suficiente. A única maneira de atingir níveis espirituais elevados é através de muito esforço e dedicação.
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Na Parashá desta semana, Vaetchanan, Moshé continuou com seu discurso de despedida. A Parashá também traz o Shemá Israel, uma das maiores expressões de Emuná (fé) do povo judeu, e a repetição dos 10 Mandamentos, que já haviam sido ensinados na Parashá Itró.
No final da Parashá, aprendemos a importância da transmissão da Torá aos filhos. E assim está escrito: "E quando seu filho perguntar no futuro: 'O que são os testemunhos, os estatutos e as leis que Hashem, nosso D'us, comandou a você?'. E você deve contar ao se filho: 'Nós fomos escravos do Faraó no Egito, e D'us nos tirou do Egito com mão forte... E D'us nos comandou a cumprir todos estes estatutos, e temer a D'us, para o nosso bem, todos os dias, para nos dar vida como este dia" (Devarim 6:20,21,24).
Mas este versículo, muito conhecido por fazer parte da Agadá de Pessach, na pergunta do filho Chacham (sábio), desperta uma pergunta. Se o filho perguntou ao pai "o que são estas Mitsvót", por que o pai respondeu "D'us nos tirou do Egito"? Por que não disse diretamente que são as leis que D'us nos comandou?
Uma pergunta semelhante surge ao observarmos atentamente os Mandamentos da Torá. Logo no primeiro Mandamento está escrito "Eu sou teu D'us, que te tirei da terra do Egito" (Devarim 5:6). A saída do Egito foi acompanhada de muitos milagres, mas que envolviam apenas modificações da natureza existente. Já na criação do mundo os milagres foram muito maiores, pois toda a natureza foi criada a partir do nada. Portanto, a demonstração do poder e da grandeza de D'us foi muito maior na criação do mundo do que na saída do Egito. Então por que não está escrito no primeiro Mandamento "Eu sou teu D'us, que criou o mundo"?
Ibn Ezra, um famoso comentarista da Torá, nos ensina que o filho não está questionando "o que são as Mitsvót", e sim "por que recebemos um jugo maior do que as outras pessoas?". Quando a Torá começa respondendo que D'us nos tirou do Egito, está nos ensinando uma importante lição: as Mitsvót foram entregues para o nosso próprio bem. Da mesma forma que D'us nos tirou do Egito por bondade, assim também o comando das Mitsvót foi uma grande bondade. D'us também preferiu associar o primeiro Mandamento à saída do Egito para nos ensinar que da mesma maneira que toda a redenção do Egito foi para o nosso benefício, assim também as Mitsvót são para o nosso próprio benefício.
Poderíamos pensar que a Torá se refere aos benefícios que teremos no Mundo Vindouro, onde aproveitaremos, por toda a eternidade, o prazer da proximidade de D'us. Mas explica o Sforno, comentarista da Torá, que apesar do principal benefício das Mitsvót realmente ser no Mundo Vindouro, elas também nos trazem vida neste mundo.
Nossos sábios utilizam muito a expressão "jugo das Mitsvót". Por que? Jugo é uma palavra utilizada para descrever a peça de madeira que fica sobre o pescoço do boi durante seu trabalho no campo. O jugo, à primeira vista, é algo negativo, que prende o boi. Mas o que aconteceria se o boi trabalhasse sem o jugo? O tempo inteiro ele se desviaria do caminho, não conseguindo fazer seu trabalho. O jugo é justamente o que mantém o boi em linha reta, ajudando-o a fazer o que ele necessita. O mesmo benefício obtemos com as Mitsvót. À primeira vista parece que elas nos prendem e nos limitam, parecem um peso sobre nossos pescoços, mas a verdade é que as Mitsvót nos ajudam a não desviar do caminho correto. As Mitzvót nos dão autocontrole, nos dão equilíbrio e estabilidade emocional. Em um mundo tão complicado, com relacionamentos humanos cada vez mais difíceis, a Torá surge como uma bóia que não nos deixa afundar. Isto explica porque a cada dia mais pessoas, por mais afastados que estejam, começam a voltar ao cumprimento das Mitsvót.
Estes conceitos nos ajudam a entender um difícil Midrash (parte da Torá Oral) que se refere à época da destruição do nosso Beit-Hamikdash (Templo Sagrado). Assim está escrito: "Eles pecaram duplamente, foram castigados duplamente e serão consolados duplamente" (Yalkut Eichá). O que significa que o erro, o castigo e o consolo serão em dose dupla?
A resposta está na explicação de Ibn Ezra de que as Mitsvót foram comandadas para o nosso próprio benefício. Por isso, quando uma pessoa comete uma transgressão, ela comete dois crimes: um é a rebeldia contra D'us, o outro é um crime contra si mesmo, por ter causado para si a perda de uma Mitzvá. Consequentemente o castigo também é em dobro: não apenas D'us castiga a pessoa pela desobediência, como um pai que castiga seu filho para discipliná-lo e fazê-lo voltar aos caminhos corretos, mas também a pessoa é castigada com a perda do benefício que receberia pela Mitzvá. E finalmente o consolo também será em dobro: um dia finalmente entenderemos o benefício real de cada Mitzvá e, além disso, enxergaremos que os castigos que D'us nos mandou também foram para o nosso bem, para nos prevenir de perdermos nossa recompensa eterna.
Precisamos mudar nossa forma de olhar para as Mitsvót. D'us não ganha nada quando colocamos Tefilin, fazemos uma Tefilá (reza) ou acendemos as velas de Shabat. Quem ganha somos nós mesmos, tanto neste mundo quanto no Mundo Vindouro. E o maior ganho neste mundo é o nosso autocontrole. A Torá nos ajuda a ser donos da nossa vontade, transformando o corpo material em algo espiritual. Apenas querer crescer não é suficiente, as Mitsvót nos levam a praticar e a conquistar avanços diários. Não apenas para competirmos, mas para chegarmos a ser como o Rav Moshe Feinstein, entre tantos outros grandes rabinos, que se tornaram verdadeiros campeões de bondade, sensibilidade e autocontrole.
Shabat Shalom
Rav Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Dt. 3:23·7:11, Is. 40:1-26, Mt 23:31-39
Entre as histórias, uma nos chama a atenção pelo grande nível de autocontrole atingido pelo Rav Moshe Feinstein. Certo dia ele estava na sinagoga, concentrado nos seus estudos, fazendo anotações em sua Guemará (livro da Torá Oral). Alguém o interrompeu em certo momento e ele deixou brevemente sua mesa para resolver algo fora da sinagoga. Enquanto ele estava fora, um dos seus alunos teve curiosidade de ler as anotações que o rabino havia feito na Guemará. Mas ao se aproximar, acidentalmente ele derrubou um frasco de tinta azul sobre a Guemará do Rav Moshe Feinstein, deixando a página completamente azul.
O aluno entrou em pânico. Ele havia estragado a Guemará de um dos maiores rabinos da geração! Se sentiu tão envergonhado que não conseguiu nem mesmo se mover para se afastar dali. Quando o Rav Moshe Feinstein voltou para sua mesa e viu sua Guemará completamente arruinada e seu aluno paralisado de medo, abriu um grande sorriso e disse carinhosamente:
- Sabe que azul é a minha cor favorita? O livro ficou ainda mais bonito agora do que antes.
Então o Rav Moshe Feinstein sentou-se e voltou a estudar, como se nada tivesse acontecido"
Muitas pessoas gostariam de ter autocontrole para nunca ofender outro ser humano. Mas apenas querer não é suficiente. A única maneira de atingir níveis espirituais elevados é através de muito esforço e dedicação.
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Na Parashá desta semana, Vaetchanan, Moshé continuou com seu discurso de despedida. A Parashá também traz o Shemá Israel, uma das maiores expressões de Emuná (fé) do povo judeu, e a repetição dos 10 Mandamentos, que já haviam sido ensinados na Parashá Itró.
No final da Parashá, aprendemos a importância da transmissão da Torá aos filhos. E assim está escrito: "E quando seu filho perguntar no futuro: 'O que são os testemunhos, os estatutos e as leis que Hashem, nosso D'us, comandou a você?'. E você deve contar ao se filho: 'Nós fomos escravos do Faraó no Egito, e D'us nos tirou do Egito com mão forte... E D'us nos comandou a cumprir todos estes estatutos, e temer a D'us, para o nosso bem, todos os dias, para nos dar vida como este dia" (Devarim 6:20,21,24).
Mas este versículo, muito conhecido por fazer parte da Agadá de Pessach, na pergunta do filho Chacham (sábio), desperta uma pergunta. Se o filho perguntou ao pai "o que são estas Mitsvót", por que o pai respondeu "D'us nos tirou do Egito"? Por que não disse diretamente que são as leis que D'us nos comandou?
Uma pergunta semelhante surge ao observarmos atentamente os Mandamentos da Torá. Logo no primeiro Mandamento está escrito "Eu sou teu D'us, que te tirei da terra do Egito" (Devarim 5:6). A saída do Egito foi acompanhada de muitos milagres, mas que envolviam apenas modificações da natureza existente. Já na criação do mundo os milagres foram muito maiores, pois toda a natureza foi criada a partir do nada. Portanto, a demonstração do poder e da grandeza de D'us foi muito maior na criação do mundo do que na saída do Egito. Então por que não está escrito no primeiro Mandamento "Eu sou teu D'us, que criou o mundo"?
Ibn Ezra, um famoso comentarista da Torá, nos ensina que o filho não está questionando "o que são as Mitsvót", e sim "por que recebemos um jugo maior do que as outras pessoas?". Quando a Torá começa respondendo que D'us nos tirou do Egito, está nos ensinando uma importante lição: as Mitsvót foram entregues para o nosso próprio bem. Da mesma forma que D'us nos tirou do Egito por bondade, assim também o comando das Mitsvót foi uma grande bondade. D'us também preferiu associar o primeiro Mandamento à saída do Egito para nos ensinar que da mesma maneira que toda a redenção do Egito foi para o nosso benefício, assim também as Mitsvót são para o nosso próprio benefício.
Poderíamos pensar que a Torá se refere aos benefícios que teremos no Mundo Vindouro, onde aproveitaremos, por toda a eternidade, o prazer da proximidade de D'us. Mas explica o Sforno, comentarista da Torá, que apesar do principal benefício das Mitsvót realmente ser no Mundo Vindouro, elas também nos trazem vida neste mundo.
Nossos sábios utilizam muito a expressão "jugo das Mitsvót". Por que? Jugo é uma palavra utilizada para descrever a peça de madeira que fica sobre o pescoço do boi durante seu trabalho no campo. O jugo, à primeira vista, é algo negativo, que prende o boi. Mas o que aconteceria se o boi trabalhasse sem o jugo? O tempo inteiro ele se desviaria do caminho, não conseguindo fazer seu trabalho. O jugo é justamente o que mantém o boi em linha reta, ajudando-o a fazer o que ele necessita. O mesmo benefício obtemos com as Mitsvót. À primeira vista parece que elas nos prendem e nos limitam, parecem um peso sobre nossos pescoços, mas a verdade é que as Mitsvót nos ajudam a não desviar do caminho correto. As Mitzvót nos dão autocontrole, nos dão equilíbrio e estabilidade emocional. Em um mundo tão complicado, com relacionamentos humanos cada vez mais difíceis, a Torá surge como uma bóia que não nos deixa afundar. Isto explica porque a cada dia mais pessoas, por mais afastados que estejam, começam a voltar ao cumprimento das Mitsvót.
Estes conceitos nos ajudam a entender um difícil Midrash (parte da Torá Oral) que se refere à época da destruição do nosso Beit-Hamikdash (Templo Sagrado). Assim está escrito: "Eles pecaram duplamente, foram castigados duplamente e serão consolados duplamente" (Yalkut Eichá). O que significa que o erro, o castigo e o consolo serão em dose dupla?
A resposta está na explicação de Ibn Ezra de que as Mitsvót foram comandadas para o nosso próprio benefício. Por isso, quando uma pessoa comete uma transgressão, ela comete dois crimes: um é a rebeldia contra D'us, o outro é um crime contra si mesmo, por ter causado para si a perda de uma Mitzvá. Consequentemente o castigo também é em dobro: não apenas D'us castiga a pessoa pela desobediência, como um pai que castiga seu filho para discipliná-lo e fazê-lo voltar aos caminhos corretos, mas também a pessoa é castigada com a perda do benefício que receberia pela Mitzvá. E finalmente o consolo também será em dobro: um dia finalmente entenderemos o benefício real de cada Mitzvá e, além disso, enxergaremos que os castigos que D'us nos mandou também foram para o nosso bem, para nos prevenir de perdermos nossa recompensa eterna.
Precisamos mudar nossa forma de olhar para as Mitsvót. D'us não ganha nada quando colocamos Tefilin, fazemos uma Tefilá (reza) ou acendemos as velas de Shabat. Quem ganha somos nós mesmos, tanto neste mundo quanto no Mundo Vindouro. E o maior ganho neste mundo é o nosso autocontrole. A Torá nos ajuda a ser donos da nossa vontade, transformando o corpo material em algo espiritual. Apenas querer crescer não é suficiente, as Mitsvót nos levam a praticar e a conquistar avanços diários. Não apenas para competirmos, mas para chegarmos a ser como o Rav Moshe Feinstein, entre tantos outros grandes rabinos, que se tornaram verdadeiros campeões de bondade, sensibilidade e autocontrole.
Shabat Shalom
Rav Efraim Birbojm
http://ravefraim.blogspot.com/
Dt. 3:23·7:11, Is. 40:1-26, Mt 23:31-39
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