segunda-feira, 7 de março de 2011

Discriminação Racial

ENSAIO CRÍTICO

A análise de políticas públicas aplicadas em alguns países nos esclarece o que pode ser mais eficaz no que diz respeito à discriminação. O artigo elucida questões tanto dos afrodescendentes em países como Estados Unidos como também dos indígenas no Peru, por exemplo; chegando ao Brasil onde ainda, apesar dos avanços, existe uma longa distância a ser percorrida para chegarmos a um patamar aceitável.
Em paralelo, o livro com um título que me chamou a atenção “A Era dos Extremos” nada mais é do que o relato de um historiador que coloca suas opiniões acima da história. Irei contestá-lo usando seu próprio modelo de linha do tempo.
O século XX foi dividido em três “eras”:
De 1914 a 1945 seria a era das Catástrofes. Marcada por duas grandes guerras e uma enorme crise econômica. Nesta época o racismo era uma questão discutida por causa do conceito de raça criado por biólogos iluministas no século XVIII. Charles Darwin fazia da pretensa superioridade branca um argumento em favor do extermínio das raças “inferiores” como pressuposto básico à evolução humana e Karl Marx, principal figura do modelo político de esquerda, tão idolatrado atualmente inclusive pelos próprios movimentos sociais que defendem direitos dos afrodecendescentes, considerava tal extermínio necessário ao progresso histórico e defendia a escravidão. Cito: “A escravidão direta é tanto quanto o pivô em cima do qual nosso industrialismo dos dias de hoje faz girar a maquinaria, o crédito, etc. Sem escravidão não haveria nenhum algodão, sem algodão não haveria nenhuma indústria moderna. É a escravidão que tem dado valor às colônias, foram as colônias que criaram o comércio mundial, e o comércio mundial é a condição necessária para a indústria de máquina em grande escala. Conseqüentemente, antes do comércio de escravos, as colônias emitiram muito poucos produtos ao mundo velho, e não mudaram visivelmente a cara do mundo. A escravidão é conseqüentemente uma categoria econômica de suprema importância. Sem escravidão, a América do Norte, a nação a mais progressista, ter-se-ia transformado em um país patriarcal. Apenas apague a América do Norte do mapa e você conseguirá anarquia, a deterioração completa do comércio e da civilização moderna”(1).
Cabe ainda relatar que na Segunda Guerra Mundial este conceito fez milhões de vítimas.
Aqui no Brasil, na contramão de todos pensadores mundiais, em 1933, Gilberto Freyre publica “Casa Grande & Senzala” Formação da Família Brasileira sob o Regime de Economia Patriarcal. Inovador, trazia uma nova visão do negro e do índio na consolidação da sociedade brasileira. Cito:
“Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro traz na alma e no corpo, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena e/ou do negro”.
“Da cunhã é que nos veio o melhor da cultura indígena. O asseio pessoal. A higiene do corpo. O milho. O caju. O mingau. O brasileiro de hoje, amante do banho e sempre de pente e espelhinho no bolso, o cabelo brilhante de loção a óleo de coco, reflete a influência de tão remotas avós(2).
De 1945 a 1973 seria a era dos “Anos Dourados”. Nesta época houve uma expansão econômica extraordinária provocando profundas transformações sociais. Houve uma verdadeira revolução científica e tecnológica na chamada ‘Nova Ordem Mundial’ à qual duas economias competiam entre si. De um lado os Estados Unidos, país capitalista e de outro a União Soviética, comunista. Eric Hobsbawn mais uma vez se perde totalmente exaltando o socialismo como resposta para todas as questões. E pior, coloca a URSS como exemplo a ser seguido. Não posso aceitar de forma alguma um regime que matou 76 milhões de pessoas. Porém a resposta está aí. O fracasso total da União Soviética e de todos os países que seguiram este regime de esquerda mostra bem que mesmo com desigualdades o capitalismo dá oportunidades a todos. Nesta mesma fase houve momentos difíceis para os negros. A lei da Segregação sancionada pela Corte Suprema Americana em 1954 visava separar brancos e negros como classificação racial imposta pelo governo e perdurou até 1965. Grupos extremistas que defendiam a “supremacia branca” como o KuKluxKlan perseguia e matava. Martin Luther King tornou-se ícone na luta pelos direitos dos negros. Enquanto na América Latina, diferente dos EUA, o interesse político pelo tema foi muito pequeno.
De 1973 a 1991 a era das “Crises”. Dá-se o desmoronamento em que caem por terra os sistemas institucionais. Com a queda do muro de Berlim em 1989 a hegemonia capitalista passa a dominar o mundo no fim do século XX. E é neste sistema tão contestado em que a liberdade de expressão tem grande força que finalmente a situação das minorias começa a mudar. Admiro o sistema americano porque lá o debate político ocorre de maneira democrática. O uso de políticas públicas como meio de promover a ascensão social de grupos vítimas de discriminação num conjunto de medidas chamada ‘ação afirmativa’ gera controvérsias porque alcança muito mais o setor público que o privado. E de acordo com o sociólogo Thomas Sowell as minorias étnicas se dão melhor no sistema econômico laissez-faire pois a mão invisível do mercado é a melhor receita contra qualquer discriminação. Dessa forma conclui-se que os republicanos querem mais mercado e os democratas, mais Estado.
Já nos dias atuais países como Venezuela que não privilegia o combate à discriminação racial é um dos péssimos exemplos do regime bolivariano. Já a Colômbia tem tido avanços sendo o país que mais legislou a favor dos negros. No Peru as políticas pró-índio foram eficazes no âmbito da reforma agrária. Mas os atores dessas demandas variam muito nos casos americano e dos países latino-americanos. Lá existe uma grande força com tradição no Parlamento de Lobbies Negros. Já aqui no Brasil e demais países é muito menos articulado e depende dos movimentos negros e indígenas e de organizações não-governamentais.
No Brasil o Estado tem sido presente em termos de leis e discursos. Mas como retificar desigualdades raciais sedimentadas durante séculos, por meio de medidas públicas, em um país onde a lei se faz, mas seu cumprimento é deficiente? Existem leis que punem discriminação na maioria dos países. Nos EUA 44 dos 50 estados possuem leis punindo o racismo. Na França o artigo 225-1 define discriminação e prevê sua punição. Em Portugal qualquer forma de discriminação é punível e na União Europeia a Carta dos Direitos Fundamentais garante ao cidadão europeu a proibição da discriminação por motivo de raça, cor ou origem étnica.
“Nossa Constituição e o Código Penal já contêm garantias suficientes contra qualquer tipo de discriminação que venha a ser sofrida por um cidadão. Especificar essas garantias para uma classe em especial ou é redundância, ou tem uma intenção embutida que vai além da mera salvaguarda de direitos óbvios. Neste último caso, ela confere a um determinado grupo um privilégio que outros não têm” (Olavo de Carvalho (3)).
Acredito que todos devem ter direitos iguais. A discriminação tem que ser punida e para isto já temos nossas leis. Entretanto não acho que criar facilidades possa ajudar determinado grupo. Deve-se dar oportunidades de educação de qualidade, trabalho e vida digna a todo cidadão. O Governo, na minha opinião, tem que cuidar do sistema econômico visando o crescimento. E nós devemos trabalhar mais nossas capacidades e depender menos do Estado, em uma democracia onde a justiça seja a mesma para todos e o respeito pelo próximo seja parte da nossa cultura e não uma lei imposta.

BIBLIOGRAFIA:
• Artigo: Racismo sem Etnicidade. Políticas Públicas e Discriminação Racial em Perspectiva Comparada (Lívio Sansone)

• Resumo do Livro: A Era dos Extremos (Eric Hobsbawm)
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Era_dos_Extremos http://desenvolvimentoemquestao.wordpress.com/2009/12/19/era-dos-extremos-o-breve-seculo-xx-1914-1991-eric-hobsbawm/

www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_3931.html

• Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/

• (1) Carta de Karl Marx a Pavel Vasilyevich Annenkov, Paris. Escrita em 28 de dezembro de 1846. Fonte: Marx Engels Collected Works, vol. 38, p. 95. Editor: International Publishers (1975). Primeira publicação: completa no original em francês em M.M. Stasyulevich i yego sovremenniki v ikh perepiske, Vol III, 1912. Tradução em inglês pode ser acessada em http://www.marxists.org/archive/marx/works/1846/letters/46_12_28.htm

• (2) FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal. Rio de Janeiro: Maia & Schmidt, 1933.

• (3) Disponível em: http://www.olavodecarvalho.org/index.html


Artigo acadêmico para minha Pós-Graduação em Educação Ambiental pela UFLA. Começarei a publicá-los ressalvando, de acordo com orientação de meu tutor, que qualquer interessado deve sempre citar a fonte e não pode ser simplesmente copiado.

domingo, 6 de março de 2011

Carnaval Legal!

Chuva, muita chuva, incessante! Filmes, pipoca... Isto sim é um bom carnaval. Para quem não bebe nada alcoólico, não suporta ritmo axé ou samba e detesta aglomerações o melhor mesmo é ficar quietinho aqui no sítio. Porteira bem trancada e sossego total no meu canto. Deus é muito bom. E para coroar esta chuvinha fina e maravilhosa. Tudo de bom!

sábado, 5 de março de 2011

Réplica do Templo de Salomão no Brasil é vista como uma gozação

O Instituto do Templo de Jerusalém disse que o plano da Igreja Universal de construir uma réplica monstruosa do Templo de Salomão que custará aproximadamente R$ 360 milhões está sendo “para sua própria glória.”

A Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo controverso Bispo Edir Macedo, anunciou seus planos de construir uma réplica gigante do Templo de Salomão. A estimativa de custo é de R$360 milhões, 55 metros de altura (18 andares), e com lugar para 10. 000 pessoas. O plano também conta com um estacionamento para 1.000 carros, estúdios de TV e rádio, e salas com espaço para 1.300 alunos.
“Vai ser sensacional”, disse Macedo, “ Será lindo, lindo, lindo- a coisa mais bonita de todas. O lado de fora será exatamente igual o que foi construído em Jerusalém”.
O Instituto do Templo em Jerusalém vê isso com outros olhos, para eles é “um ato de arrogância voltado para sua própria gloria. Esse plano é uma gozação que vai diretamente contra tudo aquilo que o Templo Santo de Jerusalém representa.”
A Igreja Universal já gastou em torno de R$ 14,4 milhões para importar pedras deIsrael. De acordo com o jornal britânico, The Guardian, o templo será inspirado no Templo do Rei Salomão e contará uma replica da Arca da Aliança no centro do santuário.
O Rabino Chaim Richman do Instituto do Templo escreve, “Nós somos hoje testemunhas de um fenômeno que tenta tirar a legitimidade da relação de Israelcom Jerusalém. Esse plano de construir uma mega igreja representa o próximo passo de tirar toda essa legitimidade de Jerusalém.”.
“A Bíblia ensina que a essência de Jerusalém é a presença de Deus”, disse o Rabino Richman, que continua citando uma profecia do livro de Isaias 2:2 : ”Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do Senhor será estabelecido no cimos dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém.”
“A mega igreja planejada pelo Bispo Macedo”, diz o Rabino Richamn, “é uma usurpação e um abuso ao espaço sagrado e ao conceito de Templo Santo que é representado na Bíblia, e também é uma brusca forma de se apropriar de valores sagrados do Judaísmo. A Divina Presença de Deus não pode ser copiada ou simplesmente usurpada e transportada para outro lugar. Isso não é nada mais que uma tentativa sínica e manipuladora da Igreja Universal do Reino de Deus de encaixar a mensagem universal da Bíblia em sua própria agenda.”
O Instituto do Templo, uma organização religiosa e educacional sem fins lucrativos, é dedicada para cuidar de todos os aspectos dos mandamentos Bíblicos sobre a construção do Templo Santo de Deus no Monte Moriah em Jerusalém. Seu maior foco e esforço é reconstruir o Templo Santo em Jerusalém.
Em 1992, Bispo Macedo ficou onze dias preso por fraude. No ano passado, um processo de São Paulo alegou que Macedo e outro pastor sênior embolsaram bilhões de doações em dólares e usaram o dinheiro para comprar propriedades e carros. Macedo, um defensor da teologia da prosperidade e dono de um jato particular de R$81 milhões, negou as acusações.
Traduzido por: Giovanna Tranchesi / Fonte: IsraelNationalNews.com
Fonte: Adonainews

Comentário de Julio Severo:
A réplica do Templo de Salomão, feita em verdadeiro estilo faraônico para engrandecer e glorificar a Igreja Universal e seu dono, é um símbolo dos sacrifícios de centenas de milhares de pessoas desesperadas por um milagre. Jesus disse:
“Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes.” (Mateus 12:7 ACF)
A Igreja Universal, que exige tantos sacrifícos dos membros, não tem nenhuma misericórdia dos bebês em gestação. Tanto o Bispo Macedo quanto sua TV Record têm condenado esses inocentes ao assassinato. Veja o artigo: Bispo Edir Macedo assume publicamente preferência pelo aborto: http://juliosevero.blogspot.com/2010/08/bispo-edir-macedo-assume-publicamente.html
Fonte: www.juliosevero.com

sexta-feira, 4 de março de 2011

Shabat Shalom!

O ERRO DOS OUTROS
Parasha Pekudei 5771
O telefone tocou na farmácia. Era um médico, extremamente irritado e mau-humorado, exigindo saber por que o farmacêutico tinha dado ao seu paciente um medicamento diferente do que ele havia prescrito na receita. O farmacêutico, pego de surpresa, não sabia nem o que dizer, então apenas pediu desculpas pelo erro. Explicou que muitas vezes a famácia ficava muito cheia e todos clientes queriam ser atendidos rapidamente. Nesta situação de stress, talvez ele tivesse realmente cometido algum equívoco.

Mas o médico não quis escutar as explicações do farmacêutico e continuou com um longo discurso a respeito da importância de tomarmos cuidado ao dar um remédio ao paciente e a grande responsabilidade que isto envolve. Deu ao farmacêutico, por alguns minutos, uma grande lição de moral.
Aquela bronca acabou com o dia do farmacêutico, pois ele se sentiu muito culpado. Ele era uma pessoa cuidadosa, algo assim nunca havia acontecido em toda a sua carreira. Como ele havia se descuidado e cometido um erro assim tão grave? Havia colocado em risco a vida de outra pessoa! Começou a procurar a receita do médico em uma grande pilha de prescrições, para tentar entender qual havia sido seu erro. Finalmente encontrou a receita e, para sua surpresa, viu que havia entregue os remédios corretos, exatamente como havia sido prescrito. Foi o médico que tinha cometeu um erro, ele tinha escrito o medicamento errado por engano!
O farmacêutico ficou aliviado. Mas então lembrou-se da lição de moral que havia escutado do médico. Pegou o telefone, ligou para ele e, muito irritado, desabafou por alguns minutos. O médico escutou em silêncio e, no final, apenas disse:
- Ei, calma, não fique tão irritado. Qualquer um pode cometer um erro"
Temos que dar aos outros sempre o benefício da dúvida, pois muitos erros que vemos nos outros podem ser, na verdade, erros nossos.
http://ravefraim.blogspot.com/

quinta-feira, 3 de março de 2011

O fundamentalismo ambiental preservando a tolice

Caros, leiam o que vai na The Economist:
"Brazil, by investing heavily in research, has turned itself into the first tropical farm giant, joining the ranks of the temperate-food superpowers such as America, Europe and Canada. It did so in a single generation, thanks mainly to big commercial farms."

Mal traduzido
"Brasil, investido em pesquisa, transformou-se num gigante tropical da produção de alimentos, alcançando superpotências agrícolas de clima temparado como Estados Unidos, Europa e Canada. Fez isso em uma única geração, graças sobretudo a grandes fazendas comerciais."

Enquanto o mundo se alarma com a necessidade de elevar globalmente a produção de alimentos, os ambientalistas no Brasil lutam para obrigar nossos produtores rurais a transformar área agrícola em Reserva Legal.

http://www.codigoflorestal.com/2011/03/o-fundamentalismo-ambiental-preservando.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+blogspot%2FiJLZ+%28C%C3%B3digo+Florestal+Brasileiro%29&utm_content=Yahoo%21+Mail

quarta-feira, 2 de março de 2011

Se Código Florestal não for aprovado, lavoura pode ficar comprometida, diz CNA

Campo Grande News

Jorge Almoas
Caso a proposta de atualização do Código Florestal não for aprovada no Congresso Nacional até o meio deste ano, boa parte da lavoura de tradicionais produtos agropecuários no Brasil corre o risco de ficar comprometida. Esta afirmação é do presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente e vice-presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Assuero Doca Veronez.
Veronez cita o caso do café produzido em Minas Gerais, da maçã de Santa Catarina, da uva e do arroz de várzea no Rio Grande do Sul e da cana-de-açúcar do Nordeste, entre outras culturas praticadas há séculos e que ajudam a movimentar a economia dessas regiões.
A principal preocupação do setor agropecuário para a urgência na aprovação do texto, que aguarda votação na Câmara dos Deputados, é o quadro de insegurança jurídica vivido no campo.
Segundo Veronez, muitas dessas lavouras estão localizadas em APPs (Áreas de Preservação Permanente) em épocas anteriores à criação do Código Florestal, que garante aos produtores o direito adquirido.
Contudo, com este cenário de incertezas quanto à legislação ambiental, muitos temem se desfazer de suas lavouras para recompor APPs. Outro agravante, se a proposta não for votada até junho, é a vigência do Decreto 7.029/09, que condiciona a liberação de crédito rural à averbação de áreas de reserva legal nas propriedades, o que obrigará muitos produtores a abrir mão de áreas produtivas para reocupá-las com vegetação original.
“Isso vai criar uma situação de inadimplência ambiental enorme, com multas diárias e confiscatórias, porque serão impagáveis, que vai comprometer a produção brasileira, pois os produtores terão de isolar parte das suas propriedades para não produzir mais nela”, avisou.
No entanto, para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da CNA, esta norma fere o princípio do direito adquirido, pois pode prejudicar produtores que substituíram a cobertura nativa por produção de alimentos antes mesmo da criação da reserva legal, amparados pela legislação vigente na época.
Pela legislação, a reserva legal é o percentual de vegetação original que deve ser preservado na propriedade. Hoje, esses índices são de 80% na Amazônia, 35% no Cerrado Amazônico e 20% nas outras regiões do País.
A atualização do Código Florestal tem como um de seus eixos assegurar o direito adquirido, legalizando mais de 90% da atividade rural no Brasil. Outro ponto destacado por Assuero Veronez foi a moratória para o desmatamento. Ao contrário do que dizem alguns ambientalistas, o relatório do deputado Aldo Rebelo proíbe a abertura de novas áreas por cinco anos, tempo em que os Estados poderão criar mecanismos como o Zoneamento Econômico Ecológico e o Programa de Regularização Ambiental (PRA).
Tais instrumentos servirão para definir onde os produtores rurais devem recompor áreas de vegetação original e as áreas para produção, a partir de estudos ambientais e econômicos. Ele informou, ainda, aos participantes, que as propriedades de até quatro módulos fiscais ficarão isentas de recuperar áreas de reserva legal.

terça-feira, 1 de março de 2011

Inventores do futuro

Olavo de Carvalho
Artigos - Globalismo
Os movimentos mais disparatados, como abortismo, gayzismo, feminismo, vegetarianismo, "direitos dos animais", anticatolicismo, antitabagismo e liberação de drogas, vêm todos da mesma fonte.
O conceito mesmo de "engenharia social" implica que os membros da sociedade a ser modificada ou reconstruída não sejam concebidos como agentes livres, conscientes de suas escolhas, mas como peças inermes de um mecanismo que, no conjunto, não podem compreender e em geral nem mesmo enxergar. As metas finais da operação não devem portanto ser apresentadas de modo direto e franco que arrisque fazer delas alvos de discussão, mas devem ser atingidas por vias indiretas. Para tanto, são subdivididas em operações parciais, à primeira vista separadas e inconexas, que, uma vez bem sucedidas, produzirão o desejado efeito global de maneira aparentemente impessoal, espontânea e quase mágica, de modo que ninguém possa ser responsabilizado por ele e seja fácil atribuí-lo retroativamente a um determinismo histórico anônimo, inelutável e irreversível.
A oposição que essas várias campanhas parcelares pode gerar será ela também parcelar e inconexa, esgotando-se em discussões periféricas que deixam a salvo de ataques o coração do empreendimento, de modo que as metas finais possam ser atingidas mesmo ao preço de recuos e abdicações pontuais e localizadas.
Diante das inúmeras campanhas soi disant progressistas, libertárias ou humanitárias que vêm se espalhando pelo mundo desde os anos 70, sempre bem subsidiadas e tendo como garotas-propaganda as mais destacadas figuras do show business, o cidadão comum não tem jamais a ideia - ou os meios intelectuais - de rastrear as ligações entre as entidades envolvidas e o fluxo de dinheiro que as move. Se pudesse investigar isso, descobriria que os movimentos mais disparatados, como abortismo, gayzismo, feminismo, vegetarianismo, "direitos dos animais", anticatolicismo, antitabagismo e liberação de drogas, vêm todos da mesma fonte e, por meios aparentemente inconexos, servem a um objetivo comum: reduzir a população do planeta.
O controle demográfico é uma obsessão da elite globalista - especialmente da família Rockefeller - pelo menos desde os anos 40. As primeiras campanhas nesse sentido, na década seguinte, vinham com objetivo declarado, promoviam a esterilização em massa e visavam a atingir sobretudo o Terceiro Mundo, mas deram resultado inverso: em vez de deter o crescimento populacional nas nações pobres, baixaram drasticamente o das nações desenvolvidas (vejam o livro de Pat Buchanan, The Death of the West, para a descrição de um panorama estatístico apavorante).
Nada mais natural, nessas condições, que uma mudança de estratégia. Assim nasceram as campanhas de que estou falando.
Notem, de um lado, que, independentemente dos demais resultados socioculturais que delas podem germinar, cada uma das mudanças de conduta que essas campanhas visam a produzir tem pelo menos um ou dois de três efeitos necessários, imediatos e evidentes:
(1) Reduzir a duração média da vida humana. Gays, vegetarianos e drogados vivem notoriamente menos que as outras pessoas.
(2) Reduzir a capacidade procriativa. No caso das drogas ilegais, como maconha e cocaína, isso é mais que evidente. A abstinência de carne tem o mesmo efeito. A campanha antitabagista pareceria tender na direção contrária, mas, como ela está associada na fonte à luta pela liberação das drogas pesadas e não passa de uma preparação de terreno para induzir populações inteiras a trocar de vício, a correlação estatística entre diminuição do consumo de cigarros e redução populacional não é de maneira alguma mera coincidência. (Os pretextos médicos do combate ao fumo revelam-se cada vez mais falsos à medida que nenhuma, absolutamente nenhuma redução da incidência das doenças "associadas ao fumo" se verificou nas áreas mais afetadas pela onda antitabagista.)
(3) Reduzir o desejo de procriar. Quem negaria que o feminismo radical, o divórcio fácil e a oferta maciça de operações de aborto sob demanda desembocam nisso necessariamente?
Várias são as modificações socioculturais periféricas que essas diversas campanhas podem produzir, e tanto seus apóstolos quanto seus detratores dirigem o foco das discussões para essas mudanças, sem reparar que, mesmo alguma destas falhando, o efeito de redução populacional terá sido atingido. A lógica do processo causal bastaria, por si, para sugerir fortemente a coerência global por trás de tantos e tão disparatados fronts de combate, mas a sugestão plausível se transmuta em certeza factual quando se nota que tanto as várias concepções quanto o dinheiro para implementá-las vêm sempre da mesma fonte: a elite globalista, que por sua vez tem muitos objetivos, mas um acima de todos - o controle demográfico mundial.
Como toda operação complexa de engenharia social, essa conta não só com seus planejadores e militantes conscientes, mas com a colaboração frenética e servil de milhões de idiotas úteis, sobretudo entre "formadores de opinião" e mini-intelectuais, que de repente se apaixonam por algum slogan solto e, sem cogitar dos efeitos sociais de conjunto, passam a defendê-lo com aquele ardor cretino que vale por um juramento de nunca entender nada. Alguns, no arrebatamento da paixão retórica, inventam até novos argumentos que, por sua ousadia insana, surpreenderiam os próprios formuladores originais do projeto.
Outro dia, o Sr. Paulo Ghiraldelli, que de boa fonte me informam ser uma voz influente naquilo que no Brasil, não sei por quê, se chama de "educação", publicou um artigo em que declarava ser uma imposição tirânica da sociedade repressora a expectativa de que as mães, normalmente, amem seus bebês. Sim, por que não seria mais humano, mais democrático, mais coerente com o espírito destes tempos iluminados, consentir que as pobres senhoras odiassem, espancassem ou jogassem pela janela os filhos recém-nascidos, aqueles miúdos seres horríveis que não têm outra missão na vida senão ficar berrando no bercinho e sujar fraldas com uma obstinação reacionária e - digamos logo - nazista?
http://www.midiasemmascara.org/artigos/globalismo/11874-inventores-do-futuro.html